Sigo fogoso nas ideias
porém idoso fora do contexto
A trivialidade das emoções
Que se dissipam em nuvens brandas
Apurando a intuição e cognitivos
Para quando os apuros
O torna estranho no ninho
Sem louvar encanto da desilusão
Portanto não interfere no repouso alheio
Assim como, evite o sol a pino
Na corrida do destino
Passei do sessenta
Mas o tempo acelerou a frente
Busque conselhos, em passeios solitários
Para desprender das sensações
A ponto de dar folga aos infortúnios
Evite o autoflagelo, em público
Os ocorridos correm como percalços
Desde a largada no século passado
Cada evento morre em si
E a sequela é quirela dentro do sapato
É bom não dobrar os joelhos
É hora de sentar com seus erros
E mediar a situação
ficar mais leve e livre dos remorsos
Como disse Schopenhauer:
“ castelo de ar, se dissipam com suspiros “
O maior tesouro é o bem estar
A fantasia vem num vestido roto
Camuflada no mundo das sombras
Noite é colorida, branco é o dia
Adormecer é a maturidade pedindo cama
Dê drible da vaca no descontentamento
Com a pureza do corpo lento
E vemos a esperança se distanciar
Como corre a danada
O olhar avariado a perde de vista
Se submeta a razão
Passe pelos males e encontre o bem
Trança as palavras, esculpi a suave prosa
Move os sentidos a cirandar com versos
Porque os músculos não são os mesmos
Indisposto a moda de Impropérios
Cada qual que fique com seus infernos
*
SÉRGIO CUMINO
INVERNO REVERSO


