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sábado, 14 de maio de 2016

CIDADE DOS INVISÍVEIS




CIDADE DOS INVISÍVEIS

Ser a catarata moral
dos olhos alheios
De uma implosão desigual
E uma explosão desleal
Que olha como se visse
a imagem congelada
de um medo imundo
Ser agressão de seus fantasmas?
Protagonista da sua ilusão?
Hora me olha como nada
Hora me olha como louça
Mas nunca como gente
Porque se sente
Vê-se demente
Nada terno
Fingindo decente
Até sua fugaz realeza
vem das águas de Maria Louca
Com intolerância enrustida
Travestida de olhar garboso
cujas necessidades alheias
lhe expõe a seus infernos
Sartre diz ser os outros
O celebre existencialismo
Não vislumbrou o abismo
Que é a cabeça
De um ser preconceituoso
Perdendo a zona de conforto
Conforta mais vê-lo com irmão
Não como esse prisioneiro
Na masmorra da mente
Que se nega a ideia
que a riqueza
esta nas diferenças
O que muda na cadeira
Que leva com as rodas da vida
Uma nova forma de olhar o mundo
Que a beleza do quadro
Nasce na qualidade amável
dos gestos do pintor.

SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO SP 803

quarta-feira, 11 de maio de 2016

ADJUNTOS & JUNTOS



ADJUNTOS & JUNTOS
Quero em mim
Do jeito que me faz
Mergulhar em si
Desse jeito que fico
muito louco
suando em mim
penetrando em si
como vapor do banho
com a palavra gostoso
Acende mais esse fogo
que tenho por ti
mexe para me chamar
Eternizar gozo deleitoso
Vejo em uma fêmea
Encanto de mil damas
Entre noite que me roça
seus gemidos me cantam
na ficção se  melam
Ofegando nosso amor
Ao seu cântico cio
orquestro me viril
para dança de câmara
com um foco de luz
do estacionamento lá fora
Quando me posto agora
entregar-me a dama
E sua Rosa aflora
Tudo se transforma
misturados se transborda
juntos tão alcova
Terem sentidos gozados
Espíritos regados
como as rosas dos jardins
Mudando a cada toque
Como sol dando calor
a cada hoje, um dia melhor
Sem ansiosos obstáculos
Descobriremos nossos passos
De um horizonte sem fim
nesse mundo de possibilidades
o resto são conjecturas.

SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO SP 803

OPA! OPA! EXÚ MEIA NOITE




 OPA! OPA! EXÚ MEIA NOITE

Boa noite, senhor Meia Noite.
Pela noite que tudo passa
tem a chave que destrava
a mente atormentada
os segredos das badaladas
e a legião da sua corte
Sente a força de sua graça
A noite é sua praça
Nada passa por Meia Noite
Nem no meio se disfarça
Nem vazio da ideia vã
Seja destino daquela caça
Ou paciência do caçador
De onde não se imagina
Para onde?Nem pode supor
Sejam as veredas de lonan
Ou estigmas daquele açoite
Antes das ruas de Tranca
Entre esse e outro mundo
Seu conhecimento profundo
Dos mistérios do um umbral
E os fascínios de sua noite
Ali Meia Noite Manda
Materializa até a sombra
Na passagem de um a um
Seu gingado tudo laça
com axé de sua dança
Na maestria do seu portal
Com alegria daquele canto
Sua simpatia de malandro
Laroie seu Exú.
Opa ! Opa! Como mântra

SÉRGIO CUMINO – POETA DE AYRÁ

sexta-feira, 22 de abril de 2016

PEGA NA MANOPLA




PEGA NA MANOPLA

Sente esse vento gostoso?
Para  selar a harmonia
Resgatar o que sorria
Com abraço do seu par
Valor do pé andante
Baluarte do caminha-dor
alivio para onde for
E as rodas das cadeiras
giram em buscas justas
Liberdade de movimentos
conquistadas a cada via
Por isso meu irmão
Não se culpa
Basta a linha da vida
no pergaminho da palma
abraçar a manopla
Guiarmos nosso rumo
Com o gosto de fazer junto
O plural de um povo
tem coletivo humano
precursor do respeito
guias de todos acessos
Não para empurrar
 Sair lado a lado
Meu irmão meu par
Estufa o pulmão de ar
Para bordão de cada brado
Fortalece as buscas
Não tomam medidas
Mas é possível
Onde tem coração
Navegando vontade pura
De uma cidade acessível
Não esse inferno de Dante
Doe um pouco de si
Em troca o orgulho de ser.
Como tropa, trupe ou vibe.
Assim abraçaremos a cidade
Com jeito amável de servir.
A aí o vento abraça face
Compartilho contigo
Deliciosa sensação
De poder ir e vir

SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO SP  803

quarta-feira, 13 de abril de 2016

CABARÉ EM TRANSE



 CABARÉ EM TRANSE

 Uma sensação física de mulher
me persegue como se desse um recado
Com o sussurro atrevido e sedutor
Essa suavidade se faz presente
Nem tanto para tal, um tanto que nos pele.
E um aroma soprado, de dentro do ausente.
Adentro ao incógnito, nada aparente.
Referido libertário, na coisa de pele.
E carrega um conjunto astral que nos sela
E todos os ocultos que nos sentem
Num cortejo clássico a bela
Tempero do desejo visceral
Renova o espírito, emerge o poeta.
Como reza a roda da vida
Fusão da dama, desejo e demônios.
Há os que nem revelam pseudônimos
Mas se faz presente e cada qual sua meta
Como num balaio abissal
Em meio a tanta busca incerta
 Entender essa magia que agarra
 Mistura até areia virar cristal.  
Um mergulho aos sonhos
e seus refinados brocados
O segredo do vermelho da rosa
alem do bem e do mal
Suas pétalas descobrem a nudez
e tudo que é submerso dessa prosa
Numa imersão atemporal
sabe-se lá para onde vamos,
Nesse mundo desconhecido vertical
que os suores não revelam
dialogam com produto expelido
fulgor de sua flor aberta
faz do toque portal
Assim lançados como flecha
Penetrar a toda aberta
num moderno conto de fadas
Descansando na rede desse umbral
Balançamos hora lado de lá hora de cá
Com almas mescladas, meladas de suor.
Somos o principio da pedra filosofal
Uma alquimia sincrética a Parsífal
Após  gole de brinde, pousamos o cálice.
E os corpos na horizontal

SÉRGIO CUMINO – POETA DE AYRÁ

terça-feira, 5 de abril de 2016

POESIA DE ILÊ




POESIA DE ILÊ



Ao chegar a casa de Agodô 

Encontro, alento e preparo

Herança povo nagô

Como passeio de  chalana

E a esperança embarcada

Torna relativo o tempo

Nas ondas das células

entregue a correnteza

É o espírito que me possa

que adentra a roça

O aqui e o acolá, separa

Despachando a rua

Saudando o aye

Puxado pelo cheiro

Da flor branca

Pipocando no ferro

na arena da panela

como dança sagrada

O corpo se entrega

a folha afogada na cuia

Que desce molhada

Limpando o mau agrado

Motumba de cá

Motumba-axé de lá

Declino-me as mães

Seus orixás e suas benções

Axé da Yabás e da filha

De Acaçá e da Padilha

Faz-me lembrar do padê

Adentrar é o inicio rito

Liga olhar ao que não se vê.

Vapor e o apito

Sombra e seu duplo

E sonhos irrestritos

Desse mundo sem fim

De forja e prosa

lenha que queima, defuma

e incensa o culto

da sagra cada caminhada

desses irmãos de lida

Desbravando trilhas

Em até o que não quer.

Segue a manha para riba

Corte a lua e seus dotes

Sob sua magia que brilha

mulheres á baiana

proseando sobre as esteiras

propósitos de cada etéreo

de amores e sortilégio

e quando é pro cafuá

que encaminha os enigmas

 guardados como patuá

quando a busca vem a mente

o vento chega diferente

pela bandas de lá

entra falante e imponente

com toda graça de Oyá

toca o sino dos ventos

como Ogã seu agogô

vibra ondas divinas

Com  lucidez intrigante

 Iemanjá traz nas maresias

inspira o poeta a poesia

falar de amor a Osun

das labaredas de Xangô

sentimentos misturados

se alinham como seda

apego consagrado

num ritual fun fun.
 SÉRGIO CUMINO - POETA DE AYRÁ

quarta-feira, 16 de março de 2016

AMADA MANCA




AMADA MANCA

As desaforadas que passam
Por você não ter rebolado
 que o país esta fadado
Cochicham em satisfação
Sobre seu andar
E o descompasso que manca

Quanto tempo contigo passo
Em transe com seus  olhos
A ponto de como são os passos
Passa despercebido
Vislumbrar que pode ser amada
Deixas as beldades desesperadas

E afiam o sabre do preconceito
Contrapondo meu lábio molhado
Pela exuberância daquele beijo
Momento que as pernas não vêem
Entrego-me a boca é fato
E a poesia que estou vivendo

Andar? Tateia as possibilidades
Em caminhos avariados
Que faz da sua fragilidade exposta
Evolução do nosso afago
A ternura que no ombro encosta
Desenha amor em meus cuidados

Não se contagie com essa gente
Que a maior deficiência
É viver com a impotência
Que os enche
Inflados mal amadas
Vomitam de suas sacadas


Passos desejados do pensamento
elevado faz do asco menos
assim afirma seu pleno feminina
Declino-me perante sua finura
Amando seu jeito menina
Seguimos de braços ternos

Quando a pego pelas ancas
Mulher amada e desejosa
As que a chamam manca
Pela rua do ouvidor
Cacarejam como penosas
Por não terem um grande amor.

Sérgio Cumino – Observatório SP 803

sábado, 5 de março de 2016

CAMINHOS QUIXOTESCOS




CAMINHOS QUIXOTESCOS

Como não repercute o grito entre o vácuo
Corro em busca de minha explicação,
nas estrelinhas de minhas duvidas,
na especulação de minhas performances   
na previsão de me dispor a qualquer
imprevisto, a dialética do vou ou fico

Procuro o máximo afago das mãos
Da vitória, e correndo o risco
com os toques de pelica,
na filosofia a vida é tomando  
que se leva, o estigma é
sinônimo da sabedoria,
e a carne é forte.

Na cinematografia dos conflitos vividos, 
sou um só, os  outros fazem parte de minha   
criação, que se declina perante 
Eros e Dionísio, reciclando a ser só, 
em busca de um colo intimo;e que meus
desequilíbrios atinjam o equilíbrio

 Ogum abra os meus caminhos a atingir as 
regiões dos desejos, a compreensão
de minha aldeia.
As plantas do parque é a floresta que  
o grilo canta os mistérios de seu mundo.
Mistérios da boca entreaberta   

O olhar de ardente espiral,
que explica no jeito e nasce no ventre
Mistério do mundo e Dom Quixote
Sonhador que não canta o vácuo
mas ama em laços sua Dulcinéia
de ritmos e luzes.
                                                             
SERGIO CUMINO – POETA E A EXISTÊNCIA

FLECHÁ-LA



FLECHÁ-LA

Sou cupido de mim mesmo
Querer cá dentro
Suspiro no seu corpo inteiro
motivo da busca
que a faz meu alvo
estimulo é o te quero
Como quero
Mover-me em  seu movimento
doce e belo
enigma de todo desejo
transformado em paixão
em fogo sem razão
em voltagem louca
que vontade boa
de instinto selvagem
não importa onde amar
sobre recluso das montanhas
os ventos do campo
a magia do beira mar
guiado por nossas miragens
roço o seu vale vasto
mergulho em sua caverna
e penetro o etéreo  
mil formas e fazer amor
Oceano para poema compor
feminina move a rima
olhar é a mãe das  asas
Sorriso acende o coração
E ser um rio sem margens  
Como seu corpo envolto
delicioso úmido ardor
que aquece meu ser inteiro
num transe verdadeiro
Um calor virando  brasas
envolvo  dedos em cachos
Você perdida em cobiça alada
Traduzidos nos rosados seios
frutas do  vinho, suas uvas
arrepio da nuca, minha barba
Embebedo-me de você e dou, ·.
Sirvo-lhe o deleite desse arqueiro
Atrevido como  de guerreiro,
Perspicaz flecheiro, amante.
Cândida felina me caça
No seu dia da graça
Com as pernas me abraça
suga a flecha mágica
servindo-lhe que me tem
Cavalheiresco arqueio Zen
penetra sua mata, sua vulva
seus segredos, sua alma.
Doo-me sem limite.
Sou seu e meu, cupido.
De mais ninguém.
Só aspirar ser flechada.
Tornar-se Psique
SÉRGIO CUMINO -