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quarta-feira, 22 de abril de 2026

A BRANDURA OBATALÁ

A BRANDURA OBATALÁ

É a luz e criação

Meio centenário

Que a canjica

É o banho devoto

Do Ori abençoado

No marco do axé

Jornada que os pés

Cinco décadas caminha

Omite algumas pegadas

Já outras relevantes

Semânticas e resenha

A fé como desafio

Na dúvida e na graça

A mente sagrada

Da alma Fun-Fun

Meio centenário

De estigma e a fé

A sabedoria ancestral

A vida escola orientou

Cinco décadas, saga do Pai

Da saliva da mãe

Que evoco orixá

Prece em cantigas

E as cabeças abençoadas

Que o Baba cuida

Celebram o feito

Da história cantada

No Ilê de Òṣàlùfàn

Templo pacífica rumos

Equilibra o adverso

Da a vida prumo

Maturidade coroada

Jubileu das matrizes

Da mitologia Iorubá

Missão de meio século

Com os passos do Opaxorô

Ensina a paz caminhar

Desde o início

Já era professor

Noviço e Yaô

a cinquenta anos

Pai Maurício

Abranda o Legado

Èpao Èpa Bàbá !

A brandura Obatalá.

SÉRGIO CUMINO – DO PÓ À FÊNIX



terça-feira, 21 de abril de 2026

BEIJO DA NOITE

 BEIJO DA NOITE

Buliçosa orla

Com balão de gás

Carro de milho

Há o noviço

Na areia salgada

Poemeto arenoso

 castelo de criança

Samba de roda

O passeio é sapateio

Na pedra portuguesa

E um pandeiro no fim do túnel

A onda formou e o sonho surfou

Mistério invisível

Antes da noite chegar

Entrada do dégradé na veia

Que o crepúsculo abençoou

Junto ao sopro da maresia

Gaivotas rasante

anunciam a noite

Maré sobe e estende o tapete

Reflete olorum no Aye

Luar chega o aconchego

Ondas cantam a capela

Prelúdio do inesperado

A magia foi orgânica

Saíram do lugar comum

Os sonhos tece a colcha

Com o brilho das estrelas

O beijo do olho no olho

As mãos transpiram

 Lábios se secam

E o peito,

 numa valsa romântica

Com a marola

SÉRGIO CUMINO – DO PÓ À FÊNIX


segunda-feira, 20 de abril de 2026

PULSA QUIETUDE


PULSA QUIETUDE 

Caminho da prosa

Suspiro presente 

Sentido sol poente 

 Urbana Clareira 

Da feira entre palmeiras 

Largo das resenhas

Meninos e meninas 

Patins e tainhas 

Dada as mãos 

Ousadas paradas

Pensamento trovador 

Ressuscita natureza morta

Em manobras radicais 

Defronte as acácias 

Esquina simpática 

E o passeio abraçado 

Pelo jardim e a parede 

Portal pro além 

E os gatos na vigília 

Tem coisa a intuição

Mostra e não explica 

 memória afetiva

Da mente vazia 

Resenha sem narrativa 

Nessa vida de falácias 

Lúdico do balanço 

Frisson da gangorra

A praça dos ninos

Os signos são caminho 

E o caminho os signos 

A sombra dendezeiro 

A dialeto do arrepio

 Acende o barra vento 

Não estamos sós 

Andante e errante 

Sob a lua vigilante 

Não sabe o que sente

Numa curva suave

Adentra a Eros

Trilha do “bora lá “

Pulsa quietude 

No peito quente 

Pelos braços do aconchego 

E o sonho na nave

Do lado mata

A paz acompanha serena

a caminho de casa

 Cantando o silêncio 

Da feliz chegada.

SÉRGIO CUMINO – DO PÓ À FÊNIX