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segunda-feira, 30 de março de 2026

MÃE ÁGUA

 MÃE ÁGUA

Canta a cabeceira

Para espuma dança

Há tanto segredo nesse espumar

Faz do encantamento pequeno

Perto do que tem a cantar

Escorre sagrada

De encontro a pedra

E as pedras de Ayrá

Do salto da cachoeira

O Oxé banhado

Percussão molhada

Choque do cascalho e a água

O véu se teve ,

Quando tudo , um ventre

O sorriso da mãezinha

Desce rente, aflora bela

Abraço aos Otás

E as madeiras que encontrar

Ápice do encantado

A rota se segue

o rio solta marola

Para respirar

Alerta aos atentos

Como rocha contornar

Caravana encantada segue

Leva a mente repousar

No seu leito

Divã astral

Para ir a fundo

Submergir em si

E se encontrar

 em novo mundo

De um novo jeito

Até o rio não é o mesmo

A benção naval,

Ondas paradas

Formam palavras

 o rio de crenças

Alegria e afeto

Acolhe, ribeiro, pescador

Canoa passa na ribeirinha

Que preta Velha, reza lá

Quando lua cheia

Reflete em águas límpidas

Espelho do seu sonho.

E a busca do amor

Céu estrelado de resenhas

Na calada da noite

Oxum se cala

E as águas , escuta-la

Porque o silêncio fala

Que verá

Onde seu rio vai chegar

Porque Yabá, não repete caminho

Não depende da liturgia

Seu ouro não enferruja

E margens de esperança

Dessa mãe sou criança

Criado na poesia

SÉRGIO CUMINO – O POETA DE AYRÁ


domingo, 22 de março de 2026

APALPADA POESIA

APALPADA POESIA

Poesia nas palmas 

Carinho romântico

Começa pelos pés

Aquele que labuta

E empurra o chão, 

merece um par de mãos

Que Esculpe poesia 

Nas laudas da sua pele 

Massageia até virar conexão

Relaxa o corpo todo

toque seduz com insinuação

Inspira, libera em prosa

marolas de quereres

Que reverte em versos

Ondas de vontade 

Saltitantes e atiçadas

Excitada circulação, 

acende os circuitos

Seca os lábios, 

Provoca a libido 

acorda os mamilos

Corada e molhada

A entrega em plenitude, 

Murmúrio escapa

-: não pare, tá bom demais

Suspiros , ares de desejo

Sermos, goiabada com queijo,

 e tudo que a lembrança busca

Música ofegante, se altera,

  entre o céu e a terra

Cócegas se manifestam

 na sensível panturrilha, 

é o nervosismo gostoso, 

do primeiro ato

Garras do desejo

 envolvem as coxas , 

Sobrepostas ao lençol branco

Como folha de papel

Onde prelúdio se escreve 

que carregam a linha da vida

De acordo com andor, 

o calor do amor

Nádegas nua, é minha lua

Na constelação de desejos, 

provoca os sonhos,

A pausa do toque

A causa e efeito 

abre alas pra suave mordida.

E pede para ser comida

 escapa a revelia

:- aí que delícia 

Retórica do quero mais

Antropofagia dos amantes

Adorando, ser nave dourada

ninho e amor da Deusa.

Confessa querer ser a presa

 dessa prosa esculpida

Entrega as mãos que falam 

Reinventa, experiência amada,

 e de quebra, escorrega 

sobre as vértebras

Teclando notas musicais 

Árias sensuais 

Uma opereta intima 

Dança do acasalamento 

E a coreografia das omoplatas, 

revelam a vulva molhada

Ela canta onomatopaicas prazeres, 

 rimam com quereres, 

de uma mulher apaixonada

Os ombros se despedem 

das tensões sem saudades

Sente-se nova versão de Gaya, 

ronrona como gata, 

instintos celebram

O pescoço recebe a língua, 

na lambida ousada

Cabeça em nuvens , 

 em primeiro plano, 

a suavidade expressada, 

Por um – Eu te Amo!.

 SÉRGIO CUMINO 

POETA – FLOR & PELE





      

                      

sexta-feira, 6 de março de 2026

URBANO EREMITA

URBANO EREMITA

O relógio subtrai 

E o tempo se vai 

a desordem subverte

Juntos derretem

O pensamento perdido 

as folhas não se mexem

Na árvore em frente 

O vento parou 

não quer conversar

O isolamento atrevido 

Está parado no ar

amigos não entendem 

Amores nem pensem

vazio da hora Grande 

Que virou companhia 

E a lua cheia na noite 

No peito minguante

Vagando, tantos porquês 

Seleciono arrependimentos 

Cabimento ao injustificável 

Conforme o gesto solidário expressa desconcertado 

- que no fim dá tudo certo 

Então chega mais perto 

Do término das possibilidades

Para ouvir o discreto 

sussurro do vazio

E como é que pode 

O silêncio explode 

um cogumelo de dúvidas 

abandono briga com sono

Quando deveriam rimar 

Uma vaga lembrança 

De uma cantiga de ninar 

E notas de amor materno 

E a gélida confusão 

É subsala do inferno

 ausência do fraterno 

Perde a noção do afeto 

E nada está perto 

A qual pode se apegar 

Uma jornada sem suporte

A fé lhe desafia 

Em seguir ou sentar na guia 

Já não importa o que passar 

E o bornal malhado

Já não tem suprimentos

Surrado como sapatos 

Da caminhada que perdeu 

A relevância do destino

Cortinas da neblina 

Faz Horizonte perdido 

Se contar ninguém acredita

Da caminhada arredia

 do otimismo avariado

Do urbano eremita

SÉRGIO CUMINO -DO PÓ À FÊNIX