NOITE DE ALMA VAZIA
Nessa noite me senti vazia
No eco do pensamento
Nem minhas manias
De vestiduras morais
Preencheram o vácuo supremo
Com seus lacres de julgamento
Que a toda vida me entalo
Agora como agua de sarjeta
Vira canoa sem remo
Escorrem pelo ralo
Tudo por uma boca mundana
Que assume o meu sonhar
Subverte diretrizes outorgadas
Aí tornou insólita minha vida solida
E úmida minha vontade pudica
Uma rebeldia que se nega
A couraça da repulsa
Coro dilata minhas têmporas
E amolece minhas pernas
Nem sei se esses lábios
Por quem meus pensamentos duelam
Cantem desejos por mim
Que demônios são esses?
Que me atraem a essa boca vadia
Simples sonho o beijo toma forma
Aquece-me, me morna,
Com maestria meu medo esfria
Meu cálice transborda
A imagem da boca grita
Preencha sua vida vazia!
SÉRGIO CUMINO - POETA DE AYRÁ








