ESSE BLOG NÃO PERTENCE SÓ AO POETA, ELE É DE TODOS NÓS

sexta-feira, 31 de julho de 2026

BASTIDORES

BASTIDORES 

O teatro a metáfora da vida

Na esperança dos atos

Na simbologia das máscaras 

Prólogo, o drama e o epílogo 

Vivida na sabotagem do melodrama 

Num conto de clímax e apatia 

Na metamorfose Kafkiana  

Ser o melhor aos olhos das pessoas 

Ludibriando o veredito 

O lisonjeiro intelectual e artista 

Diametralmente o oposto 

A decapitação racional 

Cai as partes separadas no cesto 

As subjetividades se afoitam 

Como se os sentidos das coisas

Limitam-se a sorrisos que confortam

Posto a razão acima do limite 

O cinismo passa a ser corrosivo 

Os risos a impertinência dialética 

 obsessão frágil atrás da cortina da ilusão 

A sobriedade mora na coxia

Na companhia do crânio inanimado 

Que contracena com Hamlet 

A performance peculiar do bastidor

Habita seu jogo de sombras 

Longe dos holofotes da cena

O drama toma a alma

Com o algodão e o demaquilante 

O crânio de gesso, tem mais signos

Que as minhas reflexões engessada

A caveira inanimada

A mais sincera filha do molde

Porque do outro lado da porta 

Uma plateia escura de cadeira vazias

Adormecem até o próximo espetáculo 

*

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO  

quinta-feira, 30 de julho de 2026

RESSURREIÇÃO DO SUICIDA

 RESSURREIÇÃO DO SUICIDA 

João da Boa Morte 

Precisava se confessar 

E assim o fez

O sacramento escolhido 

Foi a uma pedra

Havia receio de absolvição de um padre 

Pior seria um crente de fundilho quente 

Derreter o gelo moribundo 

A pedra não, trás em si símbolos 

Afinal o suicídio já estava decidido 

A confissão era mero protocolo 

Do seu juízo final 

O rito não poderia ser bagunçado 

O que acabou se tornando 

O silêncio da pedra

Usurpou a paz celestial 

Memória da vida suicida 

Parece título de crônica popular 

O que desmonta todo pesar

A fatalidade já era íntima de velha ordem 

Somente o João que não se deu conta 

Não cabe mais apelo ao Divino 

A tempo que renunciara o espírito 

Mas já era morto antes disso

Foram tantas mortes 

que já tinha cemitério próprio 

Defunto traído, último saber ser morto 

Quase morre de desgosto 

Cortejou tanto a morte 

Contemplou sua dignidade 

Planejou as núpcias da fatalidade 

Absorto, descobre que é adúltera

Já o matara através de tantos 

Alguns ocultos, outros nas suas barbas

Sobre a alcunha de fases

Pensava ser agruras das incertezas 

Decisão pessoal , era novela pública 

E agora? A dúvida!

O que fazer com pensamento ?

 Deixa de ser intensão

Vira ironia de obituário 

Por uma nulidade existencial 

O suicídio de um cadáver vivo

Passa a ser um peso morto 

Desculpa o trocadilho 

A vida uma ironia efêmera 

Enquanto a morte é constante 

Agora o que fazer com conluio das partes 

E as cento e vinte laudas 

Da mais sincera condescendência

Inútil pensar em segundo plano 

Depois descobri que está nele

 O suicídio não está mais em questão 

O importante é encontrar a ressurreição.

