ESSE BLOG NÃO PERTENCE SÓ AO POETA, ELE É DE TODOS NÓS

quinta-feira, 30 de abril de 2026

SETÊNIO CAIÇARA

SETÊNIO CAIÇARA 

Esse setênio é o oito

Como biscoito universal

brilho das estrelas 

Que a brisa caiçara 

Se mostrou poesia 

Areia protagonista

Edifica sete seteiras 

Pela quais o castelo observa 

Se a maré sobe

Se o porre sobe

E a ressaca sobe 

Para as cabeças 

Como culpa 

Se corre risco a torre

Que a ruptura remete

Não pintou o sete

Escreveu na areia

Para comunicar o céu 

 mudou de lugar a prece

E os feitos do setenial 

Conta as contas 

Do fio do santo 

Confirmado pelas 

Conchas do altar

graus de esquentar 

E salgar pensamento 

Amassando areia 

Na escala social 

Até o sol se por a lua

A prosa de esperança 

Sob astros que orienta 

A estrada certa 

A queda mestra

Pra se reinventar 

Até nascer o dia

Atrás do forte.

SÉRGIO CUMINO -BRASA Á FÊNIX   

                     

terça-feira, 28 de abril de 2026

LUAU DE ENCANTADOS

LUAU DE ENCANTADOS

Luau 

Projeta a constelação 

Da sacada da noite 

A beira mar

De ondas brandas

Refletindo o riso da lua

Pedra de Raio cuida do fogo

Da fogueira de Ayrá 

Cuja chama madeira estala 

No centro do círculo 

Como o olho sagrado 

De Iemanjá veio os nagô 

Jogados do navio negreiros 

Para as resenhas, pescadores 

Legionários de Martinho

Sete mares, vem marinheiro 

Alegrando a maresia 

No balanço do mar

Do lado da mata 

Quem vem lá?

Caboclo de pena

Formoso penacho branco 

Trás a paz de Oxalá 

Ha outros tantos 

Da cura e da caça 

Com flecha de Ode 

O povo da doce água

E os mitos de cachoeira 

Vem com Òsun a cabocla Iara 

Reino de pedras e pedreira 

Já estão pra chegar 

Os pretos e as pretas velhas

Vem sempre pra ensinar 

Juntam as bençãos a Pai José 

Nossas anciãs são feiticeiras 

Senzalas escuras do engenho 

Quanta nação saiu de lá 

Exu estava no posto 

Comendo a mesa

Antes de começar 

E trouxe uns malandros 

Dos passeios de pedra portuguesa 

Encantados dos quatro cantos 

Cantam fogo e ventre

No pandeiro cigano

No berrante boiadeiro 

Atendendo o chamado

Dos centros em chamas

Queime a brasa

Abra o peito 

Torne Fênix 

SÉRGIO CUMINO – BRASA À FÊNIX 

                                 

BANI NA FESTA DE OXALÁ

BANI NA FESTA DE OXALÁ 

Acalma a pressa quando chega

A alma alcalina barrela o espírito 

Cabelos soltos Oxum dourou 

Os ventos de Oyá da movimento 

Na direção que Ode aponta 

Respira a maresia de Iemanjá 

Gratidão adentra templo Oxalá 

Ayrá escolhe o poeta

Para Bani em verso Iorubá 

Na brandura do Ilê 

O sorriso traduz o axé 

Brilha o valor do afago 

Gratidão em movimento 

Sai da estação, 

E vive o caminho 

Salda as encruzilhadas

O Tempo e o contratempo 

Alimenta o instinto mãe 

Na celebração Obatalá 

Bani é! Simples assim 

A arte de laços fortes 

Que abraça a amizade 

Sorrindo o lindo sorriso 

 colo que reflete o Abebê 

Afago é ninho de pássaros 

Que mãe terra abençoou 

Linda como lua cheia 

Estampada papel de bolo

A energia é dona da prosa

Para o pai do silêncio 

A paz em transe 

Para benção de Òṣàlùfàn 

- Axé motumbá !

