CADAFALCO DA AUTOESTIMA
Um sopro de luz
O faz perder impressões de outrora
Melhor, caiu no julgo do bom senso
Por desatenção se vê prostrado
Justo a preservação se faz cadente
Dispensa a autoestima por impropérios
Perde a relevância que parece ter
Passo raso que não cobre o pé
Desvia a atenção da razão
Poça vira lago onde supõe profundidade
Tenta iludir o mergulho
Estouraria a testa no lodo
Cabe aqui um asterisco ou aspas?
Diante do post da frase feita
Quase caí no charme rarefeito
Graças a ilusão efêmera
E se perde com as rolagem
Como fenda temporal da rede
Insuficiente para crescer fio da barba
Não valeu a lufada do ar virtual
Simples e desagradável mudança de rota
Faz o equívoco virar ficção barata
Reduz-se a inseto da mesma espécie
Para gelar os pés em estação fria
A intuição esforçou-se no período frívola
Eis o perfil do teimoso esperançoso
Quem não tem nada de novo
Terá tudo do mesmo
Chances da fissura acanalhada
princípio das náuseas existências
Parece ter vagas de estimação
Relação que deixa estômago enfadado
Vem daquela que projeta
O espelho somente para umbigo
No silêncio a consciência o chama atenção
Cultivar o masoquismo,
se engana com que sabe
As carências exercem
sua força na confusão
Relativiza a ressaca do mea-culpa
Faz da efemeridade ejaculação precoce
Tão bizarra que não vale um verso
O reflexo mantém um palmo
distante da púbis
Inútil seria explorar o corpo
Sob as poesias de Eros
A quem perdeu a chance de ser mulher
No teatro da vida
O que importa é a catarse
SÉRGIO CUMINO
INVERNO REVERSO


