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domingo, 7 de junho de 2026

ORIGAMI DOS SONHOS

  

ORIGAMI DOS SONHOS 

A arte do inconsciente 

Suspira versos numa noite fria

Se inspira no vapor do chá quente 

Deita-se com a resenha de prosas

Faz arranjos com rosas 

Ao centro tapete de pétalas 

Para o delírio desfilar 

Os espinhos são pontas de flechas 

Numa tocaia do cupido 

Fura o dedo , pretexto para beijar 

Dobra os dedos sentindo o cabelo 

Origami é poesia da memória 

Fazendo cachos com as dobras 

Lembrando a coroa de Dada

Traços finos revela ternura 

Como ingredientes dos sonhos 

Mistura-se ao deleite do olhar

A oportuna ilusão cadencia 

Leve, íntima e pura

Quando as sombras e luzes casam

Carinho que o toque sabe lembrar 

O amor é arte que inspira sonhos 

Quando está livre para sonhar 

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 

                    

ADMIRÁVEL SONHO LOUCO

ADMIRÁVEL SONHO LOUCO 

Foi um sonho desconexo 

Pra lá de ficcionado

Porém de profundo impacto 

Não conectava os fatos

Abusou do abstrato 

Estimulante como sexo

Havia sim diálogo interno

Mas não entendi o dialeto 

Claro, aconteceu papo reto 

Interessado em privada atimia

 Buraco negro do sonho, vago

Aqueceu o sol do meu plexo 

Redefinindo o substrato 

Como uma ópera psicodélica 

Protagonizava eu como objeto 

E a razão num cavalo alado 

Galopando na galeria 

de imagens e arquétipos 

Ou se era enigma paranormal 

Vagando no vácuo sem chão nem teto

Muito louco sem dar um trago 

Raio só se for dos sonhos dos magos 

Procurei referência nos mitos

Nessa dinâmica surreal 

Não encontrei nada escrito 

O intuitivo havia me desafiado

Não definindo nada concreto 

Mas uma coisa estava certo 

 a anima em estado animado 

Do cárcere havia me libertado

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ

        

sábado, 6 de junho de 2026

A ÁRIA DO LOUCO

A ÁRIA DO LOUCO 

A loucura é a ilha abraçada pelo mar

Se põe na arena do oceano 

Imersão caótica do olhar

Privilegiando todos os planos 

Vidente do sol, nascente e poente

Saúda as possibilidades do universo 

Uiva para lua , como lobo potente 

A ária da aventura intima 

Monólogo do teatro da crueldade 

Expondo a corte ao ridículo 

Usa o verso e abusa do reverso 

Valsa libidinosa no proscênio 

Acasalamento com divórcio 

Dilacera o pastor no versículo 

Tem sua sombra como sócio 

E desnudam todo Reino 

Comediante da alma agnóstica 

Liberta os botões de suas casacas

E joga seus bordões nas valas

Raio que desabou a torre de Marselha 

Fagulha da modernidade medieval 

São missionários de Dom Quixote

Artistas, poetas e trovadores apaixonados

Sem escrúpulo, choro nem vela

Entrega a jornada a toda sorte

Se evade da moral evasiva 

Retira o vampiro do cangote 

Pureza do tolo na jornada de Parsifal 

Expertise que subverte a estética 

A desrazão assume a questão 

Caminha livre sem métrica 

*

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