A VIOLA QUE TOCA O CÉU
Na guarita d’alma, da jovem guarda
Escreveu ao mundo no coração de papel
Lembranças de quando sentado na porteira
Menino da gaita dando Adeus a Mariana
Começou lá como pescador em sua barca
navegar pelo Araguaia a sombra do chapéu
Nos braços e abraços com a viola parceira
de olhar no espaço de frente a cabana
Choupana, onde contempla via láctea
banha-se em si , em lá, em sol , sob céu
Para quem domina arte pingo é goteira
Que vira rio atinge o mar, chega a Havana
Avança fronteiras como boiadeiro laça
O touro, com a vida sem deixá-la ao léu
Assim fala do mundo cantando sua aldeia
Grande pai trás seus filhos de carona
Em família a saudade da terra passa
Retratando o sertão em cima do corcel
Marcando estrada com a vida violeira
Com filho adotivo, ou filho da ficção
A magoa do boiadeiro é que parelha
Anjo triste do menino com a sanfona
As violas com violeiros na praça
Encanta as doces notas como mel
E na tela Ana Raio com Zé Trovão
"Pirilampo & Saracura", lampeja
Arte de caboclo culto ao violeiro
A panela velha de cada dona
Prepara a oferenda ao sagrado
O Divino espírito do sertão
Louvor a viola que toca o céu
nas notas do violeiro errante
Natureza é Paraíso do pantaneiro
De João de barros ao rei do gado
Vida levada por ventos Uivantes
Que passe quatro décadas ou até seis
Coração Estradeiro do poeta menestrel
Sabe ser nobre sendo bicho do mato
Porque é musica, é Sérgio Reis.
Sérgio Cumino