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terça-feira, 14 de julho de 2026

CLAUSURA DA ALMA INFAME

 CLAUSURA DA ALMA INFAME 

A consciência ou falta dela

O impede de se olhar no espelho 

Tocaia do retorno ao fim do beco

Sente espinhos no travesseiro 

O coletivo quer que se dane

Não suporta se olhar no reflexo 

Instrumentalizar a vergonha 

Para vitimizar-se para que ganhe

O tempo parece que hiberna 

Remorso o faz se engolir a seco

Orgulho do genocídio 

Pela goela de um ser infame 

Cada um tem castigo que lhe serve

O plexo solar perdeu o lume

Clausura -se na escuridão interna

Eterno habitat desse verme

Prova-se o quanto é peçonha 

As Pautas de costume 

Desce que parece enxofre 

Não consegui segurar o grito 

Próprias vísceras ele deu nó 

Pautadas pelo soluço 

Reconhece a entrada do inferno 

Digerir-se como curtume 

Entre facínoras era um mito 

Auto flagelo por ser indigesto

 Tinha um torturador paterno 

De pronto toma um susto 

Percebe que ainda não está só 

Faz de si sua caverna 

Mesmo na escuridão sente o olheiro 

A sombra de sua insônia 

deve ser do conselho da retaliação 

Pai, filho e espírito no cativeiro 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


segunda-feira, 13 de julho de 2026

LABUTA HERÓICA

LABUTA HERÓICA 

Embarcada a Monomito   

Mil faces sobre os trilhos 

 trem desperta alvorada com apito 

na estação do tumulto 

Sua plataforma entorna 

Cada qual tem seu gueto 

Sua cicatriz digital 

Na lamúria coletiva 

Acordada com café preto

As crianças ainda dormem 

No retorno sono dos justos 

Na folga nos reencontramos 

É o gole do consolo 

A interior sai com sereno

Arcabouço de cada vagão

 Cartografias de cada mito

Põe a prova seus limites 

Na epopéia de cada indivíduo 

Heróis e heroínas sobre trilhos 

Na lida pelas labutas 

Vagão a caverna apertada

Espremendo cada afeto 

Na batalha com seu leão 

Conta com tolerância do patrão 

Porque deu boi na linha

O percurso da alquimia 

Nunca chega o mesmo

Cada episódio tem sua metáfora 

Há quem se comporta como animal

Cafajeste roça ombros das sentadas

Outras defende -se com sacolas

 Gestante frustrada por uma vaga

cabeças e cotovelos nas têmporas

Tendão tencionado que arde

Cada parada a fadiga da demora 

Chacoalhados como carga 

Elixir dessa saga 

 São os filhos que esperam em casa

Balanço da sobrevivência 

Nos padrões matinais 

Piora no final da tarde 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


MITO E A ARTE NA CAPELA DOS AFLITOS

MITO E A ARTE 

NA CAPELA DOS AFLITOS 

Faz tempo que me espera ?

- A magia do lugar me entreteve 

 olhar encantado como o templo

Elos que fazem do etéreo ser belo

Ambos atravessam o tempo

- Achei que não viria mais

Imagina, sou onipresente 

o deixei na companhia do silêncio 

Além do digno anfitrião 

Justifica o local do encontro 

É minha casa, com mitos urbanos

Aqui é a alma de nossa resenha 

“Partida, iniciação e retorno”

- Chaguinha foi morto na forca

O império e a calamidade 

Engano! não morto, desencarnado

Não sentiu a presença dele aqui?

Sentidos provocados. – É verdade 

Tornou-se o rebento de esperança 

Semente dessa irmandade

Ímpeto resistente na fé 

Colhe – se solidariedade 

Percebe, a Capela foi restaurada

É o reflexo da alma dos devotos 

Cantada em alegoria na avenida 

Sorrisos de devoção

 Desenhado no sorriso dos pés 

O herói, o mártir ,mito e a arte,

O estandarte é o seu manto 

No coletivo já somos manifestos

Por ser sagrado e glorioso 

A existência da divindade

Reflete no âmago do peito aflito 

Chaguinha já é Santo 

Fez ser presente a dignidade 

Ressignifica o espírito do povo

Por mais que tentem artimanhas 

Enforcar a memória 

Liberdade! Liberdade!

Nada haver, imigração nipônica 

Aqui pedaço da África ancestral 

O baronato adora ser colônia 

Incomodados com a glória 

Complexo em trilhos subterrâneo 

Cujo respiro, praça dos enforcados

Os fariseus não perdem a mania

 Paradoxo subverte a história 

-O que pensa para o artista ?

Já está escrito, a arte é a poesia 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO