MANIFESTO!
“CIDADÃO PORTADOR DA DEFICIÊNCIA”
Gritam além da porta
Inicia-se o martírio
No passeio avariado
titubeia o passo dado
Começa o dia ao que portas
Pula quem pode
O lixo espalhado
Quem é impossibilitado
Retorna pela via ao lado
Vive nessa contramão
A ladeira pesa na memória
A subida inverossímil
Íngreme é imensurável
como simples degrau
Para quem não há condição
assim é o calibre
da impotente relatividade
Faz-se o vácuo do tempo
ficar parado na parada
passa um, passa dois
passa três, passa quatro
reflete sua existência
“Não posso parar,
se parar eu penso
se pensar eu choro”
Sentimento de impotência
pela falta do carro adaptável
Independente do buraco
ou a largura da passagem
Não importa a idade
e agora já comporta
Com ou sem necessidade
Se oito ou oitenta
Desrespeito com a cidade
que portamos nas costas
Depara-se com a prioridade
que o acesso do seu passeio
E a subida para garagem
faz do cidadão carregador
Impávida mula
dessa carga da indiferença
A pessoa com deficiência
é portadora essa indulgência
SÉRGIO CUMINO – PCD – POESIA COM DEFICIÊNCIA








