CLAUSURA DA ALMA INFAME
A consciência ou falta dela
O impede de se olhar no espelho
Tocaia do retorno ao fim do beco
Sente espinhos no travesseiro
O coletivo quer que se dane
Não suporta se olhar no reflexo
Instrumentalizar a vergonha
Para vitimizar-se para que ganhe
O tempo parece que hiberna
Remorso o faz se engolir a seco
Orgulho do genocídio
Pela goela de um ser infame
Cada um tem castigo que lhe serve
O plexo solar perdeu o lume
Clausura -se na escuridão interna
Eterno habitat desse verme
Prova-se o quanto é peçonha
As Pautas de costume
Desce que parece enxofre
Não consegui segurar o grito
Próprias vísceras ele deu nó
Pautadas pelo soluço
Reconhece a entrada do inferno
Digerir-se como curtume
Entre facínoras era um mito
Auto flagelo por ser indigesto
Tinha um torturador paterno
De pronto toma um susto
Percebe que ainda não está só
Faz de si sua caverna
Mesmo na escuridão sente o olheiro
A sombra de sua insônia
deve ser do conselho da retaliação
Pai, filho e espírito no cativeiro
SÉRGIO CUMINO
LUME LUSCO-FUSCO


