A ÁRIA DO LOUCO
A loucura é a ilha abraçada pelo mar
Se põe na arena do oceano
Imersão caótica do olhar
Privilegiando todos os planos
Vidente do sol, nascente e poente
Saúda as possibilidades do universo
Uiva para lua , como lobo potente
A ária da aventura intima
Monólogo do teatro da crueldade
Expondo a corte ao ridículo
Usa o verso e abusa do reverso
Valsa libidinosa no proscênio
Acasalamento com divórcio
Dilacera o pastor no versículo
Tem sua sombra como sócio
E desnudam todo Reino
Comediante da alma agnóstica
Liberta os botões de suas casacas
E joga seus bordões nas valas
Raio que desabou a torre de Marselha
Fagulha da modernidade medieval
São missionários de Dom Quixote
Artistas, poetas e trovadores apaixonados
Sem escrúpulo, choro nem vela
Entrega a jornada a toda sorte
Se evade da moral evasiva
Retira o vampiro do cangote
Pureza do tolo na jornada de Parsifal
Expertise que subverte a estética
A desrazão assume a questão
Caminha livre sem métrica
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SÉRGIO CUMINO
VIAGEM A OLODUMARÉ


