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domingo, 3 de maio de 2026

PAPEL E CANETA

PAPEL E CANETA 

São testemunhos oculares 

As juntas do rito

Lamparina e noite fria

Gatas se aconchegando 

Ao calor que o corpo partilha 

Respira a intuição do anima 

As folhas brancas se doam

Em posição ao mito

marcadas pelo equívoco 

Amassada e jogada no lixo

Com desencontro das resenha 

O acerto se desenha

E a que recebe a marca 

vinda do infinito 

Na construção do herói 

Estrutura e mito

Vale que lhe valha

Todo aquele que lhe venha 

Esferográfica solta a tinta 

Pinta um ponto da memória 

Dá-se o início nasce o caos 

Ao ponto dos pontos do legado

Em confronto com os biográficos 

Feito o sumo desse caldo 

Banhado a ficção 

 portando maquiagem 

Narrador com cheiro 

De documentos de grileiro

 Paramentos da criação 

A vida imita a arte 

No tablado do absurdo 

Com recursos semânticos 

Da jangada aristotélica 

Os lapsos seletivos

Na lista de hábitos 

Personagem e o criador .

No delírio do Narciso 

Estética do sincericidio 

Expressionismo nonsense

Da cara de paisagem 

Em memória póstumas 

Vale a vista ampliada

Da sacada da montanha mágica 

A caneta dirige sozinha 

O autor se entrega a viagem 

Graças ao Oxorongá

Que pousou na árvore seca

Aroeira morta. Fez se espírito 

Para ser caminho do recado 

Que a mãe terra mandou 

As corujas conselheiras

Das matrizes ancestrais 

Fizeram um preparo 

Do livro do seu destino.

Que a palavra prospere

a força de oriki rezado 

Porque o Ori é abençoado. 

SÉRGIO CUMINO – ABRASAR FÊNIX 



                                      

INSÔNIA NUMA NOITE DE OUTONO

INSÔNIA 

NUMA NOITE DE OUTONO 

O que escuta atrás da porta?

Ela dá saída ao buraco negro

Ao oculto da memória 

Ouve! (Pausa dramática )

Não escuta nada. 

 chegou e nem deram conta

Houve um espaço atemporal 

Tempestade de pedra de raio

Tamanho mal jeito anfitrião 

Confuso com a comitiva 

Dessa vez o nada não veio só 

Trouxe com pouca bagagem 

o conselho do silêncio 

Se manifestara com aquietar

Do tudo junto e misturado 

E a vergonha verborragia 

Que a consciência escondia 

O Eu e o plenário das sombras

Para descobrir o eu próprio 

Paradoxo do trovão 

Trás dúvida e premência 

Porque da convocação 

De tantos de mim,

Pelo amor de Deus?

Transcende o medo 

Nada de resposta 

Porque se Deus é Tudo 

Deus é o Nada

Quem é na fila do pão 

Centelha do trigo 

Perdida atrás da porta 

assembleia é o tempo por nada.

Sem vir as estações mudarem

O capitólio e o sabatinado 

Bancadas místicas e céticos 

Respondem pelo alvoroço 

Pena de Sísifo muda de regime 

Sem garantia , como a vida

Para deixar a pedra na montanha 

Hastear bandeira encantada 

E o universo não responde 

O sentido não tem o que fazer 

A ação está contigo 

Acha um absurdo 

Resolva com ele

Está na comitiva 

Sagrado seja Os olhos

 Revolta dos inconformados

Bandeira que vibra a existência 

Assusta por ser branca

Contra o delírio dos consolos 

É para se livrar desse bolo

 a união de todas luzes de cores

O gradua a ser o autor

Com a lamparina para vazio 

Sem desviar os olhos 

Provocação filosófica 

Flâmula é a tela

Para Ressignifica a porta 

A da chegada alvorada.

SÉRGIO CUMINO – BRASA À FÊNIX 

                                     

sábado, 2 de maio de 2026

CICLONE

CICLONE 

Não se apega a estigma 

Porque a razão faltou 

Apenas uma vertigem 

Por ser verdadeiro 

A angústia de pronto 

assume o posto 

Pois é seu moço 

Caminho reto

Em entradas tortas

A recíproca também é verdadeira 

Muita atenção nas encruzilhada

conveniência tem suas arapucas 

À prender no estaleiro da resignação 

Por isso, cuidar de si é uma arte

Tantas possibilidades em redes

Cujo balanço ilusionista 

Enquanto o desespero 

O espera no beco 

Para sabotar a existência 

 Brado! Brado! Ayrá Lê!

Grito da fé acudindo a carência 

E logo pede audiência 

Persistência e a teimosia 

Ansiedade da intuição 

Que busca brisa

E descobre se na devoção 

Em ser cavaleiro andante 

Com machado em punho 

Evocando o ciclone 

Que o despe do coletivo 

Para vivenciar o mistério 

E suas litúrgicas matrizes 

O oculto inculta a radiação 

Pelos vibram e chamam 

Os arrepios intermitente 

Ori a bulir com a clarividência 

Até a paciência em transe

Sem o bojo comprimindo o peito 

E as coronárias do Destino.

SÉRGIO CUMINO – BRASA À FÊNIX