RESILIÊNCIA CALEJADA
O tempo calejou a resiliência
Impactos quando véus dissipam
Conforme máscaras não encaixam
Não surpreende mais
Os lamentos ficam obtusos
Aprende-se a superar o luto
Quando os paradigmas são relações
Rupturas em estado confuso
Personagens compunham cenário
Ou cenário compunha personagens
São contextos que dissertam enredo
No ato, capítulo, preâmbulos
Deixa de ser fato, afeto, engodo
Rei morto Rei posto, e as cartas desabam
Amargo desgosto;
Ervas que curam as enfermidade da ilusão
Marcam os clímax shakespearianos
E o “teatro non-sense” de Ionesco
Isso é clássico, contudo seus complexos
Em noites sombrias ,
Paixões queimaram como palha
A mesma Maria Fumaça dos tempos de boemia
Aos poucos fica sem lenha pra queimar
Quando o destino muda de rota
Tantos amores ficaram na estação da esperança
Contemplativo no crepúsculo da tarde
Que o horizonte não traz de volta
O tempo é eterno, mas atitudes perdem paradas
E ainda insistimos em requenta-las
Um perdido no vácuo do tempo
Quando as vozes emitem lágrimas
E seus silêncios ecoam gritos
Como apito de um trem mudo
As estações e seus legados
E o sonho deixado conforme inverno
Nessa dor de poeta viajante
Compõe e decompõe afetos
Até a prata dos pelos compor sua face
Traje de gala, para ouvir
As resenhas que as rugas contam
As partidas que não voltaram
Mas partiram corações
Quantos vagões descarrilhado
Os demais, serrados, túneis e reflexões
Movem-se com as saudades
que a resiliência calejou
*
INVERNO REVERSO
SÉRGIO CUMINO


