Deitou -se de bruços
A um quarto de silêncio
Seus desejos em sussurros
A trégua a entrega absoluta
Com sua calcinha de rendas
E camiseta de dormir
Lia poesias de amor
Que compartilha intimidade
Dialoga com seus sonhos
Na terna cúmplice noite
No avante das horas
Veículos se recolhiam ao repouso
A lua se mostrava sem pedir licença
A flechava em diagonal
Sem incomodar a leitura
O corpo largado na cama
Revelava suas íntimas rimas
A brisa suave e melodiosa
Olhos divididos entre versos
E devaneios da mente
Buscando da leitura referências
Como se decifrasse enigmas
Sozinha na noite
E divinamente acompanhada
Personalizado seus mistérios
Respirou inspirada
Elencando seus afetos
Cobre-se com frases mágicas
Revela o coração nas estrofes
Que pausadamente a lia
Passa de leitora a poesia
A catarse da noite
Fechou o livro e os olhos
E o beijou com queixo
Sabia que dormiria ali dentro
Quão divino foi sua arte
Adormece com lingerie nos joelhos
SÉRGIO CUMINO
FILHO DE SALAMANDRA


