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sábado, 20 de junho de 2026

ODISSEIA DO NAÚFRAGO

ODISSEIA DO NAÚFRAGO 

Quando os feromônios 

Avistaram o horizonte 

Ensinaram aos olhos 

O brilho do olhar apaixonado 

 Taxado como lume subversivo 

Submetido sutileza do castigo 

E a culpa fui apresentado 

Afogou a declaração de amor

Submergiu goela abaixo 

Sem deixar uma sílaba 

Nasceu carência de resistência 

Sobrou um gosto amargo

E salgou aquela lágrima 

Que outrora sonhava doce

A sombra do pecado 

Afogou puras querências 

Num cilindro sem portas 

Perde a conta dos abandonos

Nas estações da odisseia 

Quando estava a deriva

Nas brisas do pensamento 

Decide dar um basta 

Os binóculos lacaios 

Vêem a áurea libertária 

Arrogância do despeito  

Alega falta de cabimento 

Nega-se ser tábua de convés 

Louco e seu bornal 

Salta á jangada da esperança 

Sendo ela último a morrer

Mãos intransigente detém

viram a promessa ao mar

A boia de salvação dizia ser

O Deus que eles criaram 

Mergulha mais profundo 

 convicção determinada 

Não era por desespero 

Seguindo a própria intuição 

Foi ao silêncio do Oceano 

A âncora da sua indagação 

 avista um cemitério 

Sonhos e desejos naufragados 

Foi lá, que sua anima o ensinou 

Que havia novos ares a respirar 

Que se despedisse 

desses eus do passado 

Na superfície haverá um trapiche

Ao emergir encontrará 

A sua luz que o guiará.

E com os altos e baixos 

Da dança das ondas

Sob a cabeça a benção da lua

A frente o píer e sua lamparina.

*

SÉRGIO CUMINO 

LUME, LUSCO- FUSCO 


terça-feira, 9 de junho de 2026

O AFAGO DE YÁ


  O AFAGO DE YÁ 

Oh minha criança 

Que Òsun veio me entregar 

Filho de Orobó com Yabá

Com tu renasce a ternura 

Que vem dá linhagem de Orisa 

Dorme no colo agarrado fio de Oyá

Dissolve toda massa que fui preciso vestir 

Luzido que fez aliança 

Seus olhos projeta luz

Fazendo os meus viver

São as bençãos das águas límpidas 

Vida que renova a esperança 

Só vendo para crer

Eliminou a terra seca que tive que engolir 

É sabedoria que não sei exprimir 

Sabe mais que eu sei de mim

Foi preciso filho pra me ensinar ser mãe 

Pedra e fogo que veio do útero da água 

Já nasceu abençoado 

O sagrado vem do ventre

E tantos outros há de adentra 

Só a vida o ensina ser mago

Meigo e frágil, que me faz existir 

Nessa vida, morte e viva para morrer

Muitas mortes mais que deveria ser

Agora o momento é luz para aquecer 

O lume da noite e do dia

Ensina, não há amor sem dor

Mesmo quando se lusco- fusco 

Há o afeto para orientar 

Lisonjeia saber que não veio só 

A ancestralidade está para encaminhar 

É ninho que move o ciclo

O afago que faz iluminar 

É o filho e espírito nagô 

Orgulho do povo Iorubá 

Diamante divino me fez Yá.

*

SÉRGIO CUMINO 

LUME, LUSCO- FUSCO 


domingo, 7 de junho de 2026

ORIGAMI DOS SONHOS

  

ORIGAMI DOS SONHOS 

A arte do inconsciente 

Suspira versos numa noite fria

Se inspira no vapor do chá quente 

Deita-se com a resenha de prosas

Faz arranjos com rosas 

Ao centro tapete de pétalas 

Para o delírio desfilar 

Os espinhos são pontas de flechas 

Numa tocaia do cupido 

Fura o dedo , pretexto para beijar 

Dobra os dedos sentindo o cabelo 

Origami é poesia da memória 

Fazendo cachos com as dobras 

Lembrando a coroa de Dada

Traços finos revela ternura 

Como ingredientes dos sonhos 

Mistura-se ao deleite do olhar

A oportuna ilusão cadencia 

Leve, íntima e pura

Quando as sombras e luzes casam

Carinho que o toque sabe lembrar 

O amor é arte que inspira sonhos 

Quando está livre para sonhar 

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