ODE AO DESILUDIDO
Foi no fundo da noite
Que as sombras ardilosas
Permitiu-se conversar
A noite calada, porém atenta
Prolixa no silêncio
Poderia surgir ali
O que as claras se ofuscam
Com desleixo da atenção
Bem no fundo, no canto da desistência
Clausura das fraquezas
No leito do vulnerável
Onde autoridade não se sustenta
Parece revelar o improvável
Um fundo vazio cheio de medo
Onde vocifera o teatro da crueldade
os insumos que o percurso fermentou
votos de diamantes com a ilusão
Últimos invernos à conquista a alma
Diante do conselho dos traumas
Memória e os dilemas dos becos
Escreve a carta ao fundo da noite
As ironias que a idade se presta
Que aponta para escrito resignado
Dizem que são memórias póstumas
De um morto distraído
Aí a questão, qual óbito se refere
São tantas nessa vida Severina
Que João Cabral virou poeta
Quantas a salpicar no verão
Invernos declinando a depressão
Porque justo no outono perdeu meta
A tempo não esperava a estação de flores
Morte e castração ou Ode ao desiludido
O certo que estava em falta com a noite
Mais complacente que de costume
Por conta do calor da idade
O rei estava nu.
A carta continha conquistas e saudades
Mas o pano de fundo no fundo da noite Pra que fui no fundo ,dor
O leito encantado do amor.
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FRÊMITOS DO ILÊ. SÉRGIO CUMINO








