BARQUEIRO DA SUA LAGOA
Percebo que a encontro,
A respiração suspira
O brilho e o fogo acendem
Tanto o lembrado
Quanto o esquecido
Somam-se ao transe
Do instinto da alegria
Rompe completamente
Com as rodadas da tristeza
E no ápice das ondas
Que me beijam e alucinam
Faz os desejos se alternarem
Ao próprio impulso e reveria
Zabumbei-a meus sentidos
Marinheiro que aprende a nadar
Tempera todos os deleites
Na unidade de sua canoa
No compasso de cada estalo
Dedos, estrado e selos.
Nem vemos o vinho acabar
A noite varar e a barba serrar
Meu remo em sua lagoa
Desliza como gota na folha
Voa como pólen aos campos
Chega como o beijo da fadiga
Abençoando o sono
Preludio do amor matinal
Para eu ser o seu café da cama
O sorriso dos olhos
E o pensamento atrevido
Seus encantos revelam
Quando os cantos rebelam
Os arcanos que inspira libido
Com o magnetismo discreto
E as essências que nos selam
Das aguas e dos colibris,
Canto da queda da cachoeira,
Toca-me! Provoca-me! Banha-me!
Com o brilho de sua lua
Sob aguas, céu e teto.
Sou imã na forma de te sentir
Aí percebo o sagrado é viver
E recebo portais e outras veredas
Não importa o tempo perdido
Fato que me chega nua
E envolve de tal maneira
Que subverte até o jeito de querer
Desperta vontade de comer seu cheiro
E dar uns lapsos a neurose
Tela fria que a deixa quente,
São as parodias da sinergia
Como rojão o calor sobe
Assim como partes de mim
Combina excitação,
com queda de paradigmas
Acenando mudanças
Estar nas nuvens é perder chão
Vivencia o desejo
Intenso e singular
Esteja cá e acola.
E o tempo nos torna curto
Penso aqui, o como essa.
Conexão poética
Conforta-me a alma
E esqueço-me do mundo
Para navegar o universo
Eu o barqueiro de sua lagoa.
SÉRGIO CUMINO - POETA DE AYRÁ