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO 

 

quarta-feira, 29 de julho de 2026

ORÁCULO DE TOLO

ORÁCULO DE TOLO

Oráculo o sufrágio da ilusão 

E seus adjetivos da perversão

Tudo “ão” para dizer o mínimo 

No campo das hipóteses 

Internaliza dogmas 

Cancela o arbítrio 

Cria receios a imaginação 

Subverte os escritos 

Conforme as vaidades 

Conspiração de teoria 

Diria o cético 

A palavra puxa a grade 

E o incesto faz parte 

Diz um mago de Sófocles 

Faz – se do eterno 

Juízo e sacrilégio 

Filho mata o pai

Conforme convém 

A psiquê da análise 

Traveste o mito como verdade 

E o peso das burras

Tem oráculo de estimação 

Viola os arquétipos 

A idolatria de Totens

Conforme necessidade do cliente 

A vida biológica se renova 

Já sincronicidade metafísica 

Sempre haverá uma lista 

Na jornada do herói

Liberta o Anti-Edipo 

E as unhas hão de roer 

No que diz a quiromancia

Para Dizer o que se quer

Não passa de dopings 

Pós idade da razão 

Queimando no inferno 

Cria Labaredas do medo

Para vender salvação 

Tudo questão de interpretação 

Que embuste o argumento 

No mercado mágico 

O rei é ilusionista 

Que escreve nas estrelas

 força criativa que conecta

Que a urbanidade não enxerga 

O mistério excita 

Como amor proibido 

Chique ser alquimista 

Para as bruxas de shopping 

Como se o destino desse spoiler 

*

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO 

 

terça-feira, 28 de julho de 2026

A LOUCURA NOS CORPOS

A LOUCURA NOS CORPOS 

 Foge dos conformes 

A intermitência das células 

São pérolas escondidas

 burburinho das moléculas 

E a geladeira dos ossos 

Eterno pedido de escusas 

Nega aquilo que sabe

Treme que o caldo entorne 

Crueldade vibra a vida

Eloquência é a subserviência 

Abstração no compasso 

E seus conflitos paradoxos

Faz erudita a barbárie 

O alongamento preenche o espaço 

A ganância permitirá 

A regência dos travados 

Como insurgência corporal 

Que abocanha as palavras 

Transeuntes é o corpo de baile 

Para o passeio das falas

De expressão muda 

Pelos palcos das calçadas 

A fome vidente come com olhos

Deseja com os poros

Anatomia de terra arrasada 

De palcos apertados 

E liberdade exprimida 

Que reprime as vísceras 

Que discursa em blocos 

Desnorteia a calma 

Confunde a alma 

Nos pontos de vista 

A dó é a menor 

Das compaixões e dialetos

Anterior a intuição 

E a fome de ação presente 

Dos corpos objetos 

A dança é fala dos ritos 

Espetáculo da catarse 

O movimento é o conflito 

E a loucura do tônus 

Subverte as marchas marcadas

Dialogando com a metafísica 

Desorienta as estruturas 

Com a oratória dos reflexos 

Quando o domínio do império 

Escreve por chibata 

Nas peles pretas 

Quelóide em blocos de notas

Assinatura do baronato 

*

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO  REVERSO  

segunda-feira, 27 de julho de 2026

ESGRIMA O ETERNO

   ESGRIMA O ETERNO.

Oh meu pai!

Abra sete ondas

Proteja -me a beira mar

Rompa duras matas

Dessa floresta densa 

Com sua espada flamejante 

Feita em forja sagrada 

Para esgrimar a paz

Na arte da guerra 

Malha e molda insígnias 

Nas ilíadas da bigorna 

os paramentos arquétipos 

É mitologia criando forma

Torna-me locomotiva 

Que o fogo movimenta 

Para ir além dos trilhos 

Com símbolos mariwo 

Dendê que aquece o guerreiro 

Vivência resistência 

Contra supremacia vil

Os caminhos que transforma 

Em horizonte que sustenta 

Levanta quando cai 

A autoestima e seu brio 

trem que adentra montanhas 

Com vigor ancestral 

Rebate intolerância senil 

Ogunhê meu pai!

