LÚCIDO
Solenidade do pertencimento
Não chega até o abajur acender
A política de boa vizinhança
Tem tempo de validade
Quando acaba o último ato
No camarim tirando a maquiagem
Persona, expressão do falo
Na farsa das passagens
O ante- herói é o lúcido
Vê o desejo no lugar comum
Esperança terminal diante a luz
Que aparece no escuro da noite
Bem na conversa com o teto
Sabe ser alvo dos encalços
Sente que não se encaixa
É o dilema do tormento
Dos tropeços da consciência
No diálogo dos discretos
Olhar revela o que não tolera
conluio com sorriso que não sai
Vai até a calada bocejar Alvorada
E segue o dia na persona camarada
Afinal é a mente que não se encaixa
No que ouve entra fadiga
Precisa da integridade preservada
Porém o medíocre é feliz
Ser boçal não preocupa
Blasfemar sem vergonha na cara
A incoerência no topo da lista
Se auto afirma na misoginia
Não há canto que não brada
Coerência menos importa no que diz
Ser esdrúxulo é forma de conduta
Censura prévia não há no dito
Tem cúmplices no culto
Orgulha-se melhor sendo racista
Triunfo está na homofobia
Indigna o pseudo justo
Todo lado tem um par
Sem dizer consentimento dos calados
Da empáfia é vassalo
Indiferença marca o lado
Faz da defesa revelia
Como manter a sanidade?
Se tolerar tem auto custo
Tormento virou epidemia
Faz o lúcido se camuflar
Da blasfêmia sobre tablado
SÉRGIO CUMINO
LUME LUSCO-FUSCO