SUSPIROS DA UTOPIA
Mesmo que a casca virou bronze
Como busto de praça
Manequim de magazine
Daquelas que a estética oprime
No padrão da distopia
Grava na pele a região dos desejos
Como tatuagem que te define
Sai de do fora e vai pra dentro
Resgatar a essência esquecida
E toda inspiração e seus lampejos
Sente o barulho de chuva
Sai descalça e pise nas poças
Quebra a couraça que não servia
Veja o vale e suas dunas
Se encharcando de esperança
Que guardava na cachola
Toda pureza de criança
Recrie cada detalhe
Com o elixir da fantasia
Imagem do âmago lúdico
Decora o belo da memória
Solte às esganaduras covardes
Junto com as hordas da escória
Abra frestas e os pássaros liberta
Ao vôo harmônico da resiliência
Cante a melodia que não podia
Rio corrente mente afora
Deixa as mágoas, irem embora
O que vim de fora não importa
Liberdade criadas de dentro
Voam felizes com as gaivotas
SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX


