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sábado, 30 de maio de 2026

CICLONE E A EXISTÊNCIA

CICLONE E A EXISTÊNCIA 

 Redemoinho já se vai

Pelo buraco da fechadura 

Que ficou do tamanho da porta

Ampliada a fresta do pensamento 

Findando a meditativa clausura

Se ele vai eu vou atrás 

Pedi que abrisse a porta 

Respondeu-me, que eu sou a chave

O acesso a passagem 

A nova perspectiva

Fidelidade da ventania 

Foi a frente limpando 

Resquícios que me aguardava

Era tudo novo no velho mundo 

Eu já era outro, que passei a ser eu

O paradoxo do desconforto 

Sai do lugar comum 

O frisson abraça a estranheza 

O acesso e os passos 

O caminho e a passagem 

Saí de dentro pra fora

De fora pra dentro

Viver ciclone da existência 

Protagonista do roteiro próprio 

A proposta e o propósito 

O Parsifal e o graal 

Louco e o mago sem olhar para trás 

General da vestimenta Fun – Fun 

À ser lamparina e o Eremita 

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 

                       

PESCA DA INSPIRAÇÃO

PESCA DA INSPIRAÇÃO 

Psiu! Faça silêncio 

Vai espantar o pensamento 

Pesca de reflexão profunda 

Desviando dos escamosos

Que sobrevivem com factóides 

A dúvida é a isca da filosofia 

A luz que chega ao fundo 

Já os de couro, guerreiro 

É símbolo da resistência 

Uma luta para tirarmos de dentro 

Destreza da poesia 

Pesca que tenha cabimento 

Quando ficção vira resenha

Acaba como história de pescador 

Nem tudo que cai na rede alimenta

Há o que vem de dentro arrebenta 

Memória repleta de espinhos 

Quando a água não está pro verbo 

A água, barco, céu e pescador 

Compõe o mesmo quadro 

A espera da inspiração profunda 

*

 SÉRGIO CUMINO VIAGEM A OLODUMARÉ 

                    


ESU, O COMUNICADOR

 


 ESU, O COMUNICADOR

 Estrada das palavras

É a fonte do pensamento

As correntes das parábolas

Deixa a mente sã

A dialética da encruzilhada

Torna a esperança em brado

A voz que vem no vento

Ele tem lugar de fala

Oráculo do caminho

É a intuição do ori

orador do nosso itan

Desmonta todo fardo

 põe ordem no falario

A energia que vem do falo

Difusor do oriki

Carrega as chaves

O enigma dos Orixás

A falange que anda só

Ornamento compõe o Ogo

Esperança do calvário

Narrador do tempo

Orador da noite calada

Pregador que desata nó

Com a eloquente gargalhada

Giro do círculo a dança da roda

Alegria da festa

O domínio da jornada

Mensageiro do Orum

O dendê do ferro

Cuspe da cachaça

Encanto do canto

O símbolo da forja

É irmão de Ogum

A linguagem do corpo

 Liberdade do berro

A fumaça e a pólvora

Magia da cabaça

É acesso, guardião da porta

Substantivo composto

Que deixa o homem nu

O signo da vestimenta

Seu nome é Exu.

*

SÉRGIO CUMINO

VIAGEM A OLODUMARÉ