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sábado, 5 de maio de 2012

A MEDIDA DO POSSIVEL

A MEDIDA DO POSSIVEL
A posse  que atropela
O sentir dos gestos
Numa sede salgada
Saltam doces etapas
Tende a viver sem. 
 Sabor de ser amada
 e  amargas sequelas
de uma expressão fria
é o engodo da mascara
Aí num despertar de si.
Seja o que for
Franguinha,  gatinha
Gata, galinha
Loba ou leoa,
Faz mel virar fel,
Encaminha o mundo
Para o poço profundo
Lá onde não há amor,
O inferno de narciso
Que enraíza o egoísmo
E perde o valor da troca
Quer-se ouve a emoção pedir
O desejo do que é preciso
Para um passo mais ousado
Em busca da aura
Da fêmea harmônica
Encontro do homem amado
De acreditar no que foca
Seja no amor impossível
Ou no erro previsível
Risco do livre arbítrio
Que tempera o equilíbrio
Dessa vida irônica
Mas se atender os sentidos
A sensibilidade do olhar
Um toque a providenciar
Grande evento é estar lá
Trajeto de suas andanças
Crer é o que importa
Que tudo é possível ser
Que encontra sabedoria
na filosofia de  amar
Na trilha de sua serra
O mirante e as cirandas
Com todos os gestos que ri.
Verá o que eu vi
A Deusa que brilha bela.
SÉRGIO CUMINO - POETA DE AYRÁ

quinta-feira, 3 de maio de 2012

FLUXOS DESNUDOS

 
FLUXOS DESNUDOS
Fluxo emboca sentidos
Forma imagens semeadas
Subverte ordens ditadas
Eletriza meus desejos
Faz real doce pedido


Os lábios que morde
Num êxtase que afaga
Ardentes lampejos
À volúpia atada
O gemido que explode


 Abre-se ao ritual dos laços
Declina-se a flor do ventre
E toda essência que vejo
É a cura dos corpos doentes
Entregue ao amado abraço
 
E se da o flerte das pernas
Comprime volúpia corrente
E revejo meus conceitos
Aos calores latentes
A sensualidade das velas
 
O gemido e seus sinais
O canto da colheita
E a dança do cortejo
O toque que a aleita
Ao amor e seus canais

Os lábios que morde
Glúteo que comprime
Os arrepios do beijo
Mãos que imprime
Desejo e toda sorte
 
Torna reais sonhos
O cosmo absoluto
Poesia no seu jeito
Lapidamos o bruto
Do melhor que somos
 
SÉRGIO CUMINO


segunda-feira, 23 de abril de 2012

BRINDE NA FARIA

 BRINDE NA FARIA
Que noite na faria
Quem diria
O brinde pela vida
E os anos da querida
De frente aos pinheiros
Aos sons dos automóveis  
 buzinas dos motoqueiros
Sorrisos em batida de caixa
Mais algumas na faixa
Dezenas de loiras geladas
Para aquecer a noite
Chuchu com suco
Com a cara acamada
Irmão, Brothers, camarada
O júbilo e carinho se servem
Cada um na sua vez
 no nosso circulo armado
Deia bate radio para Hilário
E sua primeira Dama
Do metro desembarca a Helen
Ricardo tosando os atalhos
Para horizontes projetados
Iniciado o rito de alegria
E nutrir, iluminar e banhar
A loira celebrada
Stella deu folga as magoas
Chamamos nossas fadas
Pascoal é taça  completada
Ao lado da patroa amada
Despedimo-nos do rancor
Magda secretariando as aparas
Dos pães acebolados
Andreza dorme em  cotia
Ou na casa da tia?
Resta para mim
Rabiscos de palavras
Da Noite brindada
Sabatina da euforia
Na calçada da Faria
SÉRGIO CUMINO

sábado, 21 de abril de 2012

CAUSA DO MEDO ELEITO

CAUSA DO MEDO ELEITO
O que busca cria a causa
Seu lamento enruga o credo
E faz do gozo náusea
Amanhece sempre amarga
Alimentar obstáculos é efeito
Versão singular da queda
Convívio de tudo que assemelha
Fica em estado de pausa
E as boas vindas que se tarda
E seu desejo rarefeito
A distância do querer alarga
Pelas ondas de um mar morto
Veleja com aragens que roga
Maremotos nos sentimentos
Dos medos que tem elegido
Da intuição ouve ruídos
Um espiral sem rota
Em aguas de um vazio absorto
Não radia mais a pele
Seu destino você que interfere
Culpar o outro que prefere
Na natureza de sua canção
Desafina a vida melódica
Não respira seus rebentos
Por mais que sejam singelos
Inibe o canto do corpo
Navega sem emoção  
Com vontades dizimadas
Do cosmo ignora a logica
Vida escapa pelo vento
Sobre a tutela de um pecado
Que mal entende direito
Justifica o mau olhado
E a solidão da noite calada
Que faz da moral autoflagelo
E funesto tudo que pede
E o olhar cega-se ao universo
Assim crê jamais ser amada.
SÉRGIO CUMINO - POETA DE AYRÁ

sábado, 14 de abril de 2012

LUA NUA

LUA NUA
Você ascende meu sol,
Por saber ser lua.
E faz da caneta e papel;
 Marca do pé passeador.
Que vagueia em veredas
 Buscadas d alma
Caminha por noites
Compasso da destreza
 Entre guardiões da rua
Num samba de roda
Que filosofam meu profano
Na ternura da calma
Melódica palavra
Embebeda ardente e mel
Sopra o hálito do querer
Aquele que seca o lábio
pela boca hidratante  roga
Da sede tua nasce à nota
Trilha celebra o sol se por
a silhueta de suas formas
a gravidade nos aproxima
a ponto de respirar o outro
Em Seu céu minha língua
É o cometa errante,
Numa dança que acasala
O namoro e a prosa
Depois do radiante, o abajur.
Faz  luz a sua renda
Na bruma magica de ser
Da multiplicação do querer
Desvaira as normas
Entrego-me ao sorriso
E a sua pele que afaga
Das silabas tira o rubor
Pelo seu corpo deslizo
versos para desvanecer
As crases das linhas tortas
Para o desejo ser preciso
E florar a fêmea amada
Sérgio Cumino
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quarta-feira, 11 de abril de 2012

ATRAÇÃO

ATRAÇÃO
Quero ser a paz
Que a faz feminina
O amor da vontade louca
Ser o juízo perdido,
Que a diferença faz,
E tudo que provem
Ser a arte de sua sina,  
Na luz da presença
Protagonizo o que penso
minha vontade seu imã
Próxima sem resistência.
Dialética da sua consciência
Ser seu quero - quero
Que cutuca paradigmas
A voz que vem do além
O beija flor que leva
O pedido a estrela que caiu
nem vejo o tempo que levo
Para ser o devaneio etéreo
E no seu sonho de menina
Quero ser o toque viril
A inspiração que te acordou
A poesia do seu mistério
A oralidade de sua graça
O calor que assedia
Projeto-lhe fogo do desejo
Uma ponte que chama
Sensual divina dama
Boca, rendas e o fio.
Seu mel que embebeda
Uma Deusa, quem diria.
Sirvo-lhe o vinho na taça
De mim o melhor que sei
Declaro amor na praça
Como arauto servil
E a toalha que escorrega
desenha sua graça
Fortalece a essência da lei
E o magnetismo da atração
SÉRGIO CUMINO

segunda-feira, 26 de março de 2012

SE AMAR É SERVIR ...

SE AMAR É SERVIR ...
Quero ser o colo que você pede
O poema lindo que inspirou
A bênção que tira o temor
Causa do seu sorriso agraciado
Fazer parte dessa busca interior
Aprender a mulher que pulsa em si
Ser o traço que desenha sua fêmea
Quero partilhar descobertas
De coisas que nem você sabia.
Ser contraste de sua revolução
O guia a outras esferas
O ardil dos suores que te molham
Quero que pulse colada a mim,
A ponto de respirar seu olhar
Intuição de uma paixão quântica,
Que suspiramos na mesma sintonia
Sermos o silencio interno eloquente
Igual aos que pulsam nos meus sonhos
Protagonista do paraíso dos desejos
Ser o barra-vento que a surpreende
Louca debruçada sobre minhas mãos
Que cria toque, a palavra e o mel.
Ser a  corredeira do seu rio
E toda nuance de uma paixão
Quero ser o lenço que enxuga a lágrima
E a temperatura que conforte a alma
Ser o olhar que a faz menina
Ser a ousadia do frio da espinha
independente  do tempo, que nos separa,
Espaço, traquinas da sua sina.
Combustível da chama que te ilumina
Personifica-la nas deusas de minhas poesias
Mãos que a leva na vida do poema
Aquele que nasce sussurrado ao ouvido.
SERGIO CUMINO
 
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quinta-feira, 22 de março de 2012

FALAR DE MIM

FALAR DE MIM
 Falar de mim e ser convincente
Tão equivocado se falasse de si
Sabe-se lá o que porventura sou
Desafio complexo e imprudente
Dependendo de quem o interesse
Somos tolos românticos do afeto,
Em punho um buque forense
Do politicamente correto
Projetar ilusões procedentes,
E omitir realismo fantástico
Com entusiasmadas mentiras,
E o olhar que me entrego
Vê-me ou vê que jamais veria.
Meu nobre eu é intangível
O córtex visual, é a cabala  
Sou a perna da calça
Que ficou para fora da mala
O trivial é pragmático falível
Ao narrar à coragem, enfático.
Como falar de tal pluralidade
Releio todas minhas divisas
Quem é? Se for, o que sou.
Incendiário ou bombeiro
Raio ou para raio?
Sou a fuga ou a tático
e as variantes ao caos
Um condicionado anárquico
Seja em redes virtuais ou neurais
A inercia germina da Moral
Como encontrar o compreensível?
Buraco negro da razão
O enigma da duvida interna
No júri do conselho das células
No tobogã do arco-íris
afoga-se no baú de peculiaridades
Para agradar o destinatário
Decoro meu sorriso com flores
Camufla a soberba do ego
E afirmo o sonho eterno
Tudo que sou assim revela
Quando tudo se transforma
O que falo já é velho
Menos a beleza da libélula
Esse sou eu para te servir
Como uma concha para perola
SERGIO CUMINO
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domingo, 18 de março de 2012

PAULICEIA DE MUITAS COLMEIAS

PAULICEIA DE MUITAS COLMEIAS
 Romântico urbano trovador das ruas
Quereres afinando  cada  momento
 Semiótica úmida da garoa paulistana,
Ao som que te reggae, deixa que molhe
Musica disposta de uma vida composta
Rosa que te entregue e aquela coisa que mexe.
Envolve com calor, e tudo aqui te acolhe.
Arquitetura e história, Ipiranga com São Joao.
As moças da Faria lima, baladeiras da Madalena.
Babilônia da Augusta e tudo que valha a pena
O pão com mortadela dos aromas do mercadão
Gastronomia das etnias em plena transformação
Sustentabilidade  de uma cidade sincrética
Nos tablados vagueiam  perspectivas  em cena
Há lugar para todos os devaneios da  estética
Contraste de suas castas que chamo de meu chão
veias da Casa Verde e suas escolas de batuques
Ritmistas do coração leva alma pedir passagem
Glamour da arte negra, mais outras linguagens.
Rock de garagens e a sensualidade dança zouk
Não esfumaça as fumaças das pedras das esquinas
de jovens carcaças atrás de moedas por truques
viola todos princípios catedráticos da ética
Rebanhos de pedras com mordaças Suicidas
Esperanças  outras se encontra a partida
Novas mentes constroem novas vidas
Enche-me de sede, da tentação do carrão.
Com Anália seus passeios enamorados
E o Tatuapé caminha até onde a Barra funda
Inconstância brejeira da cidade atrevida
Ensaio no  Bexiga que acaba em boemia
O encanto do amanhecer, esta na sua chegada,
Como alma lavada mistura a poesia da fadiga
Descarrego de paginas, e  silabas quinadas.
Oralidade ancestral Libera satisfação holística
Pela urbanidade mística, Inspira.
Meu templo no bosque do Bom Retiro.
Evoco a magia das matas, agua, vento e fogo.
Transcende Urbanidade surrealista engarrafada
E a vida que perde em serviços demorados
Natureza cheia  de  imprevisto no seu todo.
Síndrome caótica das linhas travadas
Arquétipo de uma cômica parodia
Entrega-se ao amor sem cortes
A foto que multa a rinha de motos,
Dançando na chuva de ruas alagadas
Coreografia  de todas calamidades
Expressando essa sofrida porem amada
Desenha suas saídas para outros nortes
Estradas limpas  pela sua vaidade
amores e luzes a se perder de vista
Novas lidas e todo tipo de sorte
Para ter saudades de matar saudades,
Com você num bar da noite paulista.
 
SÉRGIO CUMINO
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