ESSE BLOG NÃO PERTENCE SÓ AO POETA, ELE É DE TODOS NÓS

terça-feira, 28 de abril de 2026

LUAU DE ENCANTADOS

LUAU DE ENCANTADOS

Luau 

Projeta a constelação 

Da sacada da noite 

A beira mar

De ondas brandas

Refletindo o riso da lua

Pedra de Raio cuida do fogo

Da fogueira de Ayrá 

Cuja chama madeira estala 

No centro do círculo 

Como o olho sagrado 

De Iemanjá veio os nagô 

Jogados do navio negreiros 

Para as resenhas, pescadores 

Legionários de Martinho

Sete mares, vem marinheiro 

Alegrando a maresia 

No balanço do mar

Do lado da mata 

Quem vem lá?

Caboclo de pena

Formoso penacho branco 

Trás a paz de Oxalá 

Ha outros tantos 

Da cura e da caça 

Com flecha de Ode 

O povo da doce água

E os mitos de cachoeira 

Vem com Òsun a cabocla Iara 

Reino de pedras e pedreira 

Já estão pra chegar 

Os pretos e as pretas velhas

Vem sempre pra ensinar 

Juntam as bençãos a Pai José 

Nossas anciãs são feiticeiras 

Senzalas escuras do engenho 

Quanta nação saiu de lá 

Exu estava no posto 

Comendo a mesa

Antes de começar 

E trouxe uns malandros 

Dos passeios de pedra portuguesa 

Encantados dos quatro cantos 

Cantam fogo e ventre

No pandeiro cigano

No berrante boiadeiro 

Atendendo o chamado

Dos centros em chamas

Queime a brasa

Abra o peito 

Torne Fênix 

SÉRGIO CUMINO – BRASA À FÊNIX 

                                 

BANI NA FESTA DE OXALÁ

BANI NA FESTA DE OXALÁ 

Acalma a pressa quando chega

A alma alcalina barrela o espírito 

Cabelos soltos Oxum dourou 

Os ventos de Oyá da movimento 

Na direção que Ode aponta 

Respira a maresia de Iemanjá 

Gratidão adentra templo Oxalá 

Ayrá escolhe o poeta

Para Bani em verso Iorubá 

Na brandura do Ilê 

O sorriso traduz o axé 

Brilha o valor do afago 

Gratidão em movimento 

Sai da estação, 

E vive o caminho 

Salda as encruzilhadas

O Tempo e o contratempo 

Alimenta o instinto mãe 

Na celebração Obatalá 

Bani é! Simples assim 

A arte de laços fortes 

Que abraça a amizade 

Sorrindo o lindo sorriso 

 colo que reflete o Abebê 

Afago é ninho de pássaros 

Que mãe terra abençoou 

Linda como lua cheia 

Estampada papel de bolo

A energia é dona da prosa

Para o pai do silêncio 

A paz em transe 

Para benção de Òṣàlùfàn 

- Axé motumbá !

 Após a benção Fun Fun

Extensa trabalhadores aguarda

Labuta da dança da cadeira Inconformada:- como pode!

A benção é para toda jornada 

Chegará antes da Alvorada 

Branda como Deusa Amazona

Montada no cavalo de ferro 

Empunha a espada de Ogum 

Trazendo o carro do tarô 

Dormiram e o sol não acordou 

ciclo da lua evitando contratempo

Bani respira axé através do abraço 

Porque servir é amar

Bani filha, Bani mãe, Bani fraterna

Bani mora em nossos corações .

 Com todas bênçãos do Olorum.

SÉRGIO CUMINO – BRASA À FÊNIX                                     

segunda-feira, 27 de abril de 2026

SAUDADES QUÂNTICA

SAUDADES QUÂNTICA 

Saudades o quanto 

A quântica não se mensura 

Além dos ruídos sagrados

O acalentar dos afetos 

As correntes sagazes

Da cognição coletiva 

As quais nem notava

Desagrega por dispensa..

Ao suposto desejo 

Eros ou Thanatos 

Ou enredo do sonho

De um sono intermitente 

Sejam o que fizer acredita 

Não foi com o vento 

Camuflou se no tempo 

Que reservou no coração 

Estava lá 

Paciente com a jornada 

Para silêncio ostenta 

Desenha a poesia 

Quando admira a lua

E sinto o suspiro 

A brandura da esperança 

Sem manchas 

Para marcar as possibilidades 

Com a lágrima do desencanto 

Escuta! sua voz aos quatro cantos 

Do silêncio absoluto 

Mantra que me chama

Ilumina a intuição 

E constelação de estrelas 

Até astrologia acena

Marcando posição 

No inconsciente fúlgidos 

Que a sabedoria sente

Sonho do sonhador 

Como brisa presente 

Da essência sonhada

Quem te busca não é a mente 

É o silêncio do coração.

SÉRGIO CUMINO – BRASA À FÊNIX