A bátega d’água não impede a liturgia
Que caia sobre as águas que depositava a prece
Era chuva de Ayrá sobre rio de Oxum
E na várzea aquele de expectativa vazia
e os elementares como confessionário
Unidos num romance sagrado
De susto surge a saia que gira a roda da vida
Cuja dona que a vestia significa o movimento, vibra elegância
Até o ar ascendeu o aroma de rosas
Linda no brilho e expressão
Sua plenitude de encanto
Parou o temporal num repente
Uma súplica de bom trato para não ser descortês
-Perdoe moça me deixe só. Rogo meu apelo a Oxum
Solta um suave sorriso , que dispensa o reconhecimento
- moço de merecimento, aqui estou na missão de preposta.
Fez o obséquio e contemplou a companhia
- Qual a sua graça?
- Dandara. E completou :
Perdido na viagem do mundo que o deixou a margem
Procura a chave que abre as vias do destino
Percurso o qual engendra dúvidas
Vive momento trágico pouco forçado
No limiar da esperança e o calabouço
Oriundo de derrocada absoluta .
Letrada em alegria, disse afetuosa
-Por mais paradoxal que pareça, é o indício de evolução
A amabilidade elevava a cortesia, ela entendeu sua alma
- No drama dentro de ti, vivenciou o clímax. Onde a conjuntura o fez cético
O lamento foi o silêncio, que repassa o filme, em episódios
- Sei que não encontrou a dignidade do sustento.
Argumenta: - Creio que nesse plano, esgotou os propósitos, a fonte secou
- Esquece pressupostos passados, eles são como esse rio, que já não é o mesmo desde que a chuva parou.
A presença doce era como a água corrente
Num instante hidratou o espírito e o levou ao plano metafísico
O que significa a dispensa dos desejos frívolos.
Porque agora ascende a uma missão ancestral.
Já parecia íntimos na espiritualidade
Revelou coisas que a sombra escondia
- Agora prepara seu bornal do louco . Dentro as ferramentas do mago e a lamparina do Eremita
Para tu que deseja a chave
empregue o verbo iluminar
A regência do Amor é a magia
SÉRGIO CUMINO
LUME LUSCO-FUSCO



















