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domingo, 30 de agosto de 2026

MANGEDOURA DE GARANHUNS


MANGEDOURA DE GARANHUNS 

Faz jus a cada página 

Esse inverno intermitente 

Acorda o que a retina pressente 

E um orgulho de longa vista

E toda ordem de arrepios 

Prece aos altares dos sonhos 

A vela ardia na alvorada 

A manjedoura do chão de fábrica 

Útero do coletivo 

A casa de Dona Lindu 

Sob o sol de Caetés*

E o arquétipo da pedra filosofal 

A borracha não apaga Chico Mendes 

E a severidade com a serpente 

Na Divina utopia de Darci Ribeiro 

Que  nesse deserto o acompanha

E o tempo escreve suas fábulas 

A maciez que afaga a terra 

Quando a árvore aprofunda raízes 

A poesia entra na campanha 

Umedecidas pelo São Francisco 

Visão do Paraíso escrito do pai do Chico 

Sindicato e seus suores 

Irmãos de Frei Chico 

Nossa criação, um criador 

Sugere comer do fruto 

Até a vida desfazer dos pretéritos 

E ser rio navegador 

A benção de Aparecida 

A pesca de pescador 

E os afluentes do sincretismo 

foi-se a pele e a sombra 

A serpente sob a Lua 

No devaneio da madrugada 

E as cogerações após as outras 

Nas paróquias e seus entornos 

Desnuda a fé do pecado original 

Ao ninho da semântica 

Quem não pensa sente

Narrativas de fatos e simulacros 

Nas corredeiras de símbolos 

As margens do meio fio 

E batismo de cada barco 

Que a vida respira 

Faz-se a luz e a luz se fez

Sede férteis e multiplicáveis

Com nossos pães e peixes.

*

FRÊMITOS DO ILÊ – SÉRGIO CUMINO  

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

PRETÉRITO MAIS QUE IMPERFEITO


PRETÉRITO MAIS QUE IMPERFEITO 

Tentativa de recompor o pretérito 

Em busca do fio da meada 

inqueria a resolução das dúvidas 

Onde foi o erro, se errei?

Pode ser no freio involuntário do sonho 

Por inalação alheia 

E vestir a carapuça da culpa 

Não haveria condição pequena burguesa 

Que trovejasse contra a boemia pueril 

Havia ali um prazer implícito 

De saborear o devaneio 

Sonho dando pano pra manga

A resistência ao mundo senil

Buscando o estilo da criação 

Nem sempre determinado

Muito menos um passeio 

Os percalços surgiram no curso 

Sem a orientação da previsibilidade 

Aí o improviso perdeu a frequência 

E a vida me deixa a deriva 

Um corpo inerte sem pulso

Dizia Pessoa; viver não é preciso 

Foi a submersão nos conflitos da consciência 

O existencialismo assume a primazia 

Se era carta marcada pelo destino 

Essa encharcou de tão afogada

A boia de salvação 

Foi organizar ilusões em poesia 

O diálogo com a resiliência 

E reacender a lâmpada de azeite 

O amor e o sacerdócio lidera o ranking 

E a vida seguir com deleite 

Ato de fé a preces aladas

Para que o pretérito mais que imperfeito 

Mesmo com mau tempo saia da marina 

Deixa o estado de pedra e avance 

Avarias do coração o fez rarefeito 

E de graça qual seja a sina 

Vejo na noite a graciosa dama

Eloquente diva com seus mistérios 

Cujos enigmas me assanha 

Ser Ermitão com a lamparina.

*

FRÊMITOS DO ILÊ 

SÉRGIO CUMINO  

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

RESILIÊNCIA CALEJADA

 RESILIÊNCIA CALEJADA 

O tempo calejou a resiliência 

Impactos quando véus dissipam

Conforme máscaras não encaixam

Não surpreende mais

Os lamentos ficam obtusos

Aprende-se a superar o luto 

Quando os paradigmas são relações 

Rupturas em estado confuso 

Personagens compunham cenário 

Ou cenário compunha personagens 

São contextos que dissertam enredo 

No ato, capítulo, preâmbulos 

Deixa de ser fato, afeto, engodo 

Rei morto Rei posto, e as cartas desabam

Amargo desgosto;

Ervas que curam as enfermidade da ilusão 

Marcam os clímax shakespearianos

E o “teatro non-sense” de Ionesco 

Isso é clássico, contudo seus complexos 

Em noites sombrias ,

Paixões queimaram como palha

A mesma Maria Fumaça dos tempos de boemia 

Aos poucos fica sem lenha pra queimar 

Quando o destino muda de rota

Tantos amores ficaram na estação da esperança 

Contemplativo no crepúsculo da tarde

Que o horizonte não traz de volta

O tempo é eterno, mas atitudes perdem paradas 

E ainda insistimos em requenta-las 

Um perdido no vácuo do tempo

Quando as vozes emitem lágrimas 

E seus silêncios ecoam gritos

Como apito de um trem mudo

As estações e seus legados

E o sonho deixado conforme inverno 

Nessa dor de poeta viajante 

Compõe e decompõe afetos 

Até a prata dos pelos compor sua face 

Traje de gala, para ouvir 

As resenhas que as rugas contam

As partidas que não voltaram 

Mas partiram corações 

Quantos vagões descarrilhado 

Os demais, serrados, túneis e reflexões 

Movem-se com as saudades 

que a resiliência calejou 

*

INVERNO REVERSO 

SÉRGIO CUMINO