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segunda-feira, 12 de agosto de 2019

BRADOS DA CAVERNA

BRADOS DA CAVERNA
O mandatário fundamentalista
Que faz a pasta do Estado
Foice ao respeito laico
Birrento aos gêneros
A cegueira uma crença
a ignorância é uma bênção
Integras a fé da ganância
Adultério versos  corrupção
Nem tudo a bandeira flama
Apoiadores de prontidão
Em bestiais vigílias
Ao proselitismo que diz
Intolerância seu premio
nos atos desse drama
do projeto da Besta
Império da execução
Esta no cerne da família
Além do bem e do mal
Mesmo sem cabimento
Detentores da servidão
Do rombo estadista
Ele amigo do juiz
Sócios na cobiça
Ilude  estar na bíblia
Onde coloca o dedo
Mantidos princípios
Assados nesse forno
servi-lhes de suprimento
Sente ser o que quiseres
no colchão da mentira
A viver fugaz ilusão
crê  verdade nessa trama
Daqueles que dão as cartas
ao invés da pregação
exaltar a liberdade
moderna chibata
abonam divindade ao medo
tolhida por essa lamina
não consta em  atas
da nebulosa negociação,
faz da lei lucro ideal
enfraquece as moléculas
desse corpo sem fibra
não sente os efeitos
orgulho de ser escravo
dão bravo ao seu deboche
cerceado cativeiro moral
acomodado ao absurdo
despercebido supremo fantoche
fora da ordem estabelecida
dentro do útero da caverna
moradia das certezas
Zona de covarde
É o conforto  abate
suscetível ao irreal
procurador parece encontrado
esse povo alienado
Núncio dessa baderna

SÉRGIO CUMINO – Observatório 803

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

MACHO INTIMIDADO



MACHO INTIMIDADO

Intimida a sumula autoridade
Do macho contrariado
Adverte como lhe falta
Cada tal com sua toga
Acatamento quando ralha
E o bruto se adona
Daquela que deveria amar
A luz fonte dessa fêmea
Projeta as sombras
Do espectro do cerceamento
E medos que o resguardam
a punira nas pausas ocultas
pelos encantos que lhe faltam
e com verdades  assustas
se vale da mancha do dolo
Ameaça como se registradas
E outorgadas em  súmulas
Da sua conveniência moral
O amor o encara como Aviso
O desmonte olhar patriarcal
Entre a flor e a foice
Escolhe o vinco que rompe
O doar-se subjetiva Chantagem
E a demência seja um principio
Assim que deserda o cognitivo
o sorriso torna ultimato
na concepção dos seus mitos
Impõe sua espada fálica
Em seu embate covarde
Para que detenha essa Bravata
E lhe sentencia pela fanfarrice
E celebrará sua posse.
E o tempo de validade.

SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO 803

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

ESGANADURA DA JUSTIÇA


ESGANADURA DA JUSTIÇA

Quanta prata do capital
Esta trançada na corda
transborda ilegalidade
e outros colos conforta
com brilho da jóia
validada na bolsa
esfumaça a tramóia
singulariza valores
cada investidor cordial
cinismo da toga
Mecenas da festa
forca de muitas tramas
da família de bem
e bancada da bala
e se não for da lista
de hordas alienadas
e sua massa tóxica
restrita fundamentalista
sinfonia da arrogância
amarela, paralela
batendo panela
arranjo paradoxal
bradam três vivas
pela condenada justiça
sentença da canalha
a reverencia e  servidão
constituição violada
jogada no canal
córrego de esgoto
de  babas sádicas
e o povo ali desprezado
sabe onde a corda aperta
que corta civilização
pôr duvida a  convicção
a era da entrega
sem liberdade
sequer de expressão
seja qual for supremo
Mata-se a velha visão
Alimentava a ilusão
Do que é ser justo
Agora enganado
Não vê pertencer
A outra nação
Atentos a um sinal
e presencia cair
justiça e soberania
Pelo opressor alçapão

SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO 803

terça-feira, 6 de agosto de 2019

JAZ MULHER

JAZ MULHER

Dar-se  semblante feliz
Como flor de lís
Dos jardins ou cortiço
Seja dama de Caras
Ou Diva com marcas
Iludidas as faces

É, sobretudo mulher
Etnia estigmatizada
Leite da mãe preta
As que vivem conto de fadas
Dolo de quem se acha dono
Abolia desequilibradas

Fêmea se vendeu barato
Recebe  sem receio
Amostra grátis do homem
frasco  terno e amarrado
entranhas do comando
a faz posse do alheio

O que pensava amor
Era um gozo postiço
O resto a subserviência
Modelo patriarcal
Afago do sexo frágil
coagir  parece oficio

Que aboli  equidade
o sonho de donzela
temor nos gestos
da senhora da retração
seu olhar parado
Em toda diversidade

anseios mutilados
mulher de natureza morta
que consolam o coração
é cantiga de missa
a luz e suas sombras
e a rua  o corpo jogado

cumbuca sem a colher
em meios pontos cardeais
descarte da ignorância
entorno arena da encruzilhada
daqueles que farejam trágico
e o que julgam àquela mulher

ao fim do precipício
lamentam morte anunciada
Porque mataram a mulher?
E a opinião dos vividos,
“porque era mulher”
A fragrância do feminicídio

SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO 803


segunda-feira, 29 de julho de 2019

CULTURA DA PAZ

CULTURA DA PAZ

Vem da terra composta
Que a sublimação semeou
Orgânica com diversidade
Além das cítaras de Orfeu
E a teima de Narciso
E sua indigesta neurose
Julgado por linhas tortas

Brota do tempo mediador
Viver não é preciso
Se precisar navegar
Entre tantos pareceres
Aquele que frutificará
Sem mágoa e seus resquícios
Com silencio conciliador

Hidrata o semiárido
E o cultivo da consciência
Em sua câmara arbitral
A ciência germina
Sem toxina da avaria
Amanhece um novo dia
Recriando o cenário

Resiliência eleva o algoritmo
De braços dado com tempo
E deslaço de sua anarquia
Liberando a libido a poesia
Para musicar seus instintos
Rever seus passos dados
No obscuro do íntimo

Na conjuntura do tanto fez
Da qualidade ao que  faz
Agregar-se aos que fazem
Nunca há de padecer
Unidade da antropofagia
Acorda a graça cognitiva
A cada novo conhecer

Revigora o que é capaz
E sentido ao coração
E a retórica do afago
No sorriso das iniciativas
O amor é o sujeito
Abre-se a constelação
Por uma cultura da paz

SÉRGIO CUMINO – POESIA NA CULTURA DA PAZ

sábado, 20 de julho de 2019

A SAGA DA FOME SUSTENTÁVEL

A SAGA DA FOME SUSTENTÁVEL


Temos um faminto Prime
Esse sabe onde se instalar
Como um vírus hospedeiro
Propicio a se multiplicar
Inclui privilégios que elevam
Graças ao projeto de governo
Enganando no seu time
Dão-lhe  status de sub-gente
do subsolo do fim do poço
Há desequilíbrio da balança
Contudo seguem sem direito
e se quer almejam esperança
Do Império dessa rica terra
crêem que por nossa sorte
e por conta da excelência
Tornou-se sorridente
subserviente justamente
Daqueles La de cima
da ponta do norte
para quem bate continência
Agora vê se pode
ta na cara que querem
o tesouro guardado
no nosso pulmão
no fundo do oceano
e o coração soberano
Arrastado dessa vergonha
De floresta derrubada
Desnutrição de criança
Dizem ser sem importância
E deixam isso para lá
Enquanto matam suas matas
e indígenas desesperados
Miséria esfolada
Dimensão de continente
tem indigente para cada povo
desespero para cada horda
diversidade do excludente
Porém lugar mais escolhido
Espécie de fina flor da fome
sob extremo das estações
sem providencia e previdência
Concentra muita grana
Nas bandas do sudeste
Custo de vida muito alto
Já o de morte é facilitado
Vêem, todavia não os enxergam
É um privado soberano
No abecedário desumano
é a letra que tudo padece
Já em matéria de segurança
Está  protegido a medida
Que o bando cresce
É destino dessas carências
Recessão que tanto bate
