ESSE BLOG NÃO PERTENCE SÓ AO POETA, ELE É DE TODOS NÓS

domingo, 31 de maio de 2026

SENHOR DAS RUAS

SENHOR DAS RUAS

Ago Alupô, permita-me falar!

Ago Alupô, permita-me escrever!

Seguimos como pensamentos andantes

Seguimos esculpindo conceitos 

Com passos diferenciados

Com passos que não são passados 

Com fome de caminho

Com fome de viver

Senhor anfitrião come primeiro 

Senhor anfitrião tem sede de beber

Dá o primeiro gole e cospe na vida seca

Dá o primeiro gole, matar sede de saber

Senhor ancião sabe sóbrios caminhos 

Senhor ancião é caminho pra aprender 

 Bará Lodê é o mais velho

Bará Lodê é o poderoso dos Barás

Há bandas que tem alcunha de Pedro 

Há bandas cuja bandas o respeitam 

Orientador não há caminho errado

Orientador ensina passos caminhador 

Leva as chaves dos dilemas 

Leva as chaves dos portais ocultos 

Seguimos como saudosos peripatéticos

Seguimos como mestre e discípulo 

Criador que cria a partir do nada

Criador das criações divinas 

Sabedoria que cura feridas abertas

Sabedoria que reensina renascer 

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 

              

sábado, 30 de maio de 2026

CICLONE E A EXISTÊNCIA

CICLONE E A EXISTÊNCIA 

 Redemoinho já se vai

Pelo buraco da fechadura 

Que ficou do tamanho da porta

Ampliada a fresta do pensamento 

Findando a meditativa clausura

Se ele vai eu vou atrás 

Pedi que abrisse a porta 

Respondeu-me, que eu sou a chave

O acesso a passagem 

A nova perspectiva

Fidelidade da ventania 

Foi a frente limpando 

Resquícios que me aguardava

Era tudo novo no velho mundo 

Eu já era outro, que passei a ser eu

O paradoxo do desconforto 

Sai do lugar comum 

O frisson abraça a estranheza 

O acesso e os passos 

O caminho e a passagem 

Saí de dentro pra fora

De fora pra dentro

Viver ciclone da existência 

Protagonista do roteiro próprio 

A proposta e o propósito 

O Parsifal e o graal 

Louco e o mago sem olhar para trás 

General da vestimenta Fun – Fun 

À ser lamparina e o Eremita 

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 

                       

PESCA DA INSPIRAÇÃO

PESCA DA INSPIRAÇÃO 

Psiu! Faça silêncio 

Vai espantar o pensamento 

Pesca de reflexão profunda 

Desviando dos escamosos

Que sobrevivem com factóides 

A dúvida é a isca da filosofia 

A luz que chega ao fundo 

Já os de couro, guerreiro 

É símbolo da resistência 

Uma luta para tirarmos de dentro 

Destreza da poesia 

Pesca que tenha cabimento 

Quando ficção vira resenha

Acaba como história de pescador 

Nem tudo que cai na rede alimenta

Há o que vem de dentro arrebenta 

Memória repleta de espinhos 

Quando a água não está pro verbo 

A água, barco, céu e pescador 

Compõe o mesmo quadro 

A espera da inspiração profunda 

*

 SÉRGIO CUMINO VIAGEM A OLODUMARÉ 

                    


ESU, O COMUNICADOR

 


 ESU, O COMUNICADOR

 Estrada das palavras

É a fonte do pensamento

As correntes das parábolas

Deixa a mente sã

A dialética da encruzilhada

Torna a esperança em brado

A voz que vem no vento

Ele tem lugar de fala

Oráculo do caminho

É a intuição do ori

orador do nosso itan

Desmonta todo fardo

 põe ordem no falario

A energia que vem do falo

Difusor do oriki

Carrega as chaves

O enigma dos Orixás

A falange que anda só

Ornamento compõe o Ogo

Esperança do calvário

Narrador do tempo

Orador da noite calada

Pregador que desata nó

Com a eloquente gargalhada

Giro do círculo a dança da roda

Alegria da festa

O domínio da jornada

Mensageiro do Orum

O dendê do ferro

Cuspe da cachaça

Encanto do canto

O símbolo da forja

É irmão de Ogum

A linguagem do corpo

 Liberdade do berro

A fumaça e a pólvora

Magia da cabaça

É acesso, guardião da porta

Substantivo composto

Que deixa o homem nu

O signo da vestimenta

Seu nome é Exu.

*

SÉRGIO CUMINO

VIAGEM A OLODUMARÉ


quinta-feira, 28 de maio de 2026

HELENA DO RAIO

HELENA DO RAIO

Nasceu no subúrbio da zona leste 

Onde cresceu e se criou 

Arteira e faceira, :- pior que moleque 

Dizia Mãe Janaína, inconformada 

Jogava bola, laçava na rabiola 

Nunca levou desaforo pra casa

Mainha lavava roupa pra fora 

Gostava da espuma, que lembra 

A beleza das ondas do mar

Zeferino o pai tinha o ar tranquilo 

Consertava guarda chuvas 

Cigarro de palha no canto da boca

Com rabo de olho, vigiava a brasa

Dizia que a fumaça o leva a sonhar

Helena tempestuosa com raiva

Nem para raio consegui segurar 

Foi daí que nasceu o apelido 

Alcunha que não se importava 

Mau virou adulta já queria trabalhar 

 Nem mito ou poesia , tudo misturado 

O sonho da lagarta, na linha de largada

Faça sol, faça chuva, Helena é o raio

Precoce se transforma, borboleta pra voar

Sopro da vida, caminho do vento

O resto da história projeta pra continuar 

As adversidades não foge da luta

Guerreira e feroz como a búfala 

Tem entrada em qualquer lugar 

Defende lealmente quem ama

Nababesca glória ou na lama

Aqui vai mais uma dica

Helena do raio, é filha de Oyá 

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ   

                  

quarta-feira, 27 de maio de 2026

AYRÁ RESPIRA OLODUMARÉ

 


AYRÁ RESPIRA OLODUMARÉ 

Quando Ayrá olha para Òrun

Inspira a voz de Olodumaré 

Expira a chama da transformação 

Dádiva que recebeu de Dada

Faz a fogueira que aquece Oxalá 

Como ritual de pacificação 

Cuja resenha arquiteta a paz

O fogo que dá forma a forja

Rompe as correntes da opressão 

Para que abutres não lhe comam fígado 

Tenha excelência na missão do criador 

A terra é nossa mãe 

As pedras são seus ossos 

O lodo generoso da anciã 

Nos reveste com a carne 

Caso que no processo se corrompa 

Suas chamas traz a luz ética 

Não se perca nos redemoinhos

Porque Ayrá reorienta o caos

Ao generoso brilho da criação 

Para não ser abduzido pelo abismo 

que fica de tocaia escondido

 Junto as sombras que nos confunde 

Para tirá-lo da trilha da evolução 

Escute a voz dos ventos 

 A razão, o pensamento crítico

Emancipa com passos divinos 

Dá sentido ao seu próprio destino 

Não esqueça, desafios tem sacrifícios 

Todo desejo tem seu obstáculo 

São as centelha que transforma 

Porém atenção as chaves dos caminhos 

E a lamparina nos guia

Fogo sacro que permeia 

No labirinto do livre arbítrio 

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 

              

terça-feira, 26 de maio de 2026

QUANDO PENSAMENTO PEDE

QUANDO PENSAMENTO PEDE

Coloco-me em estado taciturno 

Em conluio com a calada da noite 

Para que ouça com apreço o silêncio 

E perceba quão profundo o apelo

Até empatia não descreve o que acompanho

Mas essa impotência que me rasga o peito

  As mãos incapazes unem-se em prece

Rogo que atenda o martírio de quem amo

Jogo ao universo, sei que está em todos os planos

Reina no ciclos da vida até que se finda

Regenera vítima da enfermidade

Para que sua filha em roda de rito

O recebe empunhando seu cetro

É divino da cura e purificação

Por isso peço com ar que respiro

Que a vida a dê serenidade no lugar

Do grito entalado pela dor dos ombros 

Como se submetesse nervos

A tortura sobre cavalete

 mãos retomem a graça de afagar

Que o semblante reviva sua poesia

Faça do dilacerado renovação 

E todo sofrimento sabedoria 

Tira todos males com suas palhas

Xaxará seja instrumento da sagrada cura

 Atotô a saudação que o faço em pensamento 

Para o pedido transcender

Onde minha vã filosofia não consegue alcançar 

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 

          

segunda-feira, 25 de maio de 2026

UIVO DA LOBA

UIVO DA LOBA

Quem é essa?

É ela, e ninguém mais deveria ser

Ela é simplesmente ela, 

Com orgulho de ser. 

Passou longe da donzela 

Para nunca mais se perder

Nessa vacância postiça

Estética retorta que não passa pensamento .

Sem complexo de cinderela 

Soube ser rainha, soube ser mulher 

Instinto é a bússola que a leva ao sírios 

A cosmologia que lhe rege

Após renegar os mandantes

E as pantomimas que afere 

O Uivo da paixão é sua reza

Para o norte orientar

Solidaria a sua alcateia

Sem precisar de platéia 

Mas sabe andar só com a destreza das pernas

E chorar para lua poder escutar 

As delinquências do amor para luar

É a Ursa Maior, nesses territórios pequenos 

Que ainda vivem o mito da costela 

Quando ela já é constelação 

É guerreira e materna

 É fiel na união 

Sua lealdade é visceral,

Compreende a profundidade da sombra.

Menina, faceira e feiticeira 

Com os pés em dois mundos 

Nos liminares entre ventre e a morte

Amparando o ser amado 

Como seu reflexo na lagoa mágica 

É mãe no espaço sagrado 

Fundadora mítica da sua linhagem 

Condutora da fertilidade sagrada 

Selvagem e empoderada 

Livre por determinação.

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 


domingo, 24 de maio de 2026

EU NAVEGANTE

 


EU NAVEGANTE

Barulho do isolamento

Do silêncio verborrágico

Se apruma com mar calmo

Em harmonia com oceano

Ocupa a lacuna do abandono

Quando pousa o remo

o sol brilha como ouro velho

Ilumina o legado da história

Frade em seu pequeno barco

perene como a luz reflete

olhar se projeta, ao nada solene

 indaga com espírito:- Quem vem lá?

Com a luz inerente ao sábio

Chama colhida por uma vida

Flama dirige a luz do espírito

O lume moderado e eficiente

Nota que o que vem, pela vastidão

profundo quanto o mar que navega

Deveras sábio como sol da retaguarda

Sabes, quem vem lá é resgate de cá

Como transformação a novo patamar

Sem alardes ou sirenes marítima

Vem, emergiu de seu oceano

SÉRGIO CUMINO –

VIAGEM A OLODUMARÉ


sábado, 23 de maio de 2026

FOLHAS DA DIÁSPORA

FOLHAS DA DIÁSPORA 

Dádiva que se recebe

Do conselho do Olorum 

Folhas, semente, raízes 

Da o olhar a quem elege

O caminho e diretrizes 

 a dimensão em ser um

Com a benção de Ossanhe 

*

Benzedeiras e rezadores 

E encantados acompanhe

Jurema e os louvores 

Mestres do catimbó 

Todo rito do Sassayin

E as raízes que viram pó 

Vem no bornal dos mateiros 

*

A mata é um livro ancestral 

Cada sumo seu paradeiro 

Harmonia do Aye e o astral 

Arte de manipular energia 

Pilar de todo terreiro 

Princípio que faz a magia 

Epístolas que vem a memória 

*

Sabedoria provir da aura 

Presente pela oratória 

Processa a cura dos males

Dialoga com cada alma

É um todo de cada história 

Desperta o oculto entre os vales

Folhas escrituras do Eu.

*

Que transcende o terreno 

Nas mãos que erveiro colheu

 busca o oculto obstinado 

Que o leva ao mundo pleno 

Depois o benzedor benzeu

Fez da devoção sagrado

Manuseio da função a energia 

*

Arauto das forças divinas

Sob os cânticos da magia

 Afeiçoa as folhas ao axé 

 fusão com águas límpidas 

Percepção do entorno amplia

A ver o mundo como ele é 

Bendito, folhas que saciam a dor

*

Conhecimento viaja no tempo

Para corpo, espírito e o amor

Que se mistura nas cabaças

Com sua textura e fundamento 

Na formosura de beleza e cor

E as conservas das garrafas 

Da vida , dando vida a vida

*

SÉRGIO CUMINO –

A VIAGEM A OLODUMARÉ

                           

