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domingo, 31 de maio de 2026

SENHOR DAS RUAS

SENHOR DAS RUAS

Ago Alupô, permita-me falar!

Ago Alupô, permita-me escrever!

Seguimos como pensamentos andantes

Seguimos esculpindo conceitos 

Com passos diferenciados

Com passos que não são passados 

Com fome de caminho

Com fome de viver

Senhor anfitrião come primeiro 

Senhor anfitrião tem sede de beber

Dá o primeiro gole e cospe na vida seca

Dá o primeiro gole, matar sede de saber

Senhor ancião sabe sóbrios caminhos 

Senhor ancião é caminho pra aprender 

 Bará Lodê é o mais velho

Bará Lodê é o poderoso dos Barás

Há bandas que tem alcunha de Pedro 

Há bandas cuja bandas o respeitam 

Orientador não há caminho errado

Orientador ensina passos caminhador 

Leva as chaves dos dilemas 

Leva as chaves dos portais ocultos 

Seguimos como saudosos peripatéticos

Seguimos como mestre e discípulo 

Criador que cria a partir do nada

Criador das criações divinas 

Sabedoria que cura feridas abertas

Sabedoria que reensina renascer 

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 

              

sábado, 30 de maio de 2026

CICLONE E A EXISTÊNCIA

CICLONE E A EXISTÊNCIA 

 Redemoinho já se vai

Pelo buraco da fechadura 

Que ficou do tamanho da porta

Ampliada a fresta do pensamento 

Findando a meditativa clausura

Se ele vai eu vou atrás 

Pedi que abrisse a porta 

Respondeu-me, que eu sou a chave

O acesso a passagem 

A nova perspectiva

Fidelidade da ventania 

Foi a frente limpando 

Resquícios que me aguardava

Era tudo novo no velho mundo 

Eu já era outro, que passei a ser eu

O paradoxo do desconforto 

Sai do lugar comum 

O frisson abraça a estranheza 

O acesso e os passos 

O caminho e a passagem 

Saí de dentro pra fora

De fora pra dentro

Viver ciclone da existência 

Protagonista do roteiro próprio 

A proposta e o propósito 

O Parsifal e o graal 

Louco e o mago sem olhar para trás 

General da vestimenta Fun – Fun 

À ser lamparina e o Eremita 

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 

                       

PESCA DA INSPIRAÇÃO

PESCA DA INSPIRAÇÃO 

Psiu! Faça silêncio 

Vai espantar o pensamento 

Pesca de reflexão profunda 

Desviando dos escamosos

Que sobrevivem com factóides 

A dúvida é a isca da filosofia 

A luz que chega ao fundo 

Já os de couro, guerreiro 

É símbolo da resistência 

Uma luta para tirarmos de dentro 

Destreza da poesia 

Pesca que tenha cabimento 

Quando ficção vira resenha

Acaba como história de pescador 

Nem tudo que cai na rede alimenta

Há o que vem de dentro arrebenta 

Memória repleta de espinhos 

Quando a água não está pro verbo 

A água, barco, céu e pescador 

Compõe o mesmo quadro 

A espera da inspiração profunda 

*

 SÉRGIO CUMINO VIAGEM A OLODUMARÉ