A MEDIDA DO POSSIVEL
A
posse que atropela
O
sentir dos gestos
Numa
sede salgada
Saltam
doces etapas
Tende
a viver sem.
Sabor de ser amada
e
amargas sequelas
de
uma expressão fria
é
o engodo da mascara
Aí num despertar de si.
Seja o que for
Franguinha, gatinha
Gata, galinha
Loba ou leoa,
Faz mel virar fel,
Encaminha o mundo
Para o poço profundo
Lá onde não há amor,
O inferno de narciso
Que enraíza o egoísmo
E perde o valor da troca
Quer-se ouve a emoção
pedir
O desejo do que é preciso
Para um passo mais ousado
Em busca da aura
Da fêmea harmônica
Encontro do homem amado
De acreditar no que foca
Seja no amor impossível
Ou no erro previsível
Risco do livre arbítrio
Que tempera o equilíbrio
Dessa vida irônica
Mas se atender os sentidos
A sensibilidade do olhar
Um toque a providenciar
Grande evento é estar lá
Trajeto de suas andanças
Crer é o que importa
Que tudo é possível ser
Que encontra sabedoria
na filosofia de amar
Na trilha de sua serra
O mirante e as cirandas
Com todos os gestos que
ri.
Verá o que eu vi
A Deusa que brilha bela.
SÉRGIO CUMINO - POETA DE AYRÁ








