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sexta-feira, 21 de agosto de 2026

RITO MANIFESTO

RITO MANIFESTO 

  Templo, barracão, terreiro 

O útero, o todo Ilê 

ikun que o filho vem

Mãe e pai e o legado ancestral 

O axé a terra que a raiz desce

O vento que leva e traz 

Água que alimenta o ventre

Fogo a energia do movimento 

Além do gênero é ser uno

Ajayô do pertencimento 

O que reluz o Àrà Ketu

Dimensão no espaço 

Encontrar-se-á no casulo

A potência da eteriedade 

Toda poética do Olorum 

Somos os pelos arrepiados

Áurea do corpo coletivo 

Aproxima o distante

Fundamenta à não declinar 

O povo canta em verso

sopro do rito manifesto

Língua corpo da unidade 

A névoa esconde, porém não 

Hospitalidade incondicional 

Véu de Maya é o rodar das saias

Girando nos enigmas interno

A roda da vida , é vida 

Microcosmo de Olodumaré 

Petros, Obas e Ifa

*

FRÊMITOS DO ILÊ 

SÉRGIO CUMINO  

ANTROPOFAGIA RELUZ


ANTROPOFAGIA RELUZ 

Estremunhou na palavra 

Sob a estética da fome 

Cânticos da vulnerabilidade 

As virtudes e relevâncias

Nem sempre flores

O abebê da consciência 

Aquele que vejo no espelho 

Lê -me o pretérito 

À ser presente 

Ressignifica o tempo

Do pouco que me resta 

O perdido no espaço 

Já é tarde à lamento 

Registrou-se nas rugas 

Grafia das linhas vívidas 

Sou cada uma delas

Hipocondríacos da solidão 

Pôs-me no berço da criação 

Lirismo e a magia se fundem

Com a áurea recendente 

Não cobre as despesas prósperas

 Diante do véu que transcende

Criou-se a sede de saber

Aforismos transversais 

Remodela resenha e premissa 

A visão acolhida no verbo 

O tempo não passou. Permanece!

Nos o perdemos na vereda

Em algum canto inoportuno 

Arquétipos personaliza reflexo

E a névoa dissipou 

Em comunhão com pensamos

Paradigmas ruíram

O portuário das ondas é a cabeça 

Aflora uma renascença 

Na lavoura inculta 

Rendeu-se a reforma agrária 

Vivo num estado duo

Lampejos de inspiração 

E o pedido de misericórdia 

A assombrosa crueldade da fome

A antropofagia reluz na varanda literária 

O dueto do ser e não ser

Na arena do tempo

*

FRÊMITOS DO ILÊ 

SÉRGIO CUMINO 

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

AMANTE SURREAL

AMANTE SURREAL 

João Antônio,

 alcunha Marlon Brando

Que atrai em sua rede

Uma sereia em seu perfil 

A mulher que flertou com seus sonhos 

A qual iludia até suas dúvidas 

Do quanto nela correspondia

A fotossíntese da realidade 

Era contrato de gaveta com ilusão 

grilagem especialista em paranóia 

Atuava no engodo da percepção 

Era difícil saber quantas primaveras 

Compunha a improvável beldade

Ou se correspondia alguma estação 

Se era maresia ou tempestade 

Se era Mulher fatal

Ou uma sem noção serial killer 

Marlon criou sopros de otimismo 

A ponto de ficar sem ar

Precisava desviar o olhar

 da lista de seguidores 

Joinha, coração , besteirinha virtual 

Nem pensar em checar avatares

Colocam caraminholas offline

Estafado com falta de sinal 

Declino a aforismos de botequim 

Cega-se a plataforma de Tróia 

Se iludido por inteligência artificial 

Que seja com estilo

O corpo era próprio ou sacado de galeria?

Seguro quanto fumos de homem Brando 

Assim a autoestima se diluída 

Com marcador na reserva 

Desponta a famigerada ilusão 

Poxa a champanhe no Iate, Irreal?

Isola o entorno para não deletar a cobiça 

Quantos Marlon existe naquele barco?

Haverá de ter centenas de idiotas 

Resolutos que se dariam bem

Quase certo de não serem robôs 

Abduzidos carentes pelo que projetam

Até os mimos eram compartilhados

Oriundo de algoritmos galanteadores 

Contrabando de afetos 

“Bom dia” sonho viaja na fumaça do café 

“Boa tarde” Crepúsculo despejado da metrópole 

“Boa Noite “ Gato preto no telhado.

Deve ser um araponga no controle 

Uma Dama no espartilho virtual 

E o amor efêmero não começa 

Porque o polegar rolou a fila

*

CATADOR DE RESENHAS

SÉRGIO CUMINO