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sexta-feira, 24 de julho de 2026

MARTELO OCULTA O CUTELO

 MARTELO OCULTA O CUTELO 

Blindagem do vendilhão 

Tem sigilo contratual 

Da operação escudo

Extermina até no verão 

Conluio com farinha lima

Além do bem e do mal

O sumo do laranja de facção 

Aspirante de carreira 

Graduado em corrupção 

Descarrilha o trem 

Passageiro recorre a fé 

Sem água benta 

Quando tem é contaminada 

Pelo paradoxo liberal conservador 

Até na terra plana 

O fruto cai próximo do pé 

As explosões nas ruas e nos trilhos 

Mas o dedo aponta para o outro 

Até quando descobre-se desvios 

O poder Tá Cínico 

reação em cadeia 

E não culmina em prisão 

Sem a menor educação 

Deixa o bicho solto 

Até robótica vira nicho 

Princípio negacionista 

Conforme orienta o partido

E determina a base

Não importa quanto 

Vai além do que cabe no bolso.

Se preciso for use saco de lixo 

Nem os fantasmas ficam na nave

Ninguém sabe, ninguém viu 

“ porque Deus não joga dados”

E as emendas se encarregam do desvio 

Para o roteirista faccionado 

O mesmo que bate o martelo 

Para alegria do mercado 

Decepa o povo com cutelo 

Não existe cavalo alado

Assim como não há 

Fascismo moderado ...

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO  

CRIPTA DA INOCÊNCIA

CRIPTA DA INOCÊNCIA 

Deus acima de tudo 

Foi o cadáver acima de todos

Sagrado ideológico nasceu morto

A coroa de flores de plástico 

Lacram a urna funerária 

Cobre o equívoco teocrático 

Com post nas redes

Eis o dramático funeral 

Do fundamentalismo caótico 

Com obituário da vitimização

E a ilusão do Estado terminal

É o vassalo patriótico 

Alimenta o ressentimento oprimido 

Com o abnegado falsário 

O estelionato negativista

Bem aventurados fariseus 

Feitores da diminuta vida

Coloca a esperança em risco 

Ancorados na barbárie 

A abstração dos costumes 

São assassinos de Cristo 

E toda compaixão que vale 

Que residem no esgoto 

Por onde tocaia a vítima 

Adultera a sina 

Ilude os crédulos 

Camuflado de princípio 

Previsível corrupto 

Sequestra o norte

Dessa tragédia cíclica 

Tira da vida o sentido 

O colapso com doutrina 

E sua punição eugenista

Com méritos impositivos

Pela estética da morte 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

 

quinta-feira, 23 de julho de 2026

BOTAS DA REDENÇÃO

 BOTAS DA REDENÇÃO 


O que lembra é fato 

Não era assim com seu avô 

Lança seu olhar ao céu 

Para onde escapa a sorte

Gole infame, as entranhas queimou 

Antes um homem hoje rato

*

Condenado, mistura-se álcool e fel 

O desânimo aquece no Corote

Já se desculpa pelo desacato 

Mas é lástima o que se tornou

O triste olhar no infinito 

Não disse nada para o nada

*

 Era plácido o rancor 

Indaga o pensamento atrevido 

Com escrúpulo embriagado 

o azul do meio dia trovejou 

Nuvens brandas esvaíram 

Seria sua sentença de morte?

*

Sabia que tal desfecho falta pouco 

Não tinha sequer magoa

Mesmo depois de tudo perdido 

Teria direito ao desabafo 

Mas o trovão o calou

A batida de tambor no couro do céu

*

Será que ficou louco 

O estrondo o tocou forte 

o ronco falara contigo 

É o delírio do tormento

De pensar o corpo arrepiou 

Precisava de alguém pra falar

*

Os pelos dançaram com vento

Estava certo ser o veredito 

Uma palavra que o conforte 

Lembrou que disse mãe Rosa de Oyá

“ o trovão é a voz da justiça “

Chegaria o bater das botas

*

Sabia que para além leva a fé 

A procurou para última consulta 

Pela agonia ela perguntou a Ifá

Surpreende o que divindade falou

A tempo que já estava de pé 

Mas decidiu alterar as rotas

*

A resignação mudou a conduta 

Que fez do trovão o recurso de Xangô

E as brancas nuvens dissipou 

Pela redenção sentou Oxalá 

Não bateu, aposentou velhas botas

 Novos passos para novas portas 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO