UIVO DA LOBA
Quem é essa?
É ela, e ninguém mais deveria ser
Ela é simplesmente ela,
Com orgulho de ser.
Passou longe da donzela
Para nunca mais se perder
Nessa vacância postiça
Estética retorta que não passa pensamento .
Sem complexo de cinderela
Soube ser rainha, soube ser mulher
Instinto é a bússola que a leva ao sírios
A cosmologia que lhe rege
Após renegar os mandantes
E as pantomimas que afere
O Uivo da paixão é sua reza
Para o norte orientar
Solidaria a sua alcateia
Sem precisar de platéia
Mas sabe andar só com a destreza das pernas
E chorar para lua poder escutar
As delinquências do amor para luar
É a Ursa Maior, nesses territórios pequenos
Que ainda vivem o mito da costela
Quando ela já é constelação
É guerreira e materna
É fiel na união
Sua lealdade é visceral,
Compreende a profundidade da sombra.
Menina, faceira e feiticeira
Com os pés em dois mundos
Nos liminares entre ventre e a morte
Amparando o ser amado
Como seu reflexo na lagoa mágica
É mãe no espaço sagrado
Fundadora mítica da sua linhagem
Condutora da fertilidade sagrada
Selvagem e empoderada
Livre por determinação.
SÉRGIO CUMINO
VIAGEM A OLODUMARÉ


