CICLONE
Não se apega a estigma
Porque a razão faltou
Apenas uma vertigem
Por ser verdadeiro
A angústia de pronto
assume o posto
Pois é seu moço
Caminho reto
Em entradas tortas
A recíproca também é verdadeira
Muita atenção nas encruzilhada
conveniência tem suas arapucas
À prender no estaleiro da resignação
Por isso, cuidar de si é uma arte
Tantas possibilidades em redes
Cujo balanço ilusionista
Enquanto o desespero
O espera no beco
Para sabotar a existência
Brado! Brado! Ayrá Lê!
Grito da fé acudindo a carência
E logo pede audiência
Persistência e a teimosia
Ansiedade da intuição
Que busca brisa
E descobre se na devoção
Em ser cavaleiro andante
Com machado em punho
Evocando o ciclone
Que o despe do coletivo
Para vivenciar o mistério
E suas litúrgicas matrizes
O oculto inculta a radiação
Pelos vibram e chamam
Os arrepios intermitente
Ori a bulir com a clarividência
Até a paciência em transe
Sem o bojo comprimindo o peito
E as coronárias do Destino.
SÉRGIO CUMINO – BRASA À FÊNIX


