MÃE ÁGUA
Canta a cabeceira
Para espuma dança
Há tanto segredo nesse espumar
Faz do encantamento pequeno
Perto do que tem a cantar
Escorre sagrada
De encontro a pedra
E as pedras de Ayrá
Do salto da cachoeira
O Oxé banhado
Percussão molhada
Choque do cascalho e a água
O véu se teve ,
Quando tudo , um ventre
O sorriso da mãezinha
Desce rente, aflora bela
Abraço aos Otás
E as madeiras que encontrar
Ápice do encantado
A rota se segue
o rio solta marola
Para respirar
Alerta aos atentos
Como rocha contornar
Caravana encantada segue
Leva a mente repousar
No seu leito
Divã astral
Para ir a fundo
Submergir em si
E se encontrar
em novo mundo
De um novo jeito
Até o rio não é o mesmo
A benção naval,
Ondas paradas
Formam palavras
o rio de crenças
Alegria e afeto
Acolhe, ribeiro, pescador
Canoa passa na ribeirinha
Que preta Velha, reza lá
Quando lua cheia
Reflete em águas límpidas
Espelho do seu sonho.
E a busca do amor
Céu estrelado de resenhas
Na calada da noite
Oxum se cala
E as águas , escuta-la
Porque o silêncio fala
Que verá
Onde seu rio vai chegar
Porque Yabá, não repete caminho
Não depende da liturgia
Seu ouro não enferruja
E margens de esperança
Dessa mãe sou criança
Criado na poesia
SÉRGIO CUMINO – O POETA DE AYRÁ

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