*

 SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO 

CATARSE DOS VERSOS


CATARSE DOS VERSOS 

Deitou -se de bruços 

A um quarto de silêncio 

Seus desejos em sussurros

A trégua a entrega absoluta 

Com sua calcinha de rendas

E camiseta de dormir 

Lia poesias de amor

Que compartilha intimidade 

Dialoga com seus sonhos 

Na terna cúmplice noite

No avante das horas 

Veículos se recolhiam ao repouso 

A lua se mostrava sem pedir licença

A flechava em diagonal 

Sem incomodar a leitura 

O corpo largado na cama

Revelava suas íntimas rimas 

A brisa suave e melodiosa 

Olhos divididos entre versos 

E devaneios da mente

Buscando da leitura referências 

Como se decifrasse enigmas 

Sozinha na noite 

E divinamente acompanhada

Personalizado seus mistérios 

Respirou inspirada 

Elencando seus afetos 

Cobre-se com frases mágicas 

Revela o coração nas estrofes 

Que pausadamente a lia

Passa de leitora a poesia 

A catarse da noite 

Fechou o livro e os olhos 

E o beijou com queixo 

Sabia que dormiria ali dentro 

Quão divino foi sua arte

Adormece com lingerie nos joelhos 

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO 

MEMÓRIAS E MANHÃS FRIAS


MEMÓRIAS E MANHÃS FRIAS

 A poesia assume o rigor

Do enfrentamento de si

Deu voz a incoerência 

Sem tempo de supor

Para cativar as ilusões 

Faz-se ficcional a memória 

Incógnitas dos mistérios 

E suporta ela indo embora 

Imagem criada na maresia 

É ferro que o salitre corroeu

Um naufrago a beira mar

A poucos quilômetros 

Cargueiros enfileirados ao porto

E ele na praia sem ter como aportar 

Entre espumas que molham canelas

Na solidão da manhã fria

Agonia em existência boqueirão 

Suportando as brisas matutinas

Que quebram ondas de solidão 

O sol se lança fraco 

Com impulso do canto do forte

Coleciona conchas como registro cético 

Marcando cada reflexão 

E não reluz nenhum mérito 

Volta com vazio para casa

Separado, história do egoísmo tosco 

Na travessia da avenida da praia 

Sente o peso da idade

Quantos passos de solidão 

Que atravessou decorrer dos anos 

Na companhia dos conflitos internos 

Ornados com pelos brancos no rosto 

Não Significou a saudade 

A contragosto a depressão do inverno 

A turbulência desse mar revolto 

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO 

 

domingo, 26 de julho de 2026

OLHO NO OLHO

OLHO NO OLHO

Perspectivas se abatem 

Arrancadas do colo

Na apologia da barbárie 

Apostam na causa e efeito 

Do leque a molécula 

Mãos preparada ao saque 

Enfraquecendo o sujeito 

Misoginia sem disfarce 

Nas diretrizes do método 

Mantendo terras secas 

Crítica da razão impura 

E sua evolução pungente 

Afere ao centro do peito 

Mas a cultura resiste marginal 

E rompe com essas correntes 

E vitaliza os afetos 

Contraste anomalias narrativas 

Somada a marcha das mulheres pretas 

Derrubam o fórceps do parto animal 

A hegemonia constrangida 

Diante da revolução passiva

Estão engajadas contra tretas 

São elas as sufragistas

Que estabelece o teto

Que Suplanta a ameaça

A causa dessas fendas

Catarse da resistência 

Desmonta essas seitas

São chão de fábrica 

Que impede a curatela 

Papo reto, é anatomia que não as pertence 

Porque é olho no olho, que as convence

 SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO 

 

