ESSE BLOG NÃO PERTENCE SÓ AO POETA, ELE É DE TODOS NÓS

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

GRÃO POÉTICO


 GRÃO POÉTICO 
São tantos grãos
De ativar memória emotiva
Desde a literalidade
“Joio do trigo”
Arquétipos da lavoura
Dos mitos da cozinha .
Colher de pau e caldeirão
Signos das colheita
Um feijão pra molhar o pão
Os grãos em sua essência
Nas mãos com firmeza
Um punhado é magia
A semente que me tempera
Florescer e prosperar
Biografia da feijoada
Saudosa era da Quinha
Bela lembrança da mãe
Feijoada da Guiomar 
Ancestralidade e grão
Mistura se no caldeirão 
Branco e o grão de bico
De romance com costelinha
 o caldo tornar-se leito 
 Abraçados com arroz solto
Soltando fumaça saída do fogo
Ele alegria da mesa,
Borbulhando e majestoso
Abraço a todos branco
Arroz Fun Fun, solto.
Sabe poesia!
Conforme a fome
Ode ao vulnerável
E triste quando feijão falta
A vida muda olhar, perdido de vista
Das vovós até a panela vazia
E o pó que solta o tempo
É limpo todo dia
Fé nos deuses da colheita.
Que saudade do feijão da vovó
Clímax, da memória emotiva
SÉRGIO CUMINO – DO PÓ A FÊNIX

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

O AFAGO DOS MEDOS

 O AFAGO DOS MEDOS


Será que se juntar os medos

Forma-se uma coragem?

Ou coletivo da distopia,

Extremos que se misturam

Na paúra da integridade ferida

Inflando o território como bola

Que não suporta o entrave

Como complexo é ser singular

E restabelecer o ori

Se prevenir das armadilhas ardilosas

Tóxica ao inconsciente coletivo

É o clímax da obra

O amor está ativo

Encanto ao diferente

Na equação da catástrofe

Prudência e caldo de galinha

Ciente do auto inventário

Uma biografia grifada,

O dialeto das rugas

O registro tem morada

Camuflada de arquivo morto

Personaliza O inferno de Dante

Crueldade ou carma ?

Bico de pena da existência

Onde encaixa a sina.

Não há mais tempo de errar.

Os passos calejados inflamam

Um aviso das correntes sanguíneas

Que boa aventurança

E os mistérios de Ifá

Se aventure por essas banda

Porque a ficção da realidade

são sussurros do pensamento

Em linhas próximas veredas

Na lida o estigma sobrevive

se estabeleça. Como um capítulo,

Que se projeta. Ao oculto

Mito, e o arquétipo

Que penetra na pele

toda nuance para aprender

Num amalgama das almas

Na qualidade dos movimentos

Corpos se libertam

varal de coloridas luzes

Ilumina o tablado

E cada qual seu proscênio

Cada pé no seu Aiyé

Farol e as moléculas

as brechas do vacilo

O íntimo se projeta

Ocupando o espaço vazio

do ponto oponente.

Nem sempre consciente

Do seu abraço dos medos.

SERGIO CUMINO - DO PÓ A FÊNIX.


quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

O SER E O PÓ DA CAMINHADA

 O SER E O PÓ DA CAMINHADA

O tacho de dendê fervente

Posto em fogo a lenha

 cozinhou muita resenha

Imagina-se a qual custo

Como ingrediente escolhido

Desorienta filho de Ayra

Implorando água doce

Do encontro do Rio com o mar

Não é para se tornar um cozido

Sim, benção para o tormento esfriar

As reflexões vocifera em agonia

O que vale está no caldeirão?

Ressignificar a morte

Como vale de introspecção

Preenchendo o vazio

Desse vale de reclusão

É o olho e o furacão

Roga por luz, com pés em brasas

Sobre a cegueira da aflição

Para seguir a sina rumo ao Odu

E destrave a paralisia dos passos

E deixar o vale do abandono

Fritar na controvérsia do transtorno

Como caso pensado dessa provação

Para poesia deixar a alma

E verter pelo fígado

Será a melhor forma

 Para registrar distopias vividas

Torturando sonhos

E sacrificando paradigma

Que alguém me diga?

Como ser Fênix,

com a queimada e desconstrução?

 Estar numa cumbuca

onde ninguém põe a mão

 por medo de pôr a empatia

Na desilusão da provação

 observado queima, sente-se só

Será que a sobra do fervor

É o elixir da renovação?

Nova fragrância da vida

 Só se apesar da mutação

A esperança não vire pó.

 SÉRGIO CUMINO – DO PÓ A FÊNIX