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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

CAMINHADA DO POVO DO SANTO


CAMINHADA DO POVO DO SANTO


O povo dos Ilês caminha

Levando no peito orgulho

Aos ventos cantigas de Fé

É sol tamanho sua alegria

E das janelas vêem múrmuros

E venha junto quem quiser

 

Em passos rítmicos cantam

Com contas, ração e turbantes

Vibrando ondas ao Olorum

Sorrisos que todos encantam

Subverte a moral intolerante

Nos Caminhos talhados por Ogum


Brandindo o passeio ao norte

onde reina irmão de Ode

Rio de pessoas de branco leito

Viver Orisá é nosso Consorte

Que nossos Autos são de ASÉ

Força d’alma contra preconceito


Mãos dadas nossa corrente

Diferente daquelas das senzalas

com nossa alegria ninguém pode

A liberdade é nosso ventre

Fundadas em arvores sagradas

É a benção divina que nos cobre


Embalado pela magia do tambor

Nas ruas passeio de fundamento

São as energias do lindo manto

Nossa resistência esta no amor

semblante de nobre sentimento

Divino passeio do povo de santo


Mãos dadas formam laços

De famílias de outros ventres

Os Ilês nas ruas da Bahia

Nação pede por seus passos

Preconceito sabe quem sente

Lavem os caminhos que nos guia

Sérgio Cumino - O POETA DE AYRÁ

Dedico esse poema, ao CEN Coletivo de Entidades negras ao amigo Marcos Rezende, e todas entidades coirmãs na luta pela liberdade Religiosa .Asé!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

FEROMÔNIO DA PALAVRA

FEROMÔNIO DA PALAVRA

Feromônio que me invade

Como sol que adentra o quarto

Raio macula a minha trindade

Destrona a falsidade divina

Desordena a discrição coletiva

Torna doce meu conjunto amargo

No calor plebeu que atina

A chama nova do âmago

Entorpece o desejo que afago

Esfumaça o medo que me retinha

Torna nobres os meus demônios

Feromônio que me invade

Desperta o poético no safado

Liberdade anárquica no humano

Como sol que aquece o plexo

Acalora o tesão e seus sinônimos

Faz da palavra chama acesa

A flecha de desejo cravado

E o sangue pulsa meu sexo

Tornando-nos uno pela química

Ao grito do silencioso estalo

Acorda da caverna o instinto

Feromônio que me invade

Entropia da ordem cívica

Discurso gemido sem nexo

Com suspiro que me calo

Harmônico uivo desafinado

Hidratado na quente gruta

Temperada com cada verso

Tributo da erótica mímica

Fascínio da primavera que se sele

Quando hormônios estão no ar

Faça as malas da tensão

Feromônio que me invade

O esquecimento da labuta

Vive-se a vontade intrínseca

Do Toque a flor da pele

Paradigmas em plena luta

Luz que banha cada víscera

Todas as estações o pólen

Pelos ventos são alçadas

Que conjugam o verbo amar

Chave encantada de cada tesão

É o feromônio das palavras.

SÉRGIO CUMINO

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

TRANÇANDO CACHOS


TRANÇANDO CACHOS

Na trança, quente que nos assanha

Com trama, bailada pela cama,

Laços a invade, com macho de cachos

Desejos absorvidos, suspiros, e pelos

Envolve-me, me chama seu cio, me consome

Engole-me em sua gruta... Num embalo, num porre

Os gemidos são musica como sussurros perdidos

Que grita pelo meu phalo, quando corpo levita

Invade mergulhos pedidos, para que perna me abrace

Fica tremula em pirofágicos gozos, nos pontos da fêmea

Fica louca, ternura amada, no beijo na boca

Deliciosamente safada, sem pudores pelo que sente

São suspiros nascidos desse poeta atrevido

Faço do desejo uma trilha, e dos corpos abraço

Prelúdio do calor interno há um chamado sutil

É a garra do querer, na caricia que a afaga

Dedo escorrega o fascínio, rompendo medos

Pincel que desenha o corpo com o incolor do mel

Faz da alvorada mistério e a noite sagrada

Roço menina, contorno sua sensualidade felina

E que meu corpo, fique sobre o deleito solto

Seu querer é partitura da melodia de ser

Meu amar é a sinfonia harmônica de estar,

Visto sua mascará e interpreto sua alma

Dialética dos quereres na grafia do seu sorriso

Deixe sua mão brilhar na nossa arte de se amar

Deixa seu gemido cantar, o orgasmo estampido

E sente como ele te dança para você eloqüente

Pulsa o amor de sua natureza em uma quente salsa

Mexendo sobre mim, seu o rio, a onda o vento

É o som do acalento, somada a oratória do silencio

É o conjunto dos desejos, que cria nosso mundo.

Sérgio Cumino


quarta-feira, 15 de setembro de 2010

MEL

MEL

Quero seu mel,
Na coreografia dos seus desejos vividos,
Quero seu mel,
Na musica do seu gemido melódico,
Quero seu mel
Que mina do seu corpo querido
Quero seu mel
Como banho de minha alma,
Quero seu mel
Para amor ser nosso código
Quero seu mel
A criação de sua fauna
Quero seu mel,
Como benção de todo seu céu,
Quero seu mel
Que regue amor amado
Quero seu mel
Para sorver-te mulher
Quero seu mel
Por toda graça untada
Quero seu mel
Para arte dos corpos gozados
Quero seu mel
Como fonte do seu querer,
Quero seu mel
Numa úmida cavalgada
Quero seu mel,
Para o tempo esquecer,
Quero seu mel,
Que seu querer me mele,
Quero seu mel,
Para entrega do meu ser.
Quero seu mel
Na química da pele
Quero seu mel
Como ouro do amar
Quero seu mel,
Como seu amor terno,
Quero seu mel,
Pra meus sentidos vibrar.
Quero seu mel
Aquecendo nosso inverno
Quero seu mel
Para que de vida o meu caos,
Quero seu mel
Para nossos corpos assanhar
Quero seu mel
Além do bem e do mal
Quero seu mel
Onde os corpos se fundem
Quero seu mel
Como liga pra abraçar
Quero seu mel
Como gozo de plenitude
Quero seu mel
Para que não marque apenas o lençol.

Sérgio Cumino

terça-feira, 7 de setembro de 2010

JULIANA’S

JULIANA’S

Quantas vezes hei de suspirar seus dias

Inspiro-me na sua bela graça nascente

Anos que constroem passos de nossas filhas

Entrego-me a seu colo macio e poente


È o movimento da Juliana em mim

Simultaneidade de todos seus sentidos

Quantos dias formam seus jardins

Quantas noites serestas seus gemidos


São anos que passam em bemol

Melodiosa edifica meu amor

Escrita no movimento do girassol

Alimenta meus sonhos corpo e calor


Juliana’s de ti nasce formosa na Carolina

Nos seus passos, medos e jeito de olhar,

Na doçura, Juliana reluzente de mina

Solidárias preguiças da sua manha de ninar


 
Pra celebrar seus anos deixo para Camila

Nossa sapequinha a Julianinha caçula

chama a Mãe boba, linda, mamãe minha

Que pelo materno carinho lê-se até bula


 
Somos as flores que namoram seu sol

Sementes de um amor que germina

A Milinha agarradinha com a Carol

Nina nossas ninas com bela cantiga


 
São os botãozinhos que naninha deu

A cada sorriso é pique é pique

Toda hora é hora para um beijo seu

Por a mesa é diário pique nique


Parabéns pelos sonhos que sonhei

Que todas as datas sejam queridas

Juliana que fez o melhor que cheguei

Dona de um sorriso que cura feridas


Acompanha o sol em sua dança

O astro que a faz linda mulher

Com sorriso que te mostra criança

Sou entregue ao carinho que me der


 
Parabéns pelos anos de louvor

E por nós, que por ti cresce

Juliana que pulsa no trovador

Cantando o que lhe engrandece.


Salve Juliana sua data querida

E tantas lindas que estão por vir

Trinta e cinco de vida vivida

Quanto ao meu amor, só basta sentir.


Sérgio Cumino

sábado, 28 de agosto de 2010

AUTO DA BARCA DA NEGRA BERNARDES


AUTO DA BARCA DA NEGRA BERNARDES


Recebi um gesto de varias eloquências
A poesia pode se considerar uma por excelência
Tem também a força mágica que vem do pensamento
Aquela que Oyá trouxe com seus ventos
Flutuando nos ares cuja missão é o acalento
Como a graça das folhas encantadas
Despertar das mentes apaixonadas
Existe aqui reencontro de cada um com si
Mas antes Iyamassê fez submergir no Orí
Aquela arca esquecida nas profundezas do mar
A palavra poética é a chave e o tesouro é amar
E com suas doces mãos entrega-me o machado
Para que rompa as cordas que me vejo atado
São os mistérios guardados em nossos oceanos
Que nunca são os primeiros em nossos planos
Ai o encanto da Negra Bernardes faz lembrar
Através da graça do poema Memórias Do Mar
“Hoje é calmaria que dorme dentro do coração”
E você Nega é a maresia que me enche de emoção
Quando procuro o balanço social da nossa rede
Quando sentia minha alma com fome e sede
No momento em que sinto perder a majestade
Vivendo furacões, tornados e tempestade
Surge em versos a bonança que me acaricia
Me coloca a busca da pesca farta que havia
A premissa que “navegar é preciso”
Que basta abrir a mente e o sorriso
Que o mar da vida saberá ser generoso
A poesia é de fato um carinho honroso
Que faz o humano de todas as raças
Em uníssono harmonia ao signo da GRAÇA.

SÉRGIO CUMINO - POETA DE AYRÁ

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

CANDURA DA MENINA BAIANA

 

CANDURA DA MENINA BAIANA
 
Candura da menina baiana.

que embeleza a Iris do olho

Que o sorriso se abre como flor

Moleja Feira de Santana.

Essa baiana que tem,

Brilho dourado do ouro

Formosura e muito amor

Coisas que vão além.

Encanta o dia a dia de Salvador

Mais linda dos meus suspiros

cuja graça eu digo amem

Torna-se diva, estrela e girassol

Nasce da flor seu sorriso

Como a orla sorri para atlântico

Os pássaros para o céu

Desperta vontade de voar

E sob a luz do farol

As mãos se abraçam

No passeio demarcado na areia

Numa ternura a beira mar

De Osun herdou o mel

Sob a lua o par romântico

Essa baiana resplandece

Como graça de Iemanjá

Sua boca doce de lê lê

Encantos de sereia

A marola acaricia o caminhar

Como a poesia e lirismo
 
 que faz das notas alma

Falamos de Marx, Freud

Campbell, mitos e orixás

Junto ao corpo quente dendê

No tempero da candura baiana.

Mas doce como laranja lima

Surge o silencio que acalma

Não a quero para mim

Intensa pausa me sacode

Vontade louca que altera o ar

O que quero é estar em ti

O Cosmo que em mim Eclode

A marca que no peito assina

As bocas colam para levitar

Na Bahia de todos os amores

Afirma-se o verbo amar

Num conjunto de tons e cores

Onde meu querer é sina.

Sérgio Cumino - O Poeta de Ayrá.


quarta-feira, 11 de agosto de 2010

AVE BERNARDO

AVE BERNARDO




Carregue a força meu nego
A começar por janeiro
Com sabedoria de Osalá
Que o ampare com seu manto
Leve a paz companheiro
Como virgem Maria ao santo
Seja líder de grandes blocos
Como aqueles de fevereiro
Coloque em pratica o que sabe
Na assembléia seja arqueiro
Como Santo do teu nome abade
E que as águas de março
Seja a benção das Yabas
Para enfrentar os percalços
Porque demanda não faltará
A começar por abril
Se apegue a espada de ogum
Para desbravar o caminho vil
Vencendo desafios de um a um
Para Que Represente a raça
Com sua pedra de raio
Arquétipo de Sua energia
Vibrando sua voz na praça
Ícone no mês de maio
Onde classe operária sacia
As conquistas que tardia
O signo da luta esta no punho
Projetado como seu machado
No calor das fogueiras de junho
A mão que projeta com gosto
Na mão dos mais velhos fica afago
porta vozes de nossos ancestrais
Abençoando os muitos Olubajes
Que lutara por muitos agostos
Para que fome nunca mais
E quanto aos projetos toscos
meu irmão empunhe sua caneta
e coloque o preto no branco
Afirme cada desejo negro
Lute pelo mundo plural
Como a primavera floresce setembro
Semeie por um mundo justo
Osalá no coração é a Bandeira
Que a alegria vença a peleja
No mês da consciência negra
Que o abraço seja nosso templo
Entre gêneros e etnias
Nossa fé seja sua estrela
Que as lutas sejam vivas
Que os balanços de novembro
sejam conquistas afirmativas
Para que o sol de dezembro
Brilhe a pele negra
Em sol de novos tempos.
Faça de sua aldeia seu ninho
De cada passo gesto de amor
Como São Bernardo de Claraval
Lute por esse povo com carinho
Da terra do Carnaval
E faça mais bela Salvador.
SÉRGIO CUMINO - POETA DE AYRÁ
FOTO RETIRADA DO SITE : http://sergiosaobernardo13310.ning.com/



quarta-feira, 4 de agosto de 2010

PAI

PAI

Meu pai, meu sol e vida
Sou o barro que você moldou
Que pega na minha mão
Faz-me criança querida
E leva-me a luz do mundo
herói das brincadeiras de fada

Volta a ser como eu, criança,
 para me por a dormir
Fazendo-me sentir broto 
Dando-me paz e esperança
Seus olhos meu horizonte
Seu colo é minha montanha

Sua luz é minha fonte
A paciência com minha manha
é o mimo gostoso de fazer rir
Doa seus sonhos para meu céu
Sabe que um dia voarei do ninho
Na malinha levo seu saber

amor que é natureza e mel
E muito mais que nem imagina
Meu peito continua seu jardim
É de onde brota o aprender
E lá na frente, sentirei em mim
Que estarei pronto a sair e viver

Sou plantinha que cuida e cresce
olhar terno e um abraço forte,
Fará dos meus dias uma prece
Para guiar-me ao meu norte
Pai sua mão que ampara balança
Mostrará que em tudo há Deus

E seu impulso me lançará ao vento
E tão rápido como um susto
Crescerei com o amor e esperança
Verei em mim gestos seus
Aprendendo ser amável e justo
É o alimento de onde venho

para seguir ao desejo de ser
Uma estrela nesse parque da vida.
Com roda gigante que sobe e cai.
Fecho os olhos e sinto a brisa
E quando já grande sabendo vencer
Com sabor doce da palavra PAI.
*
 SÉRGIO CUMINO - 
INVERNO REVERSO