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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

AMANTE SURREAL

AMANTE SURREAL 

João Antônio,

 alcunha Marlon Brando

Que atrai em sua rede

Uma sereia em seu perfil 

A mulher que flertou com seus sonhos 

A qual iludia até suas dúvidas 

Do quanto nela correspondia

A fotossíntese da realidade 

Era contrato de gaveta com ilusão 

grilagem especialista em paranóia 

Atuava no engodo da percepção 

Era difícil saber quantas primaveras 

Compunha a improvável beldade

Ou se correspondia alguma estação 

Se era maresia ou tempestade 

Se era Mulher fatal

Ou uma sem noção serial killer 

Marlon criou sopros de otimismo 

A ponto de ficar sem ar

Precisava desviar o olhar

 da lista de seguidores 

Joinha, coração , besteirinha virtual 

Nem pensar em checar avatares

Colocam caraminholas offline

Estafado com falta de sinal 

Declino a aforismos de botequim 

Cega-se a plataforma de Tróia 

Se iludido por inteligência artificial 

Que seja com estilo

O corpo era próprio ou sacado de galeria?

Seguro quanto fumos de homem Brando 

Assim a autoestima se diluída 

Com marcador na reserva 

Desponta a famigerada ilusão 

Poxa a champanhe no Iate, Irreal?

Isola o entorno para não deletar a cobiça 

Quantos Marlon existe naquele barco?

Haverá de ter centenas de idiotas 

Resolutos que se dariam bem

Quase certo de não serem robôs 

Abduzidos carentes pelo que projetam

Até os mimos eram compartilhados

Oriundo de algoritmos galanteadores 

Contrabando de afetos 

“Bom dia” sonho viaja na fumaça do café 

“Boa tarde” Crepúsculo despejado da metrópole 

“Boa Noite “ Gato preto no telhado.

Deve ser um araponga no controle 

Uma Dama no espartilho virtual 

E o amor efêmero não começa 

Porque o polegar rolou a fila

*

CATADOR DE RESENHAS

SÉRGIO CUMINO  

terça-feira, 18 de agosto de 2026

O TEMPLO É BENÇA


O TEMPLO É BENÇA 

Tempo nossos mais velhos 

É a benção das veredas 

Olhos que pouco vê 

Leem os Provérbios de Ifá 

Sabem quais as oferendas 

A ciência de cada Ebó 

Que não deixa andar só 

*

O caminho a ordem do axé 

Levam as trilhas de Ogum 

O conhecimento de Odú 

Opostos são polares, porém únicos 

Inspira Ọkùnrin e expira Obìnrin

E vice-versa

*

O ancestral é união dos polos 

Orixá é cabeça, coração e membros 

Se você é Orixá, Orixá é você. Então é Axé 

Nossos mais velhos em seus pilões

Amaçarocaram em preces sem pressa 

folhas à nos orientar 

*

Até emergirmos a brandura 

Palavras em si perde o caminho 

O âmago da oralidade 

Vento não só assovio 

Ensina cuidar do terreiro 

O ventre nas mãos do Àwùjọ

Vozes despertam o corpo cuidado 

Para que não se perca em si

*

Apuram a escuta desde lá 

Quando promessa de destino 

No corpo do escolhido, o abiã 

Ajoelhar à presença não é só bença 

O afago do tempo faz a flor crescer 

Reverência do sábio, antes de Ser

Experiência mística tem que se viver

*

Dedique ao silêncio para escutar 

Atenta a mente ao colo de Orixá 

Anciãos tem mãos que falam

Seu toque a benção ancestral 

Fogo, terra, água, ar

Para emergir com os Orixás 

*

A raiz desceu fundo pra copa crescer 

Somos células dessa árvore 

Com o ancestral que nos cuida 

Amanhece o dia e já estava na alvorada 

Sendo o todo unificado 

O sábio não exerce a força, ele É.

A Bença 

*

FRÊMITOS DO ILÊ 

SÉRGIO CUMINO 

. “ Dedico a Pai Maurício de Oxalá

ESSÊNCIA DA FLECHA AFIADA

 ESSÊNCIA DA FLECHA AFIADA 

Oralidade sem verbalizar

Seus frêmitos prolixo 

Paradoxo da linguagem 

Silêncio é prece nas águas de Oxalá 

Há encanto no bater paó 

Dueto das falas é união das palmas 

Mão com mão vibra eloquente 

Verá o encantamento aflorar

Com primor à reverência 

Projeta o Orí além do preceito 

sagrado fala para ouvido que não ouve

Portanto os sentidos respondem

Mutação que desperta 

A pele converge com o ar

As células com a crença 

A oralidade se estabelece 

Supera a lógica 

Revela o pródigo 

Essência flecha afiada 

Evidência a Graça

Saldar Orixá é saldar Olodumaré 

A ilusão são apenas pontos 

Que dispersa como fumaça 

Corpo pulsa o mistério da mata

Forte, terno e alternado

Fogo dança orientado pelos tambores 

Conforme pedido do movimento 

Acolhida do rito e fundamento 

Não existe lá e cá, apenas existe 

A força do Deus pessoal 

A soma que forma o Ilê 

E tudo se conecta 

Guerreiro busca a iluminação 

Campos de força, o campo de luz

Além do que é e do que não é 

Os grãos e encantos, magia 

A mecânica na vida, fadiga

A doutrina supera o ego pueril 

Atrelado a círculos viciosos 

Perde-se no vazio onde tudo mora 

Fonte de existência de toda forma 

No mundo invisível está o segredo 

Quando o axé transcende 

*

FRÊMITOS DO ILÊ 

SÉRGIO CUMINO