Quantas noites veladas
Junto ao parlamento das dúvidas
A cada item uma moção
As quais ecoam no pensamento
Sem espaço as ternuras cálidas
Da perspectiva eclode o lamento
A cada negativa uma emoção
O máximo alcançado
Com a filosofia existencial
Foi resignar a ilusão
Enfraquecer algumas lástimas
Cheguei ao ponto zero
Sem ao menos saber qual o um
Porém as reminiscências dos sonhos
Esses me negava a sepulta-las
Certo que a esperança
É vítima de trapaças
Tirou-me da fila do pão
Evito os sorrisos das belas
E os não tão belas, fogem
Entre eu e o prazer, há um vulto
Onde a poesia é o diário do naufrago
Escrito num quarto sem janelas
Efeito da resposta do abismo
Desse atoleiro sem fim
Qual será o deleite oculto?
Nas preces clamo com ardor
Tenho o coração regenerado
No plano físico e metafísico
Platão me chamou para caverna
No entanto com sequelas
A jornada do herói chega ao confim?
Por tanto esperar o tal destino
Porém secam as flores do jardim
Há incógnitas quando o tempo urge
Leva a condição extrema
Falta-me credor as somas do amor
O peito sente a falta do ar
E as demais que desatino
Sabe-se lá o que pode atrelar
A um artista de sessenta invernos
Esgota-se a esperança e astúcia
Carrega o estigma do ócio
Espírito apura o dilema
E toda negação que ele induz
Sou aquele que todos querem
No entanto ninguém quer pagar
Rogo a Ayrá um raio de luz
*
FRÊMITOS DO ILÊ SÉRGIO CUMINO


