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sexta-feira, 16 de novembro de 2018

SONHO ACORDADA





SONHO ACORDADA

Na boca da noite
Deslizando sobre ombro
Sente um  cochicho
De um sensual contexto
Passa a primeiro plano
Dentro daquele aconchego
Ouvir – eu te amo!
Vibra no corpo inteiro
Quem puxa o corpo ao meu
foi calcanhar o primeiro
enquanto a mão
prende a do faceiro
acomodada sobre seios
meu corpo provoca
Contorça-me como roça
Assim sinuosa  encontra
A graça de uma concha
Os calores esta as tantas
Como alvorada logo canta
o tempo não compromete
em todo movimento
solenemente ele para
deixa-nos entretidos
despidos sob a lua
vivencio como poucas
ser intensa e toda sua
como galante escultor
orquestra meus gemidos
no clímax de cada gozo
Como não se sentir tarada
Mesmo toda molhada
Leva-me ao segundo capitulo
Meu suspiro é um grito
Que vem do sorriso
Que se abre como as pernas
Toda desejada a cada levada
Como criança encantada
Solta e sem roupas
Em lençóis sem vinco
Como num conto: safada
Deusa, rainha, concubina
a melhor de minhas loucas
esparrama-se arrebatada
por a audaz pegada
contorna-me e amassa
Clímax que expressa
todas as formas de boca
na plenitude de ser amada

SERGIO CUMINO – POETA, FLOR & PELE


quarta-feira, 14 de novembro de 2018

URNA AGÔNICA




URNA AGÔNICA 

Impunha  semente encardida
Tirada da sacola rendição
Desce a urna do segredo
Junto com as babas
Como moral escorrida
Jamais pensou estancada
Milênios de escarros
a primórdios enrustidos
 podre  ao nobre  falido
como  vingança vendida
Faz votos para cear
 vantagens e mazelas
baú de suas escolhas
rancor das reservas 
assim aduba-se a terra
e a soberba do escravo
é um semeio sem fim
caixa que planta colhe
mas os pés seguem presos
rosário de ferro e elos
ignorância que se orgulha
faz votos ao nobre dogma
cusparadas não molha
a alma de terra árida
assim o povo estéril
cultua nesse vaso
cinzas do descaso
  com ódio misturado
incentivo tirânico
E dos cultos a cabo
como ungido fiel
rebela-se as feras
e seu lastro de culpa
deveras incrementado
pelas heresias emergentes
é oferenda de Deus
faz da urna agônica
cajado sagrado que libera
fascismo engasgado
da realidade pretérita
sepulta  a liberdade
sepulcro patriarcal
onde a balança da justiça
conta as pratas
julga repulsa as raças
 debela a fêmea
Jugula as crenças
Retarda o coletivo
A vozes do oprimido
refreia as praças
e a servidão do mestre
não importa qual sentido
sobrepuja todo passo
dos bens-aventurados.

SERGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO 803


domingo, 11 de novembro de 2018

SOMBRAS DA NAÇÃO


SOMBRAS DA NAÇÃO

Encobre a Amazônia
Com intenções escusas
Camufla o grito da mata
Mata,  acata e demarca
Faz da selva carvoaria
Vale para gazes do gado
Torna a luz de Araquém
Efeito sobre sombras
Contrapondo com sua fuligem
Nos ministérios de contenção
Defeitos que comanda
Deixa a alma com insônia

A vida sem sentido desunia
 bruta o que seria conduta  
faz com que tudo acata
sua indiferença se farta
das flâmulas da tirania
o torna um ser inanimado
além de você mais ninguém
pessoas que se perde a conta
de onde são suas origens
Via cruzes da repressão
E todo conjunto que demanda
As diretrizes da agonia

Nessa escuridão poria
O atraso da força bruta
e o nordeste desidrata
com descaso que maltrata
conduz a insana maniconia
de um povo bastardo
tratam suas vidas com desdém
quando há sonho que aponta
o tornam duras vertigens
o levam a correr na contramão
o rastro da fome se adianta
sentimento ria, hoje disritmia  

sem as penas da eufonia
a cadeia se desestrutura
com desmandos sem basta
todo escândalo se abafa
alimenta social esquizofrenia
e toda mancha que lhes convém
penumbra que afronta
toda diversidade livre
e o espírito de provisão
cobrem-na com uma manta
toda providencia que havia


SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO 803

sábado, 10 de novembro de 2018

SONATA & AMADA



SONATA & AMADA

O desenrolar dos braços
Leva a cabeça pousar
Torna-e tapete de sua côrte.
Escorrega sob a cabeça
Enlace que te penetra
entre o cabelos e a nuca
E a trama assanha a dama
Roça o ombro arrepiado
amassando os cachos
acerta o tom do aconchego
Descobrem-se os olhos
como sonata de Chopin
A noite do desejo envolto
Um corpo esta para o outro
Como quarto escuro está
ao facho de fulgor lunar
adentra no peito da cama
Faz-se luz ao bico dos seios
sob a suavidade da seda
Lábios secam ao se sentirem
no acalento sem que perceba
o conjugar o verbo amar
E delicioso beijo para selar
As mãos aos mamilos como bojo
Liberta do complexo de Electra
ao colo do órfão paterno
mergulho em si eliminou
surto do destino cego
alforriando para o momento
Encontro etéreo confiado
entregues a vontade límpida
O amor como suprimento
Para clímax do gozo aclamado
E com suspiro declamado
sussurra um quero você
sobre aplausos das células
umedece a caverna
ao escutar como prece
que é o também te quero
Sem duvidas desejos externam
E as intimidades dialogam
Tornando-as absoluta
e quentes sobre ninho
Misturam os quereres
Com tesão atrevido
esperta a face rubor
Ousadia do carinho
A medida desmedida
Tudo que acelera, pulsa
A noite deixa nua
Para se agasalhar de amor


SERGIO CUMINO – POETA FLOR E A PELE

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

QUE A PERVERSÃO RESISTA



QUE A PERVERSÃO RESISTA

Perversa que expressa
Insígnias cátedras
Rebela subjugada
Ao pacto da missa enfática
quando corpo desdenha
 das diretrizes o dolo
Mas seu desejo ateu
se isso, serve de consolo
Ou complicou a nave?
Que quase empoderava
Qual providencia?
Sei lá! Tenha paciência
Plexo libertário extrínseco,
Sem limitações temporais,
Leva sexo ao espaço.
Subverte o pleito
Com âmago do peito
O que diz respeito
 mais que gerar prole
Voar ao sagrado
Amando no cosmo
Portanto perverta
Não cole ventre livre
Com idéias de castidade
Neutraliza o sublime
O destino imprime
No papiro com a pele
Escreve em versos
Falsos provérbios
Monstros perversos
Que inveja estrangula
A liberdade do instinto
Embarga seus gritos
Contra suas culpas
Chave da repressão
Não seja retenção
E que abram cadeados
das correntes do ego

SÉRGIO  CUMINO – POESIA COM DEFICIÊNCIA


terça-feira, 9 de outubro de 2018

VENTO SEDUZ A NOITE


VENTO SEDUZ A NOITE

 Vento entra pela janela
Para dar o ar da graça
Por cada pelo que passa
Retribui com bailado
o deixa deveras ouriçado
também pudera
ela acaba de ser amada
E embarca nessa aragem
O amor e seus mistérios
atinja eternas paragens
Aura que canta bela
Sussurra sons tântricos
Ao pé do ouvido
Cânticos misturados
Divino com gemidos
Do hálito amado
Retribui com suspiros
Encontro dos sopros
 Deliciosamente profano
Como leque mágico
Uma onomatopaica cantiga
De repentes e espasmos
E a manhosa fadiga
Abre-se felina à brisa
Pele dengosa e lisa
Faz-se luz consagrada
Sem tempo e espaço
Só entrega de alma
 tem em si o sagrado
ofegar seus desejos
recebe  os ventos
como delicioso gozo

SÉRGIO CUMINO – POETA A FLOR E A PELE

domingo, 7 de outubro de 2018

O CORPO É MEU!


O CORPO É MEU!

Corpo é meu!  Mando eu!
Não o tire de mim
Como troféu do seu ego
Proselitismo do seu pleito
Intransigência no apogeu

Não sei o que aqui perdeu
Do inicio ao fim
De como o recebo e entrego
Dialogo é meu por direito
Agora diz que me rendeu

O olhar que é seu
Não corresponde a mim
Se há vezes que não me enxergo
Nem quem sou, me desconheço
Pela cicatrizes que me prendeu

Quem pensa que é fariseu 
Com seu bafo em latim
Não é a você que delego
Onde amamenta meu peito
Nem que passos o pé deu

O mergulho que faz ser eu
È isso que acha ruim
O que vislumbro emprego
Com um novo jeito
Que nunca atreveu

Além do que julgas plebeu
Sou universo em si
Além de tudo que renego
Não corresponde ao centro
    A probabilidade que Deus me deu


Carne fraca, pastor orientou
Cônscia da terra desse jardim
Corpo e alma é meu castelo
Comunhão e encantamento
A que pulsa aqui fortaleceu


Essa premissa não vingou
Sua força vai alem de mim
Essa coisa de pele seu fedelho
Não cabe seu julgo nem despeito
A minha é forte, sempre e venceu

SÉRGIO CUMINO – PCD – POESIA COM DEFICIÊNCIA