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domingo, 24 de maio de 2026

EU NAVEGANTE

 


EU NAVEGANTE

Barulho do isolamento

Do silêncio verborrágico

Se apruma com mar calmo

Em harmonia com oceano

Ocupa a lacuna do abandono

Quando pousa o remo

o sol brilha como ouro velho

Ilumina o legado da história

Frade em seu pequeno barco

perene como a luz reflete

olhar se projeta, ao nada solene

 indaga com espírito:- Quem vem lá?

Com a luz inerente ao sábio

Chama colhida por uma vida

Flama dirige a luz do espírito

O lume moderado e eficiente

Nota que o que vem, pela vastidão

profundo quanto o mar que navega

Deveras sábio como sol da retaguarda

Sabes, quem vem lá é resgate de cá

Como transformação a novo patamar

Sem alardes ou sirenes marítima

Vem, emergiu de seu oceano

SÉRGIO CUMINO –

VIAGEM A OLODUMARÉ


sábado, 23 de maio de 2026

FOLHAS DA DIÁSPORA

FOLHAS DA DIÁSPORA 

Dádiva que se recebe

Do conselho do Olorum 

Folhas, semente, raízes 

Da o olhar a quem elege

O caminho e diretrizes 

 a dimensão em ser um

Com a benção de Ossanhe 

*

Benzedeiras e rezadores 

E encantados acompanhe

Jurema e os louvores 

Mestres do catimbó 

Todo rito do Sassayin

E as raízes que viram pó 

Vem no bornal dos mateiros 

*

A mata é um livro ancestral 

Cada sumo seu paradeiro 

Harmonia do Aye e o astral 

Arte de manipular energia 

Pilar de todo terreiro 

Princípio que faz a magia 

Epístolas que vem a memória 

*

Sabedoria provir da aura 

Presente pela oratória 

Processa a cura dos males

Dialoga com cada alma

É um todo de cada história 

Desperta o oculto entre os vales

Folhas escrituras do Eu.

*

Que transcende o terreno 

Nas mãos que erveiro colheu

 busca o oculto obstinado 

Que o leva ao mundo pleno 

Depois o benzedor benzeu

Fez da devoção sagrado

Manuseio da função a energia 

*

Arauto das forças divinas

Sob os cânticos da magia

 Afeiçoa as folhas ao axé 

 fusão com águas límpidas 

Percepção do entorno amplia

A ver o mundo como ele é 

Bendito, folhas que saciam a dor

*

Conhecimento viaja no tempo

Para corpo, espírito e o amor

Que se mistura nas cabaças

Com sua textura e fundamento 

Na formosura de beleza e cor

E as conservas das garrafas 

Da vida , dando vida a vida

*

SÉRGIO CUMINO –

A VIAGEM A OLODUMARÉ

                           

sexta-feira, 22 de maio de 2026

RESILIÊNCIA À FÉ


RESILIÊNCIA À FÉ 

O olhar voltado para baixo 

Aponta o domínio da terra

A benção da mãe das mães 

Paradoxo do chão perdido 

Para despir-se das couraças 

Desprender de suas esferas

Embirra no lago do ateísmo

Refúgio das dúvidas lodosas

Surpreende-se com velha anciã 

Tem o amparo da sabedoria

Dá-lhe perspectiva a vista

Encontra experiência de Nanã

Põe ao pescoço colar de ametista

Todo panteão saberão quem és 

Lama resgata o discernimento 

Amolece a casca materialista

Procura Osanyin e sua magia

Emerge a realidade vã

A poder oculto das folhas 

Sente a força nos pés 

Levá-lo a empurrar o chão 

Para Ori subir ao Orum 

Desfaz dos tormentos que ânsia

O indica ao banho de cachoeira 

O desprenderá do plano comum

Percepção nova conselheira 

De pronto ao colo de Oxum 

Reconhece o axé em si

Saindo leve como a chama

movimento recebe de Ayrá 

Compõe a força que almeja 

Demais Orixás do fogo

Ogum, Xangô e Obá 

Dão resistência e determinação 

Resiliência tem, se não chegaria aqui

Omulu lhe passa as palhas

Para não deparar com chagas

Por fim da empreitada 

Todos Ebós renascem a fé 

Recebe a benção e brandura 

Lançado ao destino 

Pela flecha de Odė

Habitua-se ao branco das nuvens 

E suas formas ancestrais 

E recebe a missão Olodumaré 

SÉRGIO CUMINO – 

A VIAGEM A OLODUMARÉ