ESSE BLOG NÃO PERTENCE SÓ AO POETA, ELE É DE TODOS NÓS

quarta-feira, 6 de junho de 2012

LUA CHEGA-ME NUA

LUA CHEGA-ME NUA
Como pode estar longe
E cutucar minha alma
Atravessar o semáforo
Dos meus sentidos
Reger meus devaneios
Nas noites de lua

Como pode estar longe
E me passar doce calma
Minhas células em coro
Proclamam minha libido
A entregar-se sem receios
E a ver no vácuo das ruas

Como pode estar longe
E esfumaçar meus traumas
Tornar-me seu lobo
E aquele uivo comprido
Declara o amor que veio
Desenhado na graça sua

Como pode esta longe
E os efeitos e causas
Serem doses de soro
De amor desinibido
Que a troca é o esteio
E o afago nossa cura

Como pode estar longe
Esse mundo de náuseas
E temas em foro
No conselho do infinito
Sua essência que leio
E eloquente candura

Como pode estar longe
E tocar minha flauta
Com a boca que adoro
Serenata do cupido
Mesmo longe, veio.
A magia de senti-la nua
SÉRGIO CUMINO

EXPLÍCITA

EXPLÍCITA
O que faço crer
O que passo passa a ser
Se quisermos seremos
O querer tem encanto
Magia acalanto,
Abertura do sossego
E mais o que passemos
Roçar atenua
Querer aventura
Sem referencias
Com carinho do sol
E as mil maneiras
De senti-la Lua
É a deusa que na pele
Desenha seu arrepio
Minha boca toda sua
Desejos em serie
de deixa-la no cio
Esvoaçar das saias
E outras partes nuas
Sua essência explicita
É a arte da sedução
Provocando a revista
Garras felinas.
Envolve seu leão
Presa desejosa,
Arrepiar nuance.
Delibar amante
O sorriso que embriaga
Que arrepia, e me faz assumir.
Sou ébrio de sua doçura destilada
SÉRGIO CUMINO

terça-feira, 5 de junho de 2012

O VENHA SER, SERÁ

O VENHA SER, SERÁ.
Venha felina, roça seu tempero que te dou prazer.
Venha criança, posta o seu sonho de cambota.
Venha serena, pois não indago só afago.
Venha morena, no silencio da madrugada.
Venha em rendas, que a minha boca se renda.
 Venha hidratada que a recebo com cheiro.
Venha camponesa que semeia desejos
Venha desfilando, em passos que te leio.
Venha minha deusa, suspiro que transporta.
Venha como bruma, que a inspiro e a trago.
Venha em meus braços para ser amada
Venha intensa sentindo momento inteiro
Venha em cima em baixo de milhões de beijos
Venha compor a imagem que ilustra o faz valer
Venha ser a poesia que nos transborda
Venha ser amazona que faz das pernas seu laço
Venha lasciva que dou o que você quer
Venha ser substantivo dos meus sonhos de palavras
Venha ser minha, que massageio corpo inteiro.
Venha ver a graça que compõe o que a vejo
Venha ser musa que delicio cada passo
Venha ser nessa vida a razão de ser
Venha protagonizar a musa dos sonhos
Venha fotografar a alegria que fantasia
Venha ser o mar para acariciar sua orla
Venha viver o tesão passo a passo
Venha ser o rio e que desperta todo cio
Venha ser menina que te faço mulher
Venha trilhar nosso desejo, assanhada.
Venha ser mãe terra que serei posseiro
Venha fogosa, porque quero te namorar.
SÉRGIO CUMINO




sexta-feira, 1 de junho de 2012

NAMORO DO SERRADO

NAMORO DO SERRADO
A arvore fica mais vistosa,
Quando ha raízes profundas
Quão mais elevado
Sentir se verticaliza
E os movimentos dos ramos
Dessa Dama jeitosa
Bonita de se ver
Com suas folhas desnuda
Frágeis como a seda
Limpa do rancor culpado
O que a alma agoniza
E recicla o meu outono
E as estradas tortuosas
Faz de mim melhor amado
Por semear meu querer
E viver sem a queda
Adoçadas por sua fruta
Um sabor arrojado
Como elegância do Ipê
Tronco em seu prumo
Da arvore da vida
Me desperta do sono
Traz sob sua copa
A sua graça sinuosa
De singela beleza
É essência pura
Como o canto do colibri
Para o abraço apertado
Afago que nos cuida
O sentido avisa
A abundância do seu sumo
O quão uno nos somos
Mistério e metamorfose
E tudo mais que encanta
Faz-me dendê adulto
Nossos chavelhos trançados
Florestas sem divisas
A raiz que fortalece o tronco
É úmida sua mata atlântica
Na logica do tudo pode
E a flora absoluta
Para o namoro no serrado
A todos os enamorados

SÉRGIO CUMINO

DEBUTAR DE CAROL

DEBUTAR DE CAROL
Desde que Oya
Disse a tempestade
Fazer dos ventos arautos
Para Anunciar a chegada
Dessa filha de Iemanjá
Saudamos sua vida estrear,
Talvez mais outra temporada
Há tanto mistério, sabe-se lá.
Num mundo de extremos
Contradições e rebentos
E logo tivemos que mudar
Ela um doce, e pôs – se a navegar.
Tão semente e precoce,
E já seu segundo interior
Que aflorou e se despede,
E de tantos outros, sabe-se lá.
Assim iniciou essa vida de migrar
E começa como de todos
Pelos saudosos Be a BA.
Da papinha a andar
De neném a Cidadã
Que já começa Cedo
E não adianta ignorar
Vindo de cá para lá
Chega à escola do viver
Basta entrar,
Se a companhia for o medo
É barrada no braile
Mesmo sem enxergar
A mente sabe o segredo
Do asco não preludiar
Pior que for nunca é tarde
Basta Oya evocar
Que a conhece de criança
Na maestria do inicio
E seus ventos navegar
Tantas coisas que aprende
Tudo novo começo
Agora vai debutar
Para uma vida
De modelos errantes
Sonhos esperanças
E depois viver, cantar.
Chorar, sorrir, Estudar,
Conquistar metas cativantes
E o gostoso que até namorar.

SÉRGIO CUMINO
dedico esse poema aos quinze anos da minha filha Carol.


terça-feira, 29 de maio de 2012

INSTRUMENTO QUE ME TOCA


INSTRUMENTO QUE ME TOCA
Dedilhada num sinfônico mimo
Seu melindre tema de meus devaneios
Sensual como guitarra espanhola
Quando saltitante seus compassos
Sem rompantes forma-se o laço
Toca o tambor no percurso do abraço
Num duelo do tesão e o violoncelo
Do jeito que abusa ser bela
Desconcerto o concerto de câmara
Sobre a partitura do nosso elo
Já me faz, trovador.
A banda do seu coreto
Jazz improvisa com calor
Aconchega a clama, te ama,
Cantiga dissera quanto é bela
Quando cantas o silencio
Seus sussurros aguçam prelúdios
Dedos formam o coral a capela
Assina partitura dos gemidos
Melódicas notas a compor
Com acordes em sua flora
Forma-se o sarau dos desejos
Abocanha minha flauta doce
Andamento de arranjos dengosos.
Junto com inflar da sanfona
Fetiches que sou cúmplice
Protagonista de sua opera
O passado deixa LÁ
Olhar em fá sustenido
Sua musica meu sol
Enamorado, do colo quente.
Que toca sua malícia
E toda composição da Dama
Quando abraço a sua viola
Mesmo com os códigos
E todos os sensos
Frase que grita,
 Como bateria de escola de samba
E a magia minimalista
Com você quero fazer amor
À noite, com o pio da coruja.
Serenata de nosso dueto
No ritmo do peito
Rimaremos com repentes
Cúmplices dos nossos toques
No triângulo e no seu céu
É a alvorada que nos acorda
Com acordes desnudos
Cantamos outros mundos
Com a melodia do seu mel
SÉRGIO CUMINO

segunda-feira, 28 de maio de 2012

TERREIROS URBANOS


TERREIROS URBANOS
A cidade nos fez educados
Com cabresto moral
Alçado da pessoa de bem
Intolerância rege seu legado
Põe orgasmo a função do Estado
Mesmo que não sinta o aroma
Provamos o gosto amargo
Não poder simplesmente ser
Hoje ainda somos guiados
Dobados, atados, deletados.
Educação é alfaiataria
Saúde mercadoria
Passados de fina goma
Sob o vinco reto
Da simetria fascista
Rejeitam a cidadania
Tornamo-nos, tornados.
Peixe caído na rede

liberdade a revista
Com cabos conexão system
Resultado de varias somas
Descobre-se objeto
Oriundo do download
Por mais que resista
Personalizam-te a virose
Burguesa esclerose
Como destaque da vitrine
 De uma engrenagem adversa
E todo certificado de insulto
De passos determinados
Libertar-se que te resta
Já é sujeito excluso
Pois prenderam seu juízo
Faz-se a chave do oculto
Sorte quando vácuo
É o caos que propicia criação
Andar pela trilha das descobertas
Descubra horizonte que avista
Superando arranhões
Dos espinhos da neurose
Pensamentos sepulcros
A alma do artista
Que vagueia em seus sonhos
Antidoto da dignidade Ereta
SÉRGIO CUMINO - POETA DE AYRÁ