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domingo, 19 de julho de 2026

DANDARA CIGANA

DANDARA CIGANA 

A bátega d’água não impede a liturgia 

Que caia sobre as águas que depositava a prece

Era chuva de Ayrá sobre rio de Oxum 

E na várzea aquele de expectativa vazia 

e os elementares como confessionário 

Unidos num romance sagrado

De susto surge a saia que gira a roda da vida

Cuja dona que a vestia significa o movimento, vibra elegância 

Até o ar ascendeu o aroma de rosas

Linda no brilho e expressão 

Sua plenitude de encanto 

Parou o temporal num repente 

Uma súplica de bom trato para não ser descortês 

-Perdoe moça me deixe só. Rogo meu apelo a Oxum 

Solta um suave sorriso , que dispensa o reconhecimento 

- moço de merecimento, aqui estou na missão de preposta.

Fez o obséquio e contemplou a companhia 

- Qual a sua graça?

- Dandara. E completou :

Perdido na viagem do mundo que o deixou a margem 

Procura a chave que abre as vias do destino 

Percurso o qual engendra dúvidas 

Vive momento trágico pouco forçado 

No limiar da esperança e o calabouço 

Oriundo de derrocada absoluta .

Letrada em alegria, disse afetuosa 

-Por mais paradoxal que pareça, é o indício de evolução 

A amabilidade elevava a cortesia, ela entendeu sua alma

- No drama dentro de ti, vivenciou o clímax. Onde a conjuntura o fez cético 

O lamento foi o silêncio, que repassa o filme, em episódios

- Sei que não encontrou a dignidade do sustento.

Argumenta: - Creio que nesse plano, esgotou os propósitos, a fonte secou

- Esquece pressupostos passados, eles são como esse rio, que já não é o mesmo desde que a chuva parou.

A presença doce era como a água corrente 

Num instante hidratou o espírito e o levou ao plano metafísico 

O que significa a dispensa dos desejos frívolos.

Porque agora ascende a uma missão ancestral.

Já parecia íntimos na espiritualidade 

Revelou coisas que a sombra escondia 

- Agora prepara seu bornal do louco . Dentro as ferramentas do mago e a lamparina do Eremita 

Para tu que deseja a chave 

empregue o verbo iluminar

A regência do Amor é a magia 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


  

