A FILHA DO PASTOR
A sombra cruel faz a luz absurdo
Atordoada noite que não dorme
Delirava a filha do reverendo
Intuitivo aponta, a fé desertou
Jogada ao abismo do sono profundo
A distanciou do etéreo
Foi quando colocou os pés no chão
Percebeu, criaram uma ilusão
E ela o rebento da família perfeita
A devoção de foro íntimo
Quanto, camisola suada
Pelas as agruras do desespero
Pois então a fé é externo a vida
O dilúvio de desilusão
A pregação era um negócio
E ela o prego que sustentou Cristo
A agenda do pai, não era de pastor
De fariseus e seus algozes políticos
Onde provem a questão e seus múltiplos
fez do farto café da manhã indigesto
caminho terreno carente de sentidos
Nas ações dominical ensinam :
As conjunturas da vida materialista
Prudência e observação
Inteligência, ética e retidão
Muito menos polarização Divina
Não era temática feminina.
Quanto ao homem de bem?
a colher de chá rodeando a xícara
Esse a hipocrisia o retém
E os tornam perigo coletivo
oportuno a junção dos polos
E o diabo contabiliza os lucros
Esfumaça a interesse obtuso
O subgerente da enfadonha conexão
Subverte a especulação do saber
Eis a questão: O que somos nós?
Sobre ideais e respectivos caprichos
Lamentos e suas frustrações
O objeto da fé, fez dela um meio
Faziam acredita que a vil cognição
Era a Importunação das respostas
Eis que surge o caminho da “salvação”
A palavra e seus dogmas
Armada pelos artefatos do bem
A agonia lenta e crescente
Desvia qualquer atenção
Faz o saber parecer engodo
Da vida que não existia
E a vereda faz-se velha
Os músculos ficam sem o tônus
Os apelos perdem os pelos
A boca alguns dentes
Afugenta a complexidade metafísica
Fecha um mundo de possibilidades
Das curiosidades ocultas
Calcadas na insurgência do espírito
Cultuar a morte é um desvio óbvio
Para que não olhem para os vivos
*
SÉRGIO CUMINO
INVERNO REVERSO