 Após a benção Fun Fun

Extensa trabalhadores aguarda

Labuta da dança da cadeira Inconformada:- como pode!

A benção é para toda jornada 

Chegará antes da Alvorada 

Branda como Deusa Amazona

Montada no cavalo de ferro 

Empunha a espada de Ogum 

Trazendo o carro do tarô 

Dormiram e o sol não acordou 

ciclo da lua evitando contratempo

Bani respira axé através do abraço 

Porque servir é amar

Bani filha, Bani mãe, Bani fraterna

Bani mora em nossos corações .

 Com todas bênçãos do Olorum.

SÉRGIO CUMINO – BRASA À FÊNIX                                     

segunda-feira, 27 de abril de 2026

SAUDADES QUÂNTICA

SAUDADES QUÂNTICA 

Saudades o quanto 

A quântica não se mensura 

Além dos ruídos sagrados

O acalentar dos afetos 

As correntes sagazes

Da cognição coletiva 

As quais nem notava

Desagrega por dispensa..

Ao suposto desejo 

Eros ou Thanatos 

Ou enredo do sonho

De um sono intermitente 

Sejam o que fizer acredita 

Não foi com o vento 

Camuflou se no tempo 

Que reservou no coração 

Estava lá 

Paciente com a jornada 

Para silêncio ostenta 

Desenha a poesia 

Quando admira a lua

E sinto o suspiro 

A brandura da esperança 

Sem manchas 

Para marcar as possibilidades 

Com a lágrima do desencanto 

Escuta! sua voz aos quatro cantos 

Do silêncio absoluto 

Mantra que me chama

Ilumina a intuição 

E constelação de estrelas 

Até astrologia acena

Marcando posição 

No inconsciente fúlgidos 

Que a sabedoria sente

Sonho do sonhador 

Como brisa presente 

Da essência sonhada

Quem te busca não é a mente 

É o silêncio do coração.

SÉRGIO CUMINO – BRASA À FÊNIX 

  

                              

domingo, 26 de abril de 2026

A ESTRADA CANTA BOIADEIRO

A ESTRADA CANTA BOIADEIRO 

 O som que vem do vale

Não fala se é fogo ou água 

Com a prece do agogô

Cujo percurso cantou

Bezerros e a boiada

Marca no casco 

Espuma nas pedras

Molho de chaves

 Arquétipos em sinfonia 

Vaqueiros e muleiros

Sob a lua 

O som da coruja 

Sob o sol

O vento soprou feito

Flauta de bambu 

Reponde ao berrante 

era bafo do fogo 

É Pedra de Raio 

Que o calor forjou 

O Oxé de Ayrá 

O fez boiadeiro 

Iluminando a boiada 

Na encruzilhada 

Outra falange 

Vem de longe 

Aos serviços de Baba 

E caboclo Boiadeiro 

Pedra arde em fogo

Para passos no mistério 

O Ori se iluminar 

SÉRGIO CUMINO – BRASA À FÊNIX 

                      

22:44

22:44

Essa, é o marco

Embate da memória 

Que não queria lembrar 

Os acordos republicanos 

Para coisa não piorar 

E ir para mapa da morte 

Esgota o limite da esperança 

Nesse sonho confuso 

Enigmas em sincronicidade 

Inteligência artificial 

Se metendo no sentimento 

Nem sabe se faz sentido 

Preenchido de algoritmos 

O dia passou

E o café está amargo

Mais ainda não esfriou 

A razão e o oculto 

Factóides das ilusões 

Infinitos recortes inúteis 

Resenha do arquivo morto 

Do ancestral e o pós moderno 

E a corda que se estica 

mosaico da memória reprimida 

Os obstáculos do medo

A culpa de toda engenharia 

Não tira a própria 

Os passos não saem 

se não programar 

Zere os dígitos 

Viva o princípio 

Lenha, fogo e brasa

Quantos tiverem,ser

 SÉRGIO CUMINO – BRASA À FÊNIX 


 

                           

sábado, 25 de abril de 2026

SORRISO ANDANTE

 SORRISO ANDANTE

 Seu sorriso completa alegria

Do sonho que realiza

A arte usa calma

Em tudo erradia

Na galeria da vida

Dos feitos sagazes

.

