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sexta-feira, 5 de junho de 2026

MADONA FLOR

 MADONA FLOR 

Altiva como a águia 

Espírito impulsiona o instinto 

Ascende na conexão com primor 

Como fecho de luz que emana

Coração é talismã da Deusa

Determinada enfrenta a dor 

Poder é a destreza de amar

Espírito e a carne é amálgama sem prosa

Cuja alteza vem das profundezas do mar 

A Trindade no exercício da vontade 

É o cravo e a rosa.

Talento na arte de amar

Princípio o meio e o fim

A composição efêmera, força do poema 

É criação dádiva artesã 

Restaurando o dilema 

Percepção intuitiva da flor

Que supera a ventania 

Pelo jardim imaginário 

Nos devaneios da tempestade 

Madona, cabelo de ouro branco 

Transcende o espírito dinâmico 

Quão a alma é pura

Renova a arte de ser mulher 

Não é poesia pois vive poeticamente 

É a cítara de vênus 

Cuja província é a lua.

*

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 


                    

quinta-feira, 4 de junho de 2026

O PASSEIO DA PALAVRA

O PASSEIO DA PALAVRA 

Numa noite de lua 

Na solidão da agonia 

A moça leva a revelia 

A palavra para passear 

pensamentos precisavam de companhia 

Assim teria com quem conversar 

Despiu-se das frases feitas

Da moda opressora e fetiche das rendas 

Era noite de libertar a utopia 

Levou a palavra a beira mar

Para ouvir a capela a ária das ondas

Levou as palavras que andavam rebeldes

Com o estresse da superfície 

A Lua e o canto das ondas

Ela e as palavras nuas

Não haveria porque dissimular 

As estrelas eram tantas 

Brincavam de esconder nas nuvens 

Não se preocupavam com as semânticas 

Certo era que na praia da dúvida 

Entre pairar junto as nuvens 

Ou mergulhar no oceano 

Ali estava a lua para mediar 

Uma coisa era certa 

A maresia decodificava pensamento 

E as palavras se esbaldava como criança 

Bastava dá-lhe a mão 

Que a levaria onde quisesse 

A liberdade era o farol imaginário 

Que orienta as navegantes 

E as frases de vento e prosas

No embalo das ondas

Para que ela seja a poesia 

Quando a lua é a semiótica.

*

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 

                            

PALMA DA MEMÓRIA

PALMA DA MEMÓRIA 

O amor abençoa a imaginação 

A caça do imaginário a locação 

Perto dos olhos na palma da mão 

Para as linhas lerem o destino 

Com calor, luz, cheiro e paixão 

Lembrança flerta com a saudade

Todos os ingredientes da ilusão 

Linhas são rotas da lembrança 

Subverte a quiromancia em poesia 

Onde passeia a sua Diva

Linhas ocultas tomam formas

Sinuosa silhueta faz desejo brisa 

Paisagem no horizonte a mão 

Lá está ela de corpo presente 

Crepúsculo compõe a ternura 

Pés nus dança com a marola 

Maestrina das sensações 

Sonata envolve a linha do sonho

Sopro do peito acompanha o andamento 

Amada se posta na linha do coração 

Sob a sombra da arvore da vida

Bela da tarde é suave poesia 

Na extensão dos seus dedos 

Tão bela como a flor

Sonha carícias como cítaras 

Centro da palma projeta memória 

Insumos dessa brisa recria

Protagonista da linha do amor

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