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sábado, 5 de setembro de 2026

POESIA A LUZ DE VELA


POESIA A LUZ DE VELA

Coloquei -me a escrever no escuro 

Sabe-se lá quando se dá a luz, 

Física, metafísica e biológica 

As palavras frente a sombras

Ludibriando a caligrafia 

Pesca na poesia de nevoeiro 

Sonatas lúgubre para mistérios 

Ouve-se o lobo na velocidade do uivo 

Zumbindo no ouvido 

Ou o que for aquele gemido 

Um recado do pressentimento 

Hora do sentimento subir a ribalta 

Caneta conduz, caligrafia atua

Há mais entre a vela e a sombra 

Que supõe sua van temência

Ao inconsciente oprimido 

A introspecção é do pensamento 

 o dilema entre opinar ou intuir 

Nessa noite fechada a opções 

E apagada a brandas visões 

Dá-se a luz! Chamem a Lua!

O prelúdio do mistério 

Caldeirão metafísico 

Sem a fogueira sob a névoa 

Favorece enigma, e doa dilema ao poema

Veneno escorre pelo batente 

Do quarto sem janelas 

Onde as gatas perdem o escrúpulo 

De acordo de como deixam as cacas

Percalços descalço de um poema no escuro 

Insolúvel, insolente, pisado

A palavra escorre e a vela arde

A caligrafia sem pressa em prece

Aguarda o recado da coruja 

Que na noite escura ela enxerga 

Se é um recado oculto 

Ou uma lembrança para poesia conversar 

*

 FRÊMITOS DO ILÊ 

SÉRGIO CUMINO 

 

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

ODE AO DESILUDIDO


 ODE AO DESILUDIDO 

  Foi no fundo da noite 

Que as sombras ardilosas

Permitiu-se conversar 

A noite calada, porém atenta 

Prolixa no silêncio 

Poderia surgir ali 

O que as claras se ofuscam 

Com desleixo da atenção 

Bem no fundo, no canto da desistência 

Clausura das fraquezas 

No leito do vulnerável 

Onde autoridade não se sustenta 

Parece revelar o improvável 

Um fundo vazio cheio de medo 

Onde vocifera o teatro da crueldade 

os insumos que o percurso fermentou

  votos de diamantes com a ilusão 

Últimos invernos à conquista a alma

Diante do conselho dos traumas 

Memória e os dilemas dos becos 

Escreve a carta ao fundo da noite 

As ironias que a idade se presta 

Que aponta para escrito resignado 

Dizem que são memórias póstumas 

De um morto distraído

Aí a questão, qual óbito se refere 

São tantas nessa vida Severina 

Que João Cabral virou poeta 

Quantas a salpicar no verão 

Invernos declinando a depressão 

Porque justo no outono perdeu meta

A tempo não esperava a estação de flores

Morte e castração ou Ode ao desiludido 

O certo que estava em falta com a noite 

Mais complacente que de costume 

Por conta do calor da idade

O rei estava nu.

A carta continha conquistas e saudades 

Mas o pano de fundo no fundo da noite Pra que fui no fundo ,dor

O leito encantado do amor.

*

FRÊMITOS DO ILÊ. SÉRGIO CUMINO