ELOGIO AO FRACASSO

ELOGIO AO FRACASSO 

 Sou divergente positivo 

Das incoerência da vida

Se quer suas cronologias

Explica sonhos bolcheviques 

Dei bandeira de esquerda festiva

Ainda ator da cena adolescente 

 spoiler do cárcere secreto 

Desconhecendo as sombras

Vida porra louca aberta 

De um livro por ser escrito 

Sem se importar quem cobrará a fatura 

Cultuando sementes desconhecidas 

Fez do meu mistério, floresta

A literatura foi água límpida 

Assim como drama da dramaturgia

Sobre o dilema das vidas secas

Fontes do cinema novo

Na dialética da fome

No rio que passa 

São corredeiras recorrente 

Cacofonia mal resolvida 

Da cosmologia dentro de nozes

E os cadernos do cárcere 

Quando o povo hiberna 

Em berço esplêndido 

Não ouve-se suas vozes 

Sobre os conselhos do seu Zé 

A malandragem é ir onde o povo está

Com alegria tropicalista 

Caetano, Gil e Tom Zé

E os dilemas da reforma e renascimento 

Mas a reclusão vira um ativo 

E a antropologia nos une

Na cela de Mandela 

Memória de Graciliano 

 a biografia de Lula 

O alinhamento de Gramsci

Tabuleiro pra assar é povo na rua

A mitologia é a colher que mexe 

Engrossa o caldo da arte e feitiço 

Universo dimensiona as nozes

E até mesmo o que duvido 

Arde no samba da vela

Lembrança, haja fita amarela 

Quão majestoso o nome dela

E as resenhas do grão de areia 

E suas sete ondas da fé 

Pelas conjuntura dos fracassos

Antagoniza o ser e ter

Untados na forma da jornada 

O nome do bolo é vida 

Revisa a memória a capela 

Que se toma com café 

Na terra do nunca e no final da tarde 

No crepúsculo nosso de cada dia

Nesse quarto sem janela

*

SÉRGIO CUMINO  

INVERNO REVERSO 

sábado, 25 de julho de 2026

FILHO SALAMANDRA

 

FILHO SALAMANDRA 

Hiberna salamandra 

No âmago úmido

Com seu fogo interno

Endossado na filosofia 

Nas lareiras fugas salamandra 

Resiliente a chamas da vida

A capacidade regenerativa 

De sentenças impositivas 

Salve a banda salamandra 

Na fogueira de Ayrá 

Sob o signo da justiça 

Que sua chave determina 

Portas de superação 

Alquimia salamandra 

É espírito Elemental

Vive no tronco, no fogo 

Nas labaredas da paixão 

Alimenta o bom fogo

Em detrimento ao ruim

Transforma e renova

Põe a vida a prova 

Com as chamas da coragem 

Revela transmutação 

Sensitiva intuição salamandra

Pelo fogo que me conduz 

Pelos campos veredas.

Faz do destino encanto

A alcunha, Filho Salamandra 

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO   

CONTROVÉRSIA A REVOLUÇÃO COGNITIVA

CONTROVÉRSIA

 A REVOLUÇÃO COGNITIVA 

Não se incinera mais livros

Esfumaça a atenção 

Perde-se no nada, com ele próprio.

O vácuo é intervalo do flash 

Cuja leitura inflacionou nas prateleiras 

O artigo engolido pelo título 

Feito pílulas de suprimentos 

Causador do déficit de atenção 

A indiferença é o descaso latente 

Mantedor do desejo sob controle 

Esvaziam as alternativas 

Sequestrando o domínio da certeza 

Com evasiva dissidência 

A liberdade é paradigma digitalizado 

São arquivos de impaciência 

Porque a calma é revolucionária 

Quando o terreno está contaminado 

A profundidade se distraiu 

Fez do oceano poça do meio fio 

Plataforma e a dissuasão da controvérsia 

Mascarada de bom senso 

Enquanto o algoritmo é o cão de caça 

Inquisição moderna é atenção sem reflexão 

O nanismo da perspectiva.

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO 


 

sexta-feira, 24 de julho de 2026

DILEMA PÓSTUMO

DILEMA PÓSTUMO 

 O dilema do retorno póstumo 

Qual espólio da falência ?

Bens materiais, credores e herdeiros 

São auditores naturais 

A questão é existência 

Será um bem bolado 

Da idade da razão com a caverna de Platão 

Mas hibernou na solidão urbana 

Ou uma overdose em crise de abstinência?

