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terça-feira, 21 de julho de 2026

INSTANTE ENCANTADO

INSTANTE ENCANTADO 

A vida é feita de momentos

Como os mínimos e eternos

Caminha perante os olhos 

Deixou o entorno nebuloso

Estava além do que a vista alcança 

A boca secou e o coração abstraído 

Era magia feminina em governança 

Majestosa no rigor da Deusa

Leva-me conversar com pensamento 

Sendo um anônimo admirador 

Impressionismo digno de Renoir 

Chega a ofuscar o entorno 

Na alameda dos pássaros 

Com avenida das acácias 

Valsei com reflexões dominadas

Golpeia o ceticismo. És Divina!

O lirismo distrai a agenda 

Já não sabia de onde vinha, para onde ia

Conforme a benção da visão.

A mente passeia platônica 

Faz jus a arte da poesia 

Pelo colo elisabetano  

A olhava de soslaio 

Para que não note o hipnotizado 

As formas sinuosas e insinuantes 

Eu e as saltitante retinas

Ternura sobrepostas aos sentidos 

Esfumaça o trânsito e seus ruídos 

Um aroma de graça 

Desapareceu ao virar a esquina 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

AMAR REFLETE O RIO

.            AMAR REFLETE O RIO

Sob esplendor da Alvorada 

Pensa no amor 

Nas melodias noturnas 

sussurra a Deusa

Como dádiva do rio

Tem suas dores e rebentos

Que dinamiza sua graça 

Força faz-se pureza 

Perante os desejos e obstáculos 

As flores sobrepostas ao espinho

É corredeira transformada

No aconchego do seu leito

Princípio da ação dinâmica 

Contemplativa, com sorriso da manhã 

Sempre uma nova esperança 

Lema é amar desde cedo 

Sob a cortesia dos pássaros 

Sonoros ao suspiro 

aos devaneios matinais

As carpas vem a margem

pares do brilho dos olhos 

Submersos como a retina 

Ilumina a menina 

E a mulher apaixonada 

Passa o dia sob marolas do sorriso 

O olhar que se perde 

Em imagens do lirismo 

Nem vê o dia passar

 Chega às cores durante 

A ternura do crepúsculo 

Prenúncio dos sonhos 

Ama a capela 

Aos braços amantes 

O colo amado 

É a mais bela

a chegada da lua

Poetiza seus delírios 

Com sua alma nua

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

domingo, 19 de julho de 2026

DANDARA CIGANA

DANDARA CIGANA 

A bátega d’água não impede a liturgia 

Que caia sobre as águas que depositava a prece

Era chuva de Ayrá sobre rio de Oxum 

E na várzea aquele de expectativa vazia 

e os elementares como confessionário 

Unidos num romance sagrado

De susto surge a saia que gira a roda da vida

Cuja dona que a vestia significa o movimento, vibra elegância 

Até o ar ascendeu o aroma de rosas

Linda no brilho e expressão 

Sua plenitude de encanto 

Parou o temporal num repente 

Uma súplica de bom trato para não ser descortês 

-Perdoe moça me deixe só. Rogo meu apelo a Oxum 

Solta um suave sorriso , que dispensa o reconhecimento 

- moço de merecimento, aqui estou na missão de preposta.

Fez o obséquio e contemplou a companhia 

- Qual a sua graça?

- Dandara. E completou :

Perdido na viagem do mundo que o deixou a margem 

Procura a chave que abre as vias do destino 

Percurso o qual engendra dúvidas 

Vive momento trágico pouco forçado 

No limiar da esperança e o calabouço 

Oriundo de derrocada absoluta .

Letrada em alegria, disse afetuosa 

-Por mais paradoxal que pareça, é o indício de evolução 

A amabilidade elevava a cortesia, ela entendeu sua alma

- No drama dentro de ti, vivenciou o clímax. Onde a conjuntura o fez cético 

O lamento foi o silêncio, que repassa o filme, em episódios

- Sei que não encontrou a dignidade do sustento.

Argumenta: - Creio que nesse plano, esgotou os propósitos, a fonte secou

- Esquece pressupostos passados, eles são como esse rio, que já não é o mesmo desde que a chuva parou.

A presença doce era como a água corrente 

Num instante hidratou o espírito e o levou ao plano metafísico 

O que significa a dispensa dos desejos frívolos.

Porque agora ascende a uma missão ancestral.

Já parecia íntimos na espiritualidade 

Revelou coisas que a sombra escondia 

- Agora prepara seu bornal do louco . Dentro as ferramentas do mago e a lamparina do Eremita 

Para tu que deseja a chave 

empregue o verbo iluminar

A regência do Amor é a magia 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO