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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

MULHER FLOR DE MIM

MULHER FLOR DE MIM
 Essência que vem nas flores.
exala fragrância e cresce
junto com  o aroma da lavanda
em passos ao jardim da ternura
deseja, como orquídea floresce

  Pronta para grandes amores
caule que requebra leve
sensual ao vento que anda
faz  frescor  na menina candura
sorri o riso cativo moleque

 Pela bela e os seus sabores
contempla, alimenta, celebra
as folhas em linda dança
nos sonhos da sina pura
Sensação que nunca esquece

É flor de muitas cores
que colore os raios do sol
sem a renuncia triste
da  dama das camélias
personifica o original

Toda ruptura tem suas dores
quando a anistia desabrocha
a vida ensina como riste
e o casulo da lagarta estreia
                 viver se torna um festival                

Não importa os rumores
esteja onde estiver cabrocha
o silencio grita por silencio,
na travessia do arco Iris
com a vigília do girassol
   
E pode tocar os tambores
São as palavras inarticuladas
pela  passarela de Oxumarê
e tudo aquilo que você não diz
como  arte zen do arranjo floral

É emoção em muitos louvores
voo das paixões aladas
como uma prece que a fé profere  
    para sopro sortir  o pólen
de sua face de pétalas serenas

O vento rege seus tremores
para  a calmaria das palmas
e o amante beija flor percebe
a intuição descobre-se o além
nos leva para onde vale a pena
SÉRGIO CUMINO

domingo, 12 de fevereiro de 2012

LINGERIE A ARTE DE SEUS CONTORNOS

LINGERIE A ARTE DE SEUS CONTORNOS
Laços do segredo
De todos os seus eu.
Que se completam
Faz doce e singela
Velha e querida cumplice
Pintura de seus contornos
De todo eu seus
É poesia da pele despida
Sob a magia da noite
Sobre umidade do seu céu
Parceira incondicional
Dos gozos do eu.
A leva além da fêmea,
A poesia dos adornos
A arte de ser mulher
Para sagrada gruta é o véu
Manto da fonte da Deusa
Rendas do seu mel
Conforta a liberdade
É devaneio da lucidez
Que roga o que quer
Um servo da sua deidade
A loucura de seus calores
Desliza pelas pernas suaves
Leva a paixão ao apogeu
No episodio em que diz sim
Aguça o ardor de sua maciez
Na insinuação de suas cores
Fogo do vermelho carmim
Brandura da beleza etérea
Formosura do rosa menina
Pulsa desejo de seus amores
Os gemidos de sua onomatopeia
Com a sedução de sua vaidade
Depois do amor a fadiga divina
Ilustra aos braços do Orfeu
Acura seu desejo de amar
Suspira os prazeres seus.
SÉRGIO CUMINO 

sábado, 4 de fevereiro de 2012

LUZES E SOMBRAS


LUZES E SOMBRAS
O olhar nasce e vai direto
Abrange a vida reluzente
Tudo que diz ser é aparente.
Mas alma com ardil discreto
Transforma o que se sente
E a sombra, seu presente.
É o tom que nos completa
Não ha anjo sem inferno
E na crível razão, hiberno.
O querer mais! Inquieta!
Nega-se a sua sombra
Viverá escravidão frívola
Dentro de uma enorme ôla
E suas mesquinhas ondas
Em nome do bem geral
Em meio essa massa
Enroscado nas sarças
No vácuo do bem e do mal
Há o labor das hipóteses
Descobrir-se no diferente
Numa paixão eventual
Ainda escravo impaciente
Amordaçado em velhas teses
Assim não percebe o dia
 E a noite convida a morte
Se o espirito faz da lua consorte
E a magia se principia
Não será mais serviçal da palavra
Transcende ao estado metafisico
Além do doente oprimido
Há uma mitologia expressada
Uma dialética como entreposto
Seja prazer ou desgosto
Haverá a sombra iluminada
Foco que projeta a penumbra
Concilio de luz e trevas
O que germina a flor que regas
E o viver que o espírito vislumbra
SERGIO CUMINO - POETA DE AYRÁ

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

IEMANJA ME ENSINOU A NADAR

IEMANJA ME ENSINOU A NADAR

Oh minha rainha
Que orienta meu navegar
Quando estou à deriva
Sem norte, inquieto
Numa pescaria sem lida
Trás perolas para afagar
O desconsolo do olhar parado
Sem destino, nem prover
A um horizonte apagado
Vem seu colo como acolhida
Filho teu não fica só
Manda-me para escola da vida
Atira-me no misterioso oceano
No desespero do fundo
Num mergulho sem planos
No limite do caos
De uma vida inconsequente
Profundezas dos sentimentos
Faz de mim homem sem dó
Pelo naufrago da velha Nau
Num cardume de pensamentos
Nos desafios de suas correntes
Algumas puro alimento
Outras jornadas sem nó
Em águas traiçoeiras
Que faz do destino
“que viver que não é preciso”
Mas na crença de seus mares
Aprendo o discernimento
Iemanjá me ensinou a nadar
Passarei por muitos lugares
Uns deixarei saudades
Outros eu direi que nunca vi
Emerjo em límpidas areias
Com a sabedoria no Orí
Aprendo a importância de amar
E o respirar de outros ares
Com a magia de suas correntezas
Vêm carinhos das amadas sereias
Trazendo nova barca para velejar
Cabeça ao chão, digo: Odoiyá
SÉRGIO CUMINO - POETA DE AYRÁ

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

AFAGADAS ONDAS

AFAGADAS ONDAS
Como corredeiras, me assanha.
Molhado feminino,
Ascende encantado
Que degusta o querer, que te quer.
Catedral, magia da mãe dos rios.
Acaricia com aguas plácidas
A felicidade que o desejo aflora
Na luxúria de pensamentos vertentes
As dezenas, centenas, e tantos mil
Vagueiam  meus sentidos
Espumantes que embriagam o colo
Desperta o sussurro meloso
Na volúpia de sonhos freqüentes
Navega-me em ondas
Doce garboso do melado indecente
Faz-se sol todo meu plexo
Pulsar Instiga o doce do abraço
Na pele deixo meus lábios impresso
Coreografia intima a faço
Calores somados sem teto
E minhas mãos desenha o ardil
Tornando caricia nos seios em bojo
O lingerie escorrega como laço
Amantes, amados, nus margeados.
Faz-me homem amado formoso
Dueto com gemidos do assoalho
Declama improviso sutil
Ao ouvido do amor jurado
Eterno é a vereda do suspiro
O sopro musical do tempo
Onomatopaicos gozos pedintes
Cortez no dialeto do afago
Adere como suores misturados
Na brandura dos lençóis
São as velas do canto canoa
Em plumas ninho dos amados
Em brumas gostos inebriados
Num poema sem breve tema
Somam-se como flores em girassóis
Coral mítico onde somos ouvintes
De melodias a toda  proa
Acordes sobre a pele da fêmea. 
Vale a luz de muitos sóis
SÉRGIO CUMINO

sábado, 28 de janeiro de 2012

QUADRO DE UMA AFRICA MORTA

QUADRO DE UMA AFRICA MORTA

O mundo desigual entala o grito
Deserda o mais simples sorriso
 Soleira obscura do inconsciente coletivo
Geram frequências indigestas
Esfumaça e sufoca o mito
a vergonha do bicho homem
Porque essas almas nem frestas
de esperança hão de ter
A impotência das mãos solidaria
As deixa tão fracas
Faz Deus escapar do crente
esta além da estética da fome
Quanto à criança sem massa
Sem caça
Sem ter o prover
Vive estação eterna do auto luto.
Anseio extenuante é o que lhe resta
Porque a dor já não sente
Expressa no olhar de auto definição
A busca de luz para sombrio vulto
Silencio de mil palavras
Nesse mundo sem existência
Ainda vivas e já enterradas
Pelo esquecimento das castas
Sem a possibilidade de ser
Sob os tapetes emergentes
É a estiagem do fosso
Talvez não seja ético
Reclamar de esperança cheia
Porque além de todas as incoerências
É a Mãe ver secar seu fruto
Sob a fauna e flora do limbo
Longe dos grupos excursionistas
E do avanço cibernético
Faz tremer os punhos do poeta
Num apelo do desespero
Por humanitários ativistas
Que se unam para reversão
Dessas linhas tortas
Que nos fazem absortos
Dessa realidade funesta
Desse quadro de África morta
 Para não mais escrever
Um poema que já nasce morto.

SÉRGIO CUMINO - POETA DE AYRÁ
 
veja o vídeo :
 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

PRELUDIO DE UM INTERNAUTA

PRELUDIO DE UM INTERNAUTA
A chegada ao lar pelo caminho da roça
Na lotação da trilha moderna
Congestionadas todas as rotas
Pelas marginais e lamaçais
Poe chinelos nos pés das botas
Abre-se a busca de um pouco de si.
Tira-se a fuligem da inveja fraterna
Seja no banho de folhas ou de pedras
Ou essências da indústria cosmética
Odores temperados com batata frita
Na reserva peculiar da sua caverna
E os sons que misturados de cada interno
E faz de cada qual o inferno do outro sol
E para gerir a solidão do seu oceano
Após o desjejum do exaurir
Embarca no portal das plataformas
Do busca, senha e login.
Baixando suas tribos das selvas
Partindo do caule para outros ramos
 Para conexões além do bem e do mal
De download e paradigmas que delete
Memoria emotiva no chat instantâneo.  
Site de compras e suas reservas
Um êxtase de sua cabeça decimal
E também outros labirintos
Fundindo a descobrir-se
Na busca das verdades
Com o que eu minto.
Esplendor do meu perfeito
Sabendo que encontro
Na dialética com o defeito
Assim descubro valores
E outros que abro mão
Busco o mundo com sede
Derrubo preconceitos
Elevo toda estima
Se me disser pura ilusão
De um romântico, ativista.
E balanço abraçado, na rede.
Direi que quero ser o ilusionista
Que faz da realidade magia intima
 
SÉRGIO CUMINO

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

LACUNAS DO QUERER

LACUNAS DO QUERER
Querer é o maestro do toque
que germina todo o lampejo
um bulir que entusiasma a pele
ardilosa do deu jeito ávido
a suplica que tudo pode
em seus olhos que me vejo
que a seus pedidos tudo sede
misturam -se aos gemidos cálidos
 
Não façamos do tempo finito.
Gozo de ser totalmente intenso
sua nudez um deleite, desejoso
que excita a  vontades  de ser
amalgama rebenta  o vinco
penetrado a mulher que penso
tornando-me seu homem garboso
faz-se do sonho, gozo para crer

E a suavidade que roga carinho
assim tornamos amantes ardis
cheiro de desejos tropicais
faz do meu existir deleite
somos emoção, e caminho
ampliado no seu jeito que me diz
meus braços é o seu cais
boca que trilha sua doce  mente

Para pulsar deusa do meu destino
que batucam  pela vida sob luau
toques que nos fazem caricia 
objeto que esta no encontrar
e o percurso vivencia o que atino
que em  ti revela sensual
ardorosos, quentes malicia
desejo que a faz revelar

A flor e lábios ardidos
que  excita com suas rimas
no ser exalta suas formas.
e salta ao meu colo pedinte
escorre, seu mel atrevido
  Espalham-se como prisma
o palco do meu intimo a torna
a cintura que  baila com requinte


A sutileza da mexida gostosa
seu gemido faz-se musica
salta os aromas que encanta
uma dança  que cobiça
o olhar amado, a dama fogosa
e toda  a sua  graça única
mulher apaixona e abranda,
o banho da  amada atiça
   
Sua pele eloquente diz
ofegante que faz crescer.
Como  desejo entrelaçado
que transborda vibrante
no reinado de sua flor de lis
em suas lacunas de querer
conduzida em afagos
corpo do poeta andante
SÉRGIO CUMINO