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terça-feira, 18 de agosto de 2026

O TEMPLO É BENÇA


O TEMPLO É BENÇA 

Tempo nossos mais velhos 

É a benção das veredas 

Olhos que pouco vê 

Leem os Provérbios de Ifá 

Sabem quais as oferendas 

A ciência de cada Ebó 

Que não deixa andar só 

*

O caminho a ordem do axé 

Levam as trilhas de Ogum 

O conhecimento de Odú 

Opostos são polares, porém únicos 

Inspira Ọkùnrin e expira Obìnrin

E vice-versa

*

O ancestral é união dos polos 

Orixá é cabeça, coração e membros 

Se você é Orixá, Orixá é você. Então é Axé 

Nossos mais velhos em seus pilões

Amaçarocaram em preces sem pressa 

folhas à nos orientar 

*

Até emergirmos a brandura 

Palavras em si perde o caminho 

O âmago da oralidade 

Vento não só assovio 

Ensina cuidar do terreiro 

O ventre nas mãos do Àwùjọ

Vozes despertam o corpo cuidado 

Para que não se perca em si

*

Apuram a escuta desde lá 

Quando promessa de destino 

No corpo do escolhido, o abiã 

Ajoelhar à presença não é só bença 

O afago do tempo faz a flor crescer 

Reverência do sábio, antes de Ser

Experiência mística tem que se viver

*

Dedique ao silêncio para escutar 

Atenta a mente ao colo de Orixá 

Anciãos tem mãos que falam

Seu toque a benção ancestral 

Fogo, terra, água, ar

Para emergir com os Orixás 

*

A raiz desceu fundo pra copa crescer 

Somos células dessa árvore 

Com o ancestral que nos cuida 

Amanhece o dia e já estava na alvorada 

Sendo o todo unificado 

O sábio não exerce a força, ele É.

A Bença 

*

FRÊMITOS DO ILÊ 

SÉRGIO CUMINO 

. “ Dedico a Pai Maurício de Oxalá

ESSÊNCIA DA FLECHA AFIADA

 ESSÊNCIA DA FLECHA AFIADA 

Oralidade sem verbalizar

Seus frêmitos prolixo 

Paradoxo da linguagem 

Silêncio é prece nas águas de Oxalá 

Há encanto no bater paó 

Dueto das falas é união das palmas 

Mão com mão vibra eloquente 

Verá o encantamento aflorar

Com primor à reverência 

Projeta o Orí além do preceito 

sagrado fala para ouvido que não ouve

Portanto os sentidos respondem

Mutação que desperta 

A pele converge com o ar

As células com a crença 

A oralidade se estabelece 

Supera a lógica 

Revela o pródigo 

Essência flecha afiada 

Evidência a Graça

Saldar Orixá é saldar Olodumaré 

A ilusão são apenas pontos 

Que dispersa como fumaça 

Corpo pulsa o mistério da mata

Forte, terno e alternado

Fogo dança orientado pelos tambores 

Conforme pedido do movimento 

Acolhida do rito e fundamento 

Não existe lá e cá, apenas existe 

A força do Deus pessoal 

A soma que forma o Ilê 

E tudo se conecta 

Guerreiro busca a iluminação 

Campos de força, o campo de luz

Além do que é e do que não é 

Os grãos e encantos, magia 

A mecânica na vida, fadiga

A doutrina supera o ego pueril 

Atrelado a círculos viciosos 

Perde-se no vazio onde tudo mora 

Fonte de existência de toda forma 

No mundo invisível está o segredo 

Quando o axé transcende 

*

FRÊMITOS DO ILÊ 

SÉRGIO CUMINO  

domingo, 16 de agosto de 2026

COSMOLOGIA DO POETA


COSMOLOGIA DO POETA

Fogo toma o corpo, as chamas me chamam 

Ao centro da roda cósmica 

Dá-me letras Labaredas a que destino 

Contempla corredeiras do rio

Hidratante do espírito 

Não sabia o que era eu ou rio

Até a saliva se fazer axé 

Oxum me leva ao transe

A eloquência da intuição 

Rio que ali está, não é o mesmo 

Ad aeternum!

Banha-me na filosofia 

Com a água mãe 

Artéria, imenso ventre terra

Faz-me célula de Olodumaré 

Integração de todos ẹ̀jẹ̀’s

A alma conduz seus afluentes 

Ya e Baba , água e fogo

Compõe o Juntó

 Inspiração me lança ao ar

Oxigênio da criação 

A vereda do coração 

Ayrá carrega Oxalá 

Contrapõe a mecânica civilizatória 

Navegar é destino com timão do tempo 

Mergulho no Orí de Iemanjá 

Para sentir que a matéria é viva

E ser aprendiz com Deuses da mata

Sob o silêncio das raízes de Iroko 

Onde emergir a oralidade

Da alma das folhas 

A ciência da forja 

A perspicácia da caça 

Os insights são ventos de Oya

Que ensina as estratégias de Oba 

ver o amor como banho de cachoeira 

Lavar a lamparina do Orí 

A inerência em ser natureza 

Evidências empíricas, lenhas da fogueira 

Mãe é ver dos sentidos 

O que olha os ruídos 

Submerso em seu leito 

Reina em aforismos

A liturgia de Ifa

Brevidade de Ibeji o riso 

Tão mágico quanto palha de Omulu 

O espírito dos tambores cantam

O axé é dança do rito do Oro

Alegoria insumos dos Orixás 

Com a poesia de cada Itan

Porém Exú é onde tudo começou 

*

FRÊMITOS DO ILÊ 

SÉRGIO CUMINO