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sexta-feira, 4 de abril de 2025

CHUVA DE OXALA

CHUVA DE OXALA

Depois da estiagem

Deu ao ar, umidade

Cristais das nuvens 

Balé das águas 

Serena na queda

Agracia o espírito

o sorriso das flores

Resgata a criança 

Abençoa a humildade

Chuva do pensamento 

Limpeza de Oxalá 

Deixa alma serena 

 despertou a vontade 

Sem dizer na saudade

De conversar com a chuva 

 in loco, banhar alma

Limpar amargura 

Do que te prende

Esfria a cabeça 

Eu falo por reticências 

ela escuta o silêncio 

Descarrega a nuvem 

Resgata o crente

 Ao oculto do seu templo 

Gotas de água benta 

Apaga brasa

Baixa a poeira 

Percussão nas telhas

Resumindo o pó 

Água da calha

Nas veias das dúvidas 

Fura as ondas

Tira as manias 

Dispensa a revolta 

Dos ruídos da vida

Alegra o jardim 

Abastece a fonte

Saúda Iroco

E os Deuses da floresta 

Refresca a mente 

Da árvore do conhecimento 

Escorre a água 

Pela cuia da vida

As folhas molhadas

Dançam em silêncio

Fortalecendo a raiz

Sacia sede das mudas 

Alecrim e arrudas

a terra fecunda

Da Graça a horta

Como a benção do pai

As gotas escorre no rosto 

Hidratada Esperança 

Nos jarros da temperança 

Mistério do poço 

Roupa molhada

 asas a que não voa

Torna as palavras aladas

Os pássaros param

Meditar e contemplar

Deixa o som conversar 

Sem precisar cantar 

Palpitantes no lago

A chuva é melodia

Na memória emotiva 

Farras de criança 

Alegria da festa das rãs 

E o coral das saparias

SERGIO CUMINO 

O CATADOR DE RESENHAS 


                                  

quarta-feira, 2 de abril de 2025

CATARSE SHAKESPEARIANA



CATARSE SHAKESPEARIANA

Somos macacos nus

Que cobrimos a vergonha

O que não esperava

Alma que carrego desde outrora

É atriz quatrocentona

Na pena Shakespeariana

Que se revela eterna

Performando a realidade

Conforme cada ato

Drama e melodrama

E nossas comédia dos erros

E descuidamos da decência

E ela desnudou se no tablado

Baseado em conflitos reais

Dos embargos que carregamos

Sobrevive por séculos

Mantém se contemporâneo

Já desconheço quem sou

Quando me vejo na personagem

Gozando meus desejos

Desenrola a dor e terror

Como tivesse compartilhado

Dos meus segredos

Revelam se a cada cena

Nós e cordas descem cenários

conflitos encenado

Como arenas ostensiva

Vivências da catarse

Mostra previsível

O que jamais previa

Que viria nas frases

Ação das minhas entranhas

Em autópsia seculares

Meus demônios são de:

“Macbeth”, “Hamlet” e “Otelo”

Passa na favela, cidade e castelo

Até a inveja retrata

Cobiça e decadência

No talento do interprete

Imponente Ilusão e horror

Se alteram na sequência

Há mais coisas entre eu e o palco

Que sonha a vã filosofia

loucura silenciosa , quem diria

Em versos e prosa

As verdades incontestáveis

não escapam pela coxia

porque nos veem estáticos

O teatro em plena magia

 Com proscênio e bigorna

 mostra que nossos quereres

Pagos a qualquer preço

A ilusão é nossa história

Ignorando as consequências

Minha biografia é um drama

Angústia, fome insaciável

Cegueira desesperada

Tantos paralelos identificados

Que esperamos próximo ato

Amor que enfrenta

A polarização das famílias

Como embates de alcateia

Veneno de Romeu e Julieta

 Espelho na sala de espetáculo

Retrato vivo, do que representa

Do lado escuro da plateia

SÉRGIO CUMINO

O CATADOR DE RESENHAS