ESSE BLOG NÃO PERTENCE SÓ AO POETA, ELE É DE TODOS NÓS

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

VIVA & VERSA




VIVA & VERSA

Por vezes recorremos
Ao caminho trocado
E o desde sempre
Um suspiro mutuo
o que se descobre
Quão pobre ou nobre
 o conflito ansiado
germina movimento
 o ser e seu duplo
um tem ao outro
Na frieza e no sentimento
quando seu oposto
professará convosco
Aquilo que esta apartado
  quando um é ação
 depois arrependimento
 A soma dos comiserados
como escudeiro vulto
interprete dos infernos
Antagônico nas variantes
E no curso dos imprevistos
Possibilidades previstas
Não se sabe qual de ambos
Uma diligência fadada
Outro olhar apurado
as probabilidades infinitas
Adverso de cada verso
 Reza o conflito
e versa a causa e efeito
Dando ação aos sentidos
e sentidos as ações.
Terno e o inferno
Dessa roda da vida
Que nas suas voltas
È  o protagonista
Dolo e seu suposto
Desse melodrama
Para que cada conviva
Em águas de Aristóteles
outras duvidas e hipóteses
Ator e seu papel
E as emoções que te leva  
naquilo que imagina ser
partilha a mesma questão
sendo um cético
outro devoção.

SÉRGIO CUMINO – O POETA DE AYRÁ

sábado, 14 de janeiro de 2017

DELEITE E A MOÇA

DELEITE E A  MOÇA
Às vezes me pega
Na sutileza do acaso
Como se bebesse vinho
Sem perceber!
Presença  Embargada
 por fragrâncias
de dama da noite
de rosas vermelhas
outrora jasmim
Feminino encantado
Sensação arrepiada
aconchego ao ninho
Se ela  vem
De mim ou além
Uma onde que me quer
É um calor que embriaga
Traduz a experiência
E com altivez
Torna reflexos aquém
Nada se assemelha
Sopro que me conduz 
Equação dessa soma
Regente do orgasmo
Sentido de ser mulher
Perco-me em anseios
Em meio às anáguas
Como feitiço da verbena
Movimento e essências
Coreografia dos mistérios
Que envolvem seu leque
A suas vertentes
Rendida me posto assim
Ao bom gosto as rendas
Segredos da Lua
E outros dos seios
Chega-me como sopro
Ilumina-me como luz
Arrepia quão espumante
Incendeia meu ventre
Assim alenta
A voz do atrevimento
Acende volições ocultas
Em ondas me vou
Deixa-me encabulada
Por vezes rubra
Perco  noção do perigo
gestora do escrúpulo
elimina as culpas
e os medos nulos
Movimentos ousados
Desejo em transe
Leva-me a dançar
Sentir-me louca
Afasta o mal
Enigma na gargalhada
Gosto alterado
chega-me do além
Esmalte carmim
Felina feita onça
brincos avantajados
Energias se misturam
Eu e minha Moça
Faz do corpo canoa
Nesta orla me tem
Acendem num pulo
a magia e o carnal!
Despedimo-nos do aquém

SÉRGIO CUMINO – Poeta de Ayrá

domingo, 8 de janeiro de 2017

CAOS E SEUS LAPSOS


CAOS E SEUS LAPSOS
Hoje eu me procurei
Espantado fiquei
-Acredita que continuei
e não me encontrei?
Parece coisa de outrem
Perdi até meus infernos
As promessas eternas
E ideais fraternos
Não faço ideia
pelo o que já brindei
Quando direi não
aos que geram asco
quando abraço o sim
nas provisões do âmago
sem referencias estéticas
que apito eu toco?
Que trem me toca
Ou seja toquei alguém?
Quais semelhanças
Entre a dor e amor,
com meu saber casto?
Qual um pudico público
que verborragias
meu palato reverbera?
Temas de superfície
Dos absurdos de mim
Responde-me com azia
Depressão no estômago
Pensamento a deriva
Naufrágio dessa Nau
Que procuro
Não encontro
O que me defronto
Não faz parte do todo
A cabeça vazia
com oceano escuro
Mistura os lapsos
das referencias na fé
bem que poderia
estar dentre lastros
de transtornos causados
cerceada por muros
quanto tudo torna nada
uma bruma etérea
recomeço abarca
por cada no entanto!
Assim germino do caos

