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terça-feira, 2 de junho de 2026

SUMA SORTILÉGIO

 SUMA SORTILÉGIO 

Sortilégio no colo da mãe 

Herança essência da filha

Quando criança brincava

Com bonecas de palhas

Vestida em retalhos trançados 

Resgate da consciência mística 

No afago da ancestralidade 

Transcende a civilidade 

Trançando os elementos 

Com amor que trança 

Brancos cabelos da sábia 

Evoca além do que sabe 

Mulher, anciã e maga

Mãos que muda a muda

E a faz falar

Caldeirão cozinha segredos 

Revelados pelo fogo

 a benção magia da Alvorada 

Sumo das folhas marinou na neblina 

Para elixir só faltam detalhes 

Guardado a sete chaves

Em respeito aos Deuses da floresta 

Cada árvore, raiz, casca e folha

Nas mãos certas vira magia 

O silêncio fala com os sentidos 

Oralidade submerge  na mulher 

Como lago que inspira a luz da lua

Que absorve o poder da noite 

Maga, amada pelo amálgama dos elementos 

O ventre da transformação 

Em dignidade sacerdotisa

No coração da mata

Se manifesta Celeste, terrestre 

Cuja a essência é a água 

Não contrária aos instintos 

Sabe a fúria que tem 

Por trás do véu das brumas da mata

 Cujo mistério é guardiã 

*

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 

                           

segunda-feira, 1 de junho de 2026

VIAGEM A OLODUMARÉ



VIAGEM A OLODUMARÉ 

O que tanto procura 

Nessa agonia contida

Se corroendo por dentro 

As voltas com a penúria 

  O Tempo perdido

Ou o tempo marcado?

Não, o tempo sagrado 

O conselheiro dos ciclos

Estou atendendo o chamado 

Foi o que me trouxe por esses lados 

Na cratera do íntimo 

Conversando com relógio parado 

E um anseio de criador e criatura 

Saber se estou preparado 

Ou se sofro o complexo de Sísifo 

Que não deixa de ser disciplinado 

:- muito menos de ser petulante 

Seu poetinha andante!

Vindo de ponteiros em desuso 

Considero um elogio 

Há ciclos, que não tem me escravizado

Aproveitando o acaso, como tem passado?

:- não passo! Sou prometeu acorrentado 

Com corvos comendo meu fígado.

Então, culpa sua a gordura acumulada?

-: o que quer agora acertar os ponteiros?

Agora seu mecanismo que está agoniado?

Pare e pense!

:- há tempo que estou parado!

O Tempo nos ensina que nada é por acaso.

:- deveria encontrar a árvore sagrada 

Quem sabe se nesse ciclo deva ir ao lado 

:- com tanto que corvos não comam fígado 

E nem você cerceie o processo 

 “O tempo dá, o tempo tira, o tempo passa e a folha vira”.

:- então início do novo ciclo, onde vamos?

 Aye rumo ao Orum encontrar Olodumaré 

:-“Èrò! Calma lá. Tão longe por uma poesia?

Não, para viver poeticamente!

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 


      

                   

OXUM O RIO QUE REINA


  OXUM O RIO QUE REINA

 Oxum cujo trono meu ori

Está no Orum está em si

o corpo extensão do seu reino 

A aurora dos pensamentos 

A graça que me faz pleno 

Rio que abastece a mim

Como cabaça mágica 

com toda poética carmim

Cuidadora da criança interior 

Para os membros conta com Yamin 

Sou pagão sou magia 

A dialética da criação 

Não sou poeta de Oxum 

Porque não seria poeta e sim poesia 

 Paixão que se espalha do peito 

O plexo que atravessa como sol

As ribeirinhas nos pés empurra o chão 

Galope das pernas quando alegres

Retenção se triste estão

Libera gotículas como pérolas 

Fluidos de excitação 

Que espalhadas pelas floras

Internas e da imaginação 

Pelos músculos de superação 

Ribeirão do estômago evita depressão 

Corredeiras que pulsam no pulso 

A vida nas linhas da palma

Graça é o toque no afago do amor 

Bombeia forte o coração 

Milhares de micro veias na boca 

Salivando sob o céu 

Para palavra de amor passar 

Já a menina dos olhos 

Florescem nos vasos oculares

 Dando sentido ao que ver

Para o olhar transcender 

Da a alma dois abebês

Se as adversidades compadecer 

O rio se abraça com mar

Unidas no orum as mães se comovem

A de água doce e salgada 

Escorrem na canoa da lágrima 

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