ESSE BLOG NÃO PERTENCE SÓ AO POETA, ELE É DE TODOS NÓS

domingo, 8 de maio de 2011

MÃE ROSA


MÃE ROSA
“NENGUÁ JUFUMIN DE UNZAMBE”

Mãe zeladora dos caminhos

O elo das forças opostas

A harmonia da pétala e o espinho

Imersão nos mistérios KAVUNGO

Altivez da sua copa

Transcende-nos as alamedas assombradas

Integra o nosso corpo com outro mundo

Afaga caminhos de maganza de zaze

Mostra que somos sementes que brota

Após as trilhas marcadas vem o pólen

Adiante do desígnio e rejeição

Torna seus filhos mirantes do além

Ah! Divina roseira

AH! NENGUÁ JUFUMIN DE UNZAMBE

Com amor ensina devoção

Faz-nos crédulo das forças das folhas

Ensina que obstáculo começa na porteira

Mãe nova de santo velho

Como a Mãe terra e o olorum

Sabe o poder do punhado de feijão

E todo encanto do espelho

Faz o axé acompanhar nossas escolhas

E como arrebata o mal da soleira

Porque cada filho é um

Ah! Divina roseira

Mãe zeladora dos designíos

O elo das forças nossas

A harmonia do homem e os signos

Dá-nos equilíbrio na vida faceira

Mãe, Ya, NENGUÁ e flor.

Dá-nos seu colo, afago e roça.

Seu UNZÓ plantado em Salvador

Manifesta a divindade da aroeira

Desponta um mundo com AMOR.

SÉRGIO CUMINO

Kafungo = a Omolu
Maganza de zaze= iniciante filho de Xangô
NENGUÁ JUFUMIN DE UNZAMBE = Nome de zeladora de Mãe Rosa dentro dialeto.
Ya, Nenguá = Mãe.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

A DANÇA DA MÃE COSMICA

A DANÇA DA MÃE COSMICA

A mão conduz a dança da vida

Reggando o par dançante

Desliza sobre a barriga

Amor de mãe que se sente

Ciclo d’alma da orbita uterina

Vivencia a dança do ventre

Amor e graça da mãe é sina.

Dá-se a luz na pista do mundo

Seja conservador ou emergente

Sob o disco branco em passos lunar

Dentro da noite quando o sol arriba

Posto no colo zookando até ninar

Cresce forte com sopinhas melódicas

Batuque de colher espalha a papinha

Requebrando a postura alternando o pé

Já estou criando meu próprio sambinha.

Mas minha mãe sempre ensina

Quando a tristeza vira prosódia

Troque o choro, por uma bela salsa.

Deixa-me pronto aos ritmos que vier

Ah mãe quando dança para mim

Cantiga sagrada para ensinar a fé

Seja vestida de chita ou de cetim

Mostra a coreografia do mundo

Assim aprendo a cortejar como tango

Acariciar como a Valsa.

Amar como Flamenco.

Doar-me como brincadeira de ciranda

Sejam todas danças que escolher

Seja duquesa ou lavadeira

Seja Ballet clássico ou gafieira

Será sempre minha Terpsícore:

Mãe deusa da dança

SÉRGIO CUMINO









terça-feira, 3 de maio de 2011

VONTADES TEMPERADAS

VONTADES TEMPERADAS

Vontade de
Acariciar seu rosto,
Fitar seus olhos,
Encontrar meu posto
E buscar seu melhor beijo
E velos surpreendidos, lábios sedentos.
Esses sentidos mundanos
E cortês, sagrado e profano.
Anseios e rebentos

Vontade de
Sentir seu cheiro
Provocar seus pelos
Acender seu plexo
Voar onde o corpo levar
Arrepiar seus seios
Fomentar os nexos
E renascer tudo
Dissertar encantos estando mudo

Vontade de,
Que os sinais despertem
Romper os fios que tecem
A trama de nossos medos
Leva-la além do que sei
Adentrar na caverna sagrada
Com desejos que me valei
Lambida das auras amadas
Acender as chamas de nossos trevos

Vontade de
Entrelaçar as pernas
Desafinar o canto
Aos arranjos melódicos do seu gemido
Fazer juras eternas
Ser salva pela ignorância
De códigos e regras severas
Pureza da entrega ao meu acalanto
Nascer Fêmea de sabor lascivo.

SÉRGIO CUMINO









sábado, 30 de abril de 2011

A QUEDA EM EVAS MODERNAS


A QUEDA EM EVAS MODERNAS

Esse mundo que caminha.
Com fálico poder a frente

Ousado aliciador, engatilha.

A vivência no curso em vias

Herda o dolo do mito da serpente

Por aceitar a dialética da ciência

Saber encantos do desejo ardente

Condenada ao mau agouro que trilha

A eterna culpa da subserviência

A mulher é mãe que germina

Num mundo de desenhos insolentes

Como escrituras de véus terrenos

Faz virtude sua carência,

Couraçada em meios plenos

Como ato de sobrevivência

Mas quando ha conquista

É você mulher, que determina.

O Deus que te aspira

Seja qual for sua sina

A sobreviver nos limites das ameaças

Império da lei que inspira trapaças

Hospedam sua alma num internato

Para que nessa guerra injusta

Não se justifique os maus tratos

Tirando a divindade de seu ventre

Se o que a salva esta além

Implantam-te olhos alheios

A criação é o que você vê

Não cerâmica de medo e angustia

Amoldada para ser altar de amém

Fé que prolifera fornalhas.

Abocanhe os frutos que desejas

Há neles ancestres em totens

Que atende a força do seu grito

Que a faz eterna Gaya.


Sérgio Cumino - Poeta de Ayrá

sábado, 23 de abril de 2011

UMA VEZ MUSA SEMENTE ETERNA


UMA VEZ MUSA SEMENTE ETERNA

Mulher sua graça já não é mais sua
Uma vez que a palavra é cantada
Não tem mais volta

Mulher sua graça a revela nua
Uma vez que tocada pela rima
Em outras muitas se atina

Mulher que pelo poeta, flechada.
Uma vez como flor é sina,
faz-se nua a outras graças

Mulher de lábios carmim
Uma vez que sentido salda
Reverbera como pedra n’água

Mulher Semeia sonho por ser assim
Uma vez que torna fótons integrada
Fêmea de luz forasteira

Mulher seu Manto que reluz
Uma vez fábula singela, afaga
Como sombra de parreira

Mulher de essência generosa
Uma vez lida a toda prosa
É vinho que enaltece o mito

Mulher de lisonjeio semeado
Uma vez no astral dança seu rito
É pólen ao vento soprado

Mulher de brilho desejado
Uma vez cobiça de divas
Por inspirar o poeta apaixonado

Musa mulher de luz emanada
Uma vez escrita à candura
Vai além da poesia declamada.

SÉRGIO CUMINO





domingo, 17 de abril de 2011

OLHAR DO POETA

OLHAR DO POETA

Um olhar sem cobrança

O que não vê, senti.

Em meio a uma bruma

Desfia o couro criado

Despe o discurso amado

Mar, onda de espuma

Não é intruso

Apenas te banha

Não apavora

beija e assanha

Acalma o confuso

Afaga, abraça, consola.

Um olhar além

Quieto, vem da mente

Ignora seu medo aquém

Sai do silencio desse ente

Que te olha sem vicio

Um olhar de fé

Singelo e transparente

Autentico arquétipo de Odé

E faz de si o principio

Olhar que floresce

Em si tempo esquece

Há um foco amigo

Criança, puro, atrevido.

Que subverte as leis

Do clero, do pai, do rei.

De natureza despojada

O beato o chama proibido

Faz certo o talvez

Um olhar mirado

Amante e amado

Consciente sem conteúdo

Sem formas ou critério

Base do seu restauro

O nada por ser tudo

Olhar que flecha

O desejo centauro

Onde haja fundo

Olhar de poeta

Que atravessa outro mundo

Mostra a graça a bela

O que outrora nulo

E todo mito que atrela

Um olhar que te entra

Lhe da ferramenta

E depois você explora

Sem posse sobre a alma

Sem julgamento de qualquer forma

Além do ego e história

Redescobre a vida meritória

Que te chama e te olha

Em nuvens sem trama

Onde não existe magoa

Que toca e ascende

Excita e te molha

Do calor de sua agua

Recria-te eterna e sempre.

SÉRGIO CUMINO



















quarta-feira, 13 de abril de 2011

BOCA DE AVELÃ

BOCA DE AVELÃ

A boca que me entrego
Que atrai e me embrulha
Os lábios que os meus esfrego
Até sair fagulhas
Que me engole, e me bole.
Como taça de magia
Essa boca faceira,
De fêmea rendeira
Com graça me sorve
Que me ouriça e não nego
E meu sentido patrulha
Por essa boca renego
Qualquer couraça
Que venha me encarcerar
Eu voo plaino, me liberto.
Um carinho que sabe molhar
É o banho da saliva límpida
Faz da minha boca gruta
Para dança da serpente
O aconchego de sua língua
Envolve-me como laço
No sabor de hortelã
Minha boca, o ventre.
O céu que embarque
Seu cometa ardente
Que sabe acariciar
Recria-me como espaço
Entrada e saída cíclica
Que ensina a arte de beijar.
Com adocicado de avelã
SÉRGIO CUMINO



domingo, 20 de março de 2011

FEITIÇO EM GOTAS



FEITIÇO EM GOTAS



Bruxinha
Performática
Maldita e meiga
Maldita e serena
Maldita em comportas...



Voa...
Na vassoura de veludo
Sobre esteiras de morango
Voa...
Bem alto mais alto
Que limites explorados
Borbulhando calor
Em convulsões e espasmos
Contaminando com poções mágicas
Encanto de felina



A fêmea suspira em nuvens
Que repousa
No deslizar de pernas
Alimenta-se com
Dúvidas de perspectiva
No deslizar do olhar
Faz jeito de que deseja
No deslizar de passos
Fluindo o andar sensual
De quem pisa em palco
E sonha milhões de carícias



A pequenina e grande felina
Selvagem de lábios
Que envolve os impulsos
Ao som de seus desejos
Sensível aos toques,
Abraços de afago gostoso
Contidas no enigma
Do dialeto físico
Cheio de encantos
Magia da pele
Feitiço em gotas.
SÉRGIO CUMINO..

domingo, 13 de março de 2011

EM CURSO DO AMOR.

EM CURSO DO AMOR.

Passei pelo sul
Para entregar-me a sorte
Passei pelo norte,
Em busca do seu corpo nu
Passei pelas saudades
Viver a excitação de amar
Passei pelas cidades
Para lembranças levar
Passei pelo virtual
Em ondas por ti surfar
Passei pelas redes
Para seu beijo pescar
Passei pelo mito
Sentir arquétipos dançar
Que passei pensando em ti
Nas mil formas de te buscar
Passei pela biblioteca
Entre estantes te abraçar
Fazer um amor moleca
Passei pela poesia
Para nos amarmos em versos
Passei pelo rito
Para entender os encantos
Que invadem meus sentidos
Passei pelo espaço
Para viver essa sintonia
Passei pelo meu sentir
E trouxe você para mim
Passei pelo rio
E flores a oxum ofertar
Passei pelo seu corpo
Para minhas mãos cursar
Passei pela sua respiração
Para vê-la alterar
Passei pela sua nuca
Para suas aguas brotar
Passei pelos meus medos
Para nossos desejos aflorar
Passei pelos seus seios
Para mamilos ouriçar
Passei pelos seus suspiros
Para te excitar
Passei pelos meus sonhos
Para seu corpo beijar
Passei por ti
Para meu desejo continuar
Passei pelo amor
Para seus olhos brilhar
Passei para encontrar
A mulher que molha seu céu
Para minhas mãos afagar.
.SÉRGIO CUMINO