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sábado, 27 de maio de 2017

BRUMAS DO YAWO




BRUMAS DO YAWO  

Brumas é a tela das possibilidades
Que se abre, e desenha a existência.
Lá projeto minhas querências
É da varanda que ouço pássaros
Em coral de suas operetas
Primeiro surgir entre a névoa
Exu, e toda a sua eloqüência
Mensageiro dos meus meios
Olhar que parece escutar
Os gritos do silencio
Comendo farinha de mandioca
Molhada na cachaça
Saudado após crepúsculo
No seu barco das pendências
Deixa a Água do lago
Esverdeado como banho de folha
Bom para adentrar a nevoada
Conforme diz senhor da estrada
Magia das ervas abre o caminho
Sigo pelos trilhos de Ogum
Sem risco flecheiro
Pede a benção de Ode
Sábio do que se quer
E do momento que é
Olhar paira sobre lago
Emergindo pensamentos
Cujo mergulho profundo
Mistério do meu oceano
Acolhido pela  aura da palha
Do inicio e do fim do mundo
E todo o sagrado de Omulu
Lago a grande gamela
Povoada de duvida
Mapeada pelos Odus
E a varanda salta a cena
Como torre de Ayrá
Abrilhantada por Obará
Teto, útero e oca
Encantos  da biblioteca
Avante ao horizonte
Que a mente levar
Como revoada de bem te vi
Abandonando o mau me quer
Entregam-se aos vôos pelos ventos Oyá  
Movimento que tudo se completa
Pincela sobre a  tela tintas sagradas
Com felicidade pintada
Com graça de galinha de angola
Sobre degrade de Oxumarê
Que entregue a glória
Oxum em misericórdia
Presenteia com arca de jóias
É quando as aves dessas paragens
Regorjeiam suspiros
Como forma do sentido cantar


SÉRGIO CUMINO – POETA DE AYRÁ


sexta-feira, 26 de maio de 2017

DESPE SUA PARTE LOUCA


DESPE SUA PARTE LOUCA

E tudo aquilo que quiser
E cada gesto eu sentir
Formas, cheiros e desejos
Faz-me seu poeta servil
De sua alegria para eu vir


Pede que a flerte nu
Com silencio da sua boca
Que da mulher recatada
Tímida ajeita os seios
Instiga a fogosa amada



Afirma-me. Sou toda sua!
Despe sua parte louca
Sob a mesa abre os meios
Declarado no doce olhar
Extasia com mel os dedos


Em ti meu olhar flertado
Convida-me para amar
Sua mata vulva úmida
E o desejo sem medos
Torna-me poeta apaixonado!


Sérgio Cumino – Poeta a Flor & a Pele



SÚDITO DESEJO




SÚDITO DESEJO

Majestosa nua peleja
Fogosa de intenso calor
Com a beleza ancestral
Atende que o olhar pediu
Com todo seu desejo carnal

Solvendo palavra minha
Louca selvagem no cio
Dama se mostra despida
Seu gozo verte de sua mina
Sem julgamentos morais



Com versos impudicos
Faz descobrir-se outra
De malícia atrevida
Não descritos nos anais
Meu desejo seu súdito


Torna o cosmo sem roupa
Cada célula uma medida
Entre a pele e a lingerie
Vê-se livre, linda e solta
Jogando alegres rendas


SÉRGIO CUMINO – POETA A FLOR & A PELE