ZÉ E O FIM DO TRAPO

 ZÉ E O FIM DO TRAPO

Dizimado de cada dia

Usurparam a Decência

Banho e sabonete 

Cuidado corpo doente 

Entre o choque de realidade 

*

Que sonhou outrora 

Banhado de ilusão

Na alegria do futebol 

Saudades de ler o cardápio 

Do pasteleiro da Quietude 

*

Traumático a carestia 

Ressignifica a carência 

Exército da miséria é cadete

Pé cascudo no asfalto quente 

Despojado da dignidade 

*

Chove muito aqui fora

Tá mudando a estação 

Encolhe-se em caracol

Visto como larápio 

Corpo molha sem atitude 

*

Descendente de dinastia

Acumulador de doença 

 fome, friagem e cacete

De compaixão é carente 

É invisível sua calamidade 

*

A esperança foi embora 

No mundo restou fiel cão 

Na chuva, frio ou faça sol

Tem a estima em farrapos 

No sumário esvaiu solicitude

 SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

REPULSA CÉTICA


 REPULSA CÉTICA 

Positivismo tóxico 

E as parábolas de consolo 

Se camuflam de compaixão 

Como senha de distanciamento 

Das competências genuínas 

Que requer a humanidade 

Terceirizada a algum divino 

Do mercado místico 

Cria esse ridículo de conduta

 ancorada na devoção 

A mediocridade vira rito

À vítima impute a culpa

Piorando a situação 

Subestima a mente sã 

Como se em águas bentas 

Lavasse as mãos 

Da ao factoide algum 

Versículo, parábola ou Itan

Fossem súmulas do veredito 

- Que a dor seja penitência 

Propósito do gélido isolamento 

Para que se arrependa a tempo

Sabe-se lá do quê 

“tenha fé e será absolvido “

Fazem da divindade 

Envergonham qualquer mito

Mantos de vaidade

Como projeção programada

Dissimular o que não é comigo 

Obra do racismo religioso 

“o julgo miserável , porque sou abençoado “

A benção do mau trato 

Valida a fé espúria 

O que é mais penoso

o varre pra fora do circuito 

Para que as lágrimas não solte grito 

Imaculada desgraça de cada dia

“Livrai-nos das penúria “

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

 

sábado, 18 de julho de 2026

SEPULCRO MACULADO

SEPULCRO MACULADO 

Sepulcro maculado  

Da vil e pitoresca

Virtude caída 

Dúvida eterna

Onde ,Vida e morte se encontram

Na mente dos aflitos 

Ao julgo da temporalidade 

 Decidem os beneficiários da redenção 

Melancolia tem lugar de fala

Vertical rumo ao abismo

Sem melodia a situação 

A seco desce inativo 

Com seu fardo de pesares

A queda dialética ao sombrio 

Como romantismo gótico

Os discípulos de Werther 

Encontra no limbo o lirismo 

Contrapõe análise do subjetivo 

A auditoria da fundação 

Com a ressaca da abstinência 

A nulidade do reflexivo 

O não criado na vida em curso

Perante ao desejo da morte

O paradoxo apelo a vida

o espírito não pede recurso 

Pela ansiedade do aflito 

O sofrimento e seu calvário 

Mesmo que corte os pulsos 

E sua estratagema do pertencimento 

Retórica análoga 

Com drama apocalíptico 

E a luz esvaindo no crepúsculo 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

LETÁRGICA INSÔNIA


LETÁRGICA INSÔNIA 

 No cume da insônia 

 Consciente em vertigem 

A prudência do drama

Se explodir no meio da linha

Não há mais teto para reter

Antecipa-se sua tragédia 

Por isso da madrugada moderadora

Que a morte seja conduzida

Para construir nova vida

Paradoxo do mistério sob a lua

Encontrar o equilíbrio na distopia 

Para revelar sua Epifania

 Na retidão do estômago vazio 

Jejum forçado que revela o espírito 

Na angustia atormentada 

Súplica da existência 

Quebra paradigmas 

Na sombra da vigília 

Do herói da resistência 

Na Letargia do nada sobre a vida

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

RETRATO DA MEMÓRIA

RETRATO DA MEMÓRIA 

Fico tão feliz quando te vejo

Colocarei sua foto no canto do espelho 

Assim ficamos lado a lado

Como nos velhos tempos 

Com seus olhos sorridentes 

E todo seu brilho eternizado

Dará lembranças afetiva a saudade

Até mesmo com papo furado

O ontem voltou com o vento 

E como nasceu todo respeito 

Que cada vez que a imagem 

Ressurge me pega a reboque 

Sinto a falta que me da

Da a memória aos sentimentos 

Árvore da amizade crescendo como Paoba

Que alivia a sede da tua falta

Hidrata a memoria do acolhimento

Que a generosidade me ensinou 

O amor cultiva o colo amigo 

E toda lembrança que trago contigo 

Maduros e mais eloquentes

Até no silêncio juntos nos faz sábios

Seu retrato faz presente 

Beleza da irmandade satisfeita 

Confesso perante o espelho 

A satisfação agia calada

Como semente em terra fértil 

Da nossa fauna nasceu a flora

Que se reflete pela jornada 

Na poesia da memória 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

LÚCIDO


 
LÚCIDO

Solenidade do pertencimento 

Não chega até o abajur acender

 A política de boa vizinhança 

Tem tempo de validade

Quando acaba o último ato

No camarim tirando a maquiagem 

Persona, expressão do falo

Na farsa das passagens 

O ante- herói é o lúcido 

Vê o desejo no lugar comum 

Esperança terminal diante a luz

Que aparece no escuro da noite 

Bem na conversa com o teto

Sabe ser alvo dos encalços

Sente que não se encaixa

É o dilema do tormento 

Dos tropeços da consciência 

No diálogo dos discretos 

Olhar revela o que não tolera

conluio com sorriso que não sai

Vai até a calada bocejar Alvorada 

E segue o dia na persona camarada 

Afinal é a mente que não se encaixa

No que ouve entra fadiga 

Precisa da integridade preservada

Porém o medíocre é feliz

Ser boçal não preocupa 

Blasfemar sem vergonha na cara

A incoerência no topo da lista

Se auto afirma na misoginia 

Não há canto que não brada

Coerência menos importa no que diz

Ser esdrúxulo é forma de conduta 

Censura prévia não há no dito

Tem cúmplices no culto 

Orgulha-se melhor sendo racista 

Triunfo está na homofobia 

 Indigna o pseudo justo 

Todo lado tem um par

Sem dizer consentimento dos calados

Da empáfia é vassalo

 Indiferença marca o lado

Faz da defesa revelia 

Como manter a sanidade?

Se tolerar tem auto custo 

Tormento virou epidemia 

Faz o lúcido se camuflar

Da blasfêmia sobre tablado 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO  

sexta-feira, 17 de julho de 2026

AMOR MILENAR

AMOR MILENAR 

Bigode que são antenas 

 O eterno pelo afago

Resgate do singelo perdido 

Abraça o peito 

Sobre as pontes avariadas

Energia sobre as safenas

Estabelece a travessia 

Dando pontos de ternura

No coração querido 

Tira-me do vale das sombras 

silêncio da calada ela não mia

Mistérios dão seu jeito 

Com o abraço que ensina amar

Nas carências que indago

No flagelo dos afetos 

Faz me ser um monomito 

Devolve – me o respeito 

E o eloquente ronronar 

Ensina ternura onde há grito

Retira todo fardo 

Sob o apreço da alma pura

Sem eu entender direito 

 os porquês que carrego

desdiz o que tenho dito

Os encantos sob a lua

Felina que cura

Sou feito amor cativo  

É doce que apaga o amargo 

Até a madrugada fica nua

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

quinta-feira, 16 de julho de 2026

O LIMBO ESTÁ ON

O LIMBO ESTÁ ON

 Vem para ti a luz do dia

Na noite que não adormece

no redemoinho do que refuta

Os algoritmos sedutores 

Distraem pelo acaso

Com astúcia demoníaca 

Passa a tela sob transe

Anestesia a carência 

Porque nada guarda

Não difere o indigesto 

Pela hipnose condução 

Faz do tolo decadência 

Goza com sexo alheio

Blasfêmia com a sua divindade 

Fazem do rito um post

Estandarte do ressentido

Malfeitor causa dependência 

Esconde a linha da vida

Assim como instinto da resistência 

Abala metabolismo da cognição 

Com astúcia do pertencimento 

Projeta a luz do seu limbo 

Esperando a notificação 

Com frouxidão do espírito 

Seca a fonte da alegria 

Toma das agruras totem

Torna compaixão sagaz

Por Interesse do impulsionamento 

Passa a lacrar para crer

O faz amante impessoal 

Da resistência produto 

 Cria indulgência artificial 

O faz abduzido de primeira ordem

Absteve de ser 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


 

O JOGADOR

 O JOGADOR 

  Vulto da ilusão perversa 

Nas luzes da hipnose 

Como traças roem afetos

Hipoteca a vil dignidade 

Aí mora o perigo da peça 

 Contra crise de abstinência 

 sorte é a cenoura que guia desejo

Com esse jogo da consciência 

Seduzido pela máquina enigmática

Provoca o amor fazer as malas 

Enquanto atira-se no abismo 

O clímax da tragédia o espera

E deixa a resiliência apática 

O imprevisível calculado 

Derrocada de vigília 

E o bom senso sequestrado 

E a alma é o resgate 

Da guerra nada santa

A angustia está fadado

A isca que caça o peixe

E estraçalha a família 

O arpão do capital selvagem 

A corda é a aposta que sufoca 

Liberada pela alavanca da banca

Ignora o que supôs a arbitragem 

No radicalismo da esperança 

Sob o vício da roda que gira

Redemoinho do pobre diabo 

Conforme gira se dança 

Cobiça do miserável 

A cabeça pira

Perde mais que o chão 

Sob dopamina está o sonho

Passa alienar as reservas 

Muito além do suportável 

Pela indecorosa cegueira 

Subjuga honestidade temerosa 

Depende do acúmulo emergente

Cai na rede do risco 

a crise sob luminosos alaridos

A vida escorre pela peneira 

Pela herança do inferno 

Luz das palmas o tiram o centro

Entregue a resposta do Incomodo

Sem decoro escorre a torneira 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

 

quarta-feira, 15 de julho de 2026

BARCO FURADO

BARCO FURADO 

Ser perdoado foi uma lástima 

Sutileza que faz o réu confesso 

Tiro na canoa do engodo 

Havia dor que moldava a sentença 

Agora o perdão provocou

o naufrágio com a redenção 

Tirou a oportunidade da marola

Que partiria do ponto final

Até o sofrimento já tinha retórica 

Aí surge a gloriosa compaixão 

E anestesia o cálculo da razão 

Assim desmoraliza o embusteiro 

Anula o ressentimento

Veja se tem cabimento 

Estratégia era manter a mágoa aberta

Como ferida do dilema

Travestido de retrato ambíguo 

Aí vem doação de uma nova chance.

Agora nem o silêncio colocará freio na língua 

A justificativa seria a dopamina

Num tribunal que condenaria sem provas

A pós Verdade recorreria contra verdade

O vácuo pulveriza a culpa 

Com cara de paisagem e tudo negado

Resta tapar o buraco 

Antes que a reputação naufraga

E fique a deriva e desolado 

Mas a liberdade o colocou nas cordas

Com a conveniência do pertencimento 

Desmoraliza a auto sabotagem 

Sobrou – lhe a alcunha de regenerado 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


terça-feira, 14 de julho de 2026

PEREGRINOS DE CACURUCAIA

PEREGRINOS DE CACURUCAIA 

Peregrinos discretos

A procuram na companhia da noite 

Com seus tormentos secretos

Sobre seus fardos de sua vida paria

Mau trato da angustia ao sofrimento 

Perdidos no vale das sombras 

Germinado de muitas áreas 

Quando o lodo sobe a cintura 

Desorientados aprender a rezar

E atingir patamar de consciência 

Aponte o horizonte do conhecimento 

causas para sabedoria anciã 

Vão ao Cruzeiro no limite da vida e morte 

Destino os trazem a essa raia

clamarem a alma que se suporte 

Pela lida trágica perplexa

A evoca através da luz da vela

Conexão dos mundos 

Para que se clarear aquilo que é 

Pela sua força feiticeira 

Com a pungência ancestral 

Sobre a regência de Nanã

Conversa com vento balanço da saia

Pela calunga chegava Velha senhora

Traz cesto de ervas

Colhida no seu quintal 

 Alecrim, sálvia , boldo e guiné 

Para as mandinga e magia 

Da pomba-gira Cacurucaia.

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


CLAUSURA DA ALMA INFAME

 CLAUSURA DA ALMA INFAME 

A consciência ou falta dela

O impede de se olhar no espelho 

Tocaia do retorno ao fim do beco

Sente espinhos no travesseiro 

O coletivo quer que se dane

Não suporta se olhar no reflexo 

Instrumentalizar a vergonha 

Para vitimizar-se para que ganhe

O tempo parece que hiberna 

Remorso o faz se engolir a seco

Orgulho do genocídio 

Pela goela de um ser infame 

Cada um tem castigo que lhe serve

O plexo solar perdeu o lume

Clausura -se na escuridão interna

Eterno habitat desse verme

Prova-se o quanto é peçonha 

As Pautas de costume 

Desce que parece enxofre 

Não consegui segurar o grito 

Próprias vísceras ele deu nó 

Pautadas pelo soluço 

Reconhece a entrada do inferno 

Digerir-se como curtume 

Entre facínoras era um mito 

Auto flagelo por ser indigesto

 Tinha um torturador paterno 

De pronto toma um susto 

Percebe que ainda não está só 

Faz de si sua caverna 

Mesmo na escuridão sente o olheiro 

A sombra de sua insônia 

deve ser do conselho da retaliação 

Pai, filho e espírito no cativeiro 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


segunda-feira, 13 de julho de 2026

LABUTA HERÓICA

LABUTA HERÓICA 

Embarcada a Monomito   

Mil faces sobre os trilhos 

 trem desperta alvorada com apito 

na estação do tumulto 

Sua plataforma entorna 

Cada qual tem seu gueto 

Sua cicatriz digital 

Na lamúria coletiva 

Acordada com café preto

As crianças ainda dormem 

No retorno sono dos justos 

Na folga nos reencontramos 

É o gole do consolo 

A interior sai com sereno

Arcabouço de cada vagão

 Cartografias de cada mito

Põe a prova seus limites 

Na epopéia de cada indivíduo 

Heróis e heroínas sobre trilhos 

Na lida pelas labutas 

Vagão a caverna apertada

Espremendo cada afeto 

Na batalha com seu leão 

Conta com tolerância do patrão 

Porque deu boi na linha

O percurso da alquimia 

Nunca chega o mesmo

Cada episódio tem sua metáfora 

Há quem se comporta como animal

Cafajeste roça ombros das sentadas

Outras defende -se com sacolas

 Gestante frustrada por uma vaga

cabeças e cotovelos nas têmporas

Tendão tencionado que arde

Cada parada a fadiga da demora 

Chacoalhados como carga 

Elixir dessa saga 

 São os filhos que esperam em casa

Balanço da sobrevivência 

Nos padrões matinais 

Piora no final da tarde 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


MITO E A ARTE NA CAPELA DOS AFLITOS

MITO E A ARTE 

NA CAPELA DOS AFLITOS 

Faz tempo que me espera ?

- A magia do lugar me entreteve 

 olhar encantado como o templo

Elos que fazem do etéreo ser belo

Ambos atravessam o tempo

- Achei que não viria mais

Imagina, sou onipresente 

o deixei na companhia do silêncio 

Além do digno anfitrião 

Justifica o local do encontro 

É minha casa, com mitos urbanos

Aqui é a alma de nossa resenha 

“Partida, iniciação e retorno”

- Chaguinha foi morto na forca

O império e a calamidade 

Engano! não morto, desencarnado

Não sentiu a presença dele aqui?

Sentidos provocados. – É verdade 

Tornou-se o rebento de esperança 

Semente dessa irmandade

Ímpeto resistente na fé 

Colhe – se solidariedade 

Percebe, a Capela foi restaurada

É o reflexo da alma dos devotos 

Cantada em alegoria na avenida 

Sorrisos de devoção

 Desenhado no sorriso dos pés 

O herói, o mártir ,mito e a arte,

O estandarte é o seu manto 

No coletivo já somos manifestos

Por ser sagrado e glorioso 

A existência da divindade

Reflete no âmago do peito aflito 

Chaguinha já é Santo 

Fez ser presente a dignidade 

Ressignifica o espírito do povo

Por mais que tentem artimanhas 

Enforcar a memória 

Liberdade! Liberdade!

Nada haver, imigração nipônica 

Aqui pedaço da África ancestral 

O baronato adora ser colônia 

Incomodados com a glória 

Complexo em trilhos subterrâneo 

Cujo respiro, praça dos enforcados

Os fariseus não perdem a mania

 Paradoxo subverte a história 

-O que pensa para o artista ?

Já está escrito, a arte é a poesia 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


domingo, 12 de julho de 2026

INFERNO LACAIO

INFERNO LACAIO 

  Pensei que o inferno

fosse resenha de Dante

Ou mito judaico cristão 

Babado do Papado e rebanhos afins

Mundo infernal, retórica profética

“Só sei que nada sei “meu irmão 

Mas me surpreende ser slogan fascista

Nem o demônio desconfiou 

O império da teocracia 

Faz das forças sincréticas 

Brinquedo de criança 

molde polarizado a alcova de supremacia 

Torna elástica a filosofia escolástica 

Que lástima!

O enxofre que o povo tomou

Tomaz de Aquino liga para Aristóteles 

-Há um câncer no legado 

Os assassinos de Cristo 

O tema , a palavra e o sagrado 

A proselitismo infame.

Lucidez vulnerável 

Joga o Divino ao lodo

Em palanques crucificado 

E toda patifaria teológica que se tornou

Armadilha no vernáculo 

Paradoxo com dialeto hebraico 

Transfigura o ato de entrega

A renegar o mundo plural

A abduzidos ao engodo 

Sonetos do espírito a ruídos do esquema 

Seria a, nova divina comédia 

Se não fosse distopia sem igual 

Com direito a sequelas dessa tragédia 

Instrumentalizar arquétipos 

Medida por suas réguas 

Para disritmia dos afetos 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


 

INTEGRIDADE NO CÁRCERE


INTEGRIDADE NO CÁRCERE 

Dignidade na gaiola 

Violada se prende 

Junto com carcereiro 

Em nome de libertar-se

Ludibriar a sobriedade 

Com o complexo de Jó 

Com Deus nada factual 

O submetido ao manto 

Com peça do tecido social.

Na estética do cárcere 

 vestiram o programado 

O defunto é sempre maior

O cobre por completo  

Com medidas excepcional 

Abusa do eufemismo 

Hegemonia de uma cultura

Que o move como peão 

Dão seu pescoço pela corte

E aos liberais de ocasião 

Uma espécie de dízimo 

Com a ganância dominante 

Se rege com algoritmos

Para cercear a ciência 

Asfixiar a arte 

E queimar os livros 

Disritmia esquálida 

Pastores capítulo a parte

Com conluio de bancadas

Pensar, coisa de atrevido 

Que resiste com Aforismos

Com mínimo que se permita

Em postagem programadas

Nessa fábrica de pós verdade 

E sua máquina de moer carne

Molda os ideais da necropolitica 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


 

sábado, 11 de julho de 2026

ENCONTRO MODERNO

 ENCONTRO MODERNO

 Estou com vontade de você

 sentir nossas pernas se encaixar 

Até pedi para o silêncio

 a melhor hora de dar um tempo

 quando os olhos resolverem falar

Que chova, faça frio lá fora

Porque aqui no peito

 tem lugar pra te esquentar 

Alertei o cabimento que caiba certo 

as palavras no lugar 

Que escolha cada verbo, 

que dá movimento ao verso

Para o sussurro declamar

Que a emoção não se descontrole

Não posso dar mole

Tenho que ser suave e fraterno 

 se não começo a gaguejar 

Só de pensar se intromete a tensão 

Sabemos a modernidade como é 

Ela pediu que a curtisse no Instagram 

Sou rei da bola fora

Quem cai na rede é mané 

De pronto pedi a localização 

Bom avisar, liberaram as possibilidades 

Que a estética me faça maneirar

Não me deixa ir de terno 

Esconde gravata plastron 

Tanta emoção, não tenho mais idade

Porque o que está programado 

Luau romântico a beira mar

Imprevisto faz conluio com dilema 

se o incerto, palpite de irmos ao samba

Começarei errado 

Camiseta de rock e tênis bamba 

Se ela perguntar se gosto hip Hop 

De folga ao verbo, cancele o poema.

