LÁGRIMA ANIMA
Vaso de porcelana
Escorrega das mãos
Que suava frio, trêmula
Hipoglicemia provoca
Desespero e seus lampejos
A queda de trinta anos
Metade da vida em queda
Trinta anos de Stop-motion
Como filme de animação
Foi um raio de desânimo
Ou desespero não sei ao certo
Ruptura a estraçalhar
Gota de lágrima transborda o pote
Construído nessas décadas
Relativa foi angústia do tempo
Fracionado em milímetros
Numa queda de segundos
Deslize leva esperança
O susto lutou para evitar
Um insight que história partia
Cai de boca aberta ao assoalho
Flash disse a real iria ao subsolo
Todo legado não realizado
escapa primeiro
Junto com penduricalhos da ilusão
Seguidos pela lágrima
Angústia de sua anima
A primeira que reagiu a tempo
Com peso da constatação
Não era uma porcelana imperial
Era barro queimado do poeta plebeu
No fogo dessa lida
Continha arquétipos de resistência
Representa resenhas de paciência
Joelhos calejados de fé
Alguns temas da biblioteca
Chama enfraquecida da esperança
Que mergulha de cabeça
Essa gota salgada não cola
Uma mínima liga que fosse
É lágrima que lamenta
A sensação de impotência
impossibilitada de emenda
Mas mantém sua essência
caos, em frangalhos
Cenário de terra arrasada
Guerra de trinta anos
Agora que venha novo pote
Num breve Horizonte
Para tirar tormento vertical
Mesmo que seja tarde
Despedida da vertigem
Que seja mais terno e doce
Cuja aprendizado é a queda
Que servirá como base
SÉRGIO CUMINO
LUME LUSCO-FUSCO


