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domingo, 11 de setembro de 2011

ABRAÇO MÁGICO

ABRAÇO MÁGICO

Ah loucura que me abate
Tira-me do eixo para orbita da vida
Saltam os pelos com gritos de vitória
Pulsa o amar como corredeiras da serra
Delícia de aconchego deitados na lua
Insanos se deparam as cataratas do gemido
Com o ar rompido, com tanto tesão a mostra
Sinto-me atrevido!
A noite não é testemunha, é também amante.
Envolvente, faceira, ilustradora da história.
Desliza mais desejosa a cada instante
E o vento que ouriça os bicos e lambe as costas
Refresca as gotas de suor que desce a colina
Hidrata todo o calor magico de amar
Mistura ao seu corpo formando um novo gosto
O tempo para porque nem ele pode passar
Sem a ousadia da boca, contornando a virilha.
Sem cheiro na nuca, suspirando a retina.
Sem sentir o sabor do gozo num desejo louco
E a alma fica excitada quando silencio sussurra
Mutante menina, que vira mulher fogosa felina.
Salta em meu colo com o dorso solto
Sobre a gangorra suga a gulosa vulva
Forma – se um bale de toques e carinho
Mãos contornam os arrepios das curvas
Para os desejos a oferenda é o vinho
Perfume são fragrâncias da úmida mata
E a língua a invade com doce da uva.
Sérgio Cumino

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

RELUZIR


RELUZIR


Não se entregue dessa forma
É mais que o espectro lá fora
Que afasta o ser do seu mundo
Acaba a magia do espirito puro
Consome inteiro desde cedo
O que sente, a sombra ignora.


Insira luz nessa penumbra
Para que desapareçam os medos
Fique com seus infernos
Cuide-os como a si mesmo
Os mantenha longe dessa regência
Para viver, sinais internos.

Não seja mais o que era outrora
Servidor dessa patrulha
Cujo falso poder assola
Que não passa pela agulha
Ninguém precisa desse Reino
Feito com alicerce de objetos

Não deixe mais que esse manto
Protocole, aprove controle.
A sua interna inocência
Criar antagoniza toda a farsa
E faz nulo o velho cancro
Todo fantasma dessa barca

Perdoa-me a displicência
Viver regenera a graça
Solte-se ao cosmo busque o além
Bem longe desse tormento
Lança-te num incerto precipício
No divisor de aguas alcança

Que sua alma seja Rei
Liberta as diferentes faces
Entrega-se a boa aventurança
De uma vida sem disfarce
Seja mais que curso, fim e inicio.
Seja vida e eterno movimento.

SÉRGIO CUMINO - POETA DE AYRÁ

domingo, 4 de setembro de 2011

MÁSCARA INFIEL

MÁSCARA INFIEL
 

Vem como um redemoinho
Arranca a paz cá dentro
Interfere no meu desejo
Abandona o eu e meu ninho
Tira- me do meu centro
Num sei mais o que pareço
É o lacaio do mundo externo
Roubou a poesia do meu eixo
Com resoluções em chip
E suga o que há de fraterno
Com as tribos encouraçadas
Com Despotismo das grifes
E os outros nossos infernos
Faz de mim, código de barras.
Num emblemático design
Com seu temor e suas amarras
Perpetra a persona ao login
Um programa que tira o rumo
Fundamentalista já no berço
Com as regras da abstinência
Move-me como peças de seu lego
Moldou-me com a fôrma moral
Minha imagem no seu prumo
Faz de mim uma vida de carências
Da minha máscara virtual
Reduz meu fogo a fagulha
Uma eterna cara de paisagem
Maneja em limites o orgasmo
A sua tormenta por um Download
Bunda de fora de tanto baixar
Carranca com expressão de asno
Ser livre meu ser nunca pode
Pensar em viver eu me nego
Jeito moderno d’alma definhar
Sob o marketing do ALTER EGO

SÉRGIO CUMINO - POETA DE AYRÁ

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

SONHO DE MENINA

SONHO DE MENINA

Menina dormindo
No mundo dos sonhos está
Acompanhada de suas alegrias
No centro da  roda à dançar
As fadas ao seu redor estão
Para ela não acordar

A ciranda tão animada
Faz todos a ela se juntar
Gnomos, borboletas e princesas.
Estão presentes no lugar
De pares em pares chegam
Para a festa não acabar

Grilos na banda tocam
Musicas ao luar
Em cima de um cogumelo
Com os vaga-lumes a iluminar
As estrelas também participam
Lá em cima a brilhar

Em todo o mundo dos sonhos
Festa igual não há
Com convidados encantados
Todos a festejar
Aquele belo sonho
Enquanto a menina está a sonhar.

CAROLINA DO NASCIMENTO









segunda-feira, 29 de agosto de 2011

QUERO DAR UM CHEIRO

QUERO DAR UM CHEIRO

Quero dar um cheiro nessa flor
Primeiro com o olhar
Para o aroma dilatar as pupilas
Com toda fragrância felina
Com as mãos de jardineiro
Como brisa matinal
Acarinhar suas pétalas morenas
Delicia de aroma menina
Fez-me despir por inteiro
Diante do brilho dos olhos
Arrebata com a leveza da pena
Quero cheirar essas mechas
E declamar a poesia do silencio
Como tranças cheias de amor
Quero contornar esse colo
Entregar-me ao ouriçar dos seios
Que apontam como flechas
Que penetram meus desvarios
Quero os segredos desse solo
Que exala de sua pele
Roçada com meu calor
Entrego-me não penso.
Mergulho lago encantado
No repouso de suas águas
Semeada numa terra divina
Com cachoeiras cristalinas
Melo-me em água sagrada
Assim que chega a mim
Como sol que aquece
E me queima com ardor
Que aconchega a alma alada
E seu raio rejuvenesce
Flutuando que te quero
Num movimento sem fim
Com suor que a rego
Quero cheirar essa flor
Num estado delirado
De um corpo tomado
Por uma mulher em êxtase
Com a Profusão das auras
Mistura dos olhares
Elixires amalgamados
Meu colo te pertence
Faz-me ser de muitas faunas
Com mel temperado
Pela saliva amada
E seu Corpo é massageado
Explorando sua flora
Como semeio terra sagradas

SÉRGIO CUMINO

sábado, 27 de agosto de 2011

OLHOS VENDADOS

OLHOS VENDADOS

De que adianta os olhos vendar?
Nem a venda cabe reprimir
Toques fazem arrepios
Os sentidos cantam livres
E a pele põe a sentir
Num ato em que vibres

A quem roga por calar?
Não faça do outro, o medo seu.
De que adianta não falar,
Se o olhar denuncia,
A palavra assedia.
Cresce mais o desejar

De que adianta disfarçar?
Faça saboreado, o gozo seu.
Para não virar caixa vazia
Numa noite sem matilha
Entregue a águia rapina
Como o mito de Prometeu

Porque tanto “pode não pode”?
Seu corpo é sábio
Seu vento homem sacode
Unidos num sensual laço
Num balé cheio de fome
A sorver o mel do lábio

Porque faz do novo, perigo?
se pensa preservar amor perdido
E que a couraça não se rompa
Assim jamais viverá seu, apogeu.
Nem despirá toda roupa
Para seu amado atrevido

De que adianta tantos conformes?
Assim leva o corpo em lapide
A uma paixão que explode
Em vontades de te amar
Calores que te subiste
De poder te fazer melar.

SÉRGIO CUMINO

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

JORNADA DA ALMA

JORNADA DA ALMA


Viver é a prosa com a jornada
Saborear tudo que há na lida
Se ativer ao silencio falado
Calejando seu pé andante

Que ilumina essa rotina apagada
Ascende o mistério que investiga
Reverencia a lua crescente
Mais sentido do que avistado

Que lua, você notou?

A força da alma ao espirito castiço
Atento ao passo que dará adiante
Lei que não era torna ser, o que sou.
Agora me observas de tanto olhado

Vivencia o sonho mestiço
Protagonista da busca bandeirante
Pulsa a própria essência sem labor
De pé na terra, cheiro de mato.

O ar que respira, voa ao infinito.
Sinto-me cometa que aponta horizonte
Seu olhar faz o sonhado, real sonhador.
Transforma a qualidade a cada ato
SERGIO CUMINO - POETA DE AYRÁ

terça-feira, 23 de agosto de 2011

NESSA JANELA

NESSA JANELA

Nessa janela, brilha Fêmea.
Como um raio de desejo
Que invade o recinto
Com feminilidade dourada
Com meu querer lampejo
Minhas células em coral
Vibrante do que sinto

Nessa janela brilha o sol
Como um astro em passeio
Como o palhaço Carlito
A razão indo à caminhada
Dá-se inicio ao primeiro beijo
E imagens de vontade animal
Pensamentos como labirintos

Nessa janela brilha os lábios
Que pedem os seus seios
E deixa - os em pino- ouriços
E arrepiados como amada
Aos seus encantos me arqueio
Como mestre sala de carnaval
Conduzo-a com meus instintos

Nessa janela brilha carmim
E a luz visita o traquejo
Desmistifica meus vícios
Recebe a poesia que aflora
Deixa-me todo cambaleio
Entre sonho e o real
Mistura o eterno feitiço

Nessa janela brilha Olhar
Descreve-me onde não vejo
Encaminha-se a novos inicios
Faz a vida ser agora
Atira-se roliço e certeiro
Numa excitação original
De palavras e rabiscos.

SÉRGIO CUMINO







domingo, 21 de agosto de 2011

CASTELO ASSOMBRADO

CASTELO ASSOMBRADO

Ausência vilã de toda saudade
Hálito frio do vácuo no estomago
Eco do - cadê você? Vibra por dentro
Mistura ao cantar calmo da chuva fraca

Amalgama além do tempo e idade
                 Aconchega-se em profundo cântaro                                
Declarando o encontro com o centro
A poeira do pensamento abraça

Um dueto em passeio pelo universo,
Para que se deguste essa paixão
E o Calor desapega dos fatores,
Os que barram, com blitz da alma.

Preenche-se o vão com cada verso
Porque o Amar é flutuar em ação
Mistérios é o encanto noutros valores
Falei para o vento que sinto sua falta

Em traços livres o sabor do amor
Do amargo medo ao caramelo desejo
Sua luz aqui é o carisma da imagem
Amago que ilumina nossos  assobradados

Abraçados no desenho do vapor
Meu corpo roga pelos seus lampejos
Edifico o castelo na linda paragem
O vazio acaba quando apaixonados.

SÉRGIO CUMINO