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sexta-feira, 3 de abril de 2026

ESTIGMA DA TRILHA

ESTIGMA DA TRILHA

É meu senhor me sinto melhor 

Porém não consigo tirar 

a corda do pescoço

 com formato temerária

Que fez da horária,Fardo 

Carga invisível 

Contudo presente 

Nesse dilema pela vida

E a dúvida intermitente 

Entre a cruz e a espada 

Peço uma cadeira pra sentar

Para descansar os remorsos 

Que não larga do meu pé 

E nem ruptura do paradigma 

Sabe se lá onde foi criado

O novo pra ser reparado 

Onde armam tocaias 

Fica no mal fadado 

Cole ao lado dele

Se não ele vai sozinho 

Da sentido as avarias 

Permanece minhocas semiótica 

O coliseu da cabeça 

Estigma ostensivo 

Para ser visto 

Òrun desenhando 

Sinais na terra

De bom pai

Na areia de Iemanjá 

Gaivotas percebem o medo

Camuflado de força 

Para enganar o desespero 

Onde enfrentar 

Os jamais 

Para preservar 

Bússola do bom senso 

E todo seu elenco 

SÉRGIO CUMINO – DO PÓ À FÊNIX  

                            

quinta-feira, 2 de abril de 2026

BEIJOS PAIXÃO

BEIJOS PAIXÃO 

Beijo paixão 

Sente o peito esquenta 

É o beijo de coração 

É beijo de graça 

Acarinha o espírito 

Alinha as batidas 

Em tempo e contratempo 

Para nossas almas dançarem 

E as tensões dissipam

Com sussurro do vento 


Beijo paixão 

Beijo devoto, devoluto 

Profundo fado

Convença o bruto

Beijo lapidado 

No terceiro olho 

Olha para lua 

Ela olha de volta 

Ao gosto do intuitivo 

São traços do sagrado


Beijo paixão 

Não foi crucificado 

Legado é a entrega 

Beijo que causa

É o beijo da causa

Utopia beijando 

Para dar sorte 

Na sua jornada 

Aproveita beijo lento

Beijo soprado 


Beijo paixão 

É beijo intencional 

Para que lado de lá 

Sinta beijo chegar

Divino tempo

É testemunha ocular

Quando a prece prosa

É a pedra do amor

Destaca seu altar

No Quartzo Rosa

SÉRGIO CUMINO – DO PÓ À FÊNIX  

                           

segunda-feira, 30 de março de 2026

MÃE ÁGUA

 MÃE ÁGUA

Canta a cabeceira

Para espuma dança

Há tanto segredo nesse espumar

Faz do encantamento pequeno

Perto do que tem a cantar

Escorre sagrada

De encontro a pedra

E as pedras de Ayrá

Do salto da cachoeira

O Oxé banhado

Percussão molhada

Choque do cascalho e a água

O véu se teve ,

Quando tudo , um ventre

O sorriso da mãezinha

Desce rente, aflora bela

Abraço aos Otás

E as madeiras que encontrar

Ápice do encantado

A rota se segue

o rio solta marola

Para respirar

Alerta aos atentos

Como rocha contornar

Caravana encantada segue

Leva a mente repousar

No seu leito

Divã astral

Para ir a fundo

Submergir em si

E se encontrar

 em novo mundo

De um novo jeito

Até o rio não é o mesmo

A benção naval,

Ondas paradas

Formam palavras

 o rio de crenças

Alegria e afeto

Acolhe, ribeiro, pescador

Canoa passa na ribeirinha

Que preta Velha, reza lá

Quando lua cheia

Reflete em águas límpidas

Espelho do seu sonho.

E a busca do amor

Céu estrelado de resenhas

Na calada da noite

Oxum se cala

E as águas , escuta-la

Porque o silêncio fala

Que verá

Onde seu rio vai chegar

Porque Yabá, não repete caminho

Não depende da liturgia

Seu ouro não enferruja

E margens de esperança

Dessa mãe sou criança

Criado na poesia

SÉRGIO CUMINO – O POETA DE AYRÁ