sexta-feira, 22 de maio de 2026

RESILIÊNCIA À FÉ


RESILIÊNCIA À FÉ 

O olhar voltado para baixo 

Aponta o domínio da terra

A benção da mãe das mães 

Paradoxo do chão perdido 

Para despir-se das couraças 

Desprender de suas esferas

Embirra no lago do ateísmo

Refúgio das dúvidas lodosas

Surpreende-se com velha anciã 

Tem o amparo da sabedoria

Dá-lhe perspectiva a vista

Encontra experiência de Nanã

Põe ao pescoço colar de ametista

Todo panteão saberão quem és 

Lama resgata o discernimento 

Amolece a casca materialista

Procura Osanyin e sua magia

Emerge a realidade vã

A poder oculto das folhas 

Sente a força nos pés 

Levá-lo a empurrar o chão 

Para Ori subir ao Orum 

Desfaz dos tormentos que ânsia

O indica ao banho de cachoeira 

O desprenderá do plano comum

Percepção nova conselheira 

De pronto ao colo de Oxum 

Reconhece o axé em si

Saindo leve como a chama

movimento recebe de Ayrá 

Compõe a força que almeja 

Demais Orixás do fogo

Ogum, Xangô e Obá 

Dão resistência e determinação 

Resiliência tem, se não chegaria aqui

Omulu lhe passa as palhas

Para não deparar com chagas

Por fim da empreitada 

Todos Ebós renascem a fé 

Recebe a benção e brandura 

Lançado ao destino 

Pela flecha de Odė

Habitua-se ao branco das nuvens 

E suas formas ancestrais 

E recebe a missão Olodumaré 

SÉRGIO CUMINO – 

A VIAGEM A OLODUMARÉ


                            

quinta-feira, 21 de maio de 2026

NÉVOA DE OUTONO


NÉVOA DE OUTONO

  *

Quando a voz disse vamos

Não sabia se estava pronto 

Chamas de Ayrá no chamado 

Águas de Oxum levando 

união das brumas, deixa tonto

Na alameda do tempo calado

      *

Postes da via reluz e pontua

Entraves da vida inóspita 

Setênios da causa e efeito 

o mistério da perpétua nua

Visão arrepia a incógnita 

Para quê deveras eleito

       *

Tardio passos do florescer

Abre-se o véu ao novo mundo 

Sai do chão frio, pisa no mistério 

Palmeira sua flor demora nascer 

Quando o nada é o tudo 

Abolição dos padrões e critérios 

      *

 labirinto ao desafio da névoa 

Dissipa o passo subjugado 

Nevoeiro é incenso de outono

 Melancolia da brandura dá trégua 

Ouro de Ya atravessa o nublado 

Paz de Oxalá é benção e consol

  *

Conexão além da cortina 

Linear do físico e espírito 

Poesia, beleza e sonho

A essência nebulosa atina

Quando o fim é o princípio 

Além dos limites do insano   

  *

invisível na invisibilidade 

Mistura-se com a neblina 

Torná-lo o vulto do oculto 

Gênero grau e densidade 

Dá sentido a sua sina

É lapidado o diamante bruto 

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX 

                         

