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quarta-feira, 3 de junho de 2026

DO VENTRE A NOITE

DO VENTRE A NOITE 

Despiu-se do mundo

Atributos e dos fenômenos 

Na noite de lua mágica 

O vento parou para celebrar 

Com a penumbra do silêncio 

Libertou-se dos laços 

Da contenção das presilhas

Dos padrões que confina

Restrição dos fechos 

Confinamento da ilha

Renascer para viver

Mergulha no útero da essência 

 fogo e a água mistura-se

Sob arbitro da lua 

No banho sagrado 

Cerimonial que a noite preside

Na lagoa da mente 

É anjo por ser mulher 

Emerge no afã de viver

De realmente ser

A filha da Deusa 

Das profundezas de si

A fluir com a mãe 

E fazer-se toda

Em águas míticas

 Embebeda- se do luar

Véu faz-se bruma

 Reverência sagrada 

Recolhimento e entrega

Limiar dos mundos 

Ocultando o mistério 

Do ventre a noite.

*

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 

                   

POTÊNCIA DO AMOR

 POTÊNCIA DO AMOR

Vulgo estratégia do sistema

Lançou-te do pico da pirâmide

Levado pela corrente da ilusão

Para cair em queda livre

Empurrado pela opressão

Atravessa o peito o raio sistêmico

Faz da seda carne, epiderme pedra

A dúvida em primeiro plano

Qual intenção através do dano

Conluio a compatriota mercadoria

Variantes externa da avaria

Pela expressa fé fachada

Crença queda da ilusão

Desgaste constrói estigma

Refugo do proselitismo moral

E os temporais da mais valia

Já não reconhece a luz do dia

Engalfinha-se com a ideologia

O todo não vale nada

Atrela ao espírito suicidado

A imprudência do vale tudo

Avaria grossa, forma a crosta

vida não vivida rende-se ao estrago

 Desertificou só e maculado

 Morte vinda da triste figura

Vulnerável corrompido

Lugar comum do aturdimento

Quando o sonho é terra arrasada

À resistência da misericórdia

Haverá o golpe da libertação

Lá no íntimo brota uma flor

Aos escombros se aviventa

Com a potência do amor

*

SÉRGIO CUMINO

VIAGEM A OLODUMARÉ


terça-feira, 2 de junho de 2026

SUMA SORTILÉGIO

 SUMA SORTILÉGIO 

Sortilégio no colo da mãe 

Herança essência da filha

Quando criança brincava

Com bonecas de palhas

Vestida em retalhos trançados 

Resgate da consciência mística 

No afago da ancestralidade 

Transcende a civilidade 

Trançando os elementos 

Com amor que trança 

Brancos cabelos da sábia 

Evoca além do que sabe 

Mulher, anciã e maga

Mãos que muda a muda

E a faz falar

Caldeirão cozinha segredos 

Revelados pelo fogo

 a benção magia da Alvorada 

Sumo das folhas marinou na neblina 

Para elixir só faltam detalhes 

Guardado a sete chaves

Em respeito aos Deuses da floresta 

Cada árvore, raiz, casca e folha

Nas mãos certas vira magia 

O silêncio fala com os sentidos 

Oralidade submerge  na mulher 

Como lago que inspira a luz da lua

Que absorve o poder da noite 

Maga, amada pelo amálgama dos elementos 

O ventre da transformação 

Em dignidade sacerdotisa

No coração da mata

Se manifesta Celeste, terrestre 

Cuja a essência é a água 

Não contrária aos instintos 

Sabe a fúria que tem 

Por trás do véu das brumas da mata

 Cujo mistério é guardiã 

*

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