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quinta-feira, 28 de maio de 2026

HELENA DO RAIO

numHELENA DO RAIO

Nasceu no subúrbio da zona leste 

Onde cresceu e se criou 

Arteira e faceira, :- pior que moleque 

Dizia Mãe Janaína, inconformada 

Jogava bola, laçava na rabiola 

Nunca levou desaforo pra casa

Mainha lavava roupa pra fora 

Gostava da espuma, que lembra 

A beleza das ondas do mar

Zeferino o pai tinha o ar tranquilo 

Consertava guarda chuvas 

Cigarro de palha no canto da boca

Com rabo de olho, vigiava a brasa

Dizia que a fumaça o leva a sonhar

Helena tempestuosa com raiva

Nem para raio consegui segurar 

Foi daí que nasceu o apelido 

Alcunha que não se importava 

Mau virou adulta já queria trabalhar 

 Nem mito ou poesia , tudo misturado 

O sonho da lagarta, na linha de largada

Faça sol, faça chuva, Helena é o raio

Precoce se transforma, borboleta pra voar

Sopro da vida, caminho do vento

O resto da história projeta pra continuar 

As adversidades não foge da luta

Guerreira e feroz como a búfala 

Tem entrada em qualquer lugar 

Defende lealmente quem ama

Nababesca glória ou na lama

Aqui vai mais uma dica

Helena do raio, é filha de Oyá 

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ   

                  

quarta-feira, 27 de maio de 2026

AYRÁ RESPIRA OLODUMARÉ

 


AYRÁ RESPIRA OLODUMARÉ 

Quando Ayrá olha para Òrun

Inspira a voz de Olodumaré 

Expira a chama da transformação 

Dádiva que recebeu de Dada

Faz a fogueira que aquece Oxalá 

Como ritual de pacificação 

Cuja resenha arquiteta a paz

O fogo que dá forma a forja

Rompe as correntes da opressão 

Para que abutres não lhe comam fígado 

Tenha excelência na missão do criador 

A terra é nossa mãe 

As pedras são seus ossos 

O lodo generoso da anciã 

Nos reveste com a carne 

Caso que no processo se corrompa 

Suas chamas traz a luz ética 

Não se perca nos redemoinhos

Porque Ayrá reorienta o caos

Ao generoso brilho da criação 

Para não ser abduzido pelo abismo 

que fica de tocaia escondido

 Junto as sombras que nos confunde 

Para tirá-lo da trilha da evolução 

Escute a voz dos ventos 

 A razão, o pensamento crítico

Emancipa com passos divinos 

Dá sentido ao seu próprio destino 

Não esqueça, desafios tem sacrifícios 

Todo desejo tem seu obstáculo 

São as centelha que transforma 

Porém atenção as chaves dos caminhos 

E a lamparina nos guia

Fogo sacro que permeia 

No labirinto do livre arbítrio 

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 

              

terça-feira, 26 de maio de 2026

QUANDO PENSAMENTO PEDE

QUANDO PENSAMENTO PEDE

Coloco-me em estado taciturno 

Em conluio com a calada da noite 

Para que ouça com apreço o silêncio 

E perceba quão profundo o apelo

Até empatia não descreve o que acompanho

Mas essa impotência que me rasga o peito

  As mãos incapazes unem-se em prece

Rogo que atenda o martírio de quem amo

Jogo ao universo, sei que está em todos os planos

Reina no ciclos da vida até que se finda

Regenera vítima da enfermidade

Para que sua filha em roda de rito

O recebe empunhando seu cetro

É divino da cura e purificação

Por isso peço com ar que respiro

Que a vida a dê serenidade no lugar

Do grito entalado pela dor dos ombros 

Como se submetesse nervos

A tortura sobre cavalete

 mãos retomem a graça de afagar

Que o semblante reviva sua poesia

Faça do dilacerado renovação 

E todo sofrimento sabedoria 

Tira todos males com suas palhas

Xaxará seja instrumento da sagrada cura

 Atotô a saudação que o faço em pensamento 

Para o pedido transcender

Onde minha vã filosofia não consegue alcançar 

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