quarta-feira, 20 de maio de 2026

ÈRÒ ÌRÓKÓ

 ÈRÒ ÌRÓKÓ

Fonte que acalma

O Ori tempestuoso

Que tira os pés do chão

Perde o apoio da mão

Fuzuê da cognição

Contexto do desespero

Pensamentos tortos

Frágil em destempero

Desmonta princípios

De corpo e alma

Refugia-se a árvore anciã

Declina-se ao pé de Iroko

A força do portal

De um mundo a outro

 profundezas dos mortos

As divindades do Orum

Onde os olhos não veem

Reorienta a cabeça pagã

Senta no colo da mãe terra

 perdido em tumulto

As sombras da árvore sagrada

Espírito sem eira nem beira

Entre Deuses e ancestrais

o curandeiro oculto

Do passado ao presente

Majestoso do tempo

Espírito que ali mora

Poesia gameleira

Que conhece o infinito

Alça humilde o pedido

As raízes da diáspora

No memorial ancestral

É Orisa que habita

Vida, respeito e renovação

Reabilita a fé

A cadência da vida

De tempo a tempo

Estação que transforma

Sabedoria plantada

Divina criação de Olodumaré

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX

terça-feira, 19 de maio de 2026

POESIA DE BORDO

POESIA DE BORDO

Palavras desabafam às palavras 

Paciente das resenhas

Conflito das prosas e anedotas

Divã na cabine do comandante

Provisão dos provérbios 

Ordena os devaneios 

Para narrador dos resíduos 

Postulado da memória emotiva 

Mistura-se ternura com fuzuê 

Convés e seu revés 

Oriundas do rincão da memória 

Bibliografia da lida incerta

Verborragia da escrita ativista 

Resgate das dores a deriva 

Estigma o balanço das feridas

Amores, entraves e fé 

Mar de paixões e desilusões 

A bonança é a poesia 

Porque o leme a resiliência 

Dedicada aos afetos

Fases se eternizam

Em poesia das prosas 

Mitos e seus arquétipos 

Sílabas que sobem e descem

No movimento das ondas

Como os suspiros e lágrimas 

Prece do sujeito imperfeito 

Escreve a nave à outros mares

Comandante adolescente 

De barbas brancas

Teve história pra contar

Postulado do lirismo 

Contraste de tantos lados 

Imprecisão do navegar

Intuição torna a vela

Dessa barca de poetar

Mistura-se com embarcado

Nos naufrágios e maremotos 

 se aconselha com Iemanjá 

Dando a utopia a predição 

Para poeta a palavra é o prisma 

A poesia é o diário de bordo 

Numa maresia de prosódia 

E a rede que pesca as palavras 

Embriagar o que descreve 

Reler é a saudade

E a prosa que anuncia 

Quando avista a mãe terra 

porto seguro, ao sonho do poeta

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX 

                                 

segunda-feira, 18 de maio de 2026

ETERNA TERNURA


ETERNA TERNURA 

 O amor que a deixou

Apareceu no muro

Que divide os dois mundos 

Num gesto que revela

Que de lá a espera

Foi um sonho intermitente

E tantos que acalenta momentos 

soprando o vapor do chá quente

Solta para fora a dor no peito 

No passeio cadência o passo

Lento a saborear a ilusão 

Peso do corpo frágil, 

abraça o pesar, e sussurra 

:- Meu velho, onde você está?

E recebe a compaixão da ternura 

Da parede estende uma rosa

Branca, o amor a torna púrpura 

Emoção da rubor a face

Saudade tempera a esperança 

Puridade a excelência do tempo 

Experiência, mãe da temperança 

Não deixa a idade tempestear 

Marasmo da tarde lisonja

Brisa fresca tende aconchegar

vagueia na alameda do sonho

Sobre o tempo perdido 

O amor partindo 

Reencontro esperado

 Começa nova história 

No paraíso entre seus lírios

:- Venha! Venha me buscar,

Não basta ser o mais belo

Desse livro da memória 

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX 

                  

domingo, 17 de maio de 2026

SUSPIROS DA UTOPIA

SUSPIROS DA UTOPIA 

Mesmo que a casca virou bronze

Como busto de praça 

Manequim de magazine 

Daquelas que a estética oprime

No padrão da distopia 

Grava na pele a região dos desejos

Como tatuagem que te define 

Sai de do fora e vai pra dentro 

Resgatar a essência esquecida 

E toda inspiração e seus lampejos 

Sente o barulho de chuva 

Sai descalça e pise nas poças 

Quebra a couraça que não servia

Veja o vale e suas dunas

Se encharcando de esperança 

Que guardava na cachola 

Toda pureza de criança 

Recrie cada detalhe

Com o elixir da fantasia 

Imagem do âmago lúdico 

Decora o belo da memória 

Solte às esganaduras covardes

Junto com as hordas da escória

Abra frestas e os pássaros liberta

Ao vôo harmônico da resiliência 

Cante a melodia que não podia 

Rio corrente mente afora

Deixa as mágoas, irem embora

O que vim de fora não importa 

Liberdade criadas de dentro 

Voam felizes com as gaivotas 

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX         

A PELE VIVE O MITO

 

