ESSE BLOG NÃO PERTENCE SÓ AO POETA, ELE É DE TODOS NÓS

domingo, 23 de agosto de 2026

RAIO DE LUZ

RAIO DE LUZ 

Quantas noites veladas 

Junto ao parlamento das dúvidas 

A cada item uma moção 

As quais ecoam no pensamento 

Sem espaço as ternuras cálidas

 Da perspectiva eclode o lamento 

A cada negativa uma emoção 

O máximo alcançado 

Com a filosofia existencial 

Foi resignar a ilusão 

Enfraquecer algumas lástimas

Cheguei ao ponto zero 

Sem ao menos saber qual o um

Porém as reminiscências dos sonhos 

Esses me negava a sepulta-las

Certo que a esperança 

É vítima de trapaças 

Tirou-me da fila do pão 

Evito os sorrisos das belas

E os não tão belas, fogem

Entre eu e o prazer, há um vulto

Onde a poesia é o diário do naufrago 

Escrito num quarto sem janelas 

Efeito da resposta do abismo 

Desse atoleiro sem fim 

Qual será o deleite oculto?

Nas preces clamo com ardor 

Tenho o coração regenerado 

No plano físico e metafísico 

Platão me chamou para caverna 

No entanto com sequelas 

A jornada do herói chega ao confim?

Por tanto esperar o tal destino 

Porém secam as flores do jardim 

Há incógnitas quando o tempo urge 

Leva a condição extrema 

Falta-me credor as somas do amor

O peito sente a falta do ar

E as demais que desatino

Sabe-se lá o que pode atrelar

A um artista de sessenta invernos

Esgota-se a esperança e astúcia 

Carrega o estigma do ócio 

Espírito apura o dilema

E toda negação que ele induz

Sou aquele que todos querem 

No entanto ninguém quer pagar 

Rogo a Ayrá um raio de luz

*

                           FRÊMITOS DO ILÊ                             SÉRGIO CUMINO 

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

RITO MANIFESTO

RITO MANIFESTO 

  Templo, barracão, terreiro 

O útero, o todo Ilê 

ikun que o filho vem

Mãe e pai e o legado ancestral 

O axé a terra que a raiz desce

O vento que leva e traz 

Água que alimenta o ventre

Fogo a energia do movimento 

Além do gênero é ser uno

Ajayô do pertencimento 

O que reluz o Àrà Ketu

Dimensão no espaço 

Encontrar-se-á no casulo

A potência da eteriedade 

Toda poética do Olorum 

Somos os pelos arrepiados

Áurea do corpo coletivo 

Aproxima o distante

Fundamenta à não declinar 

O povo canta em verso

sopro do rito manifesto

Língua corpo da unidade 

A névoa esconde, porém não 

Hospitalidade incondicional 

Véu de Maya é o rodar das saias

Girando nos enigmas interno

A roda da vida , é vida 

Microcosmo de Olodumaré 

Petros, Obas e Ifa

*

FRÊMITOS DO ILÊ 

SÉRGIO CUMINO  

ANTROPOFAGIA RELUZ


ANTROPOFAGIA RELUZ 

Estremunhou na palavra 

Sob a estética da fome 

Cânticos da vulnerabilidade 

As virtudes e relevâncias

Nem sempre flores

O abebê da consciência 

Aquele que vejo no espelho 

Lê -me o pretérito 

À ser presente 

Ressignifica o tempo

Do pouco que me resta 

O perdido no espaço 

Já é tarde à lamento 

Registrou-se nas rugas 

Grafia das linhas vívidas 

Sou cada uma delas

Hipocondríacos da solidão 

Pôs-me no berço da criação 

Lirismo e a magia se fundem

Com a áurea recendente 

Não cobre as despesas prósperas

 Diante do véu que transcende

Criou-se a sede de saber

Aforismos transversais 

Remodela resenha e premissa 

A visão acolhida no verbo 

O tempo não passou. Permanece!

Nos o perdemos na vereda

Em algum canto inoportuno 

Arquétipos personaliza reflexo

E a névoa dissipou 

Em comunhão com pensamos

Paradigmas ruíram

O portuário das ondas é a cabeça 

Aflora uma renascença 

Na lavoura inculta 

Rendeu-se a reforma agrária 

Vivo num estado duo

Lampejos de inspiração 

E o pedido de misericórdia 

A assombrosa crueldade da fome

A antropofagia reluz na varanda literária 

O dueto do ser e não ser

Na arena do tempo

*

FRÊMITOS DO ILÊ 

SÉRGIO CUMINO