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

TRIBUNAL DA INSÔNIA

 

TRIBUNAL DA INSÔNIA 

Quantas culpas de insônia 

Pensava–se, além do bem e do mal

Sobre palanque da arrogância 

Chegou acertos de contas 

Inferno de Dante da consciência 

Entre o Eu e a Sombra 

Sobre crises de Selfie 

A noite manteve -se calada

Sem intervir paciente

Briga da existência não se mete

Crepúsculo moral

Maculou sua história 

A consciência pesada

Intolerância com descaso 

Preconceitos foram a meta

A serviço da escória 

Massaroco pela estrada 

Sumo dos maus presságio

Da vida nada se leva

É Justo o gosto amargo 

Dessa poética resenha

Quando o ser vira rejeito 

Linda mulher ao seu lado

Que a misoginia o impede de ver

É o contraste da luz e as trevas 

A úlcera o isola 

Mente, coração, e o que vem de fora

O personagem perdeu o nome 

Nesse refúgio do tormento 

Pode ser o outro, você, até esse poeta

Rusgas sobrepostas, trancou as portas 

Monstro interno o consome

O fez idiota, sem identidade 

A alma transformou em gosma

Alegria e a ilusão, o abandonaram 

Decepcionada na noite de verão 

O amor não se compra mais

Sobrou a dor do arrependido 

Que a soberba plantou

Há vida lá fora, anunciada pelo vento 

Enquanto dentro umbral de silêncio 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

sexta-feira, 10 de julho de 2026

MÃO SONÂMBULA


 MÃO SONÂMBULA 

Quando o sono mergulha

mão inócua e formigando também dormiu

Sem que a razão controlasse, se move

Sonambulismo empunhando a paixão 

Não! Boba não! Sonâmbula !?

Distúrbio do sono na fração do corpo 

Enquanto o tutor pesa na cama

Polegar, Indicador, Médio, Anelar e mindinho

Passeiam com a palma da mão 

Cinco articulados do Apocalipse 

Heróis românticos com sede de vida

Madrugada, cama, lua que adentra deram tom

Sonambulismo não tivesse sonância

O título seria “a fonte é a flor”

Pássaro que paira na quietude da noite 

Mão desliza sonambúlica como se voasse 

Claro que o céu é a beleza da amada

Uniram-se como dança de roda

Pele a palma e os cinco cavaleiros 

Na batuta dos sonhos 

Mergulham nas mechas dos cabelos 

Que amaciou todos os sentidos 

Devoção como se fosse coroa de Dada

Pontas dos dedos sorviam o perfume 

Feito abelha colhendo seu mel

A valsa doce do amor

O indicador tocou seu nódulo 

O sino da graça ornada pelo ouro 

Segue o amalhar pela nuca 

Tipo pássaros que aconchega no ninho 

Para alimentarem se do seu calor 

Banquete que serve sobre Lençóis 

A linha da vida adorna o pescoço 

O quero- quero da quiromancia 

A linha do coração se expande no peito 

Delineia seus seios e até fazem bico

O suspiro dos sentidos 

Aos carinhos de candura 

Acompanha a doçura das formas

Circula o umbigo o broto ancestral 

Contorna a cintura, a trilha do afeto 

Laço eterno de sua primavera 

Serenata das sonatas sonares

Vibradas pelo vento quando assovia

A cortina saltita a catarse da janela 

Aberta como a boca da noite 

a mão sob lingerie de algodão 

Acaricia as pétalas da púbis 

O rito de chegada a flora

Asas do beija-flor estimulam o pólen

 Pulsátil e vivo dedilhar

As digitais pulsares o desejo 

Amor narra o epílogo do sonho

Após senti-la como prece

Pousa em suas ancas

Com abraço apaixonado e adormece 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO