Depois da estiagem
Deu ao ar, umidade
Cristais das nuvens
Balé das águas
Serena na queda
Agracia o espírito
o sorriso das flores
Resgata a criança
Abençoa a humildade
Chuva do pensamento
Limpeza de Oxalá
Deixa alma serena
despertou a vontade
Sem dizer na saudade
De conversar com a chuva
in loco, banhar alma
Limpar amargura
Do que te prende
Esfria a cabeça
Eu falo por reticências
ela escuta o silêncio
Descarrega a nuvem
Resgata o crente
Ao oculto do seu templo
Gotas de água benta
Apaga brasa
Baixa a poeira
Percussão nas telhas
Resumindo o pó
Água da calha
Nas veias das dúvidas
Fura as ondas
Tira as manias
Dispensa a revolta
Dos ruídos da vida
Alegra o jardim
Abastece a fonte
Saúda Iroco
E os Deuses da floresta
Refresca a mente
Da árvore do conhecimento
Escorre a água
Pela cuia da vida
As folhas molhadas
Dançam em silêncio
Fortalecendo a raiz
Sacia sede das mudas
Alecrim e arrudas
a terra fecunda
Da Graça a horta
Como a benção do pai
As gotas escorre no rosto
Hidratada Esperança
Nos jarros da temperança
Mistério do poço
Roupa molhada
asas a que não voa
Torna as palavras aladas
Os pássaros param
Meditar e contemplar
Deixa o som conversar
Sem precisar cantar
Palpitantes no lago
A chuva é melodia
Na memória emotiva
Farras de criança
Alegria da festa das rãs
E o coral das saparias
SERGIO CUMINO
O CATADOR DE RESENHAS