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sábado, 2 de maio de 2026

CICLONE

CICLONE 

Não se apega a estigma 

Porque a razão faltou 

Apenas uma vertigem 

Por ser verdadeiro 

A angústia de pronto 

assume o posto 

Pois é seu moço 

Caminho reto

Em entradas tortas

A recíproca também é verdadeira 

Muita atenção nas encruzilhada

conveniência tem suas arapucas 

À prender no estaleiro da resignação 

Por isso, cuidar de si é uma arte

Tantas possibilidades em redes

Cujo balanço ilusionista 

Enquanto o desespero 

O espera no beco 

Para sabotar a existência 

 Brado! Brado! Ayrá Lê!

Grito da fé acudindo a carência 

E logo pede audiência 

Persistência e a teimosia 

Ansiedade da intuição 

Que busca brisa

E descobre se na devoção 

Em ser cavaleiro andante 

Com machado em punho 

Evocando o ciclone 

Que o despe do coletivo 

Para vivenciar o mistério 

E suas litúrgicas matrizes 

O oculto inculta a radiação 

Pelos vibram e chamam 

Os arrepios intermitente 

Ori a bulir com a clarividência 

Até a paciência em transe

Sem o bojo comprimindo o peito 

E as coronárias do Destino.

SÉRGIO CUMINO – BRASA À FÊNIX 

  

                               

PELAS BARBAS DE AYRÁ

PELAS BARBAS DE AYRÁ 

Não sou paladino do caos

Apenas um poeta 

que não quer ser descoberto.

Pela ventania do campo aberto 

Com a chaga as claras

Quero ser eu nessa jornada 

Sem o riso da piada intencionada 

Âncora do benefício do tolo

Do escárnio do outro 

Livrar se dá cama de gato 

Para ser o leão 

sai da Fênix e encarando a sombra

E que o urro chegue a boca

Sem se perder em tempos verbais

Quanto mais sobe

Mais o ar rarefeito 

E o entorno desabitado 

Ortografia corrompida

Preconceito da narrativa 

o murro chega ao estômago 

Da tocaia do cancelamento 

Aí restarão as flores 

Do túmulo do cabimento 

Não ser o leão morto do dia

e seguir pelo Odu do livramento 

 Às barbas do conhecimento 

Põe de molho no mergulho a alma 

Onde se lapida a ternura 

Como pedra filosofal

Na brandura do ancião 

Tantos contratempos até então 

Foram pausas de reflexão 

Nos becos da memória 

Com a lamparina Eremita 

Dessa prosa vivida 

SÉRGIO CUMINO – BRASA À FÊNIX                        

sexta-feira, 1 de maio de 2026

MARIA MULAMBO

MARIA MULAMBO 

Atendeu o abdicado

Porque já abdicou

Atravessou a ponte 

Viveu as mazelas 

Dos guetos mundanos

Da queda sem trégua 

Do virtuoso ao vulnerável 

Do humano ao intolerável

Do amor não respondido

Do orgulho ferido

Na lixeira do acaso 

Vem a magia do afago 

Confunde o delírio amargo 

Da nobreza a existência 

Há quem havia esquecido 

A vibração que limpa 

A luz para ver o espírito 

Da mácula marginal 

Reverência a anciã 

Das águas salubre 

Da lama a cura

No resgate do invisível 

Ponto cego da lixeira 

Na noite lúgubre

A força da elegância 

Contra alcunha do abandono 

Nos becos sem donos

De bocas sem vozes

Na autocracias nobres 

Descarte de humanos

A cinza do âmago 

É o resgate Maria Mulambo 

SÉRGIO CUMINO – BRASA À FÊNIX