ESSE BLOG NÃO PERTENCE SÓ AO POETA, ELE É DE TODOS NÓS

domingo, 18 de novembro de 2018

EGO VIRTUAL




EGO VIRTUAL

A procura do perfil
Perde-se pela rede social
Encontra o dialeto tosco
Que supõe bom gosto
Suvinil de glamour suspeito
Que define como deve andar
Surgem bordões as trombetas
Para que arauto virtual insira
Design do surto plástico
Das curtidas #FAKE   

A procura do perfil
Vive o mundo paradoxal
Leva a quem pensa pouco
Futilidade e seu desconforto
As náuseas das frases feitas
Desse planeta do tanto faz
Acolhe qualquer receita
Lamentos que o ego empilha
Esconde engasgos drásticos
Camufla todos os defeitos

A procura do perfil
Perde-se no mundo desigual
Vísceras e ódio contra o povo
E o velho se disfarça de novo
Resistência as forças audaz
Fica de surdina a espreita
A todos aqueles que gritam
Vociferados balé de fanáticos
No embuste marcam medos

A procura do perfil
Experimenta catarse viral
Nudez de mórbidos cornos
Pega cedro de consolo
e todo prólogo que Jaz
O prazer que rejeita
Os sonhos que inspiram
Nonsense dos apáticos
Consagra o tirano eleito

A procura do perfil
Lavagem pentecostal
Crava a cruz no dorso
Volve divino aos planos
Corrompendo amor e paz
Quando a visão estreita
Cabrestos que limitam
Tira-lhe sensos práticos
Passa viver sob preceitos

A procura do perfil
A culpa o porá no beiral
Abismo afronta seu tolo
Contrasta os tronos
Paradigma se desfaz
Nem sempre a colheita
Será o que confeita
Jamais o deixará pleno
Mantendo-o ao parapeito

SÉRGIO CUMINO – PCD – POESIA COM DEFICIÊNCIA

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

SONHO ACORDADA





SONHO ACORDADA

Na boca da noite
Deslizando sobre ombro
Sente um  cochicho
De um sensual contexto
Passa a primeiro plano
Dentro daquele aconchego
Ouvir – eu te amo!
Vibra no corpo inteiro
Quem puxa o corpo ao meu
foi calcanhar o primeiro
enquanto a mão
prende a do faceiro
acomodada sobre seios
meu corpo provoca
Contorça-me como roça
Assim sinuosa  encontra
A graça de uma concha
Os calores esta as tantas
Como alvorada logo canta
o tempo não compromete
em todo movimento
solenemente ele para
deixa-nos entretidos
despidos sob a lua
vivencio como poucas
ser intensa e toda sua
como galante escultor
orquestra meus gemidos
no clímax de cada gozo
Como não se sentir tarada
Mesmo toda molhada
Leva-me ao segundo capitulo
Meu suspiro é um grito
Que vem do sorriso
Que se abre como as pernas
Toda desejada a cada levada
Como criança encantada
Solta e sem roupas
Em lençóis sem vinco
Como num conto: safada
Deusa, rainha, concubina
a melhor de minhas loucas
esparrama-se arrebatada
por a audaz pegada
contorna-me e amassa
Clímax que expressa
todas as formas de boca
na plenitude de ser amada

SERGIO CUMINO – POETA, FLOR & PELE


quarta-feira, 14 de novembro de 2018

URNA AGÔNICA




URNA AGÔNICA 

Impunha  semente encardida
Tirada da sacola rendição
Desce a urna do segredo
Junto com as babas
Como moral escorrida
Jamais pensou estancada
Milênios de escarros
a primórdios enrustidos
 podre  ao nobre  falido
como  vingança vendida
Faz votos para cear
 vantagens e mazelas
baú de suas escolhas
rancor das reservas 
assim aduba-se a terra
e a soberba do escravo
é um semeio sem fim
caixa que planta colhe
mas os pés seguem presos
rosário de ferro e elos
ignorância que se orgulha
faz votos ao nobre dogma
cusparadas não molha
a alma de terra árida
assim o povo estéril
cultua nesse vaso
cinzas do descaso
  com ódio misturado
incentivo tirânico
E dos cultos a cabo
como ungido fiel
rebela-se as feras
e seu lastro de culpa
deveras incrementado
pelas heresias emergentes
é oferenda de Deus
faz da urna agônica
cajado sagrado que libera
fascismo engasgado
da realidade pretérita
sepulta  a liberdade
sepulcro patriarcal
onde a balança da justiça
conta as pratas
julga repulsa as raças
 debela a fêmea
Jugula as crenças
Retarda o coletivo
A vozes do oprimido
refreia as praças
e a servidão do mestre
não importa qual sentido
sobrepuja todo passo
dos bens-aventurados.

SERGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO 803


domingo, 11 de novembro de 2018

SOMBRAS DA NAÇÃO


SOMBRAS DA NAÇÃO

Encobre a Amazônia
Com intenções escusas
Camufla o grito da mata
Mata,  acata e demarca
Faz da selva carvoaria
Vale para gazes do gado
Torna a luz de Araquém
Efeito sobre sombras
Contrapondo com sua fuligem
Nos ministérios de contenção
Defeitos que comanda
Deixa a alma com insônia

A vida sem sentido desunia
 bruta o que seria conduta  
faz com que tudo acata
sua indiferença se farta
das flâmulas da tirania
o torna um ser inanimado
além de você mais ninguém
pessoas que se perde a conta
de onde são suas origens
Via cruzes da repressão
E todo conjunto que demanda
As diretrizes da agonia

Nessa escuridão poria
O atraso da força bruta
e o nordeste desidrata
com descaso que maltrata
conduz a insana maniconia
de um povo bastardo
tratam suas vidas com desdém
quando há sonho que aponta
o tornam duras vertigens
o levam a correr na contramão
o rastro da fome se adianta
sentimento ria, hoje disritmia  

sem as penas da eufonia
a cadeia se desestrutura
com desmandos sem basta
todo escândalo se abafa
alimenta social esquizofrenia
e toda mancha que lhes convém
penumbra que afronta
toda diversidade livre
e o espírito de provisão
cobrem-na com uma manta
toda providencia que havia


SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO 803

sábado, 10 de novembro de 2018

SONATA & AMADA



SONATA & AMADA

O desenrolar dos braços
Leva a cabeça pousar
Torna-e tapete de sua côrte.
Escorrega sob a cabeça
Enlace que te penetra
entre o cabelos e a nuca
E a trama assanha a dama
Roça o ombro arrepiado
amassando os cachos
acerta o tom do aconchego
Descobrem-se os olhos
como sonata de Chopin
A noite do desejo envolto
Um corpo esta para o outro
Como quarto escuro está
ao facho de fulgor lunar
adentra no peito da cama
Faz-se luz ao bico dos seios
sob a suavidade da seda
Lábios secam ao se sentirem
no acalento sem que perceba
o conjugar o verbo amar
E delicioso beijo para selar
As mãos aos mamilos como bojo
Liberta do complexo de Electra
ao colo do órfão paterno
mergulho em si eliminou
surto do destino cego
alforriando para o momento
Encontro etéreo confiado
entregues a vontade límpida
O amor como suprimento
Para clímax do gozo aclamado
E com suspiro declamado
sussurra um quero você
sobre aplausos das células
umedece a caverna
ao escutar como prece
que é o também te quero
Sem duvidas desejos externam
E as intimidades dialogam
Tornando-as absoluta
e quentes sobre ninho
Misturam os quereres
Com tesão atrevido
esperta a face rubor
Ousadia do carinho
A medida desmedida
Tudo que acelera, pulsa
A noite deixa nua
Para se agasalhar de amor


SERGIO CUMINO – POETA FLOR E A PELE

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

QUE A PERVERSÃO RESISTA



QUE A PERVERSÃO RESISTA

Perversa que expressa
Insígnias cátedras
Rebela subjugada
Ao pacto da missa enfática
quando corpo desdenha
 das diretrizes o dolo
Mas seu desejo ateu
se isso, serve de consolo
Ou complicou a nave?
Que quase empoderava
Qual providencia?
Sei lá! Tenha paciência
Plexo libertário extrínseco,
Sem limitações temporais,
Leva sexo ao espaço.
Subverte o pleito
Com âmago do peito
O que diz respeito
 mais que gerar prole
Voar ao sagrado
Amando no cosmo
Portanto perverta
Não cole ventre livre
Com idéias de castidade
Neutraliza o sublime
O destino imprime
No papiro com a pele
Escreve em versos
Falsos provérbios
Monstros perversos
Que inveja estrangula
A liberdade do instinto
Embarga seus gritos
Contra suas culpas
Chave da repressão
Não seja retenção
E que abram cadeados
das correntes do ego

SÉRGIO  CUMINO – POESIA COM DEFICIÊNCIA