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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

ODE AO DESILUDIDO


 ODE AO DESILUDIDO 

  Foi no fundo da noite 

Que as sombras ardilosas

Permitiu-se conversar 

A noite calada, porém atenta 

Prolixa no silêncio 

Poderia surgir ali 

O que as claras se ofuscam 

Com desleixo da atenção 

Bem no fundo, no canto da desistência 

Clausura das fraquezas 

No leito do vulnerável 

Onde autoridade não se sustenta 

Parece revelar o improvável 

Um fundo vazio cheio de medo 

Onde vocifera o teatro da crueldade 

os insumos que o percurso fermentou

  votos de diamantes com a ilusão 

Últimos invernos à conquista a alma

Diante do conselho dos traumas 

Memória e os dilemas dos becos 

Escreve a carta ao fundo da noite 

As ironias que a idade se presta 

Que aponta para escrito resignado 

Dizem que são memórias póstumas 

De um morto distraído

Aí a questão, qual óbito se refere 

São tantas nessa vida Severina 

Que João Cabral virou poeta 

Quantas a salpicar no verão 

Invernos declinando a depressão 

Porque justo no outono perdeu meta

A tempo não esperava a estação de flores

Morte e castração ou Ode ao desiludido 

O certo que estava em falta com a noite 

Mais complacente que de costume 

Por conta do calor da idade

O rei estava nu.

A carta continha conquistas e saudades 

Mas o pano de fundo no fundo da noite Pra que fui no fundo ,dor

O leito encantado do amor.

*

FRÊMITOS DO ILÊ. SÉRGIO CUMINO