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quarta-feira, 11 de maio de 2016

OPA! OPA! EXÚ MEIA NOITE




 OPA! OPA! EXÚ MEIA NOITE

Boa noite, senhor Meia Noite.
Pela noite que tudo passa
tem a chave que destrava
a mente atormentada
os segredos das badaladas
e a legião da sua corte
Sente a força de sua graça
A noite é sua praça
Nada passa por Meia Noite
Nem no meio se disfarça
Nem vazio da ideia vã
Seja destino daquela caça
Ou paciência do caçador
De onde não se imagina
Para onde?Nem pode supor
Sejam as veredas de lonan
Ou estigmas daquele açoite
Antes das ruas de Tranca
Entre esse e outro mundo
Seu conhecimento profundo
Dos mistérios do um umbral
E os fascínios de sua noite
Ali Meia Noite Manda
Materializa até a sombra
Na passagem de um a um
Seu gingado tudo laça
com axé de sua dança
Na maestria do seu portal
Com alegria daquele canto
Sua simpatia de malandro
Laroie seu Exú.
Opa ! Opa! Como mântra

SÉRGIO CUMINO – POETA DE AYRÁ

sexta-feira, 22 de abril de 2016

PEGA NA MANOPLA




PEGA NA MANOPLA

Sente esse vento gostoso?
Para  selar a harmonia
Resgatar o que sorria
Com abraço do seu par
Valor do pé andante
Baluarte do caminha-dor
alivio para onde for
E as rodas das cadeiras
giram em buscas justas
Liberdade de movimentos
conquistadas a cada via
Por isso meu irmão
Não se culpa
Basta a linha da vida
no pergaminho da palma
abraçar a manopla
Guiarmos nosso rumo
Com o gosto de fazer junto
O plural de um povo
tem coletivo humano
precursor do respeito
guias de todos acessos
Não para empurrar
 Sair lado a lado
Meu irmão meu par
Estufa o pulmão de ar
Para bordão de cada brado
Fortalece as buscas
Não tomam medidas
Mas é possível
Onde tem coração
Navegando vontade pura
De uma cidade acessível
Não esse inferno de Dante
Doe um pouco de si
Em troca o orgulho de ser.
Como tropa, trupe ou vibe.
Assim abraçaremos a cidade
Com jeito amável de servir.
A aí o vento abraça face
Compartilho contigo
Deliciosa sensação
De poder ir e vir

SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO SP  803

quarta-feira, 13 de abril de 2016

CABARÉ EM TRANSE



 CABARÉ EM TRANSE

 Uma sensação física de mulher
me persegue como se desse um recado
Com o sussurro atrevido e sedutor
Essa suavidade se faz presente
Nem tanto para tal, um tanto que nos pele.
E um aroma soprado, de dentro do ausente.
Adentro ao incógnito, nada aparente.
Referido libertário, na coisa de pele.
E carrega um conjunto astral que nos sela
E todos os ocultos que nos sentem
Num cortejo clássico a bela
Tempero do desejo visceral
Renova o espírito, emerge o poeta.
Como reza a roda da vida
Fusão da dama, desejo e demônios.
Há os que nem revelam pseudônimos
Mas se faz presente e cada qual sua meta
Como num balaio abissal
Em meio a tanta busca incerta
 Entender essa magia que agarra
 Mistura até areia virar cristal.  
Um mergulho aos sonhos
e seus refinados brocados
O segredo do vermelho da rosa
alem do bem e do mal
Suas pétalas descobrem a nudez
e tudo que é submerso dessa prosa
Numa imersão atemporal
sabe-se lá para onde vamos,
Nesse mundo desconhecido vertical
que os suores não revelam
dialogam com produto expelido
fulgor de sua flor aberta
faz do toque portal
Assim lançados como flecha
Penetrar a toda aberta
num moderno conto de fadas
Descansando na rede desse umbral
Balançamos hora lado de lá hora de cá
Com almas mescladas, meladas de suor.
Somos o principio da pedra filosofal
Uma alquimia sincrética a Parsífal
Após  gole de brinde, pousamos o cálice.
E os corpos na horizontal

SÉRGIO CUMINO – POETA DE AYRÁ

terça-feira, 5 de abril de 2016

POESIA DE ILÊ




POESIA DE ILÊ



Ao chegar a casa de Agodô 

Encontro, alento e preparo

Herança povo nagô

Como passeio de  chalana

E a esperança embarcada

Torna relativo o tempo

Nas ondas das células

entregue a correnteza

É o espírito que me possa

que adentra a roça

O aqui e o acolá, separa

Despachando a rua

Saudando o aye

Puxado pelo cheiro

Da flor branca

Pipocando no ferro

na arena da panela

como dança sagrada

O corpo se entrega

a folha afogada na cuia

Que desce molhada

Limpando o mau agrado

Motumba de cá

Motumba-axé de lá

Declino-me as mães

Seus orixás e suas benções

Axé da Yabás e da filha

De Acaçá e da Padilha

Faz-me lembrar do padê

Adentrar é o inicio rito

Liga olhar ao que não se vê.

Vapor e o apito

Sombra e seu duplo

E sonhos irrestritos

Desse mundo sem fim

De forja e prosa

lenha que queima, defuma

e incensa o culto

da sagra cada caminhada

desses irmãos de lida

Desbravando trilhas

Em até o que não quer.

Segue a manha para riba

Corte a lua e seus dotes

Sob sua magia que brilha

mulheres á baiana

proseando sobre as esteiras

propósitos de cada etéreo

de amores e sortilégio

e quando é pro cafuá

que encaminha os enigmas

 guardados como patuá

quando a busca vem a mente

o vento chega diferente

pela bandas de lá

entra falante e imponente

com toda graça de Oyá

toca o sino dos ventos

como Ogã seu agogô

vibra ondas divinas

Com  lucidez intrigante

 Iemanjá traz nas maresias

inspira o poeta a poesia

falar de amor a Osun

das labaredas de Xangô

sentimentos misturados

se alinham como seda

apego consagrado

num ritual fun fun.
 SÉRGIO CUMINO - POETA DE AYRÁ

quarta-feira, 16 de março de 2016

AMADA MANCA




AMADA MANCA

As desaforadas que passam
Por você não ter rebolado
 que o país esta fadado
Cochicham em satisfação
Sobre seu andar
E o descompasso que manca

Quanto tempo contigo passo
Em transe com seus  olhos
A ponto de como são os passos
Passa despercebido
Vislumbrar que pode ser amada
Deixas as beldades desesperadas

E afiam o sabre do preconceito
Contrapondo meu lábio molhado
Pela exuberância daquele beijo
Momento que as pernas não vêem
Entrego-me a boca é fato
E a poesia que estou vivendo

Andar? Tateia as possibilidades
Em caminhos avariados
Que faz da sua fragilidade exposta
Evolução do nosso afago
A ternura que no ombro encosta
Desenha amor em meus cuidados

Não se contagie com essa gente
Que a maior deficiência
É viver com a impotência
Que os enche
Inflados mal amadas
Vomitam de suas sacadas


Passos desejados do pensamento
elevado faz do asco menos
assim afirma seu pleno feminina
Declino-me perante sua finura
Amando seu jeito menina
Seguimos de braços ternos

Quando a pego pelas ancas
Mulher amada e desejosa
As que a chamam manca
Pela rua do ouvidor
Cacarejam como penosas
Por não terem um grande amor.

Sérgio Cumino – Observatório SP 803

sábado, 5 de março de 2016

CAMINHOS QUIXOTESCOS




CAMINHOS QUIXOTESCOS

Como não repercute o grito entre o vácuo
Corro em busca de minha explicação,
nas estrelinhas de minhas duvidas,
na especulação de minhas performances   
na previsão de me dispor a qualquer
imprevisto, a dialética do vou ou fico

Procuro o máximo afago das mãos
Da vitória, e correndo o risco
com os toques de pelica,
na filosofia a vida é tomando  
que se leva, o estigma é
sinônimo da sabedoria,
e a carne é forte.

Na cinematografia dos conflitos vividos, 
sou um só, os  outros fazem parte de minha   
criação, que se declina perante 
Eros e Dionísio, reciclando a ser só, 
em busca de um colo intimo;e que meus
desequilíbrios atinjam o equilíbrio

 Ogum abra os meus caminhos a atingir as 
regiões dos desejos, a compreensão
de minha aldeia.
As plantas do parque é a floresta que  
o grilo canta os mistérios de seu mundo.
Mistérios da boca entreaberta   

O olhar de ardente espiral,
que explica no jeito e nasce no ventre
Mistério do mundo e Dom Quixote
Sonhador que não canta o vácuo
mas ama em laços sua Dulcinéia
de ritmos e luzes.
                                                             
SERGIO CUMINO – POETA E A EXISTÊNCIA

FLECHÁ-LA



FLECHÁ-LA

Sou cupido de mim mesmo
Querer cá dentro
Suspiro no seu corpo inteiro
motivo da busca
que a faz meu alvo
estimulo é o te quero
Como quero
Mover-me em  seu movimento
doce e belo
enigma de todo desejo
transformado em paixão
em fogo sem razão
em voltagem louca
que vontade boa
de instinto selvagem
não importa onde amar
sobre recluso das montanhas
os ventos do campo
a magia do beira mar
guiado por nossas miragens
roço o seu vale vasto
mergulho em sua caverna
e penetro o etéreo  
mil formas e fazer amor
Oceano para poema compor
feminina move a rima
olhar é a mãe das  asas
Sorriso acende o coração
E ser um rio sem margens  
Como seu corpo envolto
delicioso úmido ardor
que aquece meu ser inteiro
num transe verdadeiro
Um calor virando  brasas
envolvo  dedos em cachos
Você perdida em cobiça alada
Traduzidos nos rosados seios
frutas do  vinho, suas uvas
arrepio da nuca, minha barba
Embebedo-me de você e dou, ·.
Sirvo-lhe o deleite desse arqueiro
Atrevido como  de guerreiro,
Perspicaz flecheiro, amante.
Cândida felina me caça
No seu dia da graça
Com as pernas me abraça
suga a flecha mágica
servindo-lhe que me tem
Cavalheiresco arqueio Zen
penetra sua mata, sua vulva
seus segredos, sua alma.
Doo-me sem limite.
Sou seu e meu, cupido.
De mais ninguém.
Só aspirar ser flechada.
Tornar-se Psique
SÉRGIO CUMINO -



sexta-feira, 4 de março de 2016

ESTIAGEM DO DESEJO




ESTIAGEM DO DESEJO

Mal se deu o fulgor da emoção
Que fez da   ação poesia e projeção
Ainda nas badaladas do sino
Como especialista em frustrar sonhos
Fez dos mais puros gestos, desilusão.
Fez do belo, sórdido e enfadonho

Um ritual da bem-aventurança
rompido, pelo ego sem  rumo
 Loucura, marionete  ou pajelança? 
Malquerer  nas pontas  dedo, 
que derrubou-nos  do prumo
Ato perverso criador do medo

Dedos que resiste ao anel.
A união, cópula e poesia.
Lago sem oxigênio, sem mel.
Longe de tudo que descobrimos
buscar o novo que mais valia
as mãos dadas para sentirmos

Rogo ao Deus do trovão
graça que me faz lutar 
inclino-me com devoção
acende  minha alma ágil
para que continue amar
Com a tolerância do sábio

Força divina que tudo sabes
Pontos de desaponto são fatos
 já sem  potência sem bases
que o desígnio  nos arremeteu
O poema é prenuncio do ultimato
 E o Torpe  dedilhar é jubileu

Meu Embate de toques perdoa
Que vive como Tristão a dor
Noite e dia, fogo que não apaga.
Mesmo com adágio que atraiçoa
Contraponho o sombrio com amor
Minha mão não bate, afaga.
                                           
Torna nossa vida monte salina
Hão de renascer  em conto de fadas     
O belo transcende e limpa o olhar.
Por ela, por mim, e novas trilhas.
Resgatará o sentimento que afaga
cada dia aprendendo jeitos de amar

Rogo que não seja epílogo
Essa tortuosa forma de remate,
Coração  perverso, que seja vencido
porque apagar a memória
 valerá se depois do embate
Extinguira o falseio pela força do tempo

SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO SP 803

RESOLUÇÕES E SUAS FERIDAS




RESOLUÇÕES E SUAS FERIDAS

Fim do período cíclico anual
Entra mais um ano da era cristã
Abrimos a alma a todos os ritos
A tradição nas Tigelas com avelã
O estouro do  Champagne é o portal
Riso lágrima e luzes de artifícios.

Intrépidos dias do velho ano
Com  fé criada em águas turvas
Pelos meus que tanto amo
Cria-se a força que me lança
Desnudo livre, vivo e sem luvas.
Navego na barca  da esperança

O ego  vibra o total desgosto
Atropela-me como trem expresso
Trilhos de sombria desesperança
Logo Instantes de um ano posto
Apresenta o Lastimoso regresso
Nas danças de  más  lembranças

Foi o dedilhar de uma egolatria
Gente que cria ações dantescas
Voltando ao ponto triste que faria
Alma do mais tenebroso inverno
Em combinações funestas
Jogadas a lama momentos ternos

O paradoxo que se  liga
Repudia com quem pôs a mesa
Nosso circulo, elos que a frieza desliga.
Apagando  trilhas, veredas e andanças.
Atravessa meu coração com sua presa
Falta de ardor no que seria festança

O ano com luz deveria nascer
cuja soma resulta nem um;
Agora é dor, sem consolo.
Da felicidade que me faz abster
Pega a alma em desjejum
Infame fruta amarga o bolo

Passados e legado de  amargura
regride ao que já era de superar
Por não estar despido da armadura
explode meu peito sem anestesia
Em cacos virara meu vaso secular
frangalhos a brandura que vestia

SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO SP 803