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terça-feira, 30 de junho de 2026

AMANTES DEVOTOS

   

AMANTES DEVOTOS 

Quando momento, faz eterno

Celebram com a taça de vinho

Sou jardineiro que se assanha 

que pelo jardim caminha

Despe-se com rubor, sem pudor

Dando sentindo ao que germina

Sentindo roçar pelo seu corpo

Como pétala magia do amor 

Sendo toda poesia, felina, e flor

Ressignificando desejo interno

Floresce a arte num impulso louco

É deusa do meu mundo pagão

 É poetiza no movimento 

poesia na alma 

E bela eterna

Que fez pulsar o amor

Como alça que deixa corpo solto

Que agita meu céu e inferno

Potencializa meu calor

Prelúdio do primeiro ato

Da às letras silabas sabor

Iluminaria de luz interior

A Ribalta da Musa é a palavra

 Desejos e poesias viram ato

Seu corpo um balé intuitivo 

Universo canta na entrada

Acelera os sentidos 

Resguardo do sonho querido

Como relíquia no baú do peito 

Para quando distância revelar

A saudade será pura evocação

Ao brinde aos nossos sentidos 

O cada gole que se referenda

Brinda espíritos que nos protege 

Fortalece a anima aqui no peito

Refresca a alma como menta

Dando a letra do gesto meigo

Carinho seja o bem feitor 

Relativiza o tempo de cada dengo

Que eu seja o mito da sua sina

Tornemos a lenda dos amantes 

Devotos a Deusa do amor.

SÉRGIO CUMINO –

LUME LUSCO- FUSCO 

segunda-feira, 29 de junho de 2026

SONHO QUE IRRIGA

SONHO QUE IRRIGA 

Semente na vida planto

A bela, que dilacera o bruto

E revela as sutilezas do âmago

O sonho aparece num susto

Rogava em preces sua vinda

Alquimia faz do poeta bruxo 

Eis que surge, intensa e linda

Como um banho em ritmo blue

Personalizo o sonho que trago

Cordas e gaita celebram alvorada

o desejo de norte a sul

Não há tempo é amada

O que busco, surge à frente

Amplia-me o olhar e a mente

Onde o sentido e o subjetivo

É belo em tudo que se sente.

São quereres de principio ativo

o corpo e formas eloquente

Aconchega a noite e o ninho

Faz de mim, ereto e vivo

A divagar no tempo e espaço

 filosofia do amor e seus anais

Mergulha no mito profundo

O que vem dela há em mim

 nela existe meu mundo

 Elencamos principio e fim

No cosmo somos decimais 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO- FUSCO 


 

VEIAS DE OXUM

VEIAS DE OXUM 

Águas veias coronárias 

Desce pelas brumas serranas

Cujo ventre é mãe terra

E cortesia balneária 

 o mergulho d’alma minha

És cosmo assim como anima

á no mais absorto canto

Todo fio que se personaliza, 

Onde bebe-se a flora e fauna

E toda mitologia lendária 

É bença que abraça terra

Entorno todo germina

Sobre a as formosas matas 

Oxalá envia nuvens brandas

Próximas ao céu a serra

Veste o véu da neblina 

E frescor é seu clima

Toda ser é célula divina

Oxum a força que germina 

Espalha- se discreta 

Para alimentar ribeirinhas

Águas puras, magicas ,límpidas

Hidrata não só corpos, alma

 É a essência de nossas vidas

SÉRGIO CUMINO 

LUMO LUSCO- FUSCO 

ATÉ QUE PONTO?



 ATÉ QUE PONTO?

Coloquei na boca da poesia 

O gosto amargo da agonia 

Talvez dívida de aprendizado 

Indo direto ao ponto 

Bate e rebate 

Como uma tecla de piano

Melhor duas para emparelhar 

Com os neurônios 

Os outros queimaram

Engasgado minimalista 

Até o ponto de interrogação 

Já íntimo as divagadas

guarda- chuva sem capa 

Se está na tempestade 

É pra se encharcar

já foram Intermitente

Quando se ancorava a esperança 

Agora ríspidos e avariado 

Uma dúvida apática insistente 

Até as preces encaminharam 

A uma entrevista com divino 

Claro que nada aparente

Preserva a persona mesmo gasta 

Diante da inquisição fantasma 

Para que não vire tema

Em rodas de carolas

Mas voltando ao ponto 

Os porquês sobre as reticências 

Sem resposta da jornada empacada

O que deveria ligar um ponto ao outro 

Parece uma ponte quebrada 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO- FUSCO  

domingo, 28 de junho de 2026

ENTES SINCRÉTICOS

ENTES SINCRÉTICOS 

ENTES SINCRÉTICOS 

O templo é a benção 

Sobre ventre mãe terra

Útero catedral

Singela firmeza barracão 

Sincréticos universal 

 Manifesto impera fé 

Tambores voz de cada chão 

Liga o Aye a Olodumaré 

Vibrando evocação 

Caboclo e cabocla 

Seus mitos das matas

Preto e pretas velhas 

Ungindo ervas sagradas

Cigano do oriente 

Vaqueiros, muleiros, boiadeiro 

Do sol nascente ao poente 

Guiando nos caminhos 

De Ogum protegido por Exu

Não esqueça das lebaras 

E segredo das suas saias

Reverenciados primeiro 

Orixás sempre presente 

No grão, folhas e água 

Vem com mulheres 

A magia das anáguas 

Centro dos caboclos 

E os mistérios das matas

Terra, fogo e ar 

Diversidade de tantas bandas

Catimbó o singelo abraço 

Kardec e o candomblé 

E seus cativos de Orixá 

A Jurema e seus mistérios 

Ciganos vem a bailar

Quimbanda e Umbanda 

Até o Divino dança por lá 

A dança cria ondas

De mutação e movimento 

Manifesto de norte ao sul

Cada resenha do mapa

 Quartinha de barro e porcelana 

Faz do continente ameríndio

O consolo da assistência 

A dimensão de tantas bençãos 

Herança matrizes africanas 

SÉRGIO CUMINO 

LUMO LUSCO- FUSCO 

 

sábado, 27 de junho de 2026

CUIDADO SOTURNO

 CUIDADO SOTURNO 

O toque e carinho despertar.

Faz-me sentinela do seu sono

Revivendo momentos eternos

Sem protocolo e termos

Até tormentos nos deixam sós

 o guardião aproveita seu repouso

Com luminária das palmas

Projeta as linhas da vida

Relaxando seus ombros 

Desfazendo tensões e nós 

Até os músculos e nervos

Aprisionados pelos maus olhados

Sucumbi à dor efêmera

Mãos protetoras dos seus sonhos

Vagueiam sobre corpo da fêmea

Projeta cores, cuidado amor

Seu corpo pesa na cama

Porque a alma flutua

Sob a graça dos cuidados

Nosso segredo noturno 

Sou semente da noite

Para amanhã ela acordar flor

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO- FUSCO 



BOLO MOLHADO

BOLO MOLHADO 

Que arrepia quando a chuva cai

Aguça a unidade contigo 

Juntamos ingredientes ousados

Ao feitiço das águas de Oxum 

Corpos colados 

Untados, sobre Lençóis amaçados

Beijo molhado e peles úmidas

E sente a liga que o toque faz

E aconchega os braços 

Para a graça repousar

Juntinhos uníssonos e ternos

De corpos, bocas e suspiro

Mil e uma noites a memória traz

 Aquecidos pelo fogo de Ayrá 

Renova a noite que, estará porvir

Calmaria seduzida pelo carinho 

a pele doce, assume o aroma

Assim que sentem o bolo crescer 

Recheados de mel e vinho 

Antropófagos do amor

devoram-se como se fossem 

Bolo molhado 

SÉRGIO CUMINO – 

LUME LUSCO- FUSCO


 

O DENGO E SEUS CORTEJOS

O DENGO E SEUS CORTEJOS 

Nas veredas dessa lida 

Passava pelos rochedos de Xangô 

Nas montanhas sobre as matas

Podia contemplar o Horizonte

E deixar a mente sã 

Como arquétipos nagô 

Avista fumaça distante 

Seguindo onde o vento indica

Sabia que vivia mito de itan

Enfrenta percalços de caminhada 

Percebe no aroma, especial graça 

Levada a liberdade destemida

 Dispensa as paradas 

Atraído pelo que vem de lá 

Porque o vento está seduzindo?

Esteja onde estiver

Não custou muito a encontrar

De alma serena linda e viva

Era uma linda mulher 

Doce filha de Oyá

preparava delicioso cozido 

nem a fumaça alçada 

sequer folhagem da mata

Atrapalhou cruzada do olhar

E os sentidos que exalam 

Como fumaça do caldeirão 

Aceitou a cuia e pousada 

Conduzido por prosas e Chamegos

Aos som dos grilos surgem beijos

Quente transformado em ser

Revelando o dialeto físico

Que alçam e laça os desejos

se quer, o coração deixa

Mexendo o remelexo do sexo

Descobrimos minérios críticos

Ricos em dengo e cortejo 

Misturamos sonhos e crenças

Abertos projetando o plexo

Para que o toque 

seja totem místico

SÉRGIO CUMINO – 

LUME LUSCO- FUSCO

BALUARTE DESEJO DUO

BALUARTE DESEJO DUO

Morada de muitas essências

É magia do porto seguro 

Amálgama de muitos mistérios

Minha fêmea meu castelo

Nosso amor aconchega cabana

Quando quereres são residência

Baluarte de puro desejo duo

Do Aye ao Orum

degraus nos tornam amantes

Construindo poções e deletérios

Contra inveja, feitiços, mandinga

Ascendendo o amor a sermos

Tudo que a beleza declama 

Abriga os quereres singelos 

SÉRGIO CUMINO – 

LUME LUSCO- FUSCO

SILHUETAS E LUZES

SILHUETAS E LUZES

Com desejos de cores vivas

Dessa pintura do tempo

Contrastando a pele clara

A luz azul da lua e o vento

Performa o véu da cortina 

Invade o gozo e a nave

Presente, ausente e eterno

Com graça , formas e traços

Sonhos, beldades 

Contraste da cor azul

 Amor em contos de fadas

À torre fálica as boca 

 Peregrino em escalada

Subindo em espiral

Na loucura horizontal 

Levando o calor ao topo 

Resgata do calabouço

 a amada chamando seu heroi

Conquista do guerreio medieval

Cores fortes diluem em traços leves

Fica sem norte começando do sul

Ascendendo em ti desejos 

envoltos em abraços

SÉRGIO CUMINO – 

LUME LUSCO- FUSCO


 

CORPOS SOB CÂNTICOS


CORPOS SOB CÂNTICOS 

A capela no silêncio 

Gemidos e seus acordes

São sonatas da noite 

Dando poesia ao sonho

Abençoados por Oxum

Magia de nossas vidas

Proscênio é a cama

Num dueto de entrega

Iluminados sem abajur 

Mãos que se tocam 

Como citaras vividas

instrumento de desejos

Dedilhar suave

Na querência dos lábios 

E sonetos imensuráveis 

Evoluí clímax do ato

Sinfonia de prazeres

SÉRGIO CUMINO – 

LUME LUSCO- FUSCO


 

MAROLAS DO SUSSURRO

 MAROLAS DO SUSSURRO

Som que o silencio produz

Orquestrado pelos quereres

Como se fosse a terra

Ternura e feminilidade

Sob uma lua mágica

Que por muitas noites

Pelo quadro da janela

Invadindo nossa cama

Brilha o corpo molhado 

Modelada pelas mãos amantes 

Toque esculpindo poesia 

Lume a graça da dama

Sons dos mais apaixonados

Daqueles que acende o corpo

E aniquila as sombras e a dor

Amantes entregam delírios 

As marolas do sussurro

SÉRGIO CUMINO – 

LUME LUSCO- FUSCO



PINTURAS DE VONTADES NUAS

 PINTURAS DE VONTADES NUAS

PINTURAS DE VONTADES NUAS

Sonhei com seu corpo nu

Sonho dando vida ao quadro

A pintura que os sentidos bradam

A luz, a alma que a arte expõe

Cenário, o que traduz o intimo.

Delicadeza que a mulher exala

Quarto que a noite aconchega

Que o sol se faz presente

 pinceladas , dos sonhos

No corpo as marcas revelam

Flor da pele, desenhada

Adornada pelas rendas intima

Num quadro de paixão e norte

Caminha os dedos apaixonados

Em sua pele como tela macia 

Delineando o que somos

Nessa pintura nua que criamos 

Dá-se sentindo as cores

Transforma poetas em pintores

Que para novo amor há um mote

Uma galeria em forma de prazeres

E a vida nossa vida pinturas ascetas

SÉRGIO CUMINO – 

LUME LUSCO- FUSCO 


sábado, 20 de junho de 2026

ODISSEIA DO NAÚFRAGO

ODISSEIA DO NAÚFRAGO 

Quando os feromônios 

Avistaram o horizonte 

Ensinaram aos olhos 

O brilho do olhar apaixonado 

 Taxado como lume subversivo 

Submetido sutileza do castigo 

E a culpa fui apresentado 

Afogou a declaração de amor

Submergiu goela abaixo 

Sem deixar uma sílaba 

Nasceu carência de resistência 

Sobrou um gosto amargo

E salgou aquela lágrima 

Que outrora sonhava doce

A sombra do pecado 

Afogou puras querências 

Num cilindro sem portas 

Perde a conta dos abandonos

Nas estações da odisseia 

Quando estava a deriva

Nas brisas do pensamento 

Decide dar um basta 

Os binóculos lacaios 

Vêem a áurea libertária 

Arrogância do despeito  

Alega falta de cabimento 

Nega-se ser tábua de convés 

Louco e seu bornal 

Salta á jangada da esperança 

Sendo ela último a morrer

Mãos intransigente detém

viram a promessa ao mar

A boia de salvação dizia ser

O Deus que eles criaram 

Mergulha mais profundo 

 convicção determinada 

Não era por desespero 

Seguindo a própria intuição 

Foi ao silêncio do Oceano 

A âncora da sua indagação 

 avista um cemitério 

Sonhos e desejos naufragados 

Foi lá, que sua anima o ensinou 

Que havia novos ares a respirar 

Que se despedisse 

desses eus do passado 

Na superfície haverá um trapiche

Ao emergir encontrará 

A sua luz que o guiará.

E com os altos e baixos 

Da dança das ondas

Sob a cabeça a benção da lua

A frente o píer e sua lamparina.

*

SÉRGIO CUMINO 

LUME, LUSCO- FUSCO 


terça-feira, 9 de junho de 2026

O AFAGO DE YÁ


  O AFAGO DE YÁ 

Oh minha criança 

Que Òsun veio me entregar 

Filho de Orobó com Yabá

Com tu renasce a ternura 

Que vem dá linhagem de Orisa 

Dorme no colo agarrado fio de Oyá

Dissolve toda massa que fui preciso vestir 

Luzido que fez aliança 

Seus olhos projeta luz

Fazendo os meus viver

São as bençãos das águas límpidas 

Vida que renova a esperança 

Só vendo para crer

Eliminou a terra seca que tive que engolir 

É sabedoria que não sei exprimir 

Sabe mais que eu sei de mim

Foi preciso filho pra me ensinar ser mãe 

Pedra e fogo que veio do útero da água 

Já nasceu abençoado 

O sagrado vem do ventre

E tantos outros há de adentra 

Só a vida o ensina ser mago

Meigo e frágil, que me faz existir 

Nessa vida, morte e viva para morrer

Muitas mortes mais que deveria ser

Agora o momento é luz para aquecer 

O lume da noite e do dia

Ensina, não há amor sem dor

Mesmo quando se lusco- fusco 

Há o afeto para orientar 

Lisonjeia saber que não veio só 

A ancestralidade está para encaminhar 

É ninho que move o ciclo

O afago que faz iluminar 

É o filho e espírito nagô 

Orgulho do povo Iorubá 

Diamante divino me fez Yá.

*

SÉRGIO CUMINO 

LUME, LUSCO- FUSCO 


domingo, 7 de junho de 2026

ORIGAMI DOS SONHOS

  

ORIGAMI DOS SONHOS 

A arte do inconsciente 

Suspira versos numa noite fria

Se inspira no vapor do chá quente 

Deita-se com a resenha de prosas

Faz arranjos com rosas 

Ao centro tapete de pétalas 

Para o delírio desfilar 

Os espinhos são pontas de flechas 

Numa tocaia do cupido 

Fura o dedo , pretexto para beijar 

Dobra os dedos sentindo o cabelo 

Origami é poesia da memória 

Fazendo cachos com as dobras 

Lembrando a coroa de Dada

Traços finos revela ternura 

Como ingredientes dos sonhos 

Mistura-se ao deleite do olhar

A oportuna ilusão cadencia 

Leve, íntima e pura

Quando as sombras e luzes casam

Carinho que o toque sabe lembrar 

O amor é arte que inspira sonhos 

Quando está livre para sonhar 

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 

                    

ADMIRÁVEL SONHO LOUCO

ADMIRÁVEL SONHO LOUCO 

Foi um sonho desconexo 

Pra lá de ficcionado

Porém de profundo impacto 

Não conectava os fatos

Abusou do abstrato 

Estimulante como sexo

Havia sim diálogo interno

Mas não entendi o dialeto 

Claro, aconteceu papo reto 

Interessado em privada atimia

 Buraco negro do sonho, vago

Aqueceu o sol do meu plexo 

Redefinindo o substrato 

Como uma ópera psicodélica 

Protagonizava eu como objeto 

E a razão num cavalo alado 

Galopando na galeria 

de imagens e arquétipos 

Ou se era enigma paranormal 

Vagando no vácuo sem chão nem teto

Muito louco sem dar um trago 

Raio só se for dos sonhos dos magos 

Procurei referência nos mitos

Nessa dinâmica surreal 

Não encontrei nada escrito 

O intuitivo havia me desafiado

Não definindo nada concreto 

Mas uma coisa estava certo 

 a anima em estado animado 

Do cárcere havia me libertado

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ

        

sábado, 6 de junho de 2026

A ÁRIA DO LOUCO

A ÁRIA DO LOUCO 

A loucura é a ilha abraçada pelo mar

Se põe na arena do oceano 

Imersão caótica do olhar

Privilegiando todos os planos 

Vidente do sol, nascente e poente

Saúda as possibilidades do universo 

Uiva para lua , como lobo potente 

A ária da aventura intima 

Monólogo do teatro da crueldade 

Expondo a corte ao ridículo 

Usa o verso e abusa do reverso 

Valsa libidinosa no proscênio 

Acasalamento com divórcio 

Dilacera o pastor no versículo 

Tem sua sombra como sócio 

E desnudam todo Reino 

Comediante da alma agnóstica 

Liberta os botões de suas casacas

E joga seus bordões nas valas

Raio que desabou a torre de Marselha 

Fagulha da modernidade medieval 

São missionários de Dom Quixote

Artistas, poetas e trovadores apaixonados

Sem escrúpulo, choro nem vela

Entrega a jornada a toda sorte

Se evade da moral evasiva 

Retira o vampiro do cangote 

Pureza do tolo na jornada de Parsifal 

Expertise que subverte a estética 

A desrazão assume a questão 

Caminha livre sem métrica 

*

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 

                       

sexta-feira, 5 de junho de 2026

FLORESCER


 FLORESCER 

 Pondera !

Frustrando o conflito 

O subjetivo da posse 

Dor em estado de avareza

Revela!

Sonho a estética da beleza

O caminho na leve vereda

Sob a ótica do suspiro 

Primavera!

Espírito em estação do ciclo 

A alma poda as folhas secas

Recicla em insumos a raiz 

Quisera !

Mesmo com corpo saudoso 

Mas não o fim, processo deveras 

Ser formosa como o sonho 

Ideia!

Que o pensamento medita 

A intuição cogita

Sopra fora como brisa

Espera!

E a memória aflora 

O provável tomando a fresca 

Equilibrando o conto de fadas

Supera!

Atuantes, desejo e obstáculos 

Os fatores atenuantes

Não serão mais como antes

A vela!

Dá ao espírito liberdade de navegar 

Por possibilidades nunca provadas

Provoca a arte dos sonhos 

Cancela!

Convictas menções errôneas 

Condição à se lapidar 

Quantos erros para se inventar 

Reitera!

O estigma dos amargos e sombrios 

Se revertem em expectativa 

Florescem a árvore da vida 

Reintegra!

A criança risonha

Espira propósitos florais

Embebida de suspiros 

Sossega!

Com entidades que celebram

Redireciona ao seu destino 

Afetuoso encontro com divino

Pantera!

Ressignifica a índole do esperado 

Desarma a teimosia belicosa 

Acende a dádiva de Amar.

*

 SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 

             

MADONA FLOR

 MADONA FLOR 

Altiva como a águia 

Espírito impulsiona o instinto 

Ascende na conexão com primor 

Como fecho de luz que emana

Coração é talismã da Deusa

Determinada enfrenta a dor 

Poder é a destreza de amar

Espírito e a carne é amálgama sem prosa

Cuja alteza vem das profundezas do mar 

A Trindade no exercício da vontade 

É o cravo e a rosa.

Talento na arte de amar

Princípio o meio e o fim

A composição efêmera, força do poema 

É criação dádiva artesã 

Restaurando o dilema 

Percepção intuitiva da flor

Que supera a ventania 

Pelo jardim imaginário 

Nos devaneios da tempestade 

Madona, cabelo de ouro branco 

Transcende o espírito dinâmico 

Quão a alma é pura

Renova a arte de ser mulher 

Não é poesia pois vive poeticamente 

É a cítara de vênus 

Cuja província é a lua.

*

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 


                    

quinta-feira, 4 de junho de 2026

O PASSEIO DA PALAVRA

O PASSEIO DA PALAVRA 

Numa noite de lua 

Na solidão da agonia 

A moça leva a revelia 

A palavra para passear 

pensamentos precisavam de companhia 

Assim teria com quem conversar 

Despiu-se das frases feitas

Da moda opressora e fetiche das rendas 

Era noite de libertar a utopia 

Levou a palavra a beira mar

Para ouvir a capela a ária das ondas

Levou as palavras que andavam rebeldes

Com o estresse da superfície 

A Lua e o canto das ondas

Ela e as palavras nuas

Não haveria porque dissimular 

As estrelas eram tantas 

Brincavam de esconder nas nuvens 

Não se preocupavam com as semânticas 

Certo era que na praia da dúvida 

Entre pairar junto as nuvens 

Ou mergulhar no oceano 

Ali estava a lua para mediar 

Uma coisa era certa 

A maresia decodificava pensamento 

E as palavras se esbaldava como criança 

Bastava dá-lhe a mão 

Que a levaria onde quisesse 

A liberdade era o farol imaginário 

Que orienta as navegantes 

E as frases de vento e prosas

No embalo das ondas

Para que ela seja a poesia 

Quando a lua é a semiótica.

*

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 

                            

PALMA DA MEMÓRIA

PALMA DA MEMÓRIA 

O amor abençoa a imaginação 

A caça do imaginário a locação 

Perto dos olhos na palma da mão 

Para as linhas lerem o destino 

Com calor, luz, cheiro e paixão 

Lembrança flerta com a saudade

Todos os ingredientes da ilusão 

Linhas são rotas da lembrança 

Subverte a quiromancia em poesia 

Onde passeia a sua Diva

Linhas ocultas tomam formas

Sinuosa silhueta faz desejo brisa 

Paisagem no horizonte a mão 

Lá está ela de corpo presente 

Crepúsculo compõe a ternura 

Pés nus dança com a marola 

Maestrina das sensações 

Sonata envolve a linha do sonho

Sopro do peito acompanha o andamento 

Amada se posta na linha do coração 

Sob a sombra da arvore da vida

Bela da tarde é suave poesia 

Na extensão dos seus dedos 

Tão bela como a flor

Sonha carícias como cítaras 

Centro da palma projeta memória 

Insumos dessa brisa recria

Protagonista da linha do amor

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ  

                      

ÚTERO DA EXISTÊNCIA

ÚTERO DA EXISTÊNCIA 

A mulher sereia de água doce

Despe-se das defesas escamas

Emancipa-se das chauvinista trama

Suave sabedoria feminina 

A beleza da pele sem drama 

A mulher flor de sua lagoa 

Encanto como lírio – d’água 

Que se abrem sorrindo ao sol

Em cores e alegria 

Sob a lua se fecha na magia 

Abebê é o espelho d’água 

Pele peltadas, flor perfumada 

Eterno espírito das ninfas 

É o lago o útero da floresta 

A corte da vitória régia 

Versa a alteza da mulher 

Realeza mítica de seus corpos 

Estrela das águas, espelho da lua

Poesia da menina dos olhos 

Icônica relação, mulher e água 

Renascimento e superação, flor de lótus 

Bela e deusa no mundo mundano.

*

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