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sexta-feira, 15 de maio de 2026

SONHO DA SAUDADE

SONHO DA SAUDADE

Saudade não dorme, sonha

Faz parte do ser, não sei dizer

Materializa as ilusões 

Noturnas de Outono 

Captura o sono, a meu prazer 

Na extensão do braço vejo você 

Preenche a sua falta

As gatas de casa aconselham

Com miados solidários

Confortam o refúgio do querer 

Aconchegando a mim

Ronronam pra eu dormir 

Para amor vibrar no Orum

A lua reflete sua imagem 

Felinas em prol da ilusão 

Redesenhar o real

Desejo e a sonolência 

Adormeci o factual 

Olhos fecham e porta se abre

No casebre ruindo pela saudade

 surge bela a espera na entrada 

vontade, faz dos olhos lamparinas

Ilumina a querência e a sina

Inocência da o ar da graça 

Elevando a minha utopia 

Para o deleite do espírito 

Devaneios cortejo imperial 

O que é sonho ou real?

Faz a cabana, cenário de fábula 

Ilusão desenha a esperança 

Dama dos sonhos é amada

Rainha noturna coroa a paixão 

Sonho constrói seu trono

Leve, eterno e breve 

Nessa ficção íntima 

Suficiente para avivar a emoção 

E toda a alegoria inconsciente 

Emergi do fundo: - Eu te Amo!

Sonho noturno e oportuno

Que sobrepôs a razão 

E deixa a noite calada 

Romântica madrugada 

Descobertas envolta da manta

Desse sonho não solto

Faz desse corpo criança 

Sussurra com a sensação 

Faz-me sentir seu colo

Vigília do amor no coração 

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX                            

ENGASGO DA GAIVOTA


 ENGASGO DA GAIVOTA 

Sobrevoa o boqueirão 

Na extensão de praia grande 

Divide o almoço com pescador 

Um trás o pescado em redes

Nosso sonho pelas nadadeiras 

Quando o mar não está pra peixe

Entre orla e marolas, competem

Gaivotas e pombos urbanos 

A busca ao que sustenta

Que devem vir nas bagagens 

De turistas e banhistas insanos 

O que a fome não atenta

Grasnidos e arrulhos 

Entre as labutas ambulantes

Fazem da areia feira livre

Desviando dos guarda-sóis

Ao descaso que imundícia praia 

Gaivota das poesias de marinhas 

Contamina-se a sobras espalhadas

Afere o voo das fábulas 

Do patamar da arte ao descarte 

Ser iluminado vê-se contaminado

Destinados a restos jogados

Do descaso humano 

Como paraíso ser perfeito 

em meio ao desleixo ?

Se o sonho é infinito 

Aqui encontram o umbral

Onde os para-raios é o limite 

Já não voa tão livre sob o sol

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX                  

quinta-feira, 14 de maio de 2026

O RITO DA TRAVESSIA

O RITO DA TRAVESSIA 

Esse rio choroso de mim

Amor de mãe não tem fim

Ao encontro com o mar

Não há o que se lamentar 

Sou Parsifal em busca do Graal 

O horizonte abre o Boqueirão 

essência que não sei mensurar 

Mas que excita o coração 

E a mãe que prepara o Filho 

Para missão, cruzeiro, destino 

Comovida libera lágrimas 

Com formosura da cachoeira 

Vem da ribeirinha da memória 

Tira de suas águas um amuleto 

Para na travessia carregar 

Representa, o pai e a mãe, é o Ota

Amor a arte e o ouro 

Justiça deixa para Ayrá 

Iemanjá aguarda, quebra ondas

Quem vai me encaminhar

No alto o sopro das maresias 

Primeiro mergulho profundo 

 Fundo do oceano tem que passar 

Marinheiro sete mares na escolta 

Capitão da fragata, após fragatear 

três mastros, paz, equilíbrio e fé 

Para jornada do herói 

Primeiro esquecer o passado

Banho fervendo de quiabo 

Ferver discernimento do Orí

Deu-me o Eketê, saberão quem é 

Segundo a chave, é o poder 

acesso ao caminho do mistério

o Oxé para enfrentar tempestades 

Ventos beija as velas à ser preciso 

Oxum da vida que não é precisa 

E todo o reino intuitivo 

E o frisson aos rumos vindouros 

Sons das gaivotas harmoniza o eu

cantos das ondas, acerta o peito 

Sobre o mastro imponente Içada 

Flâmula branca, respeito a Oxalá 

Sente-se o pavilhão da cortesia 

a insígnia filho de Oxum com Ayrá

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX