Faz jus a cada página
Esse inverno intermitente
Acorda o que a retina pressente
E um orgulho de longa vista
E toda ordem de arrepios
Prece aos altares dos sonhos
A vela ardia na alvorada
A manjedoura do chão de fábrica
Útero do coletivo
A casa de Dona Lindu
Sob o sol de Caetés*
E o arquétipo da pedra filosofal
A borracha não apaga Chico Mendes
E a severidade com a serpente
Na Divina utopia de Darci Ribeiro
Que nesse deserto o acompanha
E o tempo escreve suas fábulas
A maciez que afaga a terra
Quando a árvore aprofunda raízes
A poesia entra na campanha
Umedecidas pelo São Francisco
Visão do Paraíso escrito do pai do Chico
Sindicato e seus suores
Irmãos de Frei Chico
Nossa criação, um criador
Sugere comer do fruto
Até a vida desfazer dos pretéritos
E ser rio navegador
A benção de Aparecida
A pesca de pescador
E os afluentes do sincretismo
foi-se a pele e a sombra
A serpente sob a Lua
No devaneio da madrugada
E as cogerações após as outras
Nas paróquias e seus entornos
Desnuda a fé do pecado original
Ao ninho da semântica
Quem não pensa sente
Narrativas de fatos e simulacros
Nas corredeiras de símbolos
As margens do meio fio
E batismo de cada barco
Que a vida respira
Faz-se a luz e a luz se fez
Sede férteis e multiplicáveis
Com nossos pães e peixes.
*
FRÊMITOS DO ILÊ – SÉRGIO CUMINO


