ESSE BLOG NÃO PERTENCE SÓ AO POETA, ELE É DE TODOS NÓS

sexta-feira, 5 de maio de 2017

SECOU A PIMENTEIRA




SECOU A PIMENTEIRA

Suponho que secou
Pela passagem do mau juízo
de onde não consigo precisar
uma energia invertida
criada para prejudicar
fato que foi gesto preciso
Que a levou a lastimar
Pimenta de saboroso ardume
De feitiço bravo quebrar
Não é que a danada veio a secar
Também pudera, homem
Faz  com a  terra até arrear
Assim com a vida suportar
Como praga de lavoura  
Pelo pescoço gosta de pegar
O caule do transporte interno
Pimenta cheirosa aroma d'alma  
Tempero secreto da vontade
Desse fogo a queimar
Passou a ser espectro
 sementes não deixou
mas e um intuitivo supor
Deu a vida por nos
Rogo que seu  legado
 a escrita seja germe
que ressurja transformado
de seu caule secado  
pela queimadura da inveja
são tão ácidas, e falecias
haja pimenta para aguentar
mas o triste que ela seca
não foi falta de aguar
regado a força e esperança
teve dia que conversou
pimenta da família
curou até gripe
e doenças de doutor
a saudade saltita
e segue escrita  com emoção
como flor de pipoca
já a pimenta não teve essa opção
nocivo como um dragão
que a levou a extinção
mas no fundo nunca jaz
se seca a pimenteira
com ela lhe tempero
procurei a exu a
reza que evolua em  paz

SERGIO CUMINO – O POETA DE AYRÁ 

NEGRAS DO ENGENHO




NEGRAS DO ENGENHO

Entre as raízes  e  estercos
até aqueles em pensamentos
De não compreender
A crueldade do impensado
Que o destino as reservou
Torturadas até em sonhos
De assentada  nas palhas
No engenho da mandioca
Manuseiam o tubérculo
Fazendo pedidos a séculos
Do conhecimento de vidas
Quando o vento sopra
O que tiver que ser vai ser
Abana o afago temporal
Porém ouvem as mais velhas
Aperta a raiz como cedro
Chamada do senhor
E  forças da encruzilhada
Para buscar respostas
De qual caminho tomar
Mensageiro no Olorum
Antes comerá a mandioca
Ralada crua e grossa
Assim como tem que ser
Banhada no sangue de dendê
Por outros campos Segue a prosa
Lembram de cantiga de rodas
E as que saúdam Orisá Tempo
Assim logo chega o crepúsculo
Sabem da novinha castigada
Assunto de noite chegado
Chibata e a negrinhas
Sempre luta marcada
Sem sossego e temporada
Além das outras marcas
Que não as querem falada
A lua aponta, na vida
Hora de descansa as feridas
Suportar a geada gemida
Que gerações seguidas
Ainda irão atravessar !
SÉRGIO CUMINO – POETA DE AYRÁ

terça-feira, 2 de maio de 2017

NANÃ E A FLOR de LOTUS


NANÃ E A FLOR de LOTUS

Nanã na sua  fonte
Lago da criação
Meio as matas
Vive seu caldeirão
Em suas águas turvas
Palafita  dos segredos
Que pairam em pensamentos
Leva-nos ao seu divino
De pronta nos revela
 Que a vida tem embrião
Com sua sabedoria anciã
Ensina que tudo tem propósito
Que não reina isolada
Independe de vidas pagãs
Nas misturas  salobras
Com mistérios e fados
Soma tempero dos elementos
Cada qual tem seu guardião
Presenteiam mãe senhora
Com lírio símbolo
de harmonia e beleza
Os orixás da terra
E as magias dos tubérculos
Orientará as raízes
Ficará lá abraçada
Seu intenso alimento
Aos conhecimentos profundos
das Yabás das águas
seus diamantes maternos
escorre dos seus seios
à nutrir planta sagrada
e a deusa dos ventos
“minha melhor brisa trarei
Sua flor da beleza atrairei “
Assim bela emerge
Com suspiro do desabrochar
Já o fogo de Ayrá
Dar-lhe calor
Como dos nossos corpos
Como suas sementes eternas
Viva qual seja o momento
Se reclusa para meditação
Na penumbra da anciã
Mais a noite como anfitriã
Prepare-se ao seu ato
Será mito de muitos povos
sua abertura em processo
como sorriso do espírito
aberto desde a alvorada
de Nanã crescer ao olorúm
que a tornou encantada
a mítica Flor de Lótus “

SÉRGIO CUMINO – O POETA DE AYRÁ


segunda-feira, 1 de maio de 2017

- OBÁ ELEKÔ - A DEUSA DE ÉBANO




- OBÁ ELEKÔ -
A DEUSA DE ÉBANO

Oh sagrada Mãe
Não dos filhos pequenos
De idades tenras
Adultos em crise de existência
Mas mulheres da arte flecheira
Desmistifica a face da fêmea
Força de todas as curvas
Yabá de todas as guerreiras
Legado as correntes que unificam
Na mata os animais a rodeiam
Sábios da energia que indica
Contrapondo àquelas que cerceiam
É a busca que garante o sustendo
Alimento da dignidade
Faz o desejo eterno
Da cultura e comunidade
Rebate atrocidades políticas
Bandeira de todas as lutas
a Deusa de todos os tempos
Dos filhos preserva integridade
O rio que ancestral se banhou
Leva coragem a suas ribeiras
Essa rainha do Ébano
De posse a flecha que Ode partilhou
Guerreira que Toma a frente
Aos anseios dos medos intermitentes
Pelo amor se mutilou
Não importa quem lhe ludibriou
Porque o desejo sem pestanejar
Faz valer o amar incondicional
A transforma signo divino
Brada ao mundo das mulheres
Que o mundo é das mulheres
Plantou semente de arvore mítica
A que pássaro do sonho indicou
Tornou esperança crescida
Esculpidas em sagrada madeira
Traduz-se arquétipo de cada mito
Altiva lidera todos além da  soleira
Limiar de todas as possibilidades
É lidera a caça e preservação da raça
Leva-nos seguros pelas corredeiras.

SÉRGIO CUMINO – POETA DE AYRÁ

domingo, 30 de abril de 2017

VAGABUNDOS PARA GERAL

VAGABUNDOS PARA  GERAL


O cacete quebrou

Sobre as ancas

Do corpo esperança

No lombo de trabalhador

Que será o vovô

Sem direito a repousar

O que trás má lembrança

De uma época de nunca mais

Mandam todos ao cais

Onde jamais aposentará

-Deficientes ao mar

Grita o lacaio

Anunciando missão

Dada e realizada

Proposta da indulgência

A barca do inferno sem Alto

Que aparece ao horizonte

Em meio a fumaça de gás

Mandam até professor

Apagar as escritas

com bola de borracha

Conhecedor da história

Vê essa escória

Torturar o conhecimento

Mas a fé professada

E as palavras afirmadas

Impede o condutor

Seguir a águas passadas

Onde sangue e suor

Compunham mesmo odor

E lugar comum na jornada

Ostensivo abre alas

esse povo vagabundo

Como grita tirania inflamada

Sabe o valor da produção

E quem fica com ônus

Já a gloria dos Bônus

Sem se preocupar com magoa

Mantenedores dessa casa grande

Seus troncos e senzalas 


SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO 803

AFETOU-ME O FRATERNO





AFETOU-ME O FRATERNO

Afetou-me sopro fraterno

Numa sinergia que afeta

Atos multiplicadores

Tira o conforto

De cada um no seu  quadrado

Esse uma história o outro relato

Sozinho, mais um cadeirante.

 Há o que não enxerga

Supôs ser único a sentir dores

Aquele que sem os gestos

Vocabulário em libra

 E o sol em leão

Fica sem função 

Porventura em  qual Lua

colocará seus sonhos?

Ato de viver hiberna

Até as que mancam sem querer



Somente uma ação fraterna

Atraí-nos como ímãs

Mostra a cada perdida peça

Relevância nessa engrenagem

Como parafuso sextavado

Pensamento que fortalece

O engenho dessa rede

Transformada pelo balanço

Do afago e das ideias

O lobo solitário entenderá

consagrar o  sagrado colo

 Chave que vai operar

De suas projeções afirmativas

São juntos, locomotiva.

De peças diversas, porém irmãs.

Seguem como família

A  conquista dos seus sonhos

Sob o signo do caminho

Com a bênção do Senhor

E a realeza dos seus  trilhos


SÉRGIO CUMINO – PCD – POESIA COM DEFICIÊNCIA

Poesia inspirada e dedicada a FCD – Fraternidade Cristã de Pessoas Com Deficiência

terça-feira, 25 de abril de 2017

MELANCOLIA



MELANCOLIA 

Que falta faz a inspiração
Foi-se com o vento
E nunca mais voltou
Vivo angustias ávidas
Que importa essa ingrata
 Se me abandonou

Germinarei outra com ação
Preparo-me e sento
Caneta o papel não tocou
Quer-se para lamurias
Que vazio  que atraca?
Desconheço esse que sou
 
Claro, recorri ao coração.
Encontrei apenas lamento
Sinto-me bornal que vazou 
Sobrou o vácuo de duvidas
Rogo para um basta
Todo esforço não bastou
 
Nem poema de solidão
Caramba que tormento
Um vazio que entornou
Pelas indagações mórbidas
Essa coisa que arrasta
Não sei se fico ou vou
 
Só fascismo da contenção
Não vejo relativo do tempo
Nem a emoção que me tocou
Apenas as pérfidas
O que aprendi onde esta?
Parece que tudo hibernou
 
Onde parou o tesão?
coisa que nem comento
O animo broxou
Aproxima palavras homicidas
Grafadas com facas
As esperanças que cortou
 
Não peça minha opinião
Quer-se estou atendo
Não vi o leite que derramou
Nem as pessoas queridas
Sai no frio de regata
E a geada não incomodou
 
Todo esforço em vão
Tudo sem cabimento
Gélido sem calor
Exaustas feridas
Desse conto sem fadas
Assim como, sem amor

SERGIO CUMINO – PCD – POESIA COM DEFICIÊNCIA

quinta-feira, 20 de abril de 2017

OLHAR DA ESQUINA



 OLHAR DA ESQUINA
O fogueteiro da noite
Adormece as narinas
Suspiro quando brisa
Abre alas a  entrar
Assim raposa ligeira
Conduz a fonte
os ratos sem ratoeiras
para ter o que cheirar
Na boca da noite
Que seu alerta virá
quando caça virar
O gosto mesmo
e ver o que passa
Farol da quebrada
Dentre os salves
e “parcas” da praça
A o vigia  da moto
e seus periódicos apitos
Conforto ao sossego
mostra que a noite
não fica  sozinha
e palco do medo
com tantos encantos
e outros nem tanto
Só a noite já não é só
Tem seu movimento
e sua arte orquestrada
Sob um divino silencio
de infinitas noites
e lua enamorada
de poesias e mistérios
E as matilhas ladram
para outras de longe
é que o eco há de levar
E o contratempo
surge em contraponto
como a batucada
do clássico  menestrel
O malandro de terno branco
Afasta maculas das esquinas
com seu toque de maestro
coreógrafa os fósforos
sapateiam dentro da caixa
sua melódica serenata
para a noite passar
SÉRGIO CUMINO – O POETA DE AYRÁ

sábado, 15 de abril de 2017

JAÇANÃ DEU A’DEUS A MATA




JAÇANÃ DEU A’DEUS A MATA



Fora além do CEU

Como voo de Jaçanã

A Vila Nova

Acima do bem

Assediada ao Mal

Antagônico ao Éden

Codinome Galvão

Mirante de mente sã

Nesse morro nada são

Do largo é a largada

Rotatória engarrafada

Um laço de nó

Aguaceiro na chuva

Tem muita curva

Tem-se Reto, tem medo.

Hora entupida

Barriga da ingestão

Descaso indigesto

Há todo o processo

É de dar dó

De não ser assistida

Outrora encruzilhada

Entre o tudo ou nada

Dentro da ocupação

Culpado e inocente

Em terras de santa casa

Viraram artérias

É comunidade sagrada

Entre Deus e o Diabo

Á aquele que só acata

Outro vive do que cata

Da Rural, anjos caídos.

Do Jova a cova

E a prova dos nove

E o sangue escorre

Flori pelo vaso

das vielas íngremes

E sua sinuosa duvida

Todo tipo de fome

Outrora curva das matas

Almas alimentadas

E a graça das chácaras

Arroubo ao seu topo

E a torre da rede

é moinho de vento

de realidades sopradas

gigante abandonado

virtude do descaso

mastro mirante

Plataforma dos olhos

Vê-se que o tempo passa

Nessa sociologia Vã

as bicas eram d’água

Fogueiras de madeira

Não o que os transportava

Já o tempo importava

Dou nostalgia ao olhar

como bambuzal de Oyá

com reverencia dançava

onde era mata do Jaçanã



SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO 803