ESSE BLOG NÃO PERTENCE SÓ AO POETA, ELE É DE TODOS NÓS

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

ATOR



ATOR


A diversidade militante
Espírito impulsivo, pulso orquestrado
É o jogo do tablado, entre belo e feio
O Arauto e o mal falado
Drama mastigado do texto digerido
As vísceras de seu duplo
Hora flor, outrora dor
Faz do convicto perplexo
Leva a luz seu foco afinado
Como alegria de partido alto
Do inquisidor é o fogo
Da bruxa todo encanto
Germina seres com quereres
Intenções e estereótipos.
Em liturgias com crismas pagãs
No breque da pausa de Beckett
Canta ladainha verborrágica
Vive cerimônia e equilíbrio
Faz-se absurdo o aristotélico
Reflete a cena dialética
Vive o olhar nobre no plebeu moral
Resgatando do baú sem fundo
O burguês em pleno orgasmo econômico
O Quixote suspirando sonhos
No tablado seu templo
Celebra a áurea do saber
No entorno da fogueira
Da criação antropofágica
Entrega-se a orgia da ciência e filosofia
Com foco aberto na alma
 Corpo vivo e quente,
Sua voz vociferando literatura
Sussurrando brados
Sob desejos e obstáculos
É a gaivota no seu mergulho
É filho e conseqüência
É pai, mãe e criação
É ator.


SÉRGIO CUMINO   - PORTAL DELL ARTE


CHUVA DESNUDA




CHUVA DESNUDA

Silêncio que se instala
Prontidão é o aguardo
Faz dos ruídos, ouvinte
Ao canto das águas
E a vida celebra a vida
E os pássaros a espera
Uníssono coro
a opereta de alerta
Ribalta das copas
Ornamentam florestas

Diante da abundancia divina
Cada qual enche a vala
Conforme a sina
O úmido das sombras
é a carência do sagrado
Recluso na parábola
que a mente cria
é o árbitro do medo

E as poças possam
segredos e reflexos
como espelhos de moças
que ajuízam mistérios
por ondas dançantes
na extensão dos lagos
ao mergulho espalhados
múltiplas  gotas celeste
que se espalham
partindo de um centro

Assim nutrem as hortas
escorre por folhas
confortando preces
oriundas do campo

De um lado afaga
Do outro alaga
Vilas e quebradas
Refugiam as hordas
de  molhadas fabulas
Reclusas nos centros
Sob beirais
Sobre ponta dos pés
Como bailarino acuado
que preserva os jornais
que aquecem seu solado

Que emerge lembranças
Em estrofes da solidão
Hora chuva do pensamento
E conduz a meditação
Há chuva de tormentos
Outras que evocam
Sublimes e libertários
Pulsantes relâmpagos
Incisivos raios

Assim me integra ao mito
E intimo sagrado.
Mas essa chuva é musical
Reverbera sua poesia
Acordes de um samba canção

SÉRGIO CUMINO - OBSERVATÓRIO 803



terça-feira, 31 de julho de 2018

GALDINO O COLIBRI



GALDINO O COLIBRI

Pai Galdino
Homem de todas as épocas
Serenidade de um sábio
Escolta os olhos
Determinados da esperança
Que entra nos corações
assim colibri colhe o néctar
Deixa sentido a quem  sente
Com um toque de arte
Que a vida o ensinou

Esse  Preto Velho
No mundo de maus caminhos
Onde as pernas o abandaram
Não impedem suas andanças
segue jornada dos sonhos
onde a roda da vida
não é oprimida
E seu Poti, encantado
girando leva ao caso
E todos seus canais

Seu Galdino danado
È que um dia foi senhor
Considerado Doutor
Hoje ele é Seu, meu de todos nós
Porque esse velho
atrevido e engajado
Um Negro rodado
Que abusa da expressão
Jamais espera sentado
E vice e versa

Sentado espera jamais
Conhecedor do descaso
Hasteia sua bandeira
Devidamente grafado
Deficiência não é vaso
esse seu legado
afaga seu povo
inspira o poeta
Assim ensina a todos
É que na vida, é professor

SÉRGIO CUMINO – Poesia Com Deficiência.


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

TABLADO NOSSO DE CADA DIA



            TABLADO NOSSO DE CADA DIA

                        Na firme decisão que
                        oscila pela balança de
                        uma sina
                        fatigados de
                        asfaltos os que
                        procuram seus cantos
                        seus palcos lutam
                        contra forças frias e
                        cinza, polpa, cifrões
                        que buzinam intenção e
                        resina de Ditaduras
                        explícitas à simuladas.
                        Fatigados.
                        Lutam contra suas
                        doenças criadas para
                        não amargar, o
                        desejo por uma fluência
                        sadia, no amor e no
                        drama.
                        E a esperança
                        brincando de esconder
                        aparece dissimulando a
                        fadiga, para que o foco
                        seja o sonho impossível.
                        É o caminho em que o
                        espírito é perverso
                        porquê o nocivo é o
                        simples e a realização é
                        o conflito.

                                                                       SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO 803

domingo, 20 de agosto de 2017

TEMPO de RESSACA




TEMPO de RESSACA  

Pediu-se um tempo
Um tempo impreciso
Sem entender o lamento
Do sujeito rompido
Decidiu calada
Pedido passou com vento
Calada indecisa
Nem formalizou a palavra
Freada no intento
Sem rodar o  ponteiro
O que desejo precisava
Era tempo apaixonado
Libertar o peito  amarrado
Explode como ordem cumprida
Parou com o estampido
Desabafo do conflito
Desata o nó engasgado
Num tempo dramático
_ volta meu amor!
- eu te quero do meu lado
Sabia ser amada
O segredo escapou
Furou o muro do rancor
Sentido respirou o vácuo
Nua e desarmadas
Tempo de reflexão
vazio antecede o laço
Um frio acanhado
Que escala a coluna
Que o mistério escalou
E a boca passeou
Criou-se um  atalho
Onda quebrou a autoridade
Espuma da  paixão
Tempo da saudade
e vê que o simples assim
em absurdos transformados
 com injusto afrontado
desse mar de ressaca
como motim do seu medo
cria tempos macabros
de olhos cegos
ouvidos tampados
mar agitado
sem o sinal do farol
surge o tempo sagrado
que da paz ao sensato
esperança ao amado
um tempo calado
ouvindo o silencio
dizer o significado
do abraço apertado
da lua e o sol.

SÉRGIO CUMINO

sábado, 12 de agosto de 2017

LOBA DOS VENTOS



LOBA DOS VENTOS 

Mulher que trilhou caminhos
Enfrentou tempestades
E chorou garoas
Aprendeu com amor
Que não existe sem dor
Sabe  celebrar com vinho
a dialética que voa  
com melodia as saudades

Desde tempos da Estudântina
Insegurança do vestido rodado
Vira bandeira na roda da vida
Vela do veleiro da jornada
Dá-se  movimento a sua sina
Graça ao servir o amado
Agora Loba de sorriso menina

Linda de divinos peitos
Faz do estigma pintura
Cuja  imagem revela
A arte que vem de sua luz
Assim sua alma fotografa
Gestos, um balé do seu jeito.
Coreografia com lisura
A fé faz do corpo capela

Mistura-se ao vento
De fêmea e guerreira
E vaga seu olhar
Assim sorriso aflora
Quando o suspiro bento
Deixa a loba e arteira
A faz sensual como ar
Pelos sopros de Oyá
SÉRGIO CUMINO – POETA DE AYRÁ

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

PERDER-SE




 PERDER-SE 


Quando o legado

Doce ou amargo

De espinhos cravados

No peito do cravo

Na fúria da rosa

Aos sinuosos passos

Assim me reviso

Encanto dos afagos

Sem deixar magoas vil

Fazerem seus estragos

Sabido que preciso

É graça da  prosa

Bons nortes delegam

O deleite do olhar doce

Ousadia da mão levada

Sussurro ao pé do ouvido

Semeado pelo suspiro

De desejos atrevidos

anseio de ser amada

Fluindo sobre água rio

O amor impreciso

Desse sonho alado

Conflitos como fado

Fortalece a ternura do laço

Do oceano da adorada

Discurso do calafrio

Pelo tempo cupido

Paradigma rompido

Na fadiga da alvorada

Casam os sentidos

Juntos de mãos dadas

Avistam a fronte

O sorriso dos rumos

Supremacia esperada

Tempera a libido

Do adocicado sumo

Que fica na saliva

Do murmúrio que a ama

Da-se sentido a impressão

Como a marcar que revela

Liberta a poesia

Da qualidade a emoção

Eleva o alento ao cio

E ao amor pura devoção

SÉRGIO CUMINO – POETA A FLOR & A PELE


quinta-feira, 27 de julho de 2017

DIÁRIO DO POETA DE AYRÁ




DIÁRIO DO POETA DE AYRÁ



Surge pelos sentidos

Como profecia de Orunmilá

O cosmo por onde passo

no momento do regaço

Dilema do que eu faço

rasgando me aos pedaços

sem saber se vou para cá

ou às hipótese de acolá



Ajustando os pedidos

manifesto querer chegar

A cada divino com seu afago

Bará ao seu trago

Cônscio de todo o vasto

Atento aos meus embargos

Tirou-me do estado de pedra

Ayrá autorizou me buscar



Oxum me manha com brilho

Dando poesia ao caminhar

Ogum faz dos trilhos atalho

Ao lado de Ode e seu Arco

Iemanjá fez do colo um barco

um ninho de amor agitado

Temperado com dendê de Oyá

E o gosto de viver e amar.



SÉRGIO CUMINO – POETA DE AYRÁ


sexta-feira, 7 de julho de 2017

VINHO




VINHO

Na  malícia da uva
Ardiloso nos embarca
À viagem ao amor
O som que o brinde vibra
Em ondas do principio
Seja em taças de glamour;
improvisado copo;
ou tomando na garrafa.
Suavemente vem o rubor
E os olhos sorriem
Num “ a quero minha”
Um olhar que não se move
Ao encontrar o seu
Que brilha um me quer
Felino toque ilustrado
Com maresias de pensamentos
Sem insinuar, eu já topo
É o desejo dando bandeira
O que os silêncios
Acabam dizendo
Faz Sensual o movimento
Planamos em folha de parreira
Deitados no tapete mágico
E as fadas, arteiras
Excita até o cupido
Em ondas intermitentes
Trás vislumbres quentes
Os aromas exalam
Como a brisa na relva
Estímulos à libido
E as pernas falam
De sua luta do pudico
Contra assanhamento
Mas o erótico instinto
impera o cio da fera
 os medos calam
Declaram-se abatidos
O vinho nos faz atrevidos
saborear dos sentidos
Como doces cânticos
Tempo torna melodia
Impulsivo beijo roubado
Outros tantos trocados
Enquanto os calores sobem
As vestes caem
aos cantos desordenados
mescla a dama com a vadia
assim os desejos provados
pela bebida dos enamorados
para o embriagar romântico .

SERGIO CUMINO – POETA A FLOR E A PELE