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sábado, 11 de junho de 2016

A ÉPICA MÃE CORAGEM

Poema dedicado a Jô Nunes - a autentica MÃE CORAGEM


A ÉPICA MÃE CORAGEM


Faz-se do estranhamento

Aos olhares conformados

Quer-se é da media nobreza

Diante dos soldados da corte

E seus olhares de paisagem

ante dos seus conflitos

Expressam náuseas

Indigna-se com o horror.

Do discurso ensaiado

Respondem com estiagem

Da solidariedade em louvor

- Minha senhora faz-me o favor!

Rompe o Indulto com estranheza

-O que quer? Se quer pode custear!?-

A legalidade estancada

Por agentes sem virtude

Com a brasa de guerrilheira

Responde sem pestanejar

- O sorriso de conquistar,

respeito e  providencias-

Em tempos de indiferenças.

Essa Mãe subversiva

Como interpretam seu pedido

os surdos do sistema

desentende libra ou outra língua

quiçá uma síndrome

No sistema que porta deficiência

Torna apelo em pantomima

Mas sua vontade intuitiva

Desarma o ceticismo técnico

Mesmo declarado-a  louca

O amor comprova lúcida

Não a faz vitima da história

Cada batalha de sua trajetória

É a grandeza de um capítulo Épico

Sempre com voz afirmativa

De coragem e astúcia

Torna-se divisor de águas

Contra o mundo de barreiras

Para que nossos filhos  

sejam apenas crianças



SÉRGIO CUMINO – PCD – POESIA COM DEFICIÊNCIA

sexta-feira, 10 de junho de 2016

PARAPLEGIA DA NOITE



PARAPLEGIA DA NOITE

Conversa com a noite
se mantém calada
só observa
Faz gritar o silencio
Deve ter sua  tática
Ou cumplicidade?
Fica na espreita
como o corpo, parada
Ou serenamente absorta
faz dos pedidos reza
da indignação sacrilégio
e a duvida chega a fé
E aquilo que pesa
Nem tudo é como antes
Incerto por linhas tortas
Se o desejo não emperra
outros sonhos movem
Será outro colégio.
Foi-se com a mobilidade
com muitas possibilidades
afogadas no brejo
se quer sente os pés
Assim refletirá sua luta
-porque não entendeu ontem
quando tirava onda
em uma de suas paradas
na encruzilhada que destina
o perceber sensível que flora
nas veredas de outrora
se não fosse esse desfecho
vibraria em outras sinas-
É ave de  rapina
Mesmo com asas quebradas  
Sua herança não é a culpa
Não deixe o querer embernar
Escute a noite
Deixe silencio a falar
E sentirá cada palavra.
SERGIO CUMINO – PCD – POESIA COM DEFICIÊNCIA

domingo, 5 de junho de 2016

MANIFESTO! “CIDADÃO PORTADOR DA DEFICIÊNCIA”




MANIFESTO!
“CIDADÃO PORTADOR DA DEFICIÊNCIA”

Gritam além da porta
Inicia-se o martírio
No passeio avariado
titubeia o passo dado
Começa o dia ao que portas
Pula quem pode
O lixo espalhado
Quem é impossibilitado
Retorna pela via ao lado
Vive nessa contramão
A ladeira pesa na memória
A subida inverossímil
Íngreme é imensurável
como simples degrau
Para quem não há condição
assim é o calibre
da impotente relatividade
Faz-se o vácuo do tempo
ficar parado na parada
passa um, passa dois
passa três, passa quatro
reflete sua existência
“Não posso parar,
se parar eu penso
 se pensar eu choro”
Sentimento de impotência
pela falta do carro adaptável
Independente do buraco  
ou a largura da passagem
Não importa a idade
e agora já comporta
Com ou sem necessidade
Se oito ou oitenta
Desrespeito com a cidade
que portamos nas costas
Depara-se com a prioridade
que o acesso do seu passeio
E a subida para garagem
faz do cidadão carregador
Impávida mula
dessa carga da indiferença
A pessoa com deficiência
é portadora essa indulgência
SÉRGIO CUMINO – PCD – POESIA COM DEFICIÊNCIA

sexta-feira, 3 de junho de 2016

AUDIODESCRIÇÃO



 AUDIODESCRIÇÃO

Com sorriso contemplativo
O horizonte banha a face
Sente o calor desenhando
E colorindo com rubor
A obra do nosso astro
Cosmo e seus artistas
E como uma assinatura
O vislumbre sem cor
A vontade de voar
Como se as andorinhas
Passam para nos chamar
Ah uma delicia devagar
no aroma da flor do campo
e em suas essências mágicas
dão graça a esse louvor
segurando sua mão
com cheiro suave
cúmplices a compartilhar
parece que nada nos abala
registramos em nossas palmas
seladas pela química do suor
Nessa dança da água e o ar
O bailado com lindo canto
Tarde de operetas  plácidas
Abrimo-nos para margem
No acústico da marola
Como ela sabe acalmar
Sabe o que ela diz?
Aqui entenderemos o amor
Com essa umidade terra
Seu piso firme no chão
Incomodo do lábio seco
E a pergunta que não quer calar
Pelo seu batimento acelerando
-É! Vê tudo isso sem enxergar?
Nessa tarde noturna
A percepção e a emoção.
Traduz-se em audiodescrição

SÉRGIO CUMINO – PCD – Poesia Com Deficiência

terça-feira, 31 de maio de 2016

VELOZES A LAMURIOSOS





VELOZES A LAMURIOSOS

Ousadias pela noite
Corre mais que o vento
Orgulhos das cilindradas
Gritam roncos absurdos
Inibe apnéias dos pais
Ignora regras e sinais
Desafia o signo da foice
O bom senso da sorte
E a lua indignada
Nesse duelo com a morte
Na avenida de duas vias
No topo da aroeira
A coruja pia
Anunciando o basta
Do dono da estrada
O desrespeito aos caminhos
Com imprudentes passos
E a corrida das baladas
Da água para o vinho
O soar assustado do sino
anuncia em badaladas
É pego pelo laço
Sua hora é chegada
Junto com a parada
A encruzilhada trancada
encontra aquele poste
Divisor do novo norte
Desenha novo destino
Através da sabedoria da dor
Prepara-se para nova troca
e aquilo que lhe sobra
Da radical manobra
Glamour de sua penúria 
para dupla de manopla
Que conduz as novas rodas
Com apoio do seu consorte
Quando poderia supor
Do cavaleiro solitário
Após o desespero que evoca
descobre sua nova obra
Resiliência é o passaporte
E  toda opera de lamuria
terão coros solidários
Orquestrados pelo amor.

SERGIO CUMINO – PCD – POESIA COM  DEFICIÊNCIA

quinta-feira, 26 de maio de 2016

ILHA OPRIMIDA





ILHA OPRIMIDA

 A linha do horizonte
Onde o sol se põe
Olhar se perde
Não pela imensidão
da mente e as ilusões
Sim nos devaneios
Da neblina incerta
Assim perde-se o sol
E a possibilidade do sonho
Ou o que se imagina ser
Entre, cá e o astro.
Há névoa de fuligem
Do descaso imoral
Até o espetáculo poente
Ocorre na suposição
Porque tudo escurece
Na fusão da noite e o medo
Vem o receio do açoite
E o dia renasce
Junto com desesperança
Que a cada ciclo embrutece
Por conta do abismo
De um simples degrau
Tornando-o um ser
 Oculto, inculto um vulto.
E as rodas já não guiam
Nem pulam brejos
da suntuosa hipocrisia
Numa cegueira desigual
Paralisia chegou à alma
Travestida de culpa
Mortalha dos sentidos
A estima ancora na costa
E se posta de costas
E naquela praia
Na luta pela mobilidade
Ativista lhe atiça
-Grite pelos seus direitos-
E as Libras emudecem
Até para gestos obscenos
 E sem coragem padece
Na luta contra si mesmo
SÉRGIO CUMINO – PCD – Poesia Com Deficiência

quarta-feira, 18 de maio de 2016

PUDOR DO PECADO CEGO



 PUDOR DO PECADO  CEGO

A Bela na galeria de arte
E o espírito que se farte
nessa viagem virtual
Num olhar casual
vê um homem deslocado
Galante de fino olfato
Ela no um bom papo
Altivo naquele canto
ausente de todo bando
Ele não avista o flerte
Assim como os flashs
Ai o imprevisível desmonte
Ao vir Bastão de Hoover
Como um choque de valores
Resgata do arquivo de pudores
– corte o mal agora do que tarde -
Para conflito não criar alarde
Consola-se com a compaixão
Mas vem a idade da razão
A revolução em seu calvário
O que será do Erário?
A bênção de um conceito
Revelação do preconceito
Ele não vê. Ela Vê !Ele é Gato!
Será que é pecado
Se ajudar é a intenção
Fará um audiodescrição
Caminha pela sala
Perfume exala 
A arte de se aproximar
E pensar no que falar
Articular os sinônimos
Quem fala são feromônios
Numa virada do instinto
Antecipando o pressinto 
Apoia-se no decote
Os corpos em trote
Sem ver para crer
Sente delicioso ter
Imobilizados sem jeito
Pulsando a causa efeito
Pausa dramática
Expressão enfática
Que o desejo é muito bom
E  constrange fora de tom
Caçoa com a consternação
E sob a palma da mão
Uma seda de fino fio
Sobre um bico no cio
o olhar do toque
é a prova dos nove
Germina um tesão de respeito
Sem tirar as mãos do peito

SÉRGIO CUMINO -

sábado, 14 de maio de 2016

CIDADE DOS INVISÍVEIS




CIDADE DOS INVISÍVEIS

Ser a catarata moral
dos olhos alheios
De uma implosão desigual
E uma explosão desleal
Que olha como se visse
a imagem congelada
de um medo imundo
Ser agressão de seus fantasmas?
Protagonista da sua ilusão?
Hora me olha como nada
Hora me olha como louça
Mas nunca como gente
Porque se sente
Vê-se demente
Nada terno
Fingindo decente
Até sua fugaz realeza
vem das águas de Maria Louca
Com intolerância enrustida
Travestida de olhar garboso
cujas necessidades alheias
lhe expõe a seus infernos
Sartre diz ser os outros
O celebre existencialismo
Não vislumbrou o abismo
Que é a cabeça
De um ser preconceituoso
Perdendo a zona de conforto
Conforta mais vê-lo com irmão
Não como esse prisioneiro
Na masmorra da mente
Que se nega a ideia
que a riqueza
esta nas diferenças
O que muda na cadeira
Que leva com as rodas da vida
Uma nova forma de olhar o mundo
Que a beleza do quadro
Nasce na qualidade amável
dos gestos do pintor.

SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO SP 803

quarta-feira, 11 de maio de 2016

ADJUNTOS & JUNTOS



ADJUNTOS & JUNTOS
Quero em mim
Do jeito que me faz
Mergulhar em si
Desse jeito que fico
muito louco
suando em mim
penetrando em si
como vapor do banho
com a palavra gostoso
Acende mais esse fogo
que tenho por ti
mexe para me chamar
Eternizar gozo deleitoso
Vejo em uma fêmea
Encanto de mil damas
Entre noite que me roça
seus gemidos me cantam
na ficção se  melam
Ofegando nosso amor
Ao seu cântico cio
orquestro me viril
para dança de câmara
com um foco de luz
do estacionamento lá fora
Quando me posto agora
entregar-me a dama
E sua Rosa aflora
Tudo se transforma
misturados se transborda
juntos tão alcova
Terem sentidos gozados
Espíritos regados
como as rosas dos jardins
Mudando a cada toque
Como sol dando calor
a cada hoje, um dia melhor
Sem ansiosos obstáculos
Descobriremos nossos passos
De um horizonte sem fim
nesse mundo de possibilidades
o resto são conjecturas.

SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO SP 803