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domingo, 16 de agosto de 2026

EPIFANIAS DO ORÍ

 EPIFANIAS DO ORÍ 

Para por insumos a mente

Glosava com Olodumaré 

Sentado numa grande pedra

Para ser coerente com o mito 

Se da dor nasceu o sábio 

O estigma o torna rei?

Do estrume nasceu a flor

Fazendo da vereda arte

Do silêncio nasceu a luz

Que flama sincero com a sombra 

Da água vem o amor 

Límpidas como tem que ser

Da cabaça vem os mistérios 

E toda mitologia metafísica 

Sobre o rigor da sina lendária 

Da dúvida vem a dialética 

O preparo do front interno 

Da virtude a razão cética 

Sobre a alusão ética do espírito 

O pé empurra o chão à cabeça chegar a lua

Das células vem a magia 

o território interno proposita energia 

Ensina a vida a trilhar as crenças 

Cuja ancestralidade e sua bença 

Das folhas adquiri a força

Que irradia a esperança 

Do princípio vem o coletivo 

O que ecoa o canto da aldeia 

Do carinho à cordialidade 

A construção da Alameda da paz 

Da brandura o discernimento 

E toda eloquência do silêncio

A chave destranca o destino 

Da força veio o fogo

E toda beleza do movimento 

O redemoinho o paradoxo da ordem

Assim como raio derruba a torre

Dos Itans evocam o sagrado 

E geram os frêmitos do transe

Do que eleva a cabeça ao Olorum

Quando o axé comunga com Orí

*

SÉRGIO CUMINO 

FRÊMITO DO ILÊ 

sábado, 15 de agosto de 2026

COMO NAQUELA MANHÃ

COMO NAQUELA MANHà

O vento sopra o pólen 

Como poesia sussurrando 

Sobre avanço nevoeiro 

Como prece perante o véu 

Balança a copa das árvores 

Como a dança da rainha de copas

A chuva molha Campos e terra

Como cânticos da vida

A vida é terra composta de ventres

Como menina se tornara mãe 

A mãe preposto da Deusa que amamenta o filho 

Com afeto, devoção e amor

O amor mediador do caminho 

Como louco a busca do destino 

As árvores recebem as abelhas

Como o mundo Polinizam beijando as flores 

Ficam envaidecidas que suspiram poesia 

Como floresce inspiração no polem 

Nas copas os pássaros dançam

Como as folhas são chocalhos da árvore 

Coreografa os ares de vida

Como o cio da terra 

Está na ternura da mãe 

Como ventre sente horizonte 

Que alegra e alimenta o amor

Como filho, espírito e santo 

Na jornada do destino 

Como caminhos de revelação 

Que semeia seus jardins

Como abelhas produzem mel

*

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO  

O IRREDUTÍVEL BOÇAL

 O IRREDUTÍVEL BOÇAL

Preso numa ideia fixa

A trava da evolução 

A treva da cognição 

Acorrenta como único comentário 

Como se fosse virtude legalista 

Ponto resistente até mofar dele

Temeroso que a ideia fuja

Goma esquecida debaixo da carteira 

Sina que não é fidedigna 

O que faz empenho controverso 

Porém o freio da paixão 

Presa que não está mais lá 

Moral em estado de delírio 

O ponto é a mutação, como diria Capra

Volátil foi a indiferença passando a rolagem 

Ali jaz um ponto fixo

Tantos outros passaram 

Àqueles que insinua algum apreço 

Timidamente pegos na triagem da hipocrisia 

Insiste ser questão de opinião 

Liberdade de expressão não o poupa do ridículo 

Mesmo assim não recicla 

Não fede e não cheira 

O cárcere do propósito 

A síntese do desejo falido 

Como manual carcomido do crente 

Recalque sísmico do conservador 

Na cínica pregação do lacramento 

Princípio basilar de dinastia extinta

Etiqueta de calça velha com vinco 

Fadado a rima do amor e dor

Com plumas de princípio 

Alto flagelo de fina flor

Ai meu santo Benedito 

Não se imagina quão reacionário 

Idealizados em rosquinhas e rococó 

Guarda o ensopado azedo 

Até a lua tem suas fases

O tempo passa e os lençóis amarelam

O que justifica a primeira linha 

Pontuado a relutância em sua lápide 

Quer colocar na linha, e perde o trem 

Pois o rancor será sua sina

 Não será fixo o ressentimento 

A traça corroeu o óbito do ponto 

E só irredutível não percebeu 

O mastro onde crava o ponto 

Não é luta , é medo 

não haverá legado ou pontos póstumo 

 Famigerado ponto morreu consigo 

Resumido a ponto precário 

Eterna surdez do ponto imóvel 

Negacionista da interrogação 

Que jamais será reticências...

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 SÉRGIO CUMINO 

 INVERNO REVERSO