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sexta-feira, 26 de maio de 2017

CARÍCIAS DE TODO MIMO




CARÍCIAS DE TODO MIMO

Descobre-se fêmea desejada
E me pede ser seu Homem
Num gesto felino e semeio
Envolve-me no seu feitiço
Louca excitada e amada.


Sortilégio, acanhada me veio
Meu colo e ereto pulsava
Com meu olhar lhe atiço
Aspirais toques nos seios
Tornando prosa e sexo


O discurso para amada
Inspira em ti e lhe sirvo
O germinar e o processo
Seus cabelos de fêmea
Na cantiga do balé vivo

Conjuga verbo amar
Destrói rancor e recesso
Fogo que lhe consome
Vindo do vulcão de Ayra
Sua volúpia que semeia

Batimento de único ritmo
Como Osun nas cachoeiras
Inicio do rito ao novo amor
E os seios doces me beijam
E as caricias todo o mimo

SÉRGIO CUMINO – POETA A FLOR & A PELE

FASCÍNIO A CENA




FASCÍNIO A CENA

É o prelúdio do primeiro ato
Onde a força é da carne
Atrevido sinal avança
Para que perca a palavra
Aos cânticos provençais



O que ouvia era verdade?
Confessa jamais seria capaz
Mas descobri o lado safada
Mulher e menina arteira
Faz que sua perna bambeie

Movida em intensa vontade
Ao se desvendar por inteira
Meus olhos sua alma nomeie
Onde a poesia a faz pura
Derruba bases colossais

 
Sem divisas ou distancia
Quando dizes, sou sua puta.
zoom os detalhes margeia
Pele desnuda que senti
Encantada e sem culpa

Toda discreta sem alarde
Mistérios da meiga faceira
Canta o tesão que a consome
Doa-se linda e arrebatada
Para que meu peito a guarde


SÉRGIO CUMINO – POETA  A FLOR & A PELE

FADA ERÓTICA & POETA VOYER


FADA ERÓTICA & POETA VOYER


Numa noite de eróticas fadas
Ascende a essência mulher
Que parece imagem cantada
Como um repente romântico
Abriu-se linda inesperada

Diz ao cosmo que me quer
Num susto se revela ousada
Sem parâmetros ou semelhança
De pronto inicio meu cântico
Um Trovador vendo à amada



Nasce magia e eclode a flor
Despertar vida e esperança
Meu mundo quieto pueril
Simples anárquico rapaz
Revela como abotoa o amor

Entregado ao sonho flutua
A imagem da Deusa me faz
Expulsar, tudo que é Vil
E leve ao corpo avança
Para ensaio sensual audaz



Emerge uma erótica dança
Em quem era puro recato
Dedicada a nós e nada mais
Faz do medo vira charme
Mistura mulher e criança

SÉRGIO CUMINO – Poeta a Flor & a pele


segunda-feira, 8 de maio de 2017

PROVISÃO




PROVISÃO

Assustou com os sentidos

Que nada faz sentido

Para sentimento do que sente

Torna se aquele  monstro

o qual espera esta ausente

impressiona a falta de impressão

tudo passa pela provisão

e descontroles da situação

ver em si um fiasco

e pensa deliberado

que inferno são os outros

quando lhe faltará tão pouco

a profecia do asco

maus conselheiro do senso

antes que seja blindado

sem que de ouvidos

reserve um tempo consigo

nesse dialogo reservado

peça a Deus que aguarde

a saleta ao lado

e ao olhar para próprio umbigo

compreenderá que é inimigo

e assim se sabota

busque valor na calma

e a respiração no melhor jeito

bom ouvir-se sem ruído

mergulhará até pescoço d’alma

abra-se a escutas distintas

divergências convergem

a caminho de suas lidas

esvazie sua xícara

e a encha de corpo presente

ou arremessará o chá quente

com glamour do covarde

compreenda novos pontos

e se surpreendera novos contos

mesmo que sejam díspares

dão ao movimento aos instintos

nessa ribeira sem curvas

SÉRGIO CUMINO – PCD - POESIA COM DEFICIÊNCIA




CÓLERA





CÓLERA

Para cabeça falta um pino
Alimento das artérias
Que o sistema dilacerou
Avaria com destino
Cala-se sobre a pressão
Como o que se discerne
Fragmentado em pó
Reduz atitude à verme
Cujo brado engasga
Com julgo arbitrário
Onde saúde é mercado
Candidato sem carreira
Nessa jornada só
Não adianta supor
Que na batalha sem crivo
O surto é deliberado
Já o demônio cristão
Com inatividade do ócio
Em terra de pouco amor
Assim aspira o brando tiro
Á suportar a derrocada
De viagem ribanceira
E as saudades do rococó
É o aperto daquele fino
Que queima como palha
A marola do pensamento
Sai pelas vielas ruívantes
Carbonizadas pelo ódio
De uma nostalgia em vão
Antes que seja crucial
E a si mesmo se falte
Sem ter platéia
Dando voltas nessa ilha
Segue o cavaleiro andante
E seu escudeiro intento
Marcado pelo estigma
De cada bofetada
Levada nessa lida
Em marcas que explode
Tocando a lira da catarse
Em modos operantes
Desabafo a garrafa
Ser a sede dessa alcatéia
Com insuficiência dialética
E castas diabéticas
Mela a possibilidade do adverso
Morada do abandono
É o câncer que dilacera
Com fogo de toda ira
Mesmo antes do próximo gole
Faz da cólera sopro funesto

SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO 803

sábado, 6 de maio de 2017

SURPREENDA-SE




SURPREENDA-SE

Busque nos limites
Outras possibilidades
Delibera o intuitivo
Que mora na vertente
Da duvida da verdade
Como criança no bosque
Inventa outro olhar
Onde costuma ignorar
Sinta-o se adequar
Corte as arestas morais
Lapide ao balbuciar
Seja possível ser
Inventa outro jeito
Se precisar for
Faça do adverso
Aquele verso
Que te impulsionou
Aquela transa que ousou
com lingerie perversa
Ação é a caminhada
De possibilidades esgotadas
Que encontra o caminho
Faz-nos louco – motiva
Cada apito de aviso
Para um riso de si
Não se arrede pelo vivido
Trilha que não descansa
a conversar com vela
E viva o silencio
Aquele que torne
Fora da gaiola
É  próximo do mim
Surpreenda o espelho
Com a névoa do chuveiro
ao confidente seu norte
Que se revela intimo
a imagem refleti
Qual coroa sua realeza
Vai imperar ativo de si
Sem pestanejar, não dispersa
Do anel da felicidade  
Que sabe tornar elo
Como alvorada
De noite namorada
Buscas a desbravar
Cada novo renova
Já as saudades
Criar-se-ão a cada ir.
SERGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO 803


sexta-feira, 5 de maio de 2017

ZÉ PELINTRA NO TELHADO


ZÉ PELINTRA NO TELHADO

De cá do morro
Olhando um pouco abaixo
Tem teto de muito operário
Cada um sua história
Maioria sem trabalho
Diante dos meus olhos
Dividem espaço
Do emaranhado fio de luz
Aí que não da para crer
o ser ou não ser se produz            
dois plásticos enroscados
um uma fita vermelha
já o branco mais avantajado
vermelho como lista
de um elegante chapéu branco
virava Zé Pelintra no telhado
do estigma do  felinos circulam
que nessas horas conduz
todos gatos são pardos
mas daí ser Zé Pelintra no telhado!
ainda que seja ilusão
Arrepiou meu corpo
Porventura como impressão
De ter visto Zé Pelintra no Telhado
Não sei se acredito
Ou mesmo desacredito
Mas pedi ao tal distinto
Que me mostrasse insumo
Com a pose mestra
Descrita no arco da lapa
De sua graça nesse mundo
Não estou louco, eu juro!
Respondeu o senhor cortês
Zé Pelintra no Telhado
“Graça esta em ver o mundo,
Com a intensidade da graça”
Não é que aquilo me tocou
Lembrei no que disse doutor
A mente em projeção
Se assim for
O Zé Pelintra no Telhado
Esta dentro do mim
Caso seja ilusão de ótica
Ou lapsos hipotéticos
Será uma conversa no reservado
Aprendi o comunicado
De seguir a vida com gingado
De cá ginga a alegria
De lá gato escaldado
Sensação de ter visto
Zé Pelintra no telhado

SERGIO CUMINO – POETA DE AYRÁ

SECOU A PIMENTEIRA




SECOU A PIMENTEIRA

Suponho que secou
Pela passagem do mau juízo
de onde não consigo precisar
uma energia invertida
criada para prejudicar
fato que foi gesto preciso
Que a levou a lastimar
Pimenta de saboroso ardume
De feitiço bravo quebrar
Não é que a danada veio a secar
Também pudera, homem
Faz  com a  terra até arrear
Assim com a vida suportar
Como praga de lavoura  
Pelo pescoço gosta de pegar
O caule do transporte interno
Pimenta cheirosa aroma d'alma  
Tempero secreto da vontade
Desse fogo a queimar
Passou a ser espectro
 sementes não deixou
mas e um intuitivo supor
Deu a vida por nos
Rogo que seu  legado
 a escrita seja germe
que ressurja transformado
de seu caule secado  
pela queimadura da inveja
são tão ácidas, e falecias
haja pimenta para aguentar
mas o triste que ela seca
não foi falta de aguar
regado a força e esperança
teve dia que conversou
pimenta da família
curou até gripe
e doenças de doutor
a saudade saltita
e segue escrita  com emoção
como flor de pipoca
já a pimenta não teve essa opção
nocivo como um dragão
que a levou a extinção
mas no fundo nunca jaz
se seca a pimenteira
com ela lhe tempero
procurei a exu a
reza que evolua em  paz

SERGIO CUMINO – O POETA DE AYRÁ 

NEGRAS DO ENGENHO




NEGRAS DO ENGENHO

Entre as raízes  e  estercos
até aqueles em pensamentos
De não compreender
A crueldade do impensado
Que o destino as reservou
Torturadas até em sonhos
De assentada  nas palhas
No engenho da mandioca
Manuseiam o tubérculo
Fazendo pedidos a séculos
Do conhecimento de vidas
Quando o vento sopra
O que tiver que ser vai ser
Abana o afago temporal
Porém ouvem as mais velhas
Aperta a raiz como cedro
Chamada do senhor
E  forças da encruzilhada
Para buscar respostas
De qual caminho tomar
Mensageiro no Olorum
Antes comerá a mandioca
Ralada crua e grossa
Assim como tem que ser
Banhada no sangue de dendê
Por outros campos Segue a prosa
Lembram de cantiga de rodas
E as que saúdam Orisá Tempo
Assim logo chega o crepúsculo
Sabem da novinha castigada
Assunto de noite chegado
Chibata e a negrinhas
Sempre luta marcada
Sem sossego e temporada
Além das outras marcas
Que não as querem falada
A lua aponta, na vida
Hora de descansa as feridas
Suportar a geada gemida
Que gerações seguidas
Ainda irão atravessar !
SÉRGIO CUMINO – POETA DE AYRÁ