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sábado, 10 de novembro de 2018

SONATA & AMADA



SONATA & AMADA

O desenrolar dos braços
Leva a cabeça pousar
Torna-e tapete de sua côrte.
Escorrega sob a cabeça
Enlace que te penetra
entre o cabelos e a nuca
E a trama assanha a dama
Roça o ombro arrepiado
amassando os cachos
acerta o tom do aconchego
Descobrem-se os olhos
como sonata de Chopin
A noite do desejo envolto
Um corpo esta para o outro
Como quarto escuro está
ao facho de fulgor lunar
adentra no peito da cama
Faz-se luz ao bico dos seios
sob a suavidade da seda
Lábios secam ao se sentirem
no acalento sem que perceba
o conjugar o verbo amar
E delicioso beijo para selar
As mãos aos mamilos como bojo
Liberta do complexo de Electra
ao colo do órfão paterno
mergulho em si eliminou
surto do destino cego
alforriando para o momento
Encontro etéreo confiado
entregues a vontade límpida
O amor como suprimento
Para clímax do gozo aclamado
E com suspiro declamado
sussurra um quero você
sobre aplausos das células
umedece a caverna
ao escutar como prece
que é o também te quero
Sem duvidas desejos externam
E as intimidades dialogam
Tornando-as absoluta
e quentes sobre ninho
Misturam os quereres
Com tesão atrevido
esperta a face rubor
Ousadia do carinho
A medida desmedida
Tudo que acelera, pulsa
A noite deixa nua
Para se agasalhar de amor


SERGIO CUMINO – POETA FLOR E A PELE

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

QUE A PERVERSÃO RESISTA



QUE A PERVERSÃO RESISTA

Perversa que expressa
Insígnias cátedras
Rebela subjugada
Ao pacto da missa enfática
quando corpo desdenha
 das diretrizes o dolo
Mas seu desejo ateu
se isso, serve de consolo
Ou complicou a nave?
Que quase empoderava
Qual providencia?
Sei lá! Tenha paciência
Plexo libertário extrínseco,
Sem limitações temporais,
Leva sexo ao espaço.
Subverte o pleito
Com âmago do peito
O que diz respeito
 mais que gerar prole
Voar ao sagrado
Amando no cosmo
Portanto perverta
Não cole ventre livre
Com idéias de castidade
Neutraliza o sublime
O destino imprime
No papiro com a pele
Escreve em versos
Falsos provérbios
Monstros perversos
Que inveja estrangula
A liberdade do instinto
Embarga seus gritos
Contra suas culpas
Chave da repressão
Não seja retenção
E que abram cadeados
das correntes do ego

SÉRGIO  CUMINO – POESIA COM DEFICIÊNCIA


terça-feira, 9 de outubro de 2018

VENTO SEDUZ A NOITE


VENTO SEDUZ A NOITE

 Vento entra pela janela
Para dar o ar da graça
Por cada pelo que passa
Retribui com bailado
o deixa deveras ouriçado
também pudera
ela acaba de ser amada
E embarca nessa aragem
O amor e seus mistérios
atinja eternas paragens
Aura que canta bela
Sussurra sons tântricos
Ao pé do ouvido
Cânticos misturados
Divino com gemidos
Do hálito amado
Retribui com suspiros
Encontro dos sopros
 Deliciosamente profano
Como leque mágico
Uma onomatopaica cantiga
De repentes e espasmos
E a manhosa fadiga
Abre-se felina à brisa
Pele dengosa e lisa
Faz-se luz consagrada
Sem tempo e espaço
Só entrega de alma
 tem em si o sagrado
ofegar seus desejos
recebe  os ventos
como delicioso gozo

SÉRGIO CUMINO – POETA A FLOR E A PELE

domingo, 7 de outubro de 2018

O CORPO É MEU!


O CORPO É MEU!

Corpo é meu!  Mando eu!
Não o tire de mim
Como troféu do seu ego
Proselitismo do seu pleito
Intransigência no apogeu

Não sei o que aqui perdeu
Do inicio ao fim
De como o recebo e entrego
Dialogo é meu por direito
Agora diz que me rendeu

O olhar que é seu
Não corresponde a mim
Se há vezes que não me enxergo
Nem quem sou, me desconheço
Pela cicatrizes que me prendeu

Quem pensa que é fariseu 
Com seu bafo em latim
Não é a você que delego
Onde amamenta meu peito
Nem que passos o pé deu

O mergulho que faz ser eu
È isso que acha ruim
O que vislumbro emprego
Com um novo jeito
Que nunca atreveu

Além do que julgas plebeu
Sou universo em si
Além de tudo que renego
Não corresponde ao centro
    A probabilidade que Deus me deu


Carne fraca, pastor orientou
Cônscia da terra desse jardim
Corpo e alma é meu castelo
Comunhão e encantamento
A que pulsa aqui fortaleceu


Essa premissa não vingou
Sua força vai alem de mim
Essa coisa de pele seu fedelho
Não cabe seu julgo nem despeito
A minha é forte, sempre e venceu

SÉRGIO CUMINO – PCD – POESIA COM DEFICIÊNCIA


quinta-feira, 13 de setembro de 2018

GUILHERME BOULOS SAGRA O OLHAR DO DEFICIENTE



GUILHERME BOULOS SAGRA O OLHAR DO DEFICIENTE

No inicio do mês, recebemos um convite do Carlos Alberto uma das lideranças do setorial da pessoa com deficiência do PSOL, eu e Elizabete Nascimento para participarmos de uma conversa no dia 06 de setembro, portanto as vésperas do feriado da independência. O encontro o que nos surpreendeu foi com o presidenciável Guilherme Boulos, cuja pauta  era políticas publicas eficientes para a pessoa com deficiência.

Nesse momento, você já deve estar visualizando, toda a agitação de campanha, militância com bandeiras e palavras de ordem, candidatos ao legislativo pendurados feito bolas de arvore natalinas, a rua um carro de som que muito gritou em manifestações vociferando em auto e bom tom contra essa burguesia golpista.

Seu equivoco agora foi o nosso no dia. Nada disso ocorreu, o referido candidato se despiu dos brados da campanha, com sua nudez, trouxe apenas o coordenador e dois repórteres da Mídia Ninja, do lado de cá éramos por volta de dez pessoas. Assim fez valer as palavras de Saramago "O que dá o verdadeiro sentido ao encontro é a busca,
e é preciso andar muito para se alcançar o que está perto."
Deste modo se revela o homem em busca de um ultimo alinhamento para ser efetivo com o tema nas campanhas e, sobretudo em seu plano de governo.

 Vale lembrar que o partido referente às políticas públicas já tem reconhecimento das mídias sociais como o mais completo dos programas registrados e melhor projeto dedicado, cuja fundamentação é a centralidade na luta contra a desigualdade e por direitos, nas demandas de mulheres, negras e negros, LGBTI, indígenas e PCD, com um novo modelo de desenvolvimento. Mesmo dentro da atenção dada ao documento que foi composto por mais de trezentas pessoas em debates.
Ali estávamos diante do excelente trabalho desenvolvido pelo setorial, colaborando para que o candidato sentisse através de uma experiência oral, o que já havia estudado na literatura fornecida.
Esse ato se traduz a diferença em ter O OLHAR NO DEFICIÊNTE como vejo nas poucas campanhas que PCD é tema em suas plataformas.  Para o OLHAR DO DEFICIENTE que sabe realmente a dimensão de cada obstáculo causado numa sociedade deficiente.

Qual foi a contribuição do grupo num exprimido tempo de conversa, uma minúscula fenda na agenda do candidato, era enfatizar pontos cruciais, saúde, educação, cultura, moradia. Pontos intrinsecamente ligados com a questão da mobilidade.

 Mostramos os temas relevantes do seu plano de governo, tais como ampliar os critérios da base de calculo do BPC – Beneficio de Prestação continuada devido às pessoas com deficiência e idosos com renda per capta de ¼ do salário mínimo, para ½ salário mínimo. Dar voz a esse grupo da sociedade que sempre foi invisível. Agora tendo notoriedade e respeito, ação levada muito a sério pelo setorial do partido

A constância das mazelas e falta de respeito com a população brasileira é como ar que respiramos. E muitas vezes nos tornamos porta voz da questão sem ao menos darmos conta. A perspicácia do grupo esta nas ações, suas repetições e reflexões ou como disse - Aristóteles "Nós nos transformamos naquilo que praticamos com freqüência. A perfeição, portanto, não é um ATO isolado. É um HABITO".

Para aqueles que pensam que o setor da PCD é “apático” ou “acomodado”, mesmo com seu direito de ir e vir ser desrespeitado a cada dia, demonstram que não são o que nosso vago olhar supõe que sejam. Com empoderamento ostensivo de suas frentes farão essa sociedade mais justa, exatamente dessa forma conquistando direito a palavra e mudança aos injustiçados.

SÉRGIO CUMINO


terça-feira, 28 de agosto de 2018

MULTIVERSO NA GARGANTA


MULTIVERSO NA GARGANTA

Engasguei com pensamentos
E todas as frases impuras
Farofa de lógica apimentada
O que não cospe não fala
Catarro de incoerências
Sobe num regresso sem passe
E adoece a vontade dos planos
No ritmo que o peito grita
Feita a corneta de sepultamento
Salda os sentidos e aforismos
Pigarro e suas intenções em fuga
com legado da alcunha patética
Sentidos que o paladar padece
Enforcamento da brisa
Jugulou o olhar a reticências
Big bang em seu entalo quântico
Embaralho de todo suposto
Abafa um turbilhão de enganos
Acidente vascular ideológico
O ar é a parábola dessa busca
A sirene que alerta a conduta
revolução das placas do pulmão
o calor que eleva as vistas
lacrimejam sem foco preciso
os olhos parados como totem
império da classe  delatada
e seus ébrios por menores
dessa bola presa na garganta
Um nó em tudo que faz sentido
Fecha as possibilidades ao mundo
Universo versa o multiverso
e deseja saltar  pelo  buraco negro
No comboio da tosse seca
Desidrata até o bom senso
Que explode descontrolada
Essa chuvarada verborrágica

SÉRGIO CUMINO – PCD – POESIA COM DEFICIÊNCIA.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

RAZÃO SAMBOU

RAZÃO SAMBOU

Entre o bem e o mal
Não há candura
nessa vida io io
de saltos em vão
Sei quando desce
Sei quando sobe
E de nada se vale
E tudo se perde
Nem sempre alcança
E ausência perdura
Definido pela cor

Nessa trilha desigual
Não há lisura
Numa viela do rancor
Quebrada sem nação
Erra-te e esquece
Delega quem pode
Esconde quem sabe
É a melodia que difere
Os acordes trançam
Sina da partitura
De um samba de dor

Nessa noite marginal
E a roda da duvida
O oculto é doutor
Mais nota na canção
mortos sempre aparecem
nostálgico recorre
A medida que cabe
Emoção reverbere
dolo de uma criança
Enredo de luxuria
Da história de amor

Uma vereda musical
Marcado nas ruas
Sob estigma do ardor
Do conflito é ação
Improviso e esquetes
Mesmo sem alardes
Nesse palco se libere
Quixote e Sancho Pança
Sonho é fortuna
Que a memória guardou
Nesse mundo é ator

Conjuntura atual
Nem sempre cultua
O que difere o sabor
Da direito  a razão
Ao pandeiro e o pileque
O repique em vales
como respiro breve
breque do samba
Odisséias noturnas
sem dizer onde estou
farei inferno do pudor

SERGIO CUMINO – PCD – POESIA COM DEFICIÊNCIA

terça-feira, 21 de agosto de 2018

CANÇÕES DO AROUCHE

CANÇÕES DO AROUCHE

As arvores bailam
Como moças em festa
É a arena do Arouche
Ao som das raízes sagradas
Cantigas de Chicha
Ecoam como Pao
Dos rituais noturnos
Aos espíritos da praça
guardiões a floresta de pedra
Onde a Ginga do malandro
É o enredo dos cruzamentos
Divindades centenárias
E todas as lendas do Arouche
Testemunham os flertes
a brisa e a fumaça
Seus pontos e encontros
De engraxates, poetas
E senhoras paulistanas
Misturam-se a banca de flores,
De amores e lamentos
De jovens e seus gêneros
militância da diversidade
Outros tantos desafetos
Do proletário vira-lata
O tempo se grafa
Na escrita dos caules
E os olhos dos troncos
São marcas de açoites
Mata que a cidade mata
Câmbios das paragens
Ao olhar de Luiz Gama
dendês  se espalham
como forma de resistência
as sombras da triste fuligem
Nessa terra de descarte
temporão e  marcada
pelo estigma dos tempos
Onde os desolados sem teto
fazem guarida na noite
a praça sua cama
protegidos ao relento
Da escória da história
em  vias de  travessia
Descritas em troncos mortos
Arte e os demais interagem
Entalhos que acomodam
Os role a benção da Anciã
Veterana da Mata
Imponente de dez andares
Chama-nos a praça
De vibrações e magias
Acolhe-nos  como graça
Protege-nos do entorno
De concreto e seus adornos

SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO 803


terça-feira, 14 de agosto de 2018

O BOLHA

O BOLHA

Um ser submerso
Em seu porto seguro
Uma vesícula fadada
Espectro submisso
subversivo, incisivo
para dentro do umbigo
Distante da ação arcada

Um câncer do ego
que ninguém governa
Que expressa pela boca
O seu olhar cego
Banal de ímpeto social
É sua bandeira de luta
A tese do seu pleito

Sua imagem refletida
Na parede de plasma
De textura gosmenta
Assim identifica seus pares
Sintoniza-se ao canal
Mas não forma hordas
Restrições da vaidade

Eloqüente e discursiva
Espécie de gorfo
Sobe-lhe o gosto
De dar sua sentença
Ao qual todo resto
É pensamento indigesto
Conectivo de sua disputa

Uma bola no estomago
De ideal tosco
O complexo de Édipo
Travestido deu sua soberba
Percorre o mundo
Projeta seu peito
Caminhadas largas

Vocifera seu litígio
O arauto do espelho
E flecha sem meta
Para nada alcançar
E sim o que enxergar
Para dentro da pança
Como rato na esteira

É celebre analfabeto
Em versos de Brecht
Entre a dialética pura
E sua bolha casinha
Esta fumaça do charuto
No palanque das veredas
Do cabaré dessa vida

SÉRGIO CUMINO – PCD -POESIA COM DEFICIÊNCIA