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domingo, 9 de agosto de 2026

MARCADORES DE SI


 MARCADORES DE SI

Somos marcadores de página 

Uns não saem do sumário 

Marcadores inveterados

Marcando bobeira 

Outros, sonhadores de asas 

Gastam suas sandálias na jornada 

adentra a porta do desconhecido 

na esperança de se encontrar 

*

Quando o leitor, concede ou perverte

Conforme o receio que dar-se, a ler

Cujos impropérios das rusgas 

Se quer define a divergência 

Síntese do gosto e desgosto 

Crítico de orelhas 

São ruídos a inteligência 

Sabido o medo da mudança 

Torres desabam, desapegos rogam

*

Não será o mesmo no retorno a caverna 

Vá que as frases engulam como baleia 

Provocado pelo efeitos do maremoto 

Ou defeito, fica a gosto do leitor

Inibe o pudor da cognição 

Com o chamado à luz e sombra

Deveras sejam ostensivos

Da um rubor generoso a benevolência 

Encabula a perspectiva 

Chegando onde não imaginava

*

A íris grita da proa

- Ilhas literárias a vista

La verá a alma de sua pessoa nua 

Ao se encontrar com versos de Pessoa 

Posta em rede pública 

Despudorada e comedida 

Mas com o julgo impreciso 

Sendo que dentro de si precisa

Ha equivalência do amor e ódio 

Em conluio com Eros e Thanatos 

*

O marcador desregulado 

A razão e a lógica debochando 

A indulgência é mais inconsciente 

Do que ser servo de algum propósito 

Apenas busca de ar do que comenda

Diante da tormenta, melhor não comenta 

Portanto ela se quer leve

Mas dá um pitaco na consciência 

Há tantos que assanha indiferença 

Se quer constam na cesta poética 

*

Outros marcam ponto na sombra

Sem saberem ser rota de artilharia 

As quais a poesia aponta a flama 

Da dialética quixotesca 

Marca da jornada do herói 

Enquanto os embutidos 

Espiam solenemente do armário 

Já os que distanciam de onde pararam 

A partida vertical mergulha 

*

Para se banhar deles mesmos

Como poções metafísica 

Fazendo do observador observado

Do marcador um ser marcado

Escrito o caminho certo por linhas tortas

Somos poesia do mesmo oceano 

As couraças que o poeta despe

É um convite a nudez coletiva 

E tornarmos a vida mais leve

*

A dor e o amor verossímil 

Semelhanças da vida literal 

O simulacro abarca a ficção

Tira o leitor marcador passivo

Desnuda-lo às águas turvas 

Para prazeres límpidos 

Marcado por uma reflexão profunda 

Paradoxo que apura a alma

Acasala sonetos com a anima 

O marcador vira traças-prateadas

Que enriquece na idade de ouro 

E um lisonjeio a quem despe a palavra 

*

SÉRGIO CUMINO

INVERNO REVERSO 

sábado, 8 de agosto de 2026

VERITAS COMO A LUA


VERITAS COMO A LUA

Fadigas da noite 

“In vino veritas”

Tiveras especificidade 

*

Castelo, fábula e quilate

Toda abundância infinita 

Flutua na pneuma

Romântica e verista 

Sobrepujado pela gota de suor

A resenha tem seu calor

O oxigênio desse fogo

Flama eterno e sensual 

Poesia prevalece no suspiro 

Sonho se apega

O pássaro que voa

És Rainha além da coroa 

O beija-flor com quero-quero

Adentro seu palácio e venho a ser

Despretensioso e fraterno  

O poeta plebeu que fala com a lua

Inspirado no que diz a brisa

E os olhos ainda não se abriram 

Os astros e as causas afins 

Aguardam na superfície das coisas

Onde a ânsia paralela atua 

Com o simulacro da alma

Feito brincadeira de criança 

É o amor em êxtase.

Místico, alegórico e mitológico 

É a paixão no carrossel metafísico

São pressupostos do mundo 

Ressonância selvagem 

Que o sono deu a memória.

O rio que abraça o castelo é perene 

E suas correntes, fontes e afluentes 

A gênesis das personagens 

O fruto da árvore que plantam

*

emparedado no mausoléu do quarto 

Está embriagado pelo aroma da flor

Efeito do predicado lúdico 

Com o instinto no sentido figurado 

Perde-se em sua galeria 

Desperdiçado pelo acaso 

*

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO 


sexta-feira, 7 de agosto de 2026

CORRENTES DO SONETO