Vivência física de um ponto de vista

Não é possível com tantas reticências 

Se quer resolvidas desse mundo mutante 

nunca se sabe, o que é fato ou factoide

Se a vida é cíclica, volta para fim da fila 

O eterno complexo de Sísifo 

Agora se a questão é dialética 

Prepara -se para exaustiva fadiga 

Uma coisa é fato, não está apaixonado 

Ficou complicado, para evitar frustração 

Tudo fazem para evitar a dor 

 pretendentes vem com manual

 Pedido de precedente criminal 

Vaga o errante em sua Odisseia 

quão poético é morrer de amor

Em meio as premissas alternadas

É o Dino desse destino 

Que o tira do tormento 

Aportar para enterrar o passado 

Dando vazão ao espírito místico 

Sendo a resposta ao enigma 

Está na sabedoria do silêncio 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO  

MARTELO OCULTA O CUTELO

 MARTELO OCULTA O CUTELO 

Blindagem do vendilhão 

Tem sigilo contratual 

Da operação escudo

Extermina até no verão 

Conluio com farinha lima

Além do bem e do mal

O sumo do laranja de facção 

Aspirante de carreira 

Graduado em corrupção 

Descarrilha o trem 

Passageiro recorre a fé 

Sem água benta 

Quando tem é contaminada 

Pelo paradoxo liberal conservador 

Até na terra plana 

O fruto cai próximo do pé 

As explosões nas ruas e nos trilhos 

Mas o dedo aponta para o outro 

Até quando descobre-se desvios 

O poder Tá Cínico 

reação em cadeia 

E não culmina em prisão 

Sem a menor educação 

Deixa o bicho solto 

Até robótica vira nicho 

Princípio negacionista 

Conforme orienta o partido

E determina a base

Não importa quanto 

Vai além do que cabe no bolso.

Se preciso for use saco de lixo 

Nem os fantasmas ficam na nave

Ninguém sabe, ninguém viu 

“ porque Deus não joga dados”

E as emendas se encarregam do desvio 

Para o roteirista faccionado 

O mesmo que bate o martelo 

Para alegria do mercado 

Decepa o povo com cutelo 

Não existe cavalo alado

Assim como não há 

Fascismo moderado ...

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO  

CRIPTA DA INOCÊNCIA

CRIPTA DA INOCÊNCIA 

Deus acima de tudo 

Foi o cadáver acima de todos

Sagrado ideológico nasceu morto

A coroa de flores de plástico 

Lacram a urna funerária 

Cobre o equívoco teocrático 

Com post nas redes

Eis o dramático funeral 

Do fundamentalismo caótico 

Com obituário da vitimização

E a ilusão do Estado terminal

É o vassalo patriótico 

Alimenta o ressentimento oprimido 

Com o abnegado falsário 

O estelionato negativista

Bem aventurados fariseus 

Feitores da diminuta vida

Coloca a esperança em risco 

Ancorados na barbárie 

A abstração dos costumes 

São assassinos de Cristo 

E toda compaixão que vale 

Que residem no esgoto 

Por onde tocaia a vítima 

Adultera a sina 

Ilude os crédulos 

Camuflado de princípio 

Previsível corrupto 

Sequestra o norte

Dessa tragédia cíclica 

Tira da vida o sentido 

O colapso com doutrina 

E sua punição eugenista

Com méritos impositivos

Pela estética da morte 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

 

quinta-feira, 23 de julho de 2026

BOTAS DA REDENÇÃO

 BOTAS DA REDENÇÃO 


O que lembra é fato 

Não era assim com seu avô 

Lança seu olhar ao céu 

Para onde escapa a sorte

Gole infame, as entranhas queimou 

Antes um homem hoje rato

*

Condenado, mistura-se álcool e fel 

O desânimo aquece no Corote

Já se desculpa pelo desacato 

Mas é lástima o que se tornou

O triste olhar no infinito 

Não disse nada para o nada

*

 Era plácido o rancor 

Indaga o pensamento atrevido 

Com escrúpulo embriagado 

o azul do meio dia trovejou 

Nuvens brandas esvaíram 

Seria sua sentença de morte?

