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terça-feira, 26 de maio de 2026

QUANDO PENSAMENTO PEDE

QUANDO PENSAMENTO PEDE

Coloco-me em estado taciturno 

Em conluio com a calada da noite 

Para que ouça com apreço o silêncio 

E perceba quão profundo o apelo

Até empatia não descreve o que acompanho

Mas essa impotência que me rasga o peito

  As mãos incapazes unem-se em prece

Rogo que atenda o martírio de quem amo

Jogo ao universo, sei que está em todos os planos

Reina no ciclos da vida até que se finda

Regenera vítima da enfermidade

Para que sua filha em roda de rito

O recebe empunhando seu cetro

É divino da cura e purificação

Por isso peço com ar que respiro

Que a vida a dê serenidade no lugar

Do grito entalado pela dor dos ombros 

Como se submetesse nervos

A tortura sobre cavalete

 mãos retomem a graça de afagar

Que o semblante reviva sua poesia

Faça do dilacerado renovação 

E todo sofrimento sabedoria 

Tira todos males com suas palhas

Xaxará seja instrumento da sagrada cura

 Atotô a saudação que o faço em pensamento 

Para o pedido transcender

Onde minha vã filosofia não consegue alcançar 

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 

          

segunda-feira, 25 de maio de 2026

UIVO DA LOBA

UIVO DA LOBA

Quem é essa?

É ela, e ninguém mais deveria ser

Ela é simplesmente ela, 

Com orgulho de ser. 

Passou longe da donzela 

Para nunca mais se perder

Nessa vacância postiça

Estética retorta que não passa pensamento .

Sem complexo de cinderela 

Soube ser rainha, soube ser mulher 

Instinto é a bússola que a leva ao sírios 

A cosmologia que lhe rege

Após renegar os mandantes

E as pantomimas que afere 

O Uivo da paixão é sua reza

Para o norte orientar

Solidaria a sua alcateia

Sem precisar de platéia 

Mas sabe andar só com a destreza das pernas

E chorar para lua poder escutar 

As delinquências do amor para luar

É a Ursa Maior, nesses territórios pequenos 

Que ainda vivem o mito da costela 

Quando ela já é constelação 

É guerreira e materna

 É fiel na união 

Sua lealdade é visceral,

Compreende a profundidade da sombra.

Menina, faceira e feiticeira 

Com os pés em dois mundos 

Nos liminares entre ventre e a morte

Amparando o ser amado 

Como seu reflexo na lagoa mágica 

É mãe no espaço sagrado 

Fundadora mítica da sua linhagem 

Condutora da fertilidade sagrada 

Selvagem e empoderada 

Livre por determinação.

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 


domingo, 24 de maio de 2026

EU NAVEGANTE

 


EU NAVEGANTE

Barulho do isolamento

Do silêncio verborrágico

Se apruma com mar calmo

Em harmonia com oceano

Ocupa a lacuna do abandono

Quando pousa o remo

o sol brilha como ouro velho

Ilumina o legado da história

Frade em seu pequeno barco

perene como a luz reflete

olhar se projeta, ao nada solene

 indaga com espírito:- Quem vem lá?

Com a luz inerente ao sábio

Chama colhida por uma vida

Flama dirige a luz do espírito

O lume moderado e eficiente

Nota que o que vem, pela vastidão

profundo quanto o mar que navega

Deveras sábio como sol da retaguarda

Sabes, quem vem lá é resgate de cá

Como transformação a novo patamar

Sem alardes ou sirenes marítima

Vem, emergiu de seu oceano

SÉRGIO CUMINO –

VIAGEM A OLODUMARÉ