SÉRGIO CUMINO –  PCD-POESIA COM DEFICIÊNCIA

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

MARLEY ARCANJO


 MARLEY ARCANJO

Marley chegou
estando entre nós
metafísico de coleiras
Atrevido se apresentou
Mostra-nos que buscamos
Em longe montes
O que temos aqui
Assim Marley apareceu
- Fechem à porta
Que ele é de rua!
Ao mesmo tempo
Que liberta nossa criança
A outra metade
Que nos resgatou
Da humana carência
Revelada no vácuo
Somos da mesma alcateia
Ali soltando alegria
Na vibração dos pelos
O baile do  Déjà vu
Que a mente desenha
No canil dos desejos
O que era impressão
se personalizou
juntar-se
Misturar-se
na cadencia da euforia
que ele trouxe
até parece presente
que vem mandado
Um Xamã encantado
como coisa do além
cruz credo de dizer isso
mas ele merece um osso
até a desilusão, sorria
porque as lambidas
da saudade no pescoço
como  passadas vidas
já as vidas amarrotadas
é o que o esperava
Deu uma guinada
Nos brindes da virada
O que atendia ; coitadinho
como os meninos o chamou
nos chega como um anjo
Que essa poesia inspirou
O Marley da guinada
quando a noite entra
éramos escolhidos
sem pressuposto
esse ser generoso
tirou nossos pés
cravados no solo
de braços abertos
ele pede colo
para  apreciar os fogos
da pirotecnia que somos

SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO 803

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

ENTRE OS VENTOS DE OYÁ





ENTRE OS VENTOS DE OYÁ

Quando encontrei Oyá
Foi num repente
Um raio! Sei lá!
Um cortejo comovente
Zumbimbeou ao ouvido
Para me postar no lugar
Que me explica em si
Seu ponto médio
que lhe converge
E assim ela me rege 
A sua graça me declino
abre a brisa do etéreo
Apresenta-me o hálito
 E seus sopros divinos
Entrego-me
 as suas providencias
e as ervas que espalhou
junto com os segredos
milenares de Òsanyìn
 o Soberano Solitário
Banhou o corpo quente
Que aquece o Tempo
Isso me vem de Ayrá
Perante o enigma
“Onde aporta cada aragem?”
Que vão do porto de veleiros
A dança do bambuzal
Assim a existência está
Assim encontra meu mim,
No encontro dos seus ventos
Vem a maresia de Iemanjá
Depois da fúria dos sonhos
Que são temporais de dentro
Atenuados evaporam
Sussurrar zunindo
Esse assovio  é a magia 
Que vem me falar
a propósito do sopro
Que me sobe o arrepio
Que me sobe como a pipa
Do sorriso da criança
Expandem-se como folhas
Que voou para nos elevar
Não sei se medo,
ou coisas de lá
pôs-me no seu centro
 e no meu peito pulsar
e faz da esperança
no meu Orí bailar
múltiplos ventos de Oyá

SÉRGIO CUMINO – O POETA DE AYRÁ

sábado, 3 de dezembro de 2016

ZUMBIU ORÍ



 ZUMBIU  ORÍ
Uma brisa me abate
Tornados nesse relento
Religa-me ao bento
E coisa de Oyá
Desculpa o jeito de fala
É sabedoria de mandinga
Que vem de outros tempos
Que avó me ensinou
Como dizia os antigos
A qual cura a ferida
E deixa a mente sã
Da cautela ao instinto
No encontro dos ventos
Leva a cabeça serenar
qual sentinela fun-fun
Como repouso do leão
Como um ritual xamã
Porque ação é sensitiva
Primitiva intuitiva
Invocado o que espero
Filtrado o que relevo
O  que não excito
Fortalecer meu mito
E sentir que a quero
Porque é no rito
Que me libero
E sem saber dizer
Ao que confio
Que vem prodígio
Som do apito
Que canta ao ouvido
Como fogo me revela
Passeio à alameda
Dos pensamentos
E a dança das labaredas
Chamas que sobem
E caminham a sua esquerda
Viram lava de suor
Soma aos fundamentos
E a troca do mal me quer
da margarida acabrunhada
A evolução de provimentos
Com pés firmados ao Aye
É o pouso do bem querer
E navega em águas
Com velas, revela.
E belas presenças
Libera a mente
Aos mistérios de Olorum
De bênção e salvas
Se for amor é Oxum.
SÉRGIO CUMINO – POETA DE AYRÀ

sábado, 26 de novembro de 2016

SINGULARIDADE NUA



SINGULARIDADE NUA
Singularidade  sua
que me apaixonei
Questão não é ser,
Passageiro ou eterno
Mesmo sem um porque,
Sentir a intensidade
É esvaecer etéreo
O clímax da transformação
Antítese de não ser
O ato em seu gozo brado
Ardor de luz efêmera
Ventos em desequilíbrio
É a tempestade
 Que se forma em mim
Que mesmo por momentos
E a síntese envaidecer
Tudo revela um sentido
Com a luz dessa fêmea
Até o  balanço  na rede
Esperando maresia beijar
Bem como a cabeça divaga
Sem saber que cabimento teve
Mas já sabido ao mergulhar
Da paixão ela ocupa vaga
E a trama iremos juntos tecer
Indo do Céu ao Inferno
Sua poesia exala beldade
Com calor e emoção
Assim como a magia da lua
            SERGIO CUMINO, POETA A FLOR E A PELE.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

INACESSIBILIDADE MULTIDISCIPLINAR




INACESSIBILIDADE MULTIDISCIPLINAR

Rota do Inacessível

Faz  dignidade parar

a travessia impossível

Desse horizonte sem luar

Um grito não ouvido



Para não se comprometer

E o Estado se resguardar

E não fazer o sentido

À resposta a esperar

nem em seu subjetivo



O que é incrível

Se no divã deitar

De um governo autista

O leva a se conformar

O porquê lhe aperto o crivo



Desde a idade do possível

entre os remotos  anos

isca o esquecido

como se fossem arcanos

Que  justifiquem os findos



Fatos que fazem crer

Vitimado o dolo tornar

Aí germina o grito

Resiste sem ar

Cético abraça o espírito



Hostil a grade oficial

De que vale cânticos

Para ramos escondidos

Mostram que nada somos

Mantendo-nos  perdidos



Sem poder ter

A equidade triunfar

Comunicar sem ruído

O prazer do tangível

Ser exceção da regra



Que agracie anormal

Dizer aos quatro cantos

Mesmo de poder inibido

No como é bom sorrir

por frutos colhidos



Quando vem a tolher

A incompetência secular

É o seio  do Estado caído

Sem amamentar cível

à baila de perolas



Desconhece a eloqüência

do universo a  ignorar

até o sonho restrito

Não há de  prosseguir

Torna-se um anjo caído



Receio a não escolher

ao que chamam funcionar

Mostra-se horizonte perdido

Calvário ao inacessível

Dessa alameda de regras



SÉRGIO CUMINO – PCD – POESIA COM DEFICIENCIA


sábado, 29 de outubro de 2016

CORAÇÃO DE CASTANHOLAS



CORAÇÃO DE CASTANHOLAS

Quantos sentidos que se ecoam
Ao desejo de ser em seu clímax
Na oportunidade que se da direito
Abrem, sorriso, os ombros ao vento
ao remelexo da cintura
A pureza e seus pélvicos
Como folhas pela aragem

e outras tantas que encantam
como escolha e a esquina
com origem e efeito
É um querer intenso
que reverbera e se mistura
Que te quer, o que tem seu tempo.
cada cena se mostra, se atraem

Toda poesia que nos apanha
Assim tudo se apura
Vestimenta sem vinco
É um flash de lubricidade
um escalar de montanha
Alcançar fim do medo
Atear minha bandeira

Sentido que assanha
Por toda graça sua
Mamilo é seu  sino
Meu cedro é sua majestade.
Junto à sutileza de cada manha
Amor compõe o enredo
E a dança que a desnuda inteira

Vislumbrar-me com  reflexo
Do seu brilho cristalino
Que vem do olhar
Das águas de uma Diva
Prosear com suas marolas
Deliciar-me com balanço
E graça de vai e vem

Através do sorriso do plexo
E as ondas do seu carinho
Seu encanto a cativar
Com a alegria de uma rima
Coração de castanholas
Chama com seu canto
Essa fêmea que lhe prove

SÉRGIO CUMINO – POETA A FLOR & PELE