A PELE VIVE O MITO

 Preces levam a ti

Rogar de amparo

As paragens de Benim

Pede a chave dos entraves

Que bloqueia o Ori

*

questões apregoada

Clamam o redemoinho

Na zona de conforto

Reorganizar esse caos

Não é seguro esse porto

*

Tranquilo será convosco

Em benção com devoção

Quantas agruras até aqui

Aprender à evolução

Pelas adversidades que vivi

*

Lembro quando guri

Foi sobre telhado

com a lança e a chave

Prenúncio, senti e vi

A jornada rumo ao sagrado

*

Alma e corpo em desequilíbrio

Foi quando o mito entendi

Espiral , a sucção das agruras

Agora estado de transformação

Ditos os mistérios pelo Oriki

*

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX


sábado, 16 de maio de 2026

DESEJO É ZELO

DESEJO É ZELO

Colo a ti cedido

Corpo se doa quente

Afeto está presente 

Por estar rendido

Peleja do dia

Dilui com carinho 

Aconchega no ninho

a noite harmonia 

*

Acordar contigo 

Evocar a ternura 

a graça se apura

Poesia faz sentido 

*

A benção é cortesia 

Mandado pela lua

Amor se cura

Dando vida a fantasia 

*

Paraíso perdido 

Cuidado em desvelo

Arrepio dos pelos

Com gestos escolhidos

*

Cães ladram alegria 

Ao cortejo meigo

O desejo é zelo

E gemidos melodia 


SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX 


    

          

sexta-feira, 15 de maio de 2026

AS CHAVES DO DESTINO

AS CHAVES DO DESTINO 

Caminhos fechados

 impede o passo

Prende como corrente 

Qual a chave competente

A essa estrada insolente 

Com tocaias do livre arbítrio 

Rogo que me abra a mente

Que fechou o pensamento

De corpo presente 

O que me tranca

Atravanca o discernimento 

Me mantém ausente 

Num isolamento 

a chave do conhecimento 

Passado, presente e futuro 

Dádiva da libertação 

Das saídas e entradas

Que me tire da caverna 

A chave do desejo 

Liberta-me da castidade

Meu pai que me rege

Que está no controle 

Do lado de lá há caminho 

Meu destino, meu Odu

Tirai-me desse estado refulgente 

Espero já ter equilíbrio 

Para o caminho dos justos 

Além da vã filosofia 

Abra-me ao mistério 

Do céu e a terra

Já não é sem tempo

Que possa caminhar

Como cavaleiro andante 

Para enfrentar meus medos

E lutar contra moinhos de vento 

Libere os segredos da idade de ouro 

A chave do baú do tesouro 

Que revela o oculto, Pedro

Para que possa voar ao sol

Sem a imprudência de Ícaro 

Sou cônscio do meu limite 

Quero fugir desse labirinto 

Viver o meu destino 

Senhor da encruzilhada 

Abra essas portas 

Para respirar fertilidade 

Dai-me as minhas chaves

Para quando for preciso 

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX                                  

SONHO DA SAUDADE

SONHO DA SAUDADE

Saudade não dorme, sonha

Faz parte do ser, não sei dizer

Materializa as ilusões 

Noturnas de Outono 

Captura o sono, a meu prazer 

Na extensão do braço vejo você 

Preenche a sua falta

As gatas de casa aconselham

Com miados solidários

Confortam o refúgio do querer 

Aconchegando a mim

Ronronam pra eu dormir 

Para amor vibrar no Orum

A lua reflete sua imagem 

Felinas em prol da ilusão 

Redesenhar o real

Desejo e a sonolência 

Adormeci o factual 

Olhos fecham e porta se abre

No casebre ruindo pela saudade

 surge bela a espera na entrada 

vontade, faz dos olhos lamparinas

Ilumina a querência e a sina

Inocência da o ar da graça 

Elevando a minha utopia 

Para o deleite do espírito 

Devaneios cortejo imperial 

O que é sonho ou real?

Faz a cabana, cenário de fábula 

Ilusão desenha a esperança 

Dama dos sonhos é amada

Rainha noturna coroa a paixão 

Sonho constrói seu trono

Leve, eterno e breve 

Nessa ficção íntima 

Suficiente para avivar a emoção 

E toda a alegoria inconsciente 

Emergi do fundo: - Eu te Amo!

Sonho noturno e oportuno

Que sobrepôs a razão 

E deixa a noite calada 

Romântica madrugada 

Descobertas envolta da manta

Desse sonho não solto

Faz desse corpo criança 

Sussurra com a sensação 

Faz-me sentir seu colo

Vigília do amor no coração 

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX