CATARSE SHAKESPEARIANA
Somos macacos nus
Que cobrimos a vergonha
O que não esperava
Alma que carrego desde outrora
É atriz quatrocentona
Na pena Shakespeariana
Que se revela eterna
Performando a realidade
Conforme cada ato
Drama e melodrama
E nossas comédia dos erros
E descuidamos da decência
E ela desnudou se no tablado
Baseado em conflitos reais
Dos embargos que carregamos
Sobrevive por séculos
Mantém se contemporâneo
Já desconheço quem sou
Quando me vejo na personagem
Gozando meus desejos
Desenrola a dor e terror
Como tivesse compartilhado
Dos meus segredos
Revelam se a cada cena
Nós e cordas descem cenários
conflitos encenado
Como arenas ostensiva
Vivências da catarse
Mostra previsível
O que jamais previa
Que viria nas frases
Ação das minhas entranhas
Em autópsia seculares
Meus demônios são de:
“Macbeth”, “Hamlet” e “Otelo”
Passa na favela, cidade e castelo
Até a inveja retrata
Cobiça e decadência
No talento do interprete
Imponente Ilusão e horror
Se alteram na sequência
Há mais coisas entre eu e o palco
Que sonha a vã filosofia
loucura silenciosa , quem diria
Em versos e prosa
As verdades incontestáveis
não escapam pela coxia
porque nos veem estáticos
O teatro em plena magia
Com proscênio e bigorna
mostra que nossos quereres
Pagos a qualquer preço
A ilusão é nossa história
Ignorando as consequências
Minha biografia é um drama
Angústia, fome insaciável
Cegueira desesperada
Tantos paralelos identificados
Que esperamos próximo ato
Amor que enfrenta
A polarização das famílias
Como embates de alcateia
Veneno de Romeu e Julieta
Espelho na sala de espetáculo
Retrato vivo, do que representa
Do lado escuro da plateia
SÉRGIO CUMINO
O CATADOR DE RESENHAS