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sábado, 27 de junho de 2026

CUIDADO SOTURNO

 CUIDADO SOTURNO 

O toque e carinho despertar.

Faz-me sentinela do seu sono

Revivendo momentos eternos

Sem protocolo e termos

Até tormentos nos deixam sós

 o guardião aproveita seu repouso

Com luminária das palmas

Projeta as linhas da vida

Relaxando seus ombros 

Desfazendo tensões e nós 

Até os músculos e nervos

Aprisionados pelos maus olhados

Sucumbi à dor efêmera

Mãos protetoras dos seus sonhos

Vagueiam sobre corpo da fêmea

Projeta cores, cuidado amor

Seu corpo pesa na cama

Porque a alma flutua

Sob a graça dos cuidados

Nosso segredo noturno 

Sou semente da noite

Para amanhã ela acordar flor

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO- FUSCO 



BOLO MOLHADO

BOLO MOLHADO 

Que arrepia quando a chuva cai

Aguça a unidade contigo 

Juntamos ingredientes ousados

Ao feitiço das águas de Oxum 

Corpos colados 

Untados, sobre Lençóis amaçados

Beijo molhado e peles úmidas

E sente a liga que o toque faz

E aconchega os braços 

Para a graça repousar

Juntinhos uníssonos e ternos

De corpos, bocas e suspiro

Mil e uma noites a memória traz

 Aquecidos pelo fogo de Ayrá 

Renova a noite que, estará porvir

Calmaria seduzida pelo carinho 

a pele doce, assume o aroma

Assim que sentem o bolo crescer 

Recheados de mel e vinho 

Antropófagos do amor

devoram-se como se fossem 

Bolo molhado 

SÉRGIO CUMINO – 

LUME LUSCO- FUSCO


 

O DENGO E SEUS CORTEJOS

O DENGO E SEUS CORTEJOS 

Nas veredas dessa lida 

Passava pelos rochedos de Xangô 

Nas montanhas sobre as matas

Podia contemplar o Horizonte

E deixar a mente sã 

Como arquétipos nagô 

Avista fumaça distante 

Seguindo onde o vento indica

Sabia que vivia mito de itan

Enfrenta percalços de caminhada 

Percebe no aroma, especial graça 

Levada a liberdade destemida

 Dispensa as paradas 

Atraído pelo que vem de lá 

Porque o vento está seduzindo?

Esteja onde estiver

Não custou muito a encontrar

De alma serena linda e viva

Era uma linda mulher 

Doce filha de Oyá

preparava delicioso cozido 

nem a fumaça alçada 

sequer folhagem da mata

Atrapalhou cruzada do olhar

E os sentidos que exalam 

Como fumaça do caldeirão 

Aceitou a cuia e pousada 

Conduzido por prosas e Chamegos

Aos som dos grilos surgem beijos

Quente transformado em ser

Revelando o dialeto físico

Que alçam e laça os desejos

se quer, o coração deixa

Mexendo o remelexo do sexo

Descobrimos minérios críticos

Ricos em dengo e cortejo 

Misturamos sonhos e crenças

Abertos projetando o plexo

Para que o toque 

seja totem místico

SÉRGIO CUMINO – 

LUME LUSCO- FUSCO