O AFAGO DOS MEDOS
Será que se juntar os medos
Forma-se uma coragem?
Ou coletivo da distopia,
Extremos que se misturam
Na paúra da integridade ferida
Inflando o território como bola
Que não suporta o entrave
Como complexo é ser singular
E restabelecer o ori
Se prevenir das armadilhas ardilosas
Tóxica ao inconsciente coletivo
É o clímax da obra
O amor está ativo
Encanto ao diferente
Na equação da catástrofe
Prudência e caldo de galinha
Ciente do auto inventário
Uma biografia grifada,
O dialeto das rugas
O registro tem morada
Camuflada de arquivo morto
Personaliza O inferno de Dante
Crueldade ou carma ?
Bico de pena da existência
Onde encaixa a sina.
Não há mais tempo de errar.
Os passos calejados inflamam
Um aviso das correntes sanguíneas
Que boa aventurança
E os mistérios de Ifá
Se aventure por essas banda
Porque a ficção da realidade
são sussurros do pensamento
Em linhas próximas veredas
Na lida o estigma sobrevive
se estabeleça. Como um capítulo,
Que se projeta. Ao oculto
Mito, e o arquétipo
Que penetra na pele
toda nuance para aprender
Num amalgama das almas
Na qualidade dos movimentos
Corpos se libertam
varal de coloridas luzes
Ilumina o tablado
E cada qual seu proscênio
Cada pé no seu Aiyé
Farol e as moléculas
as brechas do vacilo
O íntimo se projeta
Ocupando o espaço vazio
do ponto oponente.
Nem sempre consciente
Do seu abraço dos medos.
SERGIO CUMINO - DO PÓ A FÊNIX.

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