*

Sabia que tal desfecho falta pouco 

Não tinha sequer magoa

Mesmo depois de tudo perdido 

Teria direito ao desabafo 

Mas o trovão o calou

A batida de tambor no couro do céu

*

Será que ficou louco 

O estrondo o tocou forte 

o ronco falara contigo 

É o delírio do tormento

De pensar o corpo arrepiou 

Precisava de alguém pra falar

*

Os pelos dançaram com vento

Estava certo ser o veredito 

Uma palavra que o conforte 

Lembrou que disse mãe Rosa de Oyá

“ o trovão é a voz da justiça “

Chegaria o bater das botas

*

Sabia que para além leva a fé 

A procurou para última consulta 

Pela agonia ela perguntou a Ifá

Surpreende o que divindade falou

A tempo que já estava de pé 

Mas decidiu alterar as rotas

*

A resignação mudou a conduta 

Que fez do trovão o recurso de Xangô

E as brancas nuvens dissipou 

Pela redenção sentou Oxalá 

Não bateu, aposentou velhas botas

 Novos passos para novas portas 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


terça-feira, 21 de julho de 2026

ÍRIS

ÍRIS 

Íris como um sopro alado

Veem multicores em seu arco

Como a Iris de Jacques Cousteau 

Aventura-se no seu espaço 

Vibra os olhares dos Itans 

Vivência mística da cosmologia 

Ancestralidade diria:

Íris tem acordo com cristalino 

Ver além dos espíritos amoitados 

Universo dos símbolos 

Uma cartografia oculta 

A ardilosa mensageira  

Vem do Orum, envolve o profano 

trazendo o sagrado

Mergulha no oceano pelo manto colorido 

Anúncio do mensageiro dos Deuses 

Emergem afetos submersos 

Sustem a força dos mitos

Introvisões revela dimensões 

Do alcance visionário 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


INSUFICIÊNCIA VERBAL

 INSUFICIÊNCIA VERBAL 

Subsistir é viver nos aparelhos 

Desenganado no meio fio

Periferia da indecência 

Sem direito a obituário

A gravidade é preposto da indiferença 

E a tristeza curva a coluna 

De quem não se tem notícias 

O olhar vê menos as maravilhas do céu 

A ternura das gaivotas o coral de maritacas

A utopia nas telas de cinema 

Vive entre parêntese da opressão 

Fica aquém do suficiente 

Que limita os afetos

Uns de ocasião ,

 outros , não lhe vê utilidade

Esses ostentam entre colchetes

Abduzidos da ilusão 

Lhe impõe as reticências que perdem -se no vácuo 

Mas essa não é a questão 

Vulnerável desnuda a realidade 

Não serve para massa de manobra 

Da espiga virou quirela

A esperança chegou no talo

Insuficiência de prover, comer ,viver

Verbos que parece extravagância 

a crise entrou pela porta tempestuosa 

O amor pulou a janela 

A estima escorrega pelo ralo

E os parças sumiram no espaço 

A solidão não é opcional 

O estômago vazio não dorme 

O calabouço da existência 

Onde o meio o exclui por intercorrência 

Vira estatística útil aos cortes 

Bem aniquilado a estética da fome

 SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


INSTANTE ENCANTADO

INSTANTE ENCANTADO 

A vida é feita de momentos

Como os mínimos e eternos

Caminha perante os olhos 

Deixou o entorno nebuloso

Estava além do que a vista alcança 

A boca secou e o coração abstraído 

Era magia feminina em governança 

Majestosa no rigor da Deusa

Leva-me conversar com pensamento 

Sendo um anônimo admirador 

Impressionismo digno de Renoir 

Chega a ofuscar o entorno 

Na alameda dos pássaros 

Com avenida das acácias 

Valsei com reflexões dominadas

Golpeia o ceticismo. És Divina!

O lirismo distrai a agenda 

Já não sabia de onde vinha, para onde ia

Conforme a benção da visão.

A mente passeia platônica 

Faz jus a arte da poesia 

Pelo colo elisabetano  

A olhava de soslaio 

Para que não note o hipnotizado 

As formas sinuosas e insinuantes 

Eu e as saltitante retinas

Ternura sobrepostas aos sentidos 

Esfumaça o trânsito e seus ruídos 

Um aroma de graça 

Desapareceu ao virar a esquina 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

AMAR REFLETE O RIO

.            AMAR REFLETE O RIO

Sob esplendor da Alvorada 

Pensa no amor 

Nas melodias noturnas 

sussurra a Deusa

Como dádiva do rio

Tem suas dores e rebentos

Que dinamiza sua graça 

Força faz-se pureza 

Perante os desejos e obstáculos 

As flores sobrepostas ao espinho

É corredeira transformada

No aconchego do seu leito

Princípio da ação dinâmica 

Contemplativa, com sorriso da manhã 

Sempre uma nova esperança 

Lema é amar desde cedo 

Sob a cortesia dos pássaros 

Sonoros ao suspiro 

aos devaneios matinais

As carpas vem a margem

pares do brilho dos olhos 

Submersos como a retina 

Ilumina a menina 

E a mulher apaixonada 

Passa o dia sob marolas do sorriso 

O olhar que se perde 

Em imagens do lirismo 

Nem vê o dia passar

 Chega às cores durante 

A ternura do crepúsculo 

Prenúncio dos sonhos 

Ama a capela 

Aos braços amantes 

O colo amado 

É a mais bela

a chegada da lua

Poetiza seus delírios 

Com sua alma nua

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

domingo, 19 de julho de 2026

DANDARA CIGANA

DANDARA CIGANA 

A bátega d’água não impede a liturgia 

Que caia sobre as águas que depositava a prece

Era chuva de Ayrá sobre rio de Oxum 

E na várzea aquele de expectativa vazia 

e os elementares como confessionário 

Unidos num romance sagrado

De susto surge a saia que gira a roda da vida

Cuja dona que a vestia significa o movimento, vibra elegância 

Até o ar ascendeu o aroma de rosas

Linda no brilho e expressão 

Sua plenitude de encanto 

Parou o temporal num repente 

Uma súplica de bom trato para não ser descortês 

-Perdoe moça me deixe só. Rogo meu apelo a Oxum 

Solta um suave sorriso , que dispensa o reconhecimento 

- moço de merecimento, aqui estou na missão de preposta.

Fez o obséquio e contemplou a companhia 

- Qual a sua graça?

- Dandara. E completou :

Perdido na viagem do mundo que o deixou a margem 

Procura a chave que abre as vias do destino 

Percurso o qual engendra dúvidas 

Vive momento trágico pouco forçado 

No limiar da esperança e o calabouço 

Oriundo de derrocada absoluta .

Letrada em alegria, disse afetuosa 

-Por mais paradoxal que pareça, é o indício de evolução 

A amabilidade elevava a cortesia, ela entendeu sua alma

- No drama dentro de ti, vivenciou o clímax. Onde a conjuntura o fez cético 

O lamento foi o silêncio, que repassa o filme, em episódios

- Sei que não encontrou a dignidade do sustento.

Argumenta: - Creio que nesse plano, esgotou os propósitos, a fonte secou

- Esquece pressupostos passados, eles são como esse rio, que já não é o mesmo desde que a chuva parou.

A presença doce era como a água corrente 

Num instante hidratou o espírito e o levou ao plano metafísico 

O que significa a dispensa dos desejos frívolos.

Porque agora ascende a uma missão ancestral.

Já parecia íntimos na espiritualidade 

Revelou coisas que a sombra escondia 

- Agora prepara seu bornal do louco . Dentro as ferramentas do mago e a lamparina do Eremita 

Para tu que deseja a chave 

empregue o verbo iluminar

A regência do Amor é a magia 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO