ITÃ VERSA O VERSO
Testemunho ocular
Dos passos descompasso
Como dúvida cantada
Cuja resposta intuída
Deveras doida
É o que caleja caminhada
Ancestralidade secular
Medo que trava os dentes
E a cautela de ser pertinente
Na hora de desatar o nó
Que codifica os arrepios
O pé da consulta, se move
Saudar no rito do paô
No ritmo que Exu entende
Vereda que volta diferente
As reflexões se abatem
oferendas ao pensamento
Os tormentos difusos
Quando a fala vira fumaça
É magia dentro de cabaça
A graça é manifesta nos Búzios
Nove estradas e cinco perguntas
Três opções, haja coração
O que versa liga a conexão
Entre Àiyé e a vastidão do Òrun,
A filosofia cantada no chão
As linhas das palmas lançam Odus
És mensageiro de Olorum.
Conduz-me ao passado
Para que entenda a missão
Não há caminhada sem rumo
esperança em forma de concha
brincando de ciranda de roda
Avatares signos de si
Temperando meu Ori
Essa metafísica representativa
Zeladora das células
Amálgama aos saberes invisíveis
Ela que me prende a terra
Como Eres que berram
Aos quatro cantos celestiais
Não há dualidade nessa União
O oráculo prevê a mente sã
Da caminho ao sonho perdido
firmeza ao cético arredio
Poeta versa devoção a ITÃ
Verticaliza credo da fé
Rogo poesia seja prece divina
Com a Pena sagrada ,òkòdidé
SÉRGIO CUMINO – O POETA DE AYRÁ


