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sexta-feira, 5 de junho de 2026

MADONA FLOR

 MADONA FLOR 

Altiva como a águia 

Espírito impulsiona o instinto 

Ascende na conexão com primor 

Como fecho de luz que emana

Coração é talismã da Deusa

Determinada enfrenta a dor 

Poder é a destreza de amar

Espírito e a carne é amálgama sem prosa

Cuja alteza vem das profundezas do mar 

A Trindade no exercício da vontade 

É o cravo e a rosa.

Talento na arte de amar

Princípio o meio e o fim

A composição efêmera, força do poema 

É criação dádiva artesã 

Restaurando o dilema 

Percepção intuitiva da flor

Que supera a ventania 

Pelo jardim imaginário 

Nos devaneios da tempestade 

Madona, cabelo de ouro branco 

Transcende o espírito dinâmico 

Quão a alma é pura

Renova a arte de ser mulher 

Não é poesia pois vive poeticamente 

É a cítara de vênus 

Cuja província é a lua.

*

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 


                    

quinta-feira, 4 de junho de 2026

O PASSEIO DA PALAVRA

O PASSEIO DA PALAVRA 

Numa noite de lua 

Na solidão da agonia 

A moça leva a revelia 

A palavra para passear 

pensamentos precisavam de companhia 

Assim teria com quem conversar 

Despiu-se das frases feitas

Da moda opressora e fetiche das rendas 

Era noite de libertar a utopia 

Levou a palavra a beira mar

Para ouvir a capela a ária das ondas

Levou as palavras que andavam rebeldes

Com o estresse da superfície 

A Lua e o canto das ondas

Ela e as palavras nuas

Não haveria porque dissimular 

As estrelas eram tantas 

Brincavam de esconder nas nuvens 

Não se preocupavam com as semânticas 

Certo era que na praia da dúvida 

Entre pairar junto as nuvens 

Ou mergulhar no oceano 

Ali estava a lua para mediar 

Uma coisa era certa 

A maresia decodificava pensamento 

E as palavras se esbaldava como criança 

Bastava dá-lhe a mão 

Que a levaria onde quisesse 

A liberdade era o farol imaginário 

Que orienta as navegantes 

E as frases de vento e prosas

No embalo das ondas

Para que ela seja a poesia 

Quando a lua é a semiótica.

*

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 

                            

PALMA DA MEMÓRIA

PALMA DA MEMÓRIA 

O amor abençoa a imaginação 

A caça do imaginário a locação 

Perto dos olhos na palma da mão 

Para as linhas lerem o destino 

Com calor, luz, cheiro e paixão 

Lembrança flerta com a saudade

Todos os ingredientes da ilusão 

Linhas são rotas da lembrança 

Subverte a quiromancia em poesia 

Onde passeia a sua Diva

Linhas ocultas tomam formas

Sinuosa silhueta faz desejo brisa 

Paisagem no horizonte a mão 

Lá está ela de corpo presente 

Crepúsculo compõe a ternura 

Pés nus dança com a marola 

Maestrina das sensações 

Sonata envolve a linha do sonho

Sopro do peito acompanha o andamento 

Amada se posta na linha do coração 

Sob a sombra da arvore da vida

Bela da tarde é suave poesia 

Na extensão dos seus dedos 

Tão bela como a flor

Sonha carícias como cítaras 

Centro da palma projeta memória 

Insumos dessa brisa recria

Protagonista da linha do amor

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ  

                      

ÚTERO DA EXISTÊNCIA

ÚTERO DA EXISTÊNCIA 

A mulher sereia de água doce

Despe-se das defesas escamas

Emancipa-se das chauvinista trama

Suave sabedoria feminina 

A beleza da pele sem drama 

A mulher flor de sua lagoa 

Encanto como lírio – d’água 

Que se abrem sorrindo ao sol

Em cores e alegria 

Sob a lua se fecha na magia 

Abebê é o espelho d’água 

Pele peltadas, flor perfumada 

Eterno espírito das ninfas 

É o lago o útero da floresta 

A corte da vitória régia 

Versa a alteza da mulher 

Realeza mítica de seus corpos 

Estrela das águas, espelho da lua

Poesia da menina dos olhos 

Icônica relação, mulher e água 

Renascimento e superação, flor de lótus 

Bela e deusa no mundo mundano.

*

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 


quarta-feira, 3 de junho de 2026

DO VENTRE A NOITE

DO VENTRE A NOITE 

Despiu-se do mundo

Atributos e dos fenômenos 

Na noite de lua mágica 

O vento parou para celebrar 

Com a penumbra do silêncio 

Libertou-se dos laços 

Da contenção das presilhas

Dos padrões que confina

Restrição dos fechos 

Confinamento da ilha

Renascer para viver

Mergulha no útero da essência 

 fogo e a água mistura-se

Sob arbitro da lua 

No banho sagrado 

Cerimonial que a noite preside

Na lagoa da mente 

É anjo por ser mulher 

Emerge no afã de viver

De realmente ser

A filha da Deusa 

Das profundezas de si

A fluir com a mãe 

E fazer-se toda

Em águas míticas

 Embebeda- se do luar

Véu faz-se bruma

 Reverência sagrada 

Recolhimento e entrega

Limiar dos mundos 

Ocultando o mistério 

Do ventre a noite.

*

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 

                   

POTÊNCIA DO AMOR

 POTÊNCIA DO AMOR

Vulgo estratégia do sistema

Lançou-te do pico da pirâmide

Levado pela corrente da ilusão

Para cair em queda livre

Empurrado pela opressão

Atravessa o peito o raio sistêmico

Faz da seda carne, epiderme pedra

A dúvida em primeiro plano

Qual intenção através do dano

Conluio a compatriota mercadoria

Variantes externa da avaria

Pela expressa fé fachada

Crença queda da ilusão

Desgaste constrói estigma

Refugo do proselitismo moral

E os temporais da mais valia

Já não reconhece a luz do dia

Engalfinha-se com a ideologia

O todo não vale nada

Atrela ao espírito suicidado

A imprudência do vale tudo

Avaria grossa, forma a crosta

vida não vivida rende-se ao estrago

 Desertificou só e maculado

 Morte vinda da triste figura

Vulnerável corrompido

Lugar comum do aturdimento

Quando o sonho é terra arrasada

À resistência da misericórdia

Haverá o golpe da libertação

Lá no íntimo brota uma flor

Aos escombros se aviventa

Com a potência do amor

*

SÉRGIO CUMINO

VIAGEM A OLODUMARÉ


terça-feira, 2 de junho de 2026

SUMA SORTILÉGIO

 SUMA SORTILÉGIO 

Sortilégio no colo da mãe 

Herança essência da filha

Quando criança brincava

Com bonecas de palhas

Vestida em retalhos trançados 

Resgate da consciência mística 

No afago da ancestralidade 

Transcende a civilidade 

Trançando os elementos 

Com amor que trança 

Brancos cabelos da sábia 

Evoca além do que sabe 

Mulher, anciã e maga

Mãos que muda a muda

E a faz falar

Caldeirão cozinha segredos 

Revelados pelo fogo

 a benção magia da Alvorada 

Sumo das folhas marinou na neblina 

Para elixir só faltam detalhes 

Guardado a sete chaves

Em respeito aos Deuses da floresta 

Cada árvore, raiz, casca e folha

Nas mãos certas vira magia 

O silêncio fala com os sentidos 

Oralidade submerge  na mulher 

Como lago que inspira a luz da lua

Que absorve o poder da noite 

Maga, amada pelo amálgama dos elementos 

O ventre da transformação 

Em dignidade sacerdotisa

No coração da mata

Se manifesta Celeste, terrestre 

Cuja a essência é a água 

Não contrária aos instintos 

Sabe a fúria que tem 

Por trás do véu das brumas da mata

 Cujo mistério é guardiã 

*

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 

                           

segunda-feira, 1 de junho de 2026

VIAGEM A OLODUMARÉ



VIAGEM A OLODUMARÉ 

O que tanto procura 

Nessa agonia contida

Se corroendo por dentro 

As voltas com a penúria 

  O Tempo perdido

Ou o tempo marcado?

Não, o tempo sagrado 

O conselheiro dos ciclos

Estou atendendo o chamado 

Foi o que me trouxe por esses lados 

Na cratera do íntimo 

Conversando com relógio parado 

E um anseio de criador e criatura 

Saber se estou preparado 

Ou se sofro o complexo de Sísifo 

Que não deixa de ser disciplinado 

:- muito menos de ser petulante 

Seu poetinha andante!

Vindo de ponteiros em desuso 

Considero um elogio 

Há ciclos, que não tem me escravizado

Aproveitando o acaso, como tem passado?

:- não passo! Sou prometeu acorrentado 

Com corvos comendo meu fígado.

Então, culpa sua a gordura acumulada?

-: o que quer agora acertar os ponteiros?

Agora seu mecanismo que está agoniado?

Pare e pense!

:- há tempo que estou parado!

O Tempo nos ensina que nada é por acaso.

:- deveria encontrar a árvore sagrada 

Quem sabe se nesse ciclo deva ir ao lado 

:- com tanto que corvos não comam fígado 

E nem você cerceie o processo 

 “O tempo dá, o tempo tira, o tempo passa e a folha vira”.

:- então início do novo ciclo, onde vamos?

 Aye rumo ao Orum encontrar Olodumaré 

:-“Èrò! Calma lá. Tão longe por uma poesia?

Não, para viver poeticamente!

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 


      

                   

OXUM O RIO QUE REINA


  OXUM O RIO QUE REINA

 Oxum cujo trono meu ori

Está no Orum está em si

o corpo extensão do seu reino 

A aurora dos pensamentos 

A graça que me faz pleno 

Rio que abastece a mim

Como cabaça mágica 

com toda poética carmim

Cuidadora da criança interior 

Para os membros conta com Yamin 

Sou pagão sou magia 

A dialética da criação 

Não sou poeta de Oxum 

Porque não seria poeta e sim poesia 

 Paixão que se espalha do peito 

O plexo que atravessa como sol

As ribeirinhas nos pés empurra o chão 

Galope das pernas quando alegres

Retenção se triste estão

Libera gotículas como pérolas 

Fluidos de excitação 

Que espalhadas pelas floras

Internas e da imaginação 

Pelos músculos de superação 

Ribeirão do estômago evita depressão 

Corredeiras que pulsam no pulso 

A vida nas linhas da palma

Graça é o toque no afago do amor 

Bombeia forte o coração 

Milhares de micro veias na boca 

Salivando sob o céu 

Para palavra de amor passar 

Já a menina dos olhos 

Florescem nos vasos oculares

 Dando sentido ao que ver

Para o olhar transcender 

Da a alma dois abebês

Se as adversidades compadecer 

O rio se abraça com mar

Unidas no orum as mães se comovem

A de água doce e salgada 

Escorrem na canoa da lágrima 

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 


 

 

                             

domingo, 31 de maio de 2026

SENHOR DAS RUAS

SENHOR DAS RUAS

Ago Alupô, permita-me falar!

Ago Alupô, permita-me escrever!

Seguimos como pensamentos andantes

Seguimos esculpindo conceitos 

Com passos diferenciados

Com passos que não são passados 

Com fome de caminho

Com fome de viver

Senhor anfitrião come primeiro 

Senhor anfitrião tem sede de beber

Dá o primeiro gole e cospe na vida seca

Dá o primeiro gole, matar sede de saber

Senhor ancião sabe sóbrios caminhos 

Senhor ancião é caminho pra aprender 

 Bará Lodê é o mais velho

Bará Lodê é o poderoso dos Barás

Há bandas que tem alcunha de Pedro 

Há bandas cuja bandas o respeitam 

Orientador não há caminho errado

Orientador ensina passos caminhador 

Leva as chaves dos dilemas 

Leva as chaves dos portais ocultos 

Seguimos como saudosos peripatéticos

Seguimos como mestre e discípulo 

Criador que cria a partir do nada

Criador das criações divinas 

Sabedoria que cura feridas abertas

Sabedoria que reensina renascer 

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 

              

sábado, 30 de maio de 2026

CICLONE E A EXISTÊNCIA

CICLONE E A EXISTÊNCIA 

 Redemoinho já se vai

Pelo buraco da fechadura 

Que ficou do tamanho da porta

Ampliada a fresta do pensamento 

Findando a meditativa clausura

Se ele vai eu vou atrás 

Pedi que abrisse a porta 

Respondeu-me, que eu sou a chave

O acesso a passagem 

A nova perspectiva

Fidelidade da ventania 

Foi a frente limpando 

Resquícios que me aguardava

Era tudo novo no velho mundo 

Eu já era outro, que passei a ser eu

O paradoxo do desconforto 

Sai do lugar comum 

O frisson abraça a estranheza 

O acesso e os passos 

O caminho e a passagem 

Saí de dentro pra fora

De fora pra dentro

Viver ciclone da existência 

Protagonista do roteiro próprio 

A proposta e o propósito 

O Parsifal e o graal 

Louco e o mago sem olhar para trás 

General da vestimenta Fun – Fun 

À ser lamparina e o Eremita 

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 

                       

PESCA DA INSPIRAÇÃO

PESCA DA INSPIRAÇÃO 

Psiu! Faça silêncio 

Vai espantar o pensamento 

Pesca de reflexão profunda 

Desviando dos escamosos

Que sobrevivem com factóides 

A dúvida é a isca da filosofia 

A luz que chega ao fundo 

Já os de couro, guerreiro 

É símbolo da resistência 

Uma luta para tirarmos de dentro 

Destreza da poesia 

Pesca que tenha cabimento 

Quando ficção vira resenha

Acaba como história de pescador 

Nem tudo que cai na rede alimenta

Há o que vem de dentro arrebenta 

Memória repleta de espinhos 

Quando a água não está pro verbo 

A água, barco, céu e pescador 

Compõe o mesmo quadro 

A espera da inspiração profunda 

*

 SÉRGIO CUMINO VIAGEM A OLODUMARÉ 

                    


ESU, O COMUNICADOR

 


 ESU, O COMUNICADOR

 Estrada das palavras

É a fonte do pensamento

As correntes das parábolas

Deixa a mente sã

A dialética da encruzilhada

Torna a esperança em brado

A voz que vem no vento

Ele tem lugar de fala

Oráculo do caminho

É a intuição do ori

orador do nosso itan

Desmonta todo fardo

 põe ordem no falario

A energia que vem do falo

Difusor do oriki

Carrega as chaves

O enigma dos Orixás

A falange que anda só

Ornamento compõe o Ogo

Esperança do calvário

Narrador do tempo

Orador da noite calada

Pregador que desata nó

Com a eloquente gargalhada

Giro do círculo a dança da roda

Alegria da festa

O domínio da jornada

Mensageiro do Orum

O dendê do ferro

Cuspe da cachaça

Encanto do canto

O símbolo da forja

É irmão de Ogum

A linguagem do corpo

 Liberdade do berro

A fumaça e a pólvora

Magia da cabaça

É acesso, guardião da porta

Substantivo composto

Que deixa o homem nu

O signo da vestimenta

Seu nome é Exu.

*

SÉRGIO CUMINO

VIAGEM A OLODUMARÉ


quinta-feira, 28 de maio de 2026

HELENA DO RAIO

HELENA DO RAIO

Nasceu no subúrbio da zona leste 

Onde cresceu e se criou 

Arteira e faceira, :- pior que moleque 

Dizia Mãe Janaína, inconformada 

Jogava bola, laçava na rabiola 

Nunca levou desaforo pra casa

Mainha lavava roupa pra fora 

Gostava da espuma, que lembra 

A beleza das ondas do mar

Zeferino o pai tinha o ar tranquilo 

Consertava guarda chuvas 

Cigarro de palha no canto da boca

Com rabo de olho, vigiava a brasa

Dizia que a fumaça o leva a sonhar

Helena tempestuosa com raiva

Nem para raio consegui segurar 

Foi daí que nasceu o apelido 

Alcunha que não se importava 

Mau virou adulta já queria trabalhar 

 Nem mito ou poesia , tudo misturado 

O sonho da lagarta, na linha de largada

Faça sol, faça chuva, Helena é o raio

Precoce se transforma, borboleta pra voar

Sopro da vida, caminho do vento

O resto da história projeta pra continuar 

As adversidades não foge da luta

Guerreira e feroz como a búfala 

Tem entrada em qualquer lugar 

Defende lealmente quem ama

Nababesca glória ou na lama

Aqui vai mais uma dica

Helena do raio, é filha de Oyá 

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ   

                  

quarta-feira, 27 de maio de 2026

AYRÁ RESPIRA OLODUMARÉ

 


AYRÁ RESPIRA OLODUMARÉ 

Quando Ayrá olha para Òrun

Inspira a voz de Olodumaré 

Expira a chama da transformação 

Dádiva que recebeu de Dada

Faz a fogueira que aquece Oxalá 

Como ritual de pacificação 

Cuja resenha arquiteta a paz

O fogo que dá forma a forja

Rompe as correntes da opressão 

Para que abutres não lhe comam fígado 

Tenha excelência na missão do criador 

A terra é nossa mãe 

As pedras são seus ossos 

O lodo generoso da anciã 

Nos reveste com a carne 

Caso que no processo se corrompa 

Suas chamas traz a luz ética 

Não se perca nos redemoinhos

Porque Ayrá reorienta o caos

Ao generoso brilho da criação 

Para não ser abduzido pelo abismo 

que fica de tocaia escondido

 Junto as sombras que nos confunde 

Para tirá-lo da trilha da evolução 

Escute a voz dos ventos 

 A razão, o pensamento crítico

Emancipa com passos divinos 

Dá sentido ao seu próprio destino 

Não esqueça, desafios tem sacrifícios 

Todo desejo tem seu obstáculo 

São as centelha que transforma 

Porém atenção as chaves dos caminhos 

E a lamparina nos guia

Fogo sacro que permeia 

No labirinto do livre arbítrio 

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 

              

terça-feira, 26 de maio de 2026

QUANDO PENSAMENTO PEDE

QUANDO PENSAMENTO PEDE

Coloco-me em estado taciturno 

Em conluio com a calada da noite 

Para que ouça com apreço o silêncio 

E perceba quão profundo o apelo

Até empatia não descreve o que acompanho

Mas essa impotência que me rasga o peito

  As mãos incapazes unem-se em prece

Rogo que atenda o martírio de quem amo

Jogo ao universo, sei que está em todos os planos

Reina no ciclos da vida até que se finda

Regenera vítima da enfermidade

Para que sua filha em roda de rito

O recebe empunhando seu cetro

É divino da cura e purificação

Por isso peço com ar que respiro

Que a vida a dê serenidade no lugar

Do grito entalado pela dor dos ombros 

Como se submetesse nervos

A tortura sobre cavalete

 mãos retomem a graça de afagar

Que o semblante reviva sua poesia

Faça do dilacerado renovação 

E todo sofrimento sabedoria 

Tira todos males com suas palhas

Xaxará seja instrumento da sagrada cura

 Atotô a saudação que o faço em pensamento 

Para o pedido transcender

Onde minha vã filosofia não consegue alcançar 

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 

          

segunda-feira, 25 de maio de 2026

UIVO DA LOBA

UIVO DA LOBA

Quem é essa?

É ela, e ninguém mais deveria ser

Ela é simplesmente ela, 

Com orgulho de ser. 

Passou longe da donzela 

Para nunca mais se perder

Nessa vacância postiça

Estética retorta que não passa pensamento .

Sem complexo de cinderela 

Soube ser rainha, soube ser mulher 

Instinto é a bússola que a leva ao sírios 

A cosmologia que lhe rege

Após renegar os mandantes

E as pantomimas que afere 

O Uivo da paixão é sua reza

Para o norte orientar

Solidaria a sua alcateia

Sem precisar de platéia 

Mas sabe andar só com a destreza das pernas

E chorar para lua poder escutar 

As delinquências do amor para luar

É a Ursa Maior, nesses territórios pequenos 

Que ainda vivem o mito da costela 

Quando ela já é constelação 

É guerreira e materna

 É fiel na união 

Sua lealdade é visceral,

Compreende a profundidade da sombra.

Menina, faceira e feiticeira 

Com os pés em dois mundos 

Nos liminares entre ventre e a morte

Amparando o ser amado 

Como seu reflexo na lagoa mágica 

É mãe no espaço sagrado 

Fundadora mítica da sua linhagem 

Condutora da fertilidade sagrada 

Selvagem e empoderada 

Livre por determinação.

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 


domingo, 24 de maio de 2026

EU NAVEGANTE

 


EU NAVEGANTE

Barulho do isolamento

Do silêncio verborrágico

Se apruma com mar calmo

Em harmonia com oceano

Ocupa a lacuna do abandono

Quando pousa o remo

o sol brilha como ouro velho

Ilumina o legado da história

Frade em seu pequeno barco

perene como a luz reflete

olhar se projeta, ao nada solene

 indaga com espírito:- Quem vem lá?

Com a luz inerente ao sábio

Chama colhida por uma vida

Flama dirige a luz do espírito

O lume moderado e eficiente

Nota que o que vem, pela vastidão

profundo quanto o mar que navega

Deveras sábio como sol da retaguarda

Sabes, quem vem lá é resgate de cá

Como transformação a novo patamar

Sem alardes ou sirenes marítima

Vem, emergiu de seu oceano

SÉRGIO CUMINO –

VIAGEM A OLODUMARÉ


sábado, 23 de maio de 2026

FOLHAS DA DIÁSPORA

FOLHAS DA DIÁSPORA 

Dádiva que se recebe

Do conselho do Olorum 

Folhas, semente, raízes 

Da o olhar a quem elege

O caminho e diretrizes 

 a dimensão em ser um

Com a benção de Ossanhe 

*

Benzedeiras e rezadores 

E encantados acompanhe

Jurema e os louvores 

Mestres do catimbó 

Todo rito do Sassayin

E as raízes que viram pó 

Vem no bornal dos mateiros 

*

A mata é um livro ancestral 

Cada sumo seu paradeiro 

Harmonia do Aye e o astral 

Arte de manipular energia 

Pilar de todo terreiro 

Princípio que faz a magia 

Epístolas que vem a memória 

*

Sabedoria provir da aura 

Presente pela oratória 

Processa a cura dos males

Dialoga com cada alma

É um todo de cada história 

Desperta o oculto entre os vales

Folhas escrituras do Eu.

*

Que transcende o terreno 

Nas mãos que erveiro colheu

 busca o oculto obstinado 

Que o leva ao mundo pleno 

Depois o benzedor benzeu

Fez da devoção sagrado

Manuseio da função a energia 

*

Arauto das forças divinas

Sob os cânticos da magia

 Afeiçoa as folhas ao axé 

 fusão com águas límpidas 

Percepção do entorno amplia

A ver o mundo como ele é 

Bendito, folhas que saciam a dor

*

Conhecimento viaja no tempo

Para corpo, espírito e o amor

Que se mistura nas cabaças

Com sua textura e fundamento 

Na formosura de beleza e cor

E as conservas das garrafas 

Da vida , dando vida a vida

*

SÉRGIO CUMINO –

A VIAGEM A OLODUMARÉ

                           

sexta-feira, 22 de maio de 2026

RESILIÊNCIA À FÉ


RESILIÊNCIA À FÉ 

O olhar voltado para baixo 

Aponta o domínio da terra

A benção da mãe das mães 

Paradoxo do chão perdido 

Para despir-se das couraças 

Desprender de suas esferas

Embirra no lago do ateísmo

Refúgio das dúvidas lodosas

Surpreende-se com velha anciã 

Tem o amparo da sabedoria

Dá-lhe perspectiva a vista

Encontra experiência de Nanã

Põe ao pescoço colar de ametista

Todo panteão saberão quem és 

Lama resgata o discernimento 

Amolece a casca materialista

Procura Osanyin e sua magia

Emerge a realidade vã

A poder oculto das folhas 

Sente a força nos pés 

Levá-lo a empurrar o chão 

Para Ori subir ao Orum 

Desfaz dos tormentos que ânsia

O indica ao banho de cachoeira 

O desprenderá do plano comum

Percepção nova conselheira 

De pronto ao colo de Oxum 

Reconhece o axé em si

Saindo leve como a chama

movimento recebe de Ayrá 

Compõe a força que almeja 

Demais Orixás do fogo

Ogum, Xangô e Obá 

Dão resistência e determinação 

Resiliência tem, se não chegaria aqui

Omulu lhe passa as palhas

Para não deparar com chagas

Por fim da empreitada 

Todos Ebós renascem a fé 

Recebe a benção e brandura 

Lançado ao destino 

Pela flecha de Odė

Habitua-se ao branco das nuvens 

E suas formas ancestrais 

E recebe a missão Olodumaré 

SÉRGIO CUMINO – 

A VIAGEM A OLODUMARÉ


                            

quinta-feira, 21 de maio de 2026

NÉVOA DE OUTONO


NÉVOA DE OUTONO

  *

Quando a voz disse vamos

Não sabia se estava pronto 

Chamas de Ayrá no chamado 

Águas de Oxum levando 

união das brumas, deixa tonto

Na alameda do tempo calado

      *

Postes da via reluz e pontua

Entraves da vida inóspita 

Setênios da causa e efeito 

o mistério da perpétua nua

Visão arrepia a incógnita 

Para quê deveras eleito

       *

Tardio passos do florescer

Abre-se o véu ao novo mundo 

Sai do chão frio, pisa no mistério 

Palmeira sua flor demora nascer 

Quando o nada é o tudo 

Abolição dos padrões e critérios 

      *

 labirinto ao desafio da névoa 

Dissipa o passo subjugado 

Nevoeiro é incenso de outono

 Melancolia da brandura dá trégua 

Ouro de Ya atravessa o nublado 

Paz de Oxalá é benção e consol

  *

Conexão além da cortina 

Linear do físico e espírito 

Poesia, beleza e sonho

A essência nebulosa atina

Quando o fim é o princípio 

Além dos limites do insano   

  *

invisível na invisibilidade 

Mistura-se com a neblina 

Torná-lo o vulto do oculto 

Gênero grau e densidade 

Dá sentido a sua sina

É lapidado o diamante bruto 

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX