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sexta-feira, 15 de maio de 2026

ENGASGO DA GAIVOTA


 ENGASGO DA GAIVOTA 

Sobrevoa o boqueirão 

Na extensão de praia grande 

Divide o almoço com pescador 

Um trás o pescado em redes

Nosso sonho pelas nadadeiras 

Quando o mar não está pra peixe

Entre orla e marolas, competem

Gaivotas e pombos urbanos 

A busca ao que sustenta

Que devem vir nas bagagens 

De turistas e banhistas insanos 

O que a fome não atenta

Grasnidos e arrulhos 

Entre as labutas ambulantes

Fazem da areia feira livre

Desviando dos guarda-sóis

Ao descaso que imundícia praia 

Gaivota das poesias de marinhas 

Contamina-se a sobras espalhadas

Afere o voo das fábulas 

Do patamar da arte ao descarte 

Ser iluminado vê-se contaminado

Destinados a restos jogados

Do descaso humano 

Como paraíso ser perfeito 

em meio ao desleixo ?

Se o sonho é infinito 

Aqui encontram o umbral

Onde os para-raios é o limite 

Já não voa tão livre sob o sol

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX                  

quinta-feira, 14 de maio de 2026

O RITO DA TRAVESSIA

O RITO DA TRAVESSIA 

Esse rio choroso de mim

Amor de mãe não tem fim

Ao encontro com o mar

Não há o que se lamentar 

Sou Parsifal em busca do Graal 

O horizonte abre o Boqueirão 

essência que não sei mensurar 

Mas que excita o coração 

E a mãe que prepara o Filho 

Para missão, cruzeiro, destino 

Comovida libera lágrimas 

Com formosura da cachoeira 

Vem da ribeirinha da memória 

Tira de suas águas um amuleto 

Para na travessia carregar 

Representa, o pai e a mãe, é o Ota

Amor a arte e o ouro 

Justiça deixa para Ayrá 

Iemanjá aguarda, quebra ondas

Quem vai me encaminhar

No alto o sopro das maresias 

Primeiro mergulho profundo 

 Fundo do oceano tem que passar 

Marinheiro sete mares na escolta 

Capitão da fragata, após fragatear 

três mastros, paz, equilíbrio e fé 

Para jornada do herói 

Primeiro esquecer o passado

Banho fervendo de quiabo 

Ferver discernimento do Orí

Deu-me o Eketê, saberão quem é 

Segundo a chave, é o poder 

acesso ao caminho do mistério

o Oxé para enfrentar tempestades 

Ventos beija as velas à ser preciso 

Oxum da vida que não é precisa 

E todo o reino intuitivo 

E o frisson aos rumos vindouros 

Sons das gaivotas harmoniza o eu

cantos das ondas, acerta o peito 

Sobre o mastro imponente Içada 

Flâmula branca, respeito a Oxalá 

Sente-se o pavilhão da cortesia 

a insígnia filho de Oxum com Ayrá

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX                                 

segunda-feira, 11 de maio de 2026

AXÉ DE OFA

AXÉ DE OFA

Flecheiro é desafio escolha 

Equilíbrio da resposta e pergunta

Onde a flecha busca o infinito 

Para aprender viver o finito 

Sagrado entregar sustento 

Encontra a vida de quem a perdeu 

O espírito da causa e efeito 

Enaltecendo o amor 

Dobra o arco a escolha 

Como orvalho escorre pela folha 

Lança flecha a vertigem da vida 

Com Oxalá conhece a paciência 

Com a beleza do arco-íris

Sabedoria das cores em Oxumaré 

Alvo não ouve, oculta-se no oculto 

Mistura-se com espírito seteiro

O laço que lança flecha 

Transcende o transe

Auspicioso, flecheiro é o alvo 

Não encontra a caça 

Se não estiver onde deveria estar 

Além dos limites do ego 

Pensar sem pensar 

Integrado ao Orum

Com seus pés no Aye 

O axé é o todo e o nada

 o espaço é o espírito da mata

A invisibilidade é a arte 

O arco é o desenho 

Que o Sol e a Lua fazem 

Em estado de purificação 

Lança o ori em sua dimensão 

Ofa é o caminho do Axé 

Logun Edé, Oxum e Oba

 e o fundamento das sete flechas 

Filho não será o mesmo 

Faz-se do impossível o possível 

A benção é o signo do silêncio 

Meditando com o sagrado

Ao liberar a sua flecha

 o enigma e o Divino das matas

Densidade arbórea dos mistérios 

E suas copas que se tocam 

Flecha viaja pelas bençãos 

Entre seus filos sagrados 

Sobre a sabedoria de Ossanhe

Estica a corda e dobra o arco

Em reverência a existência 

Lançando o arqueiro

 as raízes ancestrais 

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX