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sexta-feira, 22 de maio de 2026

RESILIÊNCIA À FÉ

 

RESILIÊNCIA À FÉ 

O olhar voltado para baixo 

Aponta o domínio da terra

A benção da mãe das mães 

Paradoxo do chão perdido 

Para despir-se das couraças 

Desprender de suas esferas

Embirra no lago do ateísmo

Refúgio das dúvidas lodosas

Surpreende-se com velha anciã 

Tem o amparo da sabedoria

Dá-lhe perspectiva a vista

Encontra experiência de Nanã

Põe ao pescoço colar de ametista

Todo panteão saberão quem és 

Lama resgata o discernimento 

Amolece a casca materialista

Procura Osanyin e sua magia

Emerge a realidade vã

A poder oculto das folhas 

Sente a força nos pés 

Levá-lo a empurrar o chão 

Para Ori subir ao Orum 

Desfaz dos tormentos que ânsia

O indica ao banho de cachoeira 

O desprenderá do plano comum

Percepção nova conselheira 

De pronto ao colo de Oxum 

Reconhece o axé em si

Saindo leve como a chama

movimento recebe de Ayrá 

Compõe a força que almeja 

Demais Orixás do fogo

Ogum, Xangô e Obá 

Dão resistência e determinação 

Resiliência tem, se não chegaria aqui

Omulu lhe passa as palhas

Para não deparar com chagas

Por fim da empreitada 

Todos Ebós renascem a fé 

Recebe a benção e brandura 

Lançado ao destino 

Pela flecha de Odė

Habitua-se ao branco das nuvens 

E suas formas ancestrais 

E recebe a missão Olodumaré 

SÉRGIO CUMINO – 

MISSÃO DE OLODUMARÉ 

                            

quinta-feira, 21 de maio de 2026

NÉVOA DE OUTONO


NÉVOA DE OUTONO

  *

Quando a voz disse vamos

Não sabia se estava pronto 

Chamas de Ayrá no chamado 

Águas de Oxum levando 

união das brumas, deixa tonto

Na alameda do tempo calado

      *

Postes da via reluz e pontua

Entraves da vida inóspita 

Setênios da causa e efeito 

o mistério da perpétua nua

Visão arrepia a incógnita 

Para quê deveras eleito

       *

Tardio passos do florescer

Abre-se o véu ao novo mundo 

Sai do chão frio, pisa no mistério 

Palmeira sua flor demora nascer 

Quando o nada é o tudo 

Abolição dos padrões e critérios 

      *

 labirinto ao desafio da névoa 

Dissipa o passo subjugado 

Nevoeiro é incenso de outono

 Melancolia da brandura dá trégua 

Ouro de Ya atravessa o nublado 

Paz de Oxalá é benção e consol

  *

Conexão além da cortina 

Linear do físico e espírito 

Poesia, beleza e sonho

A essência nebulosa atina

Quando o fim é o princípio 

Além dos limites do insano   

  *

invisível na invisibilidade 

Mistura-se com a neblina 

Torná-lo o vulto do oculto 

Gênero grau e densidade 

Dá sentido a sua sina

É lapidado o diamante bruto 

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX 

                         

quarta-feira, 20 de maio de 2026

ÈRÒ ÌRÓKÓ

 ÈRÒ ÌRÓKÓ

Fonte que acalma

O Ori tempestuoso

Que tira os pés do chão

Perde o apoio da mão

Fuzuê da cognição

Contexto do desespero

Pensamentos tortos

Frágil em destempero

Desmonta princípios

De corpo e alma

Refugia-se a árvore anciã

Declina-se ao pé de Iroko

A força do portal

De um mundo a outro

 profundezas dos mortos

As divindades do Orum

Onde os olhos não veem

Reorienta a cabeça pagã

Senta no colo da mãe terra

 perdido em tumulto

As sombras da árvore sagrada

Espírito sem eira nem beira

Entre Deuses e ancestrais

o curandeiro oculto

Do passado ao presente

Majestoso do tempo

Espírito que ali mora

Poesia gameleira

Que conhece o infinito

Alça humilde o pedido

As raízes da diáspora

No memorial ancestral

É Orisa que habita

Vida, respeito e renovação

Reabilita a fé

A cadência da vida

De tempo a tempo

Estação que transforma

Sabedoria plantada

Divina criação de Olodumaré

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX