ESSE BLOG NÃO PERTENCE SÓ AO POETA, ELE É DE TODOS NÓS

quinta-feira, 17 de maio de 2012

ORBITA do AMOR


      ORBITA do AMOR

 A estética não dorme

Vagueia
Por toda fome
Incendeia
E que te consome


E sua sutileza
Rodeia
Estuda sua presa
E ceia
Leoa se faz alteza

as mazelas do mundo

traiçoeiras
fé tem que andar junto
parceira
na unidade e no conjunto



Alma do meu querer

Faceira
É a Paixão de ser
Arteira
Que faz a vida valer.

O sagrado e o profano
Passeia
Por mitos e arcanos
Semeia
poesia e os planos

Assim construo caminho
Asseia
A qualidade do carinho
Porteira
Para crença do destino

E mergulha profundo

Sereia
Para que os corpos tornem uno
Candeia

meu desejo, em seu rumo

 SÉRGIO CUMINO


quinta-feira, 10 de maio de 2012

ORVALHO DAS SILABAS

ORVALHO DAS SILABAS
O sol brilha a noite
quando a felina surge
Banhada de graça a janela
Seus raios penetram
O fluxo dos meus pensamentos
Coreografa numa estética menina
A sensualidade das palavras
Que se postam aladas
Com espirito de Ícaro
Derretem todas as métricas
Do discurso amoroso
Faz meu sorriso vagar
Em reticencias
Declaro-me a capela
Com silabas que nascem
Do desejo tupiniquim
E toda forma de amar
E rimar céu com mel
Simples acaso das circunstancias
E sem vasão aos pícaros
Conjuga o verbo querer
Funde-se o seu e o mim
Entre as imagens do painel
Que a mente cultua
A semeada transformação
Sobre nova ordem
Subvertendo as logicas
Encantando as sinas
Afasta os temores
Consola rancores
E colore a estima
Das frases que nos envolvem
Pela serenidade amena
Como orvalho nas silabas
Silencia defesas verborrágicas
Para sua semântica pura
Sou testemunha ocular
Que torna meteoro
Em poeira cósmica
E aflora gosto de amar
A gata escaldada joga a toalha
Entrega-se de corpo e alma nua
SÉRGIO CUMINO

segunda-feira, 7 de maio de 2012

O COLO QUE TE QUER

O COLO QUE TE QUER
Esta nessa brisa dengosa
Apatia e todo enjoo
Eu cuido do seu dengo
Eu mimo sua manha
Eu faço aquele caldo,
Expulso a tensão
Com meus dedos
Levo-a pensar na lua
E na lembrança de muito tempo
E sorrir como criança
A dama que o corpo esquenta
Fazer carinho de ciranda
Com cócegas que eu invento
Doce de leite na colher
E a língua atrás da orelha
E unir a felicidade das bocas
Aguçar onde é quente na moça
Valsar com a porcelana louça
Uivar com a selvagem loba
Tomaremos chá de folha
A que o estomago acalmou
Sobre o ninho acalento
Como gata ronrona amor
Sou o colo que clamou
Em ondas a mim chega
Que o universo anunciou
O rogar de uma flor meiga
Uma sonata para sua carência
Sob a luz da lua
Adentrar até alvorada
Com os dedos enrolando cachos
Flutuam o corpo cansado
Em gestos bem amados
Alivia o pé inchado
Agarrada a almofada
Desabotoa a decência
 Para flor exalar nua
Fragrância da mulher cuidada
Suavidade de seus traços
Somados a gemidos alados
Como viver um conto de fadas.
SÉRGIO CUMINO

sábado, 5 de maio de 2012

A MEDIDA DO POSSIVEL

A MEDIDA DO POSSIVEL
A posse  que atropela
O sentir dos gestos
Numa sede salgada
Saltam doces etapas
Tende a viver sem. 
 Sabor de ser amada
 e  amargas sequelas
de uma expressão fria
é o engodo da mascara
Aí num despertar de si.
Seja o que for
Franguinha,  gatinha
Gata, galinha
Loba ou leoa,
Faz mel virar fel,
Encaminha o mundo
Para o poço profundo
Lá onde não há amor,
O inferno de narciso
Que enraíza o egoísmo
E perde o valor da troca
Quer-se ouve a emoção pedir
O desejo do que é preciso
Para um passo mais ousado
Em busca da aura
Da fêmea harmônica
Encontro do homem amado
De acreditar no que foca
Seja no amor impossível
Ou no erro previsível
Risco do livre arbítrio
Que tempera o equilíbrio
Dessa vida irônica
Mas se atender os sentidos
A sensibilidade do olhar
Um toque a providenciar
Grande evento é estar lá
Trajeto de suas andanças
Crer é o que importa
Que tudo é possível ser
Que encontra sabedoria
na filosofia de  amar
Na trilha de sua serra
O mirante e as cirandas
Com todos os gestos que ri.
Verá o que eu vi
A Deusa que brilha bela.
SÉRGIO CUMINO - POETA DE AYRÁ

quinta-feira, 3 de maio de 2012

FLUXOS DESNUDOS

 
FLUXOS DESNUDOS
Fluxo emboca sentidos
Forma imagens semeadas
Subverte ordens ditadas
Eletriza meus desejos
Faz real doce pedido


Os lábios que morde
Num êxtase que afaga
Ardentes lampejos
À volúpia atada
O gemido que explode


 Abre-se ao ritual dos laços
Declina-se a flor do ventre
E toda essência que vejo
É a cura dos corpos doentes
Entregue ao amado abraço
 
E se da o flerte das pernas
Comprime volúpia corrente
E revejo meus conceitos
Aos calores latentes
A sensualidade das velas
 
O gemido e seus sinais
O canto da colheita
E a dança do cortejo
O toque que a aleita
Ao amor e seus canais

Os lábios que morde
Glúteo que comprime
Os arrepios do beijo
Mãos que imprime
Desejo e toda sorte
 
Torna reais sonhos
O cosmo absoluto
Poesia no seu jeito
Lapidamos o bruto
Do melhor que somos
 
SÉRGIO CUMINO


segunda-feira, 23 de abril de 2012

BRINDE NA FARIA

 BRINDE NA FARIA
Que noite na faria
Quem diria
O brinde pela vida
E os anos da querida
De frente aos pinheiros
Aos sons dos automóveis  
 buzinas dos motoqueiros
Sorrisos em batida de caixa
Mais algumas na faixa
Dezenas de loiras geladas
Para aquecer a noite
Chuchu com suco
Com a cara acamada
Irmão, Brothers, camarada
O júbilo e carinho se servem
Cada um na sua vez
 no nosso circulo armado
Deia bate radio para Hilário
E sua primeira Dama
Do metro desembarca a Helen
Ricardo tosando os atalhos
Para horizontes projetados
Iniciado o rito de alegria
E nutrir, iluminar e banhar
A loira celebrada
Stella deu folga as magoas
Chamamos nossas fadas
Pascoal é taça  completada
Ao lado da patroa amada
Despedimo-nos do rancor
Magda secretariando as aparas
Dos pães acebolados
Andreza dorme em  cotia
Ou na casa da tia?
Resta para mim
Rabiscos de palavras
Da Noite brindada
Sabatina da euforia
Na calçada da Faria
SÉRGIO CUMINO

sábado, 21 de abril de 2012

CAUSA DO MEDO ELEITO

CAUSA DO MEDO ELEITO
O que busca cria a causa
Seu lamento enruga o credo
E faz do gozo náusea
Amanhece sempre amarga
Alimentar obstáculos é efeito
Versão singular da queda
Convívio de tudo que assemelha
Fica em estado de pausa
E as boas vindas que se tarda
E seu desejo rarefeito
A distância do querer alarga
Pelas ondas de um mar morto
Veleja com aragens que roga
Maremotos nos sentimentos
Dos medos que tem elegido
Da intuição ouve ruídos
Um espiral sem rota
Em aguas de um vazio absorto
Não radia mais a pele
Seu destino você que interfere
Culpar o outro que prefere
Na natureza de sua canção
Desafina a vida melódica
Não respira seus rebentos
Por mais que sejam singelos
Inibe o canto do corpo
Navega sem emoção  
Com vontades dizimadas
Do cosmo ignora a logica
Vida escapa pelo vento
Sobre a tutela de um pecado
Que mal entende direito
Justifica o mau olhado
E a solidão da noite calada
Que faz da moral autoflagelo
E funesto tudo que pede
E o olhar cega-se ao universo
Assim crê jamais ser amada.
SÉRGIO CUMINO - POETA DE AYRÁ