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terça-feira, 9 de junho de 2026

O AFAGO DE YÁ


  O AFAGO DE YÁ 

Oh minha criança 

Que Òsun veio me entregar 

Filho de Orobó com Yabá

Com tu renasce a ternura 

Que vem dá linhagem de Orisa 

Dorme no colo agarrado fio de Oyá

Dissolve toda massa que fui preciso vestir 

Luzido que fez aliança 

Seus olhos projeta luz

Fazendo os meus viver

São as bençãos das águas límpidas 

Vida que renova a esperança 

Só vendo para crer

Eliminou a terra seca que tive que engolir 

É sabedoria que não sei exprimir 

Sabe mais que eu sei de mim

Foi preciso filho pra me ensinar ser mãe 

Pedra e fogo que veio do útero da água 

Já nasceu abençoado 

O sagrado vem do ventre

E tantos outros há de adentra 

Só a vida o ensina ser mago

Meigo e frágil, que me faz existir 

Nessa vida, morte e viva para morrer

Muitas mortes mais que deveria ser

Agora o momento é luz para aquecer 

O lume da noite e do dia

Ensina, não há amor sem dor

Mesmo quando se lusco- fusco 

Há o afeto para orientar 

Lisonjeia saber que não veio só 

A ancestralidade está para encaminhar 

É ninho que move o ciclo

O afago que faz iluminar 

É o filho e espírito nagô 

Orgulho do povo Iorubá 

Diamante divino me fez Yá.

*

SÉRGIO CUMINO 

LUME, LUSCO- FUSCO 


domingo, 7 de junho de 2026

ORIGAMI DOS SONHOS

  

ORIGAMI DOS SONHOS 

A arte do inconsciente 

Suspira versos numa noite fria

Se inspira no vapor do chá quente 

Deita-se com a resenha de prosas

Faz arranjos com rosas 

Ao centro tapete de pétalas 

Para o delírio desfilar 

Os espinhos são pontas de flechas 

Numa tocaia do cupido 

Fura o dedo , pretexto para beijar 

Dobra os dedos sentindo o cabelo 

Origami é poesia da memória 

Fazendo cachos com as dobras 

Lembrando a coroa de Dada

Traços finos revela ternura 

Como ingredientes dos sonhos 

Mistura-se ao deleite do olhar

A oportuna ilusão cadencia 

Leve, íntima e pura

Quando as sombras e luzes casam

Carinho que o toque sabe lembrar 

O amor é arte que inspira sonhos 

Quando está livre para sonhar 

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 

                    

ADMIRÁVEL SONHO LOUCO

ADMIRÁVEL SONHO LOUCO 

Foi um sonho desconexo 

Pra lá de ficcionado

Porém de profundo impacto 

Não conectava os fatos

Abusou do abstrato 

Estimulante como sexo

Havia sim diálogo interno

Mas não entendi o dialeto 

Claro, aconteceu papo reto 

Interessado em privada atimia

 Buraco negro do sonho, vago

Aqueceu o sol do meu plexo 

Redefinindo o substrato 

Como uma ópera psicodélica 

Protagonizava eu como objeto 

E a razão num cavalo alado 

Galopando na galeria 

de imagens e arquétipos 

Ou se era enigma paranormal 

Vagando no vácuo sem chão nem teto

Muito louco sem dar um trago 

Raio só se for dos sonhos dos magos 

Procurei referência nos mitos

Nessa dinâmica surreal 

Não encontrei nada escrito 

O intuitivo havia me desafiado

Não definindo nada concreto 

Mas uma coisa estava certo 

 a anima em estado animado 

Do cárcere havia me libertado

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