Tentativa de recompor o pretérito
Em busca do fio da meada
inqueria a resolução das dúvidas
Onde foi o erro, se errei?
Pode ser no freio involuntário do sonho
Por inalação alheia
E vestir a carapuça da culpa
Não haveria condição pequena burguesa
Que trovejasse contra a boemia pueril
Havia ali um prazer implícito
De saborear o devaneio
Sonho dando pano pra manga
A resistência ao mundo senil
Buscando o estilo da criação
Nem sempre determinado
Muito menos um passeio
Os percalços surgiram no curso
Sem a orientação da previsibilidade
Aí o improviso perdeu a frequência
E a vida me deixa a deriva
Um corpo inerte sem pulso
Dizia Pessoa; viver não é preciso
Foi a submersão nos conflitos da consciência
O existencialismo assume a primazia
Se era carta marcada pelo destino
Essa encharcou de tão afogada
A boia de salvação
Foi organizar ilusões em poesia
O diálogo com a resiliência
E reacender a lâmpada de azeite
O amor e o sacerdócio lidera o ranking
E a vida seguir com deleite
Ato de fé a preces aladas
Para que o pretérito mais que imperfeito
Mesmo com mau tempo saia da marina
Deixa o estado de pedra e avance
Avarias do coração o fez rarefeito
E de graça qual seja a sina
Vejo na noite a graciosa dama
Eloquente diva com seus mistérios
Cujos enigmas me assanha
Ser Ermitão com a lamparina.
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FRÊMITOS DO ILÊ
SÉRGIO CUMINO


