Tempo nossos mais velhos
É a benção das veredas
Olhos que pouco vê
Leem os Provérbios de Ifá
Sabem quais as oferendas
A ciência de cada Ebó
Que não deixa andar só
*
O caminho a ordem do axé
Levam as trilhas de Ogum
O conhecimento de Odú
Opostos são polares, porém únicos
Inspira Ọkùnrin e expira Obìnrin
E vice-versa
*
O ancestral é união dos polos
Orixá é cabeça, coração e membros
Se você é Orixá, Orixá é você. Então é Axé
Nossos mais velhos em seus pilões
Amaçarocaram em preces sem pressa
folhas à nos orientar
*
Até emergirmos a brandura
Palavras em si perde o caminho
O âmago da oralidade
Vento não só assovio
Ensina cuidar do terreiro
O ventre nas mãos do Àwùjọ
Vozes despertam o corpo cuidado
Para que não se perca em si
*
Apuram a escuta desde lá
Quando promessa de destino
No corpo do escolhido, o abiã
Ajoelhar à presença não é só bença
O afago do tempo faz a flor crescer
Reverência do sábio, antes de Ser
Experiência mística tem que se viver
*
Dedique ao silêncio para escutar
Atenta a mente ao colo de Orixá
Anciãos tem mãos que falam
Seu toque a benção ancestral
Fogo, terra, água, ar
Para emergir com os Orixás
*
A raiz desceu fundo pra copa crescer
Somos células dessa árvore
Com o ancestral que nos cuida
Amanhece o dia e já estava na alvorada
Sendo o todo unificado
O sábio não exerce a força, ele É.
A Bença
*
FRÊMITOS DO ILÊ
SÉRGIO CUMINO
. “ Dedico a Pai Maurício de Oxalá “


