ESSE BLOG NÃO PERTENCE SÓ AO POETA, ELE É DE TODOS NÓS

sexta-feira, 10 de abril de 2026

LÁBIOS DE YEWÁ

LÁBIOS DE YEWÁ

A lua encantada 

Reflete a cabeça 

Do poeta amante

Nos quatro cantos 

Do mistério da noite 

Cavaleiro andante

Das rimas proseadas 

Cantos Poemetos 

A procura da bela

Pureza na fonte 

 poesia personificada 

No castelo de folhas

a neblina e o invisível 

Rogo a vidência 

Onde reina Yewá. 

A Instantes do amanhã 

As sombras e seu duplo

Desenham espíritos

Na cabeça Yabá

Filha de Nanã 

Beleza do mundo

Habitam ela

Onde guarda os caminhos 

Da liberdade própria 

Assim segue

 paixão cavalgada

Onde as estrelas 

Abraçam a terra

A lua espreita 

Amada jornada

Entre a terra e o céu 

Já não é mais ontem 

Amor e possibilidades 

Faz se rio da vida

No Ciclo da água 

E os lábios de mel

Não submerge, transforma 

Passa amar Horizonte 

Aponta estrela guia

Da sentido clarividente 

Sua névoa dissipou 

A angústia trovador 

Paixão é a ponte 

Aos braços da amada

 Dentro da mata virgem

Descobre seguir sem dor

Vaguear pelas nuvens 

É sonho não vertigem 

SÉRGIO CUMINO – O POETA DE AYRÁ                          

quarta-feira, 8 de abril de 2026

BEIJO A SUA FLÔR

 

BEIJO A SUA FLÔR

Sonhei que beijava sua flor

Era um beijo gostoso

Um dengo a amada

E suas coxas acariciava

Entrelace e contrações

Deveras desejosas

Minha fome de você

Doravante insaciável

Seios tesos

Alertas em prontidão

Apontado ao lustre

Prontos a boca amada

A testemunha ocular

Dessa recíproca melada

Abraçado por suas pernas

Engolia com volúpia

A língua carinhosa

Que a sorvia com prazer

Calcanhares assinava

Abaixo das vértebras

A poesia vivida, suada

Molhava o amálgama

Ao som de onomatopaicas

Gruídos, gemidos e suspiros

Impulsiona o meu sorver

Diafragma se contraí

Respiração ofegante

Pedindo mais, não para

Num frenesi contumaz

Amassava próprio rosto

Violava, cílios, Baton,

E tanto mais

Desmancha o penteado

Corpo ressignifica

Como se os poros

Gritassem de prazer

Aos quatro cantos de Eros

Até o tempo gozou

Num êxtase atemporal

Lençol em surreal desarranjo

amaçado em suas mãos

Como se o algodão

Se transformasse

elegir do amor

Ah e a prosa gostosa

Que embebedou olhos

Resenhas que se desenha

Nos envolve entre colchetes

Penetra se entre parentes

Despimos as aspas e vestes

Roçando – nos, nus

Assanha a seda da pele

A pausa da antessala

Do beijo apaixonado

Frisson acumulado

A escolha dos laços

Lingerie vermelha

Ou rosa, nem sei mais

No momento programado

Rendas abandonada

Aos pés da cama

Pela entrega reinante

Na batalha amante

Que só se rendem

A fadiga apaixonada

SÉRGIO CUMINO – POETA FLOR & PELE


LEITO DA NOITE

LEITO DA NOITE 

Segue a noite afora

E o sono nada

Teve uma hora

Calafrio prevê

O Silêncio a capela 

A sombra se mostra

Cerrada e calada

Névoa que se abre

Movimento lento

A mente sem marola

Há trégua das dúvidas

Ao enigma do evento 

Não sabe se é manto

Ou uma toga

O vulto não prosa

Noturna no tempo

A eloquência posa

Contrasta facho luz

A lua vem de fora

Nenhum cão ladra 

Respeito dobra joelhos 

impera madrugada 

Leito de casa

No leito da água

Profundo sagra 

É velha senhora

mãe das águas Consagra

Ostenta o quietude 

Que diz sem verbalizar 

Encontro do doce e salgada

É lá que ela mora

Divisa dos reinos

Das Yabás das águas

Presente sem tumulto 

Só e bem acompanhado 

A mando de Oxum 

 Deitei na cama

Adormeci no colo

Senti a vida

Ternura é senhora

Desfaz imbróglios

Um por um

Sonhos a deriva

Deu me a bença 

E foi embora 

SÉRGIO CUMINO – DO PÓ À FÊNIX