ESSE BLOG NÃO PERTENCE SÓ AO POETA, ELE É DE TODOS NÓS

domingo, 30 de abril de 2017

AFETOU-ME O FRATERNO





AFETOU-ME O FRATERNO

Afetou-me sopro fraterno

Numa sinergia que afeta

Atos multiplicadores

Tira o conforto

De cada um no seu  quadrado

Esse uma história o outro relato

Sozinho, mais um cadeirante.

 Há o que não enxerga

Supôs ser único a sentir dores

Aquele que sem os gestos

Vocabulário em libra

 E o sol em leão

Fica sem função 

Porventura em  qual Lua

colocará seus sonhos?

Ato de viver hiberna

Até as que mancam sem querer



Somente uma ação fraterna

Atraí-nos como ímãs

Mostra a cada perdida peça

Relevância nessa engrenagem

Como parafuso sextavado

Pensamento que fortalece

O engenho dessa rede

Transformada pelo balanço

Do afago e das ideias

O lobo solitário entenderá

consagrar o  sagrado colo

 Chave que vai operar

De suas projeções afirmativas

São juntos, locomotiva.

De peças diversas, porém irmãs.

Seguem como família

A  conquista dos seus sonhos

Sob o signo do caminho

Com a bênção do Senhor

E a realeza dos seus  trilhos


SÉRGIO CUMINO – PCD – POESIA COM DEFICIÊNCIA

Poesia inspirada e dedicada a FCD – Fraternidade Cristã de Pessoas Com Deficiência

terça-feira, 25 de abril de 2017

MELANCOLIA



MELANCOLIA 

Que falta faz a inspiração
Foi-se com o vento
E nunca mais voltou
Vivo angustias ávidas
Que importa essa ingrata
 Se me abandonou

Germinarei outra com ação
Preparo-me e sento
Caneta o papel não tocou
Quer-se para lamurias
Que vazio  que atraca?
Desconheço esse que sou
 
Claro, recorri ao coração.
Encontrei apenas lamento
Sinto-me bornal que vazou 
Sobrou o vácuo de duvidas
Rogo para um basta
Todo esforço não bastou
 
Nem poema de solidão
Caramba que tormento
Um vazio que entornou
Pelas indagações mórbidas
Essa coisa que arrasta
Não sei se fico ou vou
 
Só fascismo da contenção
Não vejo relativo do tempo
Nem a emoção que me tocou
Apenas as pérfidas
O que aprendi onde esta?
Parece que tudo hibernou
 
Onde parou o tesão?
coisa que nem comento
O animo broxou
Aproxima palavras homicidas
Grafadas com facas
As esperanças que cortou
 
Não peça minha opinião
Quer-se estou atendo
Não vi o leite que derramou
Nem as pessoas queridas
Sai no frio de regata
E a geada não incomodou
 
Todo esforço em vão
Tudo sem cabimento
Gélido sem calor
Exaustas feridas
Desse conto sem fadas
Assim como, sem amor

SERGIO CUMINO – PCD – POESIA COM DEFICIÊNCIA

quinta-feira, 20 de abril de 2017

OLHAR DA ESQUINA



 OLHAR DA ESQUINA
O fogueteiro da noite
Adormece as narinas
Suspiro quando brisa
Abre alas a  entrar
Assim raposa ligeira
Conduz a fonte
os ratos sem ratoeiras
para ter o que cheirar
Na boca da noite
Que seu alerta virá
quando caça virar
O gosto mesmo
e ver o que passa
Farol da quebrada
Dentre os salves
e “parcas” da praça
A o vigia  da moto
e seus periódicos apitos
Conforto ao sossego
mostra que a noite
não fica  sozinha
e palco do medo
com tantos encantos
e outros nem tanto
Só a noite já não é só
Tem seu movimento
e sua arte orquestrada
Sob um divino silencio
de infinitas noites
e lua enamorada
de poesias e mistérios
E as matilhas ladram
para outras de longe
é que o eco há de levar
E o contratempo
surge em contraponto
como a batucada
do clássico  menestrel
O malandro de terno branco
Afasta maculas das esquinas
com seu toque de maestro
coreógrafa os fósforos
sapateiam dentro da caixa
sua melódica serenata
para a noite passar
SÉRGIO CUMINO – O POETA DE AYRÁ

sábado, 15 de abril de 2017

JAÇANÃ DEU A’DEUS A MATA




JAÇANÃ DEU A’DEUS A MATA



Fora além do CEU

Como voo de Jaçanã

A Vila Nova

Acima do bem

Assediada ao Mal

Antagônico ao Éden

Codinome Galvão

Mirante de mente sã

Nesse morro nada são

Do largo é a largada

Rotatória engarrafada

Um laço de nó

Aguaceiro na chuva

Tem muita curva

Tem-se Reto, tem medo.

Hora entupida

Barriga da ingestão

Descaso indigesto

Há todo o processo

É de dar dó

De não ser assistida

Outrora encruzilhada

Entre o tudo ou nada

Dentro da ocupação

Culpado e inocente

Em terras de santa casa

Viraram artérias

É comunidade sagrada

Entre Deus e o Diabo

Á aquele que só acata

Outro vive do que cata

Da Rural, anjos caídos.

Do Jova a cova

E a prova dos nove

E o sangue escorre

Flori pelo vaso

das vielas íngremes

E sua sinuosa duvida

Todo tipo de fome

Outrora curva das matas

Almas alimentadas

E a graça das chácaras

Arroubo ao seu topo

E a torre da rede

é moinho de vento

de realidades sopradas

gigante abandonado

virtude do descaso

mastro mirante

Plataforma dos olhos

Vê-se que o tempo passa

Nessa sociologia Vã

as bicas eram d’água

Fogueiras de madeira

Não o que os transportava

Já o tempo importava

Dou nostalgia ao olhar

como bambuzal de Oyá

com reverencia dançava

onde era mata do Jaçanã



SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO 803

quinta-feira, 30 de março de 2017

SIGNO AMIGO


SIGNO AMIGO

Saber que há alguém,
no acaso da jornada
que quer seu bem,
sem barganhar
se quer um vintém .

Queijo com goiabada
tem quem diz
Um conto de fada
Que merece bis
Sorrindo do nada

O circulo de giz
Criador e a cria
Seja cá ou nos confins
Parceria é a trilha
Ornada por flor de Liz

ao movimento a vida
mesmo que pobre
esteja  a doida
... as ações integrada
atalho da biografia

É mais que destino
elevada equidade
do estado de espírito
faz da banalidade
um biscoito fino

É de longa idade
pretexto aos hinos
O legado a amizade
torcida e orações
Amor estandarte 

O abraço é  motivo
Aconchegado  fraque
Cuidar é devoção
É o signo amigo
É força de irmão

SÉRGIO CUMINO – PCD POESIA COM DEFICIÊNCIA

quinta-feira, 2 de março de 2017

O OCEANO EM SI




 O OCEANO EM SI


Oh menina de Iemanjá
Para descobrir Alteza
Que sua Deusa precisa
Perde-se na deriva
manejo das marolas
Seja qual destino for
olhos  não  enxergará
não consegue pensar
E de forma divina
essa rainha do mar
a leva naufragar
Como diz o poeta:
“Navegar é preciso
viver não é preciso”
no mais profundo
e turbulento descrédito
que a levará a encontrar
seu verdadeiro credo
Ambiguidade encaminha
Com maestria a causa
Nesse divino leito
de ondas espumantes
engolira águas do efeito
mergulho da emoção,
Desconforto é a porta
de saída do paradigma
da zona de conforto
das mais difíceis
que possa se resgatar
Freud não pode alcançar
Resiliência fura o casco
E lá no mais fundo
Do incrível mundo
Desenha-se a existência
Na tela do seu vasto
Nesse amplo providente
Oceano escuro
Ilumina-se com vácuo
Das probabilidades incertas
Supremacia do caos
Em sua beleza pura
Encontra a perdida fé
No santuário do Orí
Saudada com Odoyá
A fortalece na duvida
E não mais precisará
Encaixar-se na toga
Moral do vizinho
Aprenderá a Nadar
Assim como amar
Com a arte das maresias
escritas no fundo
de seu divino mar
Hora de viajar
nos desejos da vida
Recolha as ancoras
Acenda suas velas
que Oyá vai soprar
Fundamentos emergirão
Ogum dará caminho
Que sua barca é de Obará

SERGIO CUMINO – POETA DE AYRÁ
Poema dedicado às filhas e devotos de Iemanjá. Em especial minhas amadas irmãs de esteira, Lílian Pinheiro e Cristiane Quintana.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

LORDE BOB




LORDE BOB

Pelas ruas abandonado
Perdido e maltratado
Nas veredas da história
Em passos mancos
È uma pata quebrada
Machucou na escada
Essa  bola de algodão
Cão velho abatido
que ninguém quer
Por um cesto é acolhido
A casa de animais perdidos
O que conforta a prosa
Que há louco para tudo
No balanço da rede virtual
Uma mulher fez gosto
Pelo cão velho enjeitado
Adiantou a adoção
Claro que há reflexões
Que vão à linha contraria
Já este avelhantado
não serve para nada
Desanimado e deprimido
O retiraram dessa ilha
Deram a ele um parceiro
novo ainda moleque
arteiro  e serelepe
carinhoso e amigo
Cão velho desperta
A vida e o gosto
Fica mais moço
Com a nova família
Cada qual dá o que pode
O amor que o acolheu
Somado o que viveu
Deu-lhe o titulo
De Lord Bob
E seu arteiro escudeiro Marley!

SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO 803

POETA E O VENTO




POETA E O VENTO

Assim chega o poema
Disperso na ventania
como semente a semear
ao cair em terra fértil
No arrepio de células
leva o poeta a pena
Processo de semear
são planadores do sonho
Uma conversa sem regra
dos conselheiros a mente
O sentir e a palavra certa
com libido ou vice e versa
O medo excita com o risco
livre arbítrio aos conflitos
vislumbrar o não visto
A frase de efeito é isca
ao portal dos sentidos
ou aquela que me liberta
Que pode ser subversiva
mas nunca subserviente
absorva o que lhe sopra
como entidade que te toma
Nesse caos que rebenta
O Papiro vira placenta
Cujo cordão umbilical
a caneta por excelência
ou grafite do lápis
Que no papel de pão
cantou-se substantivos
do fim do verão
Poesia é viagem
De cá pra lá de lá pra cá
Sentidos e imagens
A busca das miragens
A arte do arranjo de flores
Á tragédia de Mariana
Enterrada na lama
Matas e magias
Falecidos por amores
Basta o sentimento
que reverbera no estômago
quando frio da barriga
espera o calor da emoção
Assim se da produção
O poeta e a criação
Traduz-se em alegorias
Cuida de feridas
A leitura que o poema faz
Do seu absorto leitor
Assim a poesia entra
No orbe da leitura mutua
Assume sua vida própria
Empatia camaleônica
Na sua diversidade lida
Outros que a eles nada
Vivida por que a abarca
Que assim seja um leque
De vidas que se passa
 nas correntes do vento
constrói seu legado
Numa catarse partilhada.

SÉRGIO CUMINO – PCD – POESIA COM DEFICIENCIA

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

O NEGRO E O GATO




O NEGRO E O GATO



Olá gato rajado

Dessas noites sombrias

Ardilosamente pelos telhados

Diga-me:

Quão são donos de esquinas,

Que encaminha as nossas sinas?

Os malandros das vielas

que faz remelexo das idéias

alteram juntos e misturados

como fósforos da caixinha?



Tem os encantos de concubina

Essa você deita na cama

Depois da árdua noite lebará

de fetiches e feitiços.



Sei por que é tão confiante

Enfrenta cachorro que ladra

Tem toda guarda

Do quartel de Ogum



Há gato danado,

que vem do milharal

Por aí já se tem uma ideia

Do que tenho a perguntar

Já viu Ode em momento sagrado

preparando axé de prosperidade?



Desculpa a intransigência

Sei que é segredo de se guardar

Quero saber uma coisa

Que preciso me tornar

Um grande caçador...



Gato tem muita coisa a contar

Tem antenas nos bigodes

Para entender os ventos de Oyá

Fora o que deve aprender

Na cozinha sagrada de Nana

Uma anciã não deixaria

Sabedoria ao gato faltar



Por isso que some por uns tempos

Vê o crepúsculo da varanda do velho

Se for lua cheia

Deixa-se esquecer nas prateleiras

Das bruxas e suas ervas



Gato me prometa.

Quando saúde nos meus faltar

Peça misericórdia a Omulú

À suas  palhas e flor sagrada

Trazer cura e nos abençoar



Não sei por que atura

A insolência da Xica

Vive nas pedreiras de Xangô

Peça a ele a Justiça



Já sei desse dengo todo

Deve vir das Yabás

Oxum o deixou vaidoso

E depois ir ao colo de Iemanjá

Quando a maturidade chegar



Onde parou a orelha de Oba

Derramada com o Amalá?

Desculpa, não perguntarei mais.

Respeito os segredos da Oralidade



Gatos  têm aqui grande amigo.

Posso dizer que sou seu fã

Você consegue me acalmar

Essa suavidade ao alongar

Jeito paciente de ronronar

Como a paz de Oxalufan



SÉRGIO CUMINO – O POETA DE AYRÁ