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sábado, 13 de julho de 2019

IRA E A CORTE AFETIVA


IRA E A CORTE AFETIVA

Ao trauma da evasão social
Com sorriso da perversidade
Fico com visão atormentada
E a esperança foi embora
E eu nem me despedi
a ponto de declamar minha fúria
segui o conselho das ruas
ali aos pés do Ira
vi as neuroses bailar
ao dedilhar da guitarra
as conjunturas ritmarem
na revolução do rock
que precisava tanto
e sequer sabia
dessa arena das possibilidades
A praça nos presenteia
abraço do melhor amigo
com benção de São Lourenço
a antropofagia nos une
com ou sem rima
no afeto das diversidades
Ao  ires e ver com outros olhos
a republica se transforma
ao som rítmica plataforma
no corredor da acessibilidade
desfila briosa flor
poeta plebeu
amante da rainha
em seu trono móvel
depois do bis do show
Estava com a poesia apertada
Para suspirar como foi

SERGIO CUMINO- OBSERVATÓRIO 803


SOLIDÃO DESTILADA


SOLIDÃO DESTILADA

Sábia a calada cerração
Apruma o silencio
Em acordo com vento
Vai-se a busca do vazio
Onde o todo manifesta
prolifera pensamentos

Vagantes e  imprudentes
A sorte aos arrogados
Cativa dentro de si
Um uivo interno
Que borbulha estômago
Ao mergulho ao inferno

Solitário pobre frustrado
Como artista logrado
Pelo devaneio da criação
Desperta a noite ouvinte
Angustia de pronto atina

Com nuvem no fronte
Deita as carências
No mistério da bruma
Ouve-se o dialogo
Da lagrima e a pele

Junto a prece que roga
Em confusa vivência
Perdura a duvida
Ao sair das aparências
E tudo se atrapalha

Mistura-se a malha fina
Na tolice do bem e mal
Tem que se mediar
Os estalos da raiva
E o credo a previsão
E se nada acontecer

Já sabe se aborrecer
Tem estrada ralhada
E a noite o acalma
Renova os sentidos
Ao encontrar o trauma

SÉRGIO CUMINO – PCD – POESIA COM DEFICIÊNCIA

MALOCA PRESENTE

MALOCA PRESENTE

Acuda a maloca
Que outrora saudosa
Abrace desde agora
Essa maloca é nossa
Que o período danou

Desse nariz de doutor
O que ele ignora. Flora
na vida desses retirados
o estigma da esperança
que a jornada derrocou

a miséria organizada
se transforma em unidade
é o degrau à saudade.
Aonde  receio treme
Que o injusto julgou

Sarjeta e consciência
É mundo sem soberania
E a expressão da cidadania  
Movimento de ocupação
Que a morada ocupou

Pensado em vigília
juntos ,triste a revelia
A prece em meio geado
Pelo frio vigiado
Sob o céu sem teto rogou

Fronte sem horizonte
Toma casarão assombrado
Juntos como órgão
Num ato sonhado
Quando a noite calou

Pela coragem carregada
Sonho que sonha junto
É consciência na maloca
Floresce da realidade
Que o Poder Público deteriorou

SERGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO 803
Dedicado a todos os Movimentos Populares em luta pela Cidadania.

terça-feira, 9 de julho de 2019

JUIZ LADRÃO

JUIZ LADRÃO

Noz faz pisar em ovos
Com angustia entalada
Pelo manto aprumado
Sob a mancha ilícita
Era peruca postiça
e gera desconfiança
complexo de Édipo
Deixa-me perplexo
Cego por decepção
 ao que lia como reto
ficou esperança em vão
o mundo é dos justos
a vida uma utopia
Rumos julgados
Por júri trapaceiro
Quem diria que assim
Nasce o sentenciado
Pela mão direita
golpista magistrado
traz para si a balança
e para outras panças
aqueles que deve favor
uma coisa é fato
é juiz premiado
todos querem embusteiro
desse calibre ao lado
Bem cotado no mercado
O Jurado vendido
Do golpe globalizado
Ao grupo de interesses
Empenhos ajustados
Ao aforismo anverso
Impudor vertical
Sem crase a Constituição
Censura o horizonte
Legado tortuoso
Acreditava nesse mote
e levou sem pestanejar
o sonho a retidão.
Probidade sincrética
Da Toga e o tapeador,
Ignora qualquer moção
Que bradam. Juiz Ladrão!

SERGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO 803

domingo, 7 de julho de 2019

MEIOS ENFORCAM OS FINS


MEIOS ENFORCAM OS FINS
Trauma gerado aos fins
seria outra resenha
que não se desenha
com propósitos tóxicos
e efeitos épicos
legado da culpa é luto
ao ignorar  o receio
que alertava o desvio
avariando o valor  ético
proselitismo transgênico
averbado de pesticidas
da empáfia neoliberal
afogados no canal
com técnicas de conexão
une dispares legendas
faz o antagônico como seu
O lucro os emenda
Armam-se ruralistas
Enquanto signo que flama
Faz do casulo da cana
Triunfo do incomodo
Da representação popular
Adverte ao que ficar meio
Equilibrando corda bamba
 preste a lhe enforcar
Para o avanço das cercas
A benção da bíblia da bala
E com a liturgia letal
Que rogam pelo Divino
Abatem a comunidade
Fora da planilha do dizimo
Em gênero e raça
Num engasgo social
Descartam o ambiente
Para justificar os meios
Como milícia cívica
De braços e brados
Com o cínico supremo
 a sombras das togas
Travestidos do Bem
a eclipse da soberania
Faz rito a boçalidade
Difusa por meios
E suas pautas vendidas
De gases e ruídos
Do folhetim nobre
Deixa o pobre
Com cara na bunda
Para ponderar amém
Ao que soltam por traz
SÉRGIO CUMINO – Observatório 803  

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Decoro e seu Engodo


Decoro e seu Engodo

Onde nem tudo voga
Evolui a suspeição
Ao modelar o delito
O embuste do doutor
Do arroto magistrado
Sob funestas togas

Conjuga o sujeito
Ao engodo de adesão
Em ascensão a político
E todo pacote de pavor
Com opositor arrogado
A um oportuno suspeito

Assim surge nova fonte   
Até o justo há um vão
Parcial no conflito
Justiça que tem cor
É desejo e obstáculo
que Justifica o desmonte

É cátedra no pleito
E o freio da moção
Calúnia do registro
Em sua opera de horror
cínico daquele lado
a que é justo de direito

SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO 803

quinta-feira, 20 de junho de 2019

PERSPECTIVA VÃ


PERSPECTIVA VÃ

É a quimera da visão
Que porta a calada duvida
Restringe-nos ao portal
Que o panorama nos permite
O flertar das figuras
Com intuição animal
Coisa que não persiste
E fumaças nas vistas
Vistas de um ponto
Perdido a esmo
na espessura da ilusão
cálices que a mágoa furta
que simulados e afetados
torna a cena impura
sucumbida a limites
de  cunho tridimensional
integra ao desejo e obstáculo
o medo que lhe constrange
sem possibilidade de ação
para que não Perceba
que seu palco é arena
 e  a fronte o horizonte
E aqueles além da curva
Pisoteado de forma vertical
O retira de sua matriz
Debela qual for a resenha
O faz cego e sai de cena
 por pedido de vistas
pautado com olhar moral
sem direito a cão-guia
nem que eu e mim me detenha
ouvirei a vós da maresia
indica onde o céu e o mar
juntos suplicam que há
palmos e palmas que ecoam
delirantes diante do nariz
limpe suas lentes
espiritualize o improviso
de alma à protagônia
Porque nem sempre
passagem de uma peça
de paginas montadas
pautas e parafraseados
Operas de cabimentos
Tocará em sua defesa.


SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO 803


sábado, 15 de junho de 2019

AJUDA- TE


AJUDA- TE

Ajuda-me a te ajudar,
faremos isso sem julgar.
Preciso da sua ajuda
Se ajudar é o legado
Do amor ao próximo
Sem o seu achegar
O novilho não se apura
E as próximas condutas
Torna a vontade nula
fica a palavra muda
Míngua e não conjuga
Quanto vale sua ajuda?
tanto quanto a vida
possibilidades infinitas
como pincel e o quadro
laço impar e o mundo par
novo olhar de cores e traços
pelas variantes promiscuas
expressa  a conjuntura
no desenho de suas rugas
avariada em fissuras
traumas e suas fugas
da mentalidade impura
Cambaleada se atura
a ajuda é mutua
insolúvel é a tontura
aprenderemos trocar
e diferentes figuras
elevemos nossa postura
que se coloca no lugar
deixa sentimento conjuga
e a tela branca vazia
e pintando sem fadiga
evita-se qualquer tortura

SÉRGIO CUMINO – PcD – pOEsia  cOm DeficiÊncia


domingo, 26 de maio de 2019

APATIA DE CADA PASSEIO




APATIA DE CADA PASSEIO

E a cada marcha se perde
Quando faz passos rodar
O ir patinar na mente
O dano do possível lúdico
E o bônus de sua vontade
Retardo do próprio destino
Cria avaria na Resiliência
Indiferentes de todas as togas
O caminho suave se amarga

E a alternativa não reverte
Quer-se é possível mancar
Desafio a todos prudentes
Deficiência do passeio público
um declive perante a grade
prioridade do automobilismo
Cadencia dessa circunferência
Homem inventou a roda
E não tirou entrave da calçada

Não há boa intenção que concerte
o que impede a roda de rodar
quer apenas seguir em frente
Um absurdo a cada cúmulo
são os obstáculos covardes
o degrau vira um abismo
Descaso coxeia a consciência
e cada um é a gordura da borda
excesso para corte da carga

faz-se barreira que atravesse
agora não há como retornar
pior nadar contra corrente
segregado como num tumulo
no meio do caminho invade
numa transversal do egoísmo
de alheias conveniências
provoca muitas voltas
para apenas chegar em casa.

SÉRGIO CUMINO – PCD – POESIA COM DEFICIÊNCIA