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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

PRETÉRITO MAIS QUE IMPERFEITO


PRETÉRITO MAIS QUE IMPERFEITO 

Tentativa de recompor o pretérito 

Em busca do fio da meada 

inqueria a resolução das dúvidas 

Onde foi o erro, se errei?

Pode ser no freio involuntário do sonho 

Por inalação alheia 

E vestir a carapuça da culpa 

Não haveria condição pequena burguesa 

Que trovejasse contra a boemia pueril 

Havia ali um prazer implícito 

De saborear o devaneio 

Sonho dando pano pra manga

A resistência ao mundo senil

Buscando o estilo da criação 

Nem sempre determinado

Muito menos um passeio 

Os percalços surgiram no curso 

Sem a orientação da previsibilidade 

Aí o improviso perdeu a frequência 

E a vida me deixa a deriva 

Um corpo inerte sem pulso

Dizia Pessoa; viver não é preciso 

Foi a submersão nos conflitos da consciência 

O existencialismo assume a primazia 

Se era carta marcada pelo destino 

Essa encharcou de tão afogada

A boia de salvação 

Foi organizar ilusões em poesia 

O diálogo com a resiliência 

E reacender a lâmpada de azeite 

O amor e o sacerdócio lidera o ranking 

E a vida seguir com deleite 

Ato de fé a preces aladas

Para que o pretérito mais que imperfeito 

Mesmo com mau tempo saia da marina 

Deixa o estado de pedra e avance 

Avarias do coração o fez rarefeito 

E de graça qual seja a sina 

Vejo na noite a graciosa dama

Eloquente diva com seus mistérios 

Cujos enigmas me assanha 

Ser Ermitão com a lamparina.

*

FRÊMITOS DO ILÊ 

SÉRGIO CUMINO  

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

RESILIÊNCIA CALEJADA

 RESILIÊNCIA CALEJADA 

O tempo calejou a resiliência 

Impactos quando véus dissipam

Conforme máscaras não encaixam

Não surpreende mais

Os lamentos ficam obtusos

Aprende-se a superar o luto 

Quando os paradigmas são relações 

Rupturas em estado confuso 

Personagens compunham cenário 

Ou cenário compunha personagens 

São contextos que dissertam enredo 

No ato, capítulo, preâmbulos 

Deixa de ser fato, afeto, engodo 

Rei morto Rei posto, e as cartas desabam

Amargo desgosto;

Ervas que curam as enfermidade da ilusão 

Marcam os clímax shakespearianos

E o “teatro non-sense” de Ionesco 

Isso é clássico, contudo seus complexos 

Em noites sombrias ,

Paixões queimaram como palha

A mesma Maria Fumaça dos tempos de boemia 

Aos poucos fica sem lenha pra queimar 

Quando o destino muda de rota

Tantos amores ficaram na estação da esperança 

Contemplativo no crepúsculo da tarde

Que o horizonte não traz de volta

O tempo é eterno, mas atitudes perdem paradas 

E ainda insistimos em requenta-las 

Um perdido no vácuo do tempo

Quando as vozes emitem lágrimas 

E seus silêncios ecoam gritos

Como apito de um trem mudo

As estações e seus legados

E o sonho deixado conforme inverno 

Nessa dor de poeta viajante 

Compõe e decompõe afetos 

Até a prata dos pelos compor sua face 

Traje de gala, para ouvir 

As resenhas que as rugas contam

As partidas que não voltaram 

Mas partiram corações 

Quantos vagões descarrilhado 

Os demais, serrados, túneis e reflexões 

Movem-se com as saudades 

que a resiliência calejou 

*

INVERNO REVERSO 

SÉRGIO CUMINO  

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

BELDADE LATINA

BELDADE LATINA 

 Se a beleza é de Oxum 

Ela tem coração dourado 

Mais que o encanto de vir ave rara 

Nem o inconsciente chega ao deleite 

Suas pupilas sorriam; quem dera 

Planetas brilhantes 

É a galáxia da ternura 

Parece, não é improvável 

O bom senso saiu de mim

cabelos de imponência Obsidiana

Uniram-se no ombro esquerdo 

Encobre o coração, estima prelúdio 

Atrás das cortinas negras 

Moliére anuncia o primeiro ato

Aferi a percussão da sonata 

Um, dois , três, podia mais

Mas cá dentro acelerou 

O espetáculo já havia começado 

Alegria tímida se nega a acreditar 

Até os sonhos ficaram sem chão 

Sempre aquém do que os olhos veem

Decide criar nova ordem de fé 

A intuição supera probabilidade 

A esperança é a ultima que morre

Ou acabou de adiantar o relógio

A beleza em si é uma sentença 

A qual o admirador se dá a pena 

E tamanha graça apura o despojo 

O desejo fica em estado escusado 

Precaução ao frisson pede 

A onda que o desconcertou deveras 

Se quer tinha um timbre para desejar bom dia 

Se perguntar; porque me olhas?

 Saída, seria improvisar libras

As palavras estavam no vestiário, 

Ou melhor; Dicionário trocando de roupa 

Que rebuscasse a prosódia 

e não perder o caminho de casa

A beleza é simetria 

Mas a belezura, essa é eterna 

É música que se materializa 

Em uma brasilidade Hermosa 

Mais que demais,

a estética da Deusa de Vênus

Cuja imagem remete o Abebê de Oxum 

Mulher das camélias, de olhos celestes

Entreabre a boca carmim 

No centro das pombas brancas

Expira magia do amor. 

Se foi vítima presencial, 

não haverá por onde escapa 

A flecha da paixão é certeira 

*

FRÊMITOS DO ILÊ 

SÉRGIO CUMINO