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sexta-feira, 6 de março de 2026

URBANO EREMITA

URBANO EREMITA

O relógio subtrai 

E o tempo se vai 

a desordem subverte

Juntos derretem

O pensamento perdido 

as folhas não se mexem

Na árvore em frente 

O vento parou 

não quer conversar

O isolamento atrevido 

Está parado no ar

amigos não entendem 

Amores nem pensem

vazio da hora Grande 

Que virou companhia 

E a lua cheia na noite 

No peito minguante

Vagando, tantos porquês 

Seleciono arrependimentos 

Cabimento ao injustificável 

Conforme o gesto solidário expressa desconcertado 

- que no fim dá tudo certo 

Então chega mais perto 

Do término das possibilidades

Para ouvir o discreto 

sussurro do vazio

E como é que pode 

O silêncio explode 

um cogumelo de dúvidas 

abandono briga com sono

Quando deveriam rimar 

Uma vaga lembrança 

De uma cantiga de ninar 

E notas de amor materno 

E a gélida confusão 

É subsala do inferno

 ausência do fraterno 

Perde a noção do afeto 

E nada está perto 

A qual pode se apegar 

Uma jornada sem suporte

A fé lhe desafia 

Em seguir ou sentar na guia 

Já não importa o que passar 

E o bornal malhado

Já não tem suprimentos

Surrado como sapatos 

Da caminhada que perdeu 

A relevância do destino

Cortinas da neblina 

Faz Horizonte perdido 

Se contar ninguém acredita

Da caminhada arredia

 do otimismo avariado

Do urbano eremita

SÉRGIO CUMINO -DO PÓ À FÊNIX 



  

                                     

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