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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

CHAVE É O CHAVEIRO

CHAVE É O CHAVEIRO




Chave postada a romper
Abrindo todo vislumbre
Fechando que surgem
A chave e o chaveiro
Dinâmicas de um só
Abençoados de Pedro
para que se abram
 ao seu paraíso
Chave do desenlace
dantes presa no ferrolho
 
Chave e o ser
Chave que se cumpre
Aberturas que urgem
Rogar do porteiro
A chave que desata nó
Que faz crescer o cedro
Que das fissuras saiam
A generosidade do riso
E alegria que te abrace
A chave se mostra no olho
 
Chave de dentes de roer
Mente que se corrompe
Que se fecha aquém
E se entrega a terceiro
E abre a porta encontra pó
Fechando janelas do brejo
Que só abre aos que calam
Sem saber o gosto do risco
A chave e o entrave
Quando quebra no miolo
 
Possibilidades do prover
Que se surge num instante
As portas do além  
Chave do romeiro
Inspirado na devoção de Jó
Falo da chave do credo
Dentes que engrenam
Marco zero do inicio
Quando rompe com grades
Cada guardião tem seu molho
 
Chave preludio do rever
Celebrado pelo réquiem
A chave do mistério
Alforriado pelo Ebó
E o certo e o incerto
Contrários se equilibram
Portas do solstício
A descoberta é a chave
Que nos abre para o novo
 
 
SÉRGIO CUMINO – POETA DE AYRÁ



sexta-feira, 1 de agosto de 2014

TENT’ AÇOES

TENT’ AÇOES
 As trilhas do conhecimento
Tem suas avarias
São obstáculos
Que evolui a indignação
Um dia disse o trovador
Que o estigma da maturidade
É o cinismo
Registrada nas lentes
seja qual for o norte
 
O filme do acontecimento
Firma marca nas alegorias
Releitura dos fatos
As cores na emoção
Também ha amor
Que ensina a qualquer idade
Nas alturas e nos abismos
Sagrados ventres
Inicia-nos para morte
 
Através do nascimento
Livro do dia a dia
Escrevemos por atos
A cada presente uma ação
Cada ausência um rumor
Que ignoram habilidades
Assim como instintos
Há pausas carentes
Em busca o que conforte
 
Com que tenha cabimento
Para preencher linhas vazias
Com cosmo e átomos
E a humildade da evolução
Contraponto do torpor
Que desafia a sanidade
E te faz faminto
Rangendo dentes
Entregue a sorte
E as peripécias do sofrimento
 
SÉRGIO CUMINO – O POETA DE AYRÁ

sábado, 26 de julho de 2014

SUICIDADOS DO SISTEMA


SUICIDADOS DO SISTEMA
O que é isso
Um bicho arisco
Que ataca gente
O que é esse
É gente perdida
Em área de risco
O que tem com isso?
Pode ser por segurar
A ponta do tapete
Enquanto desliza
A sombria moral
Para debaixo
O ato do descaso
Do gestor incompetente
Do prologo macabro
Da empáfia burlesca
Não me leve a mal
Viajei no amargo
De quem eu sou
Sentimento indignado
Divaguei pelo tema
E me esqueci disso,
Ou melhor, desse.
Que ainda se quer distingui
Dessas cenas dantescas
Ser gente ou bicho
Há quando fica manso
Abandono implora
E nos traveste
Com batina de arcebispo
Sob o mistério da lua
Interesse momentâneo
Fedor do nicho
plantonistas da miséria
dos suicidados do sistema
E os fantasmas que os consomem
Agora posto para fora da rua
Nas esquinas se deterioram
Junto com demais detritos
Para ir dormir no lixo
Vejo, não acredito.
Essa escória são homens
 SÉRGIO CUMINO – O POETA DE AYRA

sexta-feira, 18 de julho de 2014

GUETO E SUAS MARCAS

GUETO E SUAS MARCAS

 
Gueto virou marca

E os estremos alegoria

Quem diria,

O diverso apresenta

O inverso

Do conflito da gente

A chaga vira mito

No inferno emergente

Há horas que não acredito

 

O Gueto virou massa

Sentindo o espirito

Passando a doente

Vivendo na linha do risco

Até a falta de ar

Branda um grito valente

E para ironia do destino

Com discurso do oponente

O medo é o palco do oprimido

Se reparar

 

O Gueto virou Caça

Esquecem a estética da fome

Subservientes da moral imperialista

Não há raciocínio logico

O corpo a cólera o consome

Reprogramado no disco rígido

Pelas bancadas racistas

E seus ícones homofóbicos

 

O gueto vai à praça

O que acho incrível

Que dela faz guetos

De improvisadas barracas

Quem diria

Uma ferida aberta

Do fantasma impresumível

 

SÉRGIO CUMINO – O POETA DE AYRÁ

quarta-feira, 11 de junho de 2014

NAMORO DE CÂMARA

NAMORO DE CÂMARA
Musica que canta ao colo
Toda emoção
Que escorre pela melodia
O toque coreografado
Dos pelos assanhados
Elegantes e eretos
Loucos e melados
Safados e discretos
 
Somos um espetáculo solo
Saltitante, os graus se vão.
Aquecidos pela subida
E os lábios sempre sinceros
Em sua entrega pura
Hora somem com a saliva
Horas molham com tesão
 
Os botões saltam das casas
Fechos abrem suas portas
E os batimentos de boleros
Na Opera da vida é Diva
Faz a flor sorrir para Lua
Com calores em conexão
São ondas de cada foro
 
Nas frequências de estar
Ritmados pelas mãos dadas
Percussionista minimalista
Regida pela felicidade
Sobre a pele lisa e nua
Faz das senoidais notas
Por mais que insista
Não deixamos o tempo passar
 
Enquanto improviso cria asas
A vontade sagrada
Faz o amor ritualista
Na evolução do jazz
Dedos desenham partituras
E os arrepios indicam a rota
As arquibancadas, matas.
Para o amor de câmara
 
SERGIO CUMINO

terça-feira, 3 de junho de 2014

VIDA LONGA A ESTRELA

VIDA LONGA A ESTRELA
Minha filha, minha estrela.
Seu jeito ilumina
Com o brilho incandescente
Passe o que for
Ao caminho que dispor
La esta ela
Acima do que se sente
Amparando na dor
Sendo meu norte,
A luz que me torna forte
No momento mais frágil
Quando saímos de cena
Nos percalços trágicos
É eterna menina
De alegria multicor
Faz da vida estagio
Que tudo vale a pena
E venha o que vier
E a cada ano que passa
O estigma vira laço
Minha criança vira mulher
Nessa historia de Resenha
As rimas do seu diário
Desperta sua graça
Eu admirador confesso
Agora pai torna leitor
Encantos de Carolina
A emoção me abraça
Cada ciclo desenha
A ternura de desejar
Um feliz aniversário
SÉRGIO CUMINO
homenagem a minha filha Carolina pelo seu aniversário de dezessete anos

sábado, 15 de março de 2014

ARMADURAS IRONICAS

ARMADURAS IRONICAS
Aponta um dedo  armadura
Contra três contrários
Assim sou apontado
Ignorando o tempo
Injurias ao anti-herói
Pelo despeito do interlocutor
Para sombrear, é claro
O que é fato e consumado
De que adianta ser discreto
Se solta o ego ao vento
Se me faz escudo do rancor
O que mais me dói
Ser a  fatura dos delírios
Quando exposto
A fuga dos fatos
a onda do despeito
com olhar estrábico
Faz do defeito
Pinceladas do recalque
Na ausência que compõe
A natureza morta
O que importa
Que o que vem a cena
Não passa pela porta
Obstruída por garranchos
Que outrora bico de pena
Nessa emoção camaleão
Traveste ranço por ranchos
Para compor as corredeiras
Do centro da tela
Mas quando o vazio preenche o todo
O que é fonte da vida vira lodo
Julga previsível demais
Assim se pergunta,
Para que dar mole a sensatez?
E faz estética virar plástico
E os cantos da moldura
Torna-se curva de rio
Porto do desequilíbrio
Esconde-se por trás
Do telhado de vidro
A passional do contrassenso
 Incoerência em ditos brados
O que não tardia
E a luz amanhece o engodo
Escondido entre certo e errado
Traços falhos  ironia atônita
Em Passo falso atrás viria
Os fatos que causam nojo
Dessa cegueira convicta
Não se deixa ouvir
Nem quando ou onde
O que o povo grita
Em prol das vidas gurias
SÉRGIO CUMINO