PALCO ANCESTRAL
De árvore paoba
Agua, Vida preservada
o arquétipo à cena
Tablado de resenhas
madeira ancestral
Opom-Ifá da vida real
Ator procura Oráculo
E o calor movimenta
Entre nascer e o pôr sol
A noite o mistério conta
três atos surge os ocultos
No clímax o indulto
E religuei o coração
Ao sagrado feminino
Passagem de cena
Do drama atemporal
Sou vítima e carrasco
Atuação canastra
Ritmo e suas indúcias
Numa soberba servidão
Tempo esperando engodo
Vaga pelo contraditório
Com desejo e obstáculos
Numa arena dos dilemas
Do realismo fantástico
A sombra toma a ribalta
Num dueto com a luz
Público de olhar vago
Se dissipou com a névoa
Nesse palco sem cortinas
No centro do peito
Três batidas, toc toc toc
Nasce a aventura
Expectativa em silêncio
O anti-herói no aceno cênico
enredo sem cortejo
Contada sem talento
No proscênio, ansioso
o epílogo de cada ato
Anunciando o novo
protagonista se perdeu
No mito Prometeu
Com enredo coadjuvante
antagonista é o absurdo
Relação dele mesmo
De frente sem prólogo
Melodrama do jogo
Cheio de vontade
Cheio de sonhos
Enchendo se do outro
Teatro e seu duplo
No solitário monólogo
SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX


