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quarta-feira, 6 de maio de 2026

CÔMODA E O CÔMODO

 

CÔMODA E O CÔMODO

 A cômoda se incomoda

Acomodada no canto da mente

Onde coça a dúvida

Longe do sonho

que ficou na gaveta

Junto com as meias

Que mancharam de velha

Pisadas de meias atitudes

Moderando onde pisa

Descômodo rui com tempo

Sol só entra pela janela

Ao bom grado das cortinas

Manchas que deixou sinal de vida

Comodatário da esperança

Como antes era rubor

Que desejo assanha

Hoje as torres do entorno

Tamparam os raios

Mandaram a sombra

A comodidade não fez notar

Nada comovente mas curioso

Espelho que deixa saudades

Não lembra dele quando novo

Tantos sorrisos com a dança

Da escova e os cabelos

A idade derruba os pelos

Reflexos profundos ,guia os olhos

ao caminho das lágrimas

dúvidas que a sobrancelha

Confessa no íntimo quarto

Pela mesma fresta

que a cortina deixou

 Vê o passeio das estações

O verão da barba de espuma

Pelos , que a fantasia criou

Ao capitão da flotilha

Um altar dos sonhos

que a mobília guardou

foi se carcomida por dentro

Pelos cupins do medo

Terá um novo móvel de canto

Com melodias novas

Que retrate novos tempos

Ou tudo acabou

A cômoda sem comodato

Sumiu junto com cômodo

Para moderno estacionamento

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX


terça-feira, 5 de maio de 2026

PALCO ANCESTRAL

PALCO ANCESTRAL 

De árvore paoba

Agua, Vida preservada

o arquétipo à cena

Tablado de resenhas 

madeira ancestral 

Opom-Ifá da vida real

Ator procura Oráculo 

E o calor movimenta

Entre nascer e o pôr sol

A noite o mistério conta

três atos surge os ocultos 

No clímax o indulto 

E religuei o coração 

Ao sagrado feminino 

Passagem de cena

Do drama atemporal 

Sou vítima e carrasco 

Atuação canastra 

Ritmo e suas indúcias

Numa soberba servidão 

Tempo esperando engodo 

Vaga pelo contraditório 

Com desejo e obstáculos 

Numa arena dos dilemas

Do realismo fantástico 

A sombra toma a ribalta 

Num dueto com a luz

Público de olhar vago

Se dissipou com a névoa

Nesse palco sem cortinas 

No centro do peito

Três batidas, toc toc toc

Nasce a aventura

 Expectativa em silêncio 

O anti-herói no aceno cênico 

enredo sem cortejo

Contada sem talento 

No proscênio, ansioso 

o epílogo de cada ato

Anunciando o novo

protagonista se perdeu 

No mito Prometeu

Com enredo coadjuvante 

 antagonista é o absurdo 

Relação dele mesmo 

De frente sem prólogo 

Melodrama do jogo

Cheio de vontade 

Cheio de sonhos

Enchendo se do outro 

Teatro e seu duplo 

No solitário monólogo 

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX 

                             

segunda-feira, 4 de maio de 2026

O OVO DA FÊNIX

O OVO DA FÊNIX 

Os rincões da saída

Uns deixo para trás 

Antes da astúcia nascer

Outros de amargar

Remediando a lida 

Numa dessas paragem 

Câimbras nas pegadas 

Visão com deficiência 

Que contorce a história 

Pelo engodo factóide 

Na era da paranóia 

Como entender

o que a voz me dizia 

Soprano com a sanha

Que se perde ao fundo 

Que se distância 

Voz que afeto conquista 

Sabedoria nítida 

Cantando como pássaro 

Que não é dessa banda

Mas a melodia é íntima 

Cantoria de outro soprar

Dueto do rio e maresia do mar

Ressignifica toda a lida

Força de duas magias 

Cantarola simpática 

A senhora de enigmas.

Logo na portinhola 

Início do movimento 

Mistério e o cabimento 

Do divisor das águas 

De nenhum lugar 

De lugar nenhum 

Brisa a mente, esquece a senhora 

Com a chaleira na mão 

Era alecrim e outra erva do pote

Além do fundamento 

Da sentido ao corpo e espírito 

A delicadeza e elegância 

Que encaminha a cuia 

Projeta aurea dourada

E com ela trocou me em rito 

amuleto dos ciclos 

Existência e seus princípio 

Abrasador do novo fogo.

Estalos da mente

Insights quentes

Antes da forma

Arte e fé em ebulição 

O ovo da Fênix 

Quebra a casca 

Ao passar portinhola 

De cuia na mão 

Ela ajuda sair do ovo

Nu sem couraças

Tira a casca e mel do quiabo 

Pelas mãos anciãs 

Quebradas da noite 

A poesia e inversos

Do que foi em si

Com restante da chaleira 

Fortalece o Ori

O banho da mãe terra

Para os pés caminhador

Eram seis da Alvorada 

Abre o Odu da jornada 

SÉRGIO CUMINO – ABRASAR À FÊNIX