O TEMPO DO POÇO
Olhei para a água do poço
Vida está cá dentro ?
Não achei o fim seu moço
Ela era turva não me refletia
Sinuca de bico vertical
O que eu busco nesse tubo
Subsolo do medo escavado
Dialética do bem e do mal
Entender quem sou
No sobre e no sob
Tudo que venha além
Não dei conta do tempo
Já deu a hora
Se voltarei a amar
Premência aferida
Buraco foi fundo
E me olha de volta
ínterim embaço
Para que lado o passo
Do rumo perdido
Avestruz afunda cabeça
Esquecidos no porão
Ignora a presença
não devia estar ali
Que reza a consciência
Para que me entenda
Que o Odu seja luz
Com a bença Fun Fun
Me tire dessa fossa
Para água límpida
Do reino de oxum
Que encha esse fosso
De Axé que sustenta o corpo
Para não ser humilhado
Que só declinara
Ao saudar o sagrado.
E toda corrente aposto
Em defesa do legado
SÉRGIO CUMINO – DO PÓ À FÊNIX


