URBANO EREMITA
O relógio subtrai
E o tempo se vai
a desordem subverte
Juntos derretem
O pensamento perdido
as folhas não se mexem
Na árvore em frente
O vento parou
não quer conversar
O isolamento atrevido
Está parado no ar
amigos não entendem
Amores nem pensem
vazio da hora Grande
Que virou companhia
E a lua cheia na noite
No peito minguante
Vagando, tantos porquês
Seleciono arrependimentos
Cabimento ao injustificável
Conforme o gesto solidário expressa desconcertado
- que no fim dá tudo certo
Então chega mais perto
Do término das possibilidades
Para ouvir o discreto
sussurro do vazio
E como é que pode
O silêncio explode
um cogumelo de dúvidas
abandono briga com sono
Quando deveriam rimar
Uma vaga lembrança
De uma cantiga de ninar
E notas de amor materno
E a gélida confusão
É subsala do inferno
ausência do fraterno
Perde a noção do afeto
E nada está perto
A qual pode se apegar
Uma jornada sem suporte
A fé lhe desafia
Em seguir ou sentar na guia
Já não importa o que passar
E o bornal malhado
Já não tem suprimentos
Surrado como sapatos
Da caminhada que perdeu
A relevância do destino
Cortinas da neblina
Faz Horizonte perdido
Se contar ninguém acredita
Da caminhada arredia
do otimismo avariado
Do urbano eremita
SÉRGIO CUMINO -DO PÓ À FÊNIX