Seu sorriso deixa saudades

Nas linhas das palmas

Resenhas salvas

Nos passos da idade

Em tantas poesias

Que universo sabe

.

Seu sorriso nos flagra

As rimas em pazes

Sinergia sentida

Silencia vozes

 brisa a alma

Amor que invade

.

Seu sorriso sussurra

Explendor e graça

Que a boca enlace

E a faça atrevida

O prazer algozes

Fábula vivida

.

Seu sorriso esquenta

Desejos em fragata

Navega seus mares

Mergulho sua piscina

E todos pormenores

viva a sina.

.

Como procurei seu sorriso

Uma verdadeira caça

Em todos humores

Mulher e menina

 Cachoeira e cascata

 Ciranda de criança

E meu amor atina..

O sorriso largado na cama

Que sai da fronha

Pedindo mais

Em gemidos risonhos

A alegria é um sonho

Com seu sorriso acordar

SÉRGIO CUMINO – DO PÓ À FÊNIX


quarta-feira, 22 de abril de 2026

A BRANDURA OBATALÁ

A BRANDURA OBATALÁ

É a luz e criação

Meio centenário

Que a canjica

É o banho devoto

Do Ori abençoado

No marco do axé

Jornada que os pés

Cinco décadas caminha

Omite algumas pegadas

Já outras relevantes

Semânticas e resenha

A fé como desafio

Na dúvida e na graça

A mente sagrada

Da alma Fun-Fun

Meio centenário

De estigma e a fé

A sabedoria ancestral

A vida escola orientou

Cinco décadas, saga do Pai

Da saliva da mãe

Que evoco orixá

Prece em cantigas

E as cabeças abençoadas

Que o Baba cuida

Celebram o feito

Da história cantada

No Ilê de Òṣàlùfàn

Templo pacífica rumos

Equilibra o adverso

Da a vida prumo

Maturidade coroada

Jubileu das matrizes

Da mitologia Iorubá

Missão de meio século

Com os passos do Opaxorô

Ensina a paz caminhar

Desde o início

Já era professor

Noviço e Yaô

a cinquenta anos

Pai Maurício

Abranda o Legado

Èpao Èpa Bàbá !

A brandura Obatalá.

SÉRGIO CUMINO – DO PÓ À FÊNIX



terça-feira, 21 de abril de 2026

BEIJO DA NOITE

 BEIJO DA NOITE

Buliçosa orla

Com balão de gás

Carro de milho

Há o noviço

Na areia salgada

Poemeto arenoso

 castelo de criança

Samba de roda

O passeio é sapateio

Na pedra portuguesa

E um pandeiro no fim do túnel

A onda formou e o sonho surfou

Mistério invisível

Antes da noite chegar

Entrada do dégradé na veia

Que o crepúsculo abençoou

Junto ao sopro da maresia

Gaivotas rasante

anunciam a noite

Maré sobe e estende o tapete

Reflete olorum no Aye

Luar chega o aconchego

Ondas cantam a capela

Prelúdio do inesperado

A magia foi orgânica

Saíram do lugar comum

Os sonhos tece a colcha

Com o brilho das estrelas

O beijo do olho no olho

As mãos transpiram

 Lábios se secam

E o peito,

 numa valsa romântica

Com a marola

SÉRGIO CUMINO – DO PÓ À FÊNIX


segunda-feira, 20 de abril de 2026

PULSA QUIETUDE


PULSA QUIETUDE 

Caminho da prosa

Suspiro presente 

Sentido sol poente 

 Urbana Clareira 

Da feira entre palmeiras 

Largo das resenhas

Meninos e meninas 

Patins e tainhas 

Dada as mãos 

Ousadas paradas

Pensamento trovador 

Ressuscita natureza morta

Em manobras radicais 

Defronte as acácias 

Esquina simpática 

E o passeio abraçado 

Pelo jardim e a parede 

Portal pro além 

E os gatos na vigília 

Tem coisa a intuição

Mostra e não explica 

 memória afetiva

Da mente vazia 

Resenha sem narrativa 

Nessa vida de falácias 

Lúdico do balanço 

Frisson da gangorra

A praça dos ninos

Os signos são caminho 

E o caminho os signos 

A sombra dendezeiro 

A dialeto do arrepio

 Acende o barra vento 

Não estamos sós 

Andante e errante 

Sob a lua vigilante 

Não sabe o que sente

Numa curva suave

Adentra a Eros

Trilha do “bora lá “

Pulsa quietude 

No peito quente 

Pelos braços do aconchego 

E o sonho na nave

Do lado mata

A paz acompanha serena

a caminho de casa

 Cantando o silêncio 

Da feliz chegada.

SÉRGIO CUMINO – DO PÓ À FÊNIX 

    

                              

quinta-feira, 16 de abril de 2026

SOLITÁRIO E A ESPERANÇA ON


SOLITÁRIO E A ESPERANÇA ON

Solitário e a esperança-on

O contexto com texto

No poemeto enviado

A persuasão e calor ,

Na intenção da atração

Sonda desejo e o clímax

Que floreia a mensagem

Põe a emoção no plano da poesia

Aí abre o conselho no universo

Bilhete na garrafa

Em Ondas modernas

Que a resposta venha com a maré

No veleiro do sete mares

Os alertas aos radares

Redes na busca

Chegou, uma , duas ...

o aparelho notifica

O que tu segues o

Overdose de notificação

O som que escolheu

Acelera frisson cárdico

Fica na porta

Olhando pro caminho

Se da conta

Ali seu quadrado mínimo

Onde o olhar escapa

Para o segredo da noite

Pela janela que comporta

visto, o sorriso pelo sinal

Solidário do vizinho

Só tem um pingo

Nenhum sinal da amada

Que chega na entrada

Não invade a casa

A ferramenta móvel

Ali no limite

Da liberdade íntima

Bate o tema, confere

Engano, marca posição

Agregado a um grupo on

onde é invisível

Foi um engano

Que iludi a ilusão

Toque . O trouxe em veste

Que o privado permite

A que passou de fora. Passou!

Pela diversidade da esquina

No balde, espuma de molho

banho e sonho das águas

Esse Clímax do quase nu .

Instantes da água morna

Mãos , avião cedido ao molho

Entrega se a brisa de súbito

Tela abre o momento íntimo

Flertando com encanto

Da mulher dos sonhos

Que não chega o suspiro

na caixa de entrada

Não aportou a resposta

Que a fantasia desejava.

SÉRGIO CUMINO –

BRASA À FÊNIX


SONHOS ETÉREOS

SONHOS ETÉREOS

Sem arauto virtual

No colo da viagem astral

A rainha que abençoou a noite

Acende , a projeção do peito

A ansiedade no posto

Para receber o fantástico

E chegou pelas águas de Oxum

E na neblina de Yewá

Que mostra aos olhos

Que não conseguia olhar

No encontro dos lábios

 Que o mistério escolheu

Recebe ondas da magia

No silêncio em offline ,

Na praia dos quereres

Sonho é areia encantada

Quando venta

Oya canta

Para protagonistas da brisa

Ondas eram marolas

Que sussurrava benção de amor

No tablado íntimo

A capela e na plateia

Todos de ambos

Que desenha a resenha

 Leque de carícias

No vapor da magia

O desejo se inspira

E a imaginação vadiando

No enredo do querer

O prazer no proscênio

A lua ajusta o foco

Estrela cadente

Acorda o sonho

SÉRGIO CUMINO, BRASA À FÊNIX


sexta-feira, 10 de abril de 2026

LÁBIOS DE YEWÁ

LÁBIOS DE YEWÁ

A lua encantada 

Reflete a cabeça 

Do poeta amante

Nos quatro cantos 

Do mistério da noite 

Cavaleiro andante

Das rimas proseadas 

Cantos Poemetos 

A procura da bela

Pureza na fonte 

 poesia personificada 

No castelo de folhas

a neblina e o invisível 

Rogo a vidência 

Onde reina Yewá. 

A Instantes do amanhã 

As sombras e seu duplo

Desenham espíritos

Na cabeça Yabá

Filha de Nanã 

Beleza do mundo

Habitam ela

Onde guarda os caminhos 

Da liberdade própria 

Assim segue

 paixão cavalgada

Onde as estrelas 

Abraçam a terra

A lua espreita 

Amada jornada

Entre a terra e o céu 

Já não é mais ontem 

Amor e possibilidades 

Faz se rio da vida

No Ciclo da água 

E os lábios de mel

Não submerge, transforma 

Passa amar Horizonte 

Aponta estrela guia

Da sentido clarividente 

Sua névoa dissipou 

A angústia trovador 

Paixão é a ponte 

Aos braços da amada

 Dentro da mata virgem

Descobre seguir sem dor

Vaguear pelas nuvens 

É sonho não vertigem 

SÉRGIO CUMINO – O POETA DE AYRÁ                          

quarta-feira, 8 de abril de 2026

BEIJO A SUA FLÔR

 

BEIJO A SUA FLÔR

Sonhei que beijava sua flor

Era um beijo gostoso

Um dengo a amada

E suas coxas acariciava

Entrelace e contrações

Deveras desejosas

Minha fome de você

Doravante insaciável

Seios tesos

Alertas em prontidão

Apontado ao lustre

Prontos a boca amada

A testemunha ocular

Dessa recíproca melada

Abraçado por suas pernas

Engolia com volúpia

A língua carinhosa

Que a sorvia com prazer

Calcanhares assinava

Abaixo das vértebras

A poesia vivida, suada

Molhava o amálgama

Ao som de onomatopaicas

Gruídos, gemidos e suspiros

Impulsiona o meu sorver

Diafragma se contraí

Respiração ofegante

Pedindo mais, não para

Num frenesi contumaz

Amassava próprio rosto

Violava, cílios, Baton,

E tanto mais

Desmancha o penteado

Corpo ressignifica

Como se os poros

Gritassem de prazer

Aos quatro cantos de Eros

Até o tempo gozou

Num êxtase atemporal

Lençol em surreal desarranjo

amaçado em suas mãos

Como se o algodão

Se transformasse

elegir do amor

Ah e a prosa gostosa

Que embebedou olhos

Resenhas que se desenha

Nos envolve entre colchetes

Penetra se entre parentes

Despimos as aspas e vestes

Roçando – nos, nus

Assanha a seda da pele

A pausa da antessala

Do beijo apaixonado

Frisson acumulado

A escolha dos laços

Lingerie vermelha

Ou rosa, nem sei mais

No momento programado

Rendas abandonada

Aos pés da cama

Pela entrega reinante

Na batalha amante

Que só se rendem

A fadiga apaixonada

SÉRGIO CUMINO – POETA FLOR & PELE


LEITO DA NOITE

LEITO DA NOITE 

Segue a noite afora

E o sono nada

Teve uma hora

Calafrio prevê

O Silêncio a capela 

A sombra se mostra

Cerrada e calada

Névoa que se abre

Movimento lento

A mente sem marola

Há trégua das dúvidas

Ao enigma do evento 

Não sabe se é manto

Ou uma toga

O vulto não prosa

Noturna no tempo

A eloquência posa

Contrasta facho luz

A lua vem de fora

Nenhum cão ladra 

Respeito dobra joelhos 

impera madrugada 

Leito de casa

No leito da água

Profundo sagra 

É velha senhora

mãe das águas Consagra

Ostenta o quietude 

Que diz sem verbalizar 

Encontro do doce e salgada

É lá que ela mora

Divisa dos reinos

Das Yabás das águas

Presente sem tumulto 

Só e bem acompanhado 

A mando de Oxum 

 Deitei na cama

Adormeci no colo

Senti a vida

Ternura é senhora

Desfaz imbróglios

Um por um

Sonhos a deriva

Deu me a bença 

E foi embora 

SÉRGIO CUMINO – DO PÓ À FÊNIX               

segunda-feira, 6 de abril de 2026

PORQUE PERGUNTOU?

PORQUE PERGUNTOU?

Ignora o mal que faz 

As felicitações sagazes

Recheado de bençãos 

Cheio de bons sentimentos 

Que falseia o amigável 

Glossário dos simpáticos 

“Tamo junto” 

contração de estamos

Significa nunca estivemos 

“Vai melhorar, tenha fé”

Culpando suposto infiel

Travestido de messias 

Encarna o cínico 

Que nem sente

  Olhares Falazes 

Com postiços cílios 

Corante facial 

O engodo com blush

-Se não fosse o batom 

-Daria um beijo pra sarar

Camufla aversão que sente

Cético a dor alheia 

Faz o Subjetivo sagrado 

Lança procuração 

Assinado pelo Dunha

Para Iludir a mão projetada

Pra não ficar feio

Terceiriza a caridade

Já que Deus caiu 

no domínio público

Lança fatura ao céu 

Hipocrisia no colo divino 

Solidariedade “démodé

O padrão burguês 

Sair a francesa 

Teatro do engodo 

Tem péssimo atores

Numa comédia dantesca 

Os tapinhas nos ombros 

E seus avatares

Arcados desorientado 

O corpo caído 

lhe serve de capacho 

Fraudando a empatia 

Caridade vertical 

Benevolência tóxica

A ilusão cai em ruínas

Com amarga angústia 

Na solidão do travesseiro.

SÉRGIO CUMINO – DO PÓ À FÊNIX 

                              

sábado, 4 de abril de 2026

PRECE AO CORPO AVARIADO

 PRECE AO CORPO AVARIADO

Tônica e as dores

Que grau insuportável

Da paciência

Tonal em descompasso

Nem a clemência

Modera o suor frio

A ânsia intermitente

Rogo a Omulu

Que suas palhas sagradas

Elimine todo martírio

Dor e inconsciente

Instala a catarse

Inspira e expira

Equilibra o maremoto

No colo de Iemanjá

Desinflame o inflamado

Para o tônus respirar

Corpo amado poder amar

Suspirar os passeios na orla

Pés na marola

São anáguas, vestes do mar

Rainha vem lhe abençoar

A mais bela das filhas

Me fez devoto dos encantos

Eu , orixás e os santos

Congregam para melhorar

Nessas linhas tortas e dolorida

Há de substituir dores por cores

Até a moça, cuidadora exemplar

Evoca Yamin para mistério de cura

Que pediu a Oya , que seus ventos

Leve a dor, e lhe tire dos tormentos

Os Ibejis não deixaram desanimar

E comemoraremos

Com lua, bolo e guaraná

SÉRGIO CUMINO – DO PÓ À FÊNIX


sexta-feira, 3 de abril de 2026

ESTIGMA DA TRILHA

ESTIGMA DA TRILHA

É meu senhor me sinto melhor 

Porém não consigo tirar 

a corda do pescoço

 com formato temerária

Que fez da horária,Fardo 

Carga invisível 

Contudo presente 

Nesse dilema pela vida

E a dúvida intermitente 

Entre a cruz e a espada 

Peço uma cadeira pra sentar

Para descansar os remorsos 

Que não larga do meu pé 

E nem ruptura do paradigma 

Sabe se lá onde foi criado

O novo pra ser reparado 

Onde armam tocaias 

Fica no mal fadado 

Cole ao lado dele

Se não ele vai sozinho 

Da sentido as avarias 

Permanece minhocas semiótica 

O coliseu da cabeça 

Estigma ostensivo 

Para ser visto 

Òrun desenhando 

Sinais na terra

De bom pai

Na areia de Iemanjá 

Gaivotas percebem o medo

Camuflado de força 

Para enganar o desespero 

Onde enfrentar 

Os jamais 

Para preservar 

Bússola do bom senso 

E todo seu elenco 

SÉRGIO CUMINO – DO PÓ À FÊNIX