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domingo, 19 de julho de 2026

ZÉ E O FIM DO TRAPO

 ZÉ E O FIM DO TRAPO

Dizimado de cada dia

Usurparam a Decência

Banho e sabonete 

Cuidado corpo doente 

Entre o choque de realidade 

*

Que sonhou outrora 

Banhado de ilusão

Na alegria do futebol 

Saudades de ler o cardápio 

Do pasteleiro da Quietude 

*

Traumático a carestia 

Ressignifica a carência 

Exército da miséria é cadete

Pé cascudo no asfalto quente 

Despojado da dignidade 

*

Chove muito aqui fora

Tá mudando a estação 

Encolhe-se em caracol

Visto como larápio 

Corpo molha sem atitude 

*

Descendente de dinastia

Acumulador de doença 

 fome, friagem e cacete

De compaixão é carente 

É invisível sua calamidade 

*

A esperança foi embora 

No mundo restou fiel cão 

Na chuva, frio ou faça sol

Tem a estima em farrapos 

No sumário esvaiu solicitude

 SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

REPULSA CÉTICA


 REPULSA CÉTICA 

Positivismo tóxico 

E as parábolas de consolo 

Se camuflam de compaixão 

Como senha de distanciamento 

Das competências genuínas 

Que requer a humanidade 

Terceirizada a algum divino 

Do mercado místico 

Cria esse ridículo de conduta

 ancorada na devoção 

A mediocridade vira rito

À vítima impute a culpa

Piorando a situação 

Subestima a mente sã 

Como se em águas bentas 

Lavasse as mãos 

Da ao factoide algum 

Versículo, parábola ou Itan

Fossem súmulas do veredito 

- Que a dor seja penitência 

Propósito do gélido isolamento 

Para que se arrependa a tempo

Sabe-se lá do quê 

“tenha fé e será absolvido “

Fazem da divindade 

Envergonham qualquer mito

Mantos de vaidade

Como projeção programada

Dissimular o que não é comigo 

Obra do racismo religioso 

“o julgo miserável , porque sou abençoado “

A benção do mau trato 

Valida a fé espúria 

O que é mais penoso

o varre pra fora do circuito 

Para que as lágrimas não solte grito 

Imaculada desgraça de cada dia

“Livrai-nos das penúria “

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

 

sábado, 18 de julho de 2026

SEPULCRO MACULADO

SEPULCRO MACULADO 

Sepulcro maculado  

Da vil e pitoresca

Virtude caída 

Dúvida eterna

Onde ,Vida e morte se encontram

Na mente dos aflitos 

Ao julgo da temporalidade 

 Decidem os beneficiários da redenção 

Melancolia tem lugar de fala

Vertical rumo ao abismo

Sem melodia a situação 

A seco desce inativo 

Com seu fardo de pesares

A queda dialética ao sombrio 

Como romantismo gótico

Os discípulos de Werther 

Encontra no limbo o lirismo 

Contrapõe análise do subjetivo 

A auditoria da fundação 

Com a ressaca da abstinência 

A nulidade do reflexivo 

O não criado na vida em curso

Perante ao desejo da morte

O paradoxo apelo a vida

o espírito não pede recurso 

Pela ansiedade do aflito 

O sofrimento e seu calvário 

Mesmo que corte os pulsos 

E sua estratagema do pertencimento 

Retórica análoga 

Com drama apocalíptico 

E a luz esvaindo no crepúsculo 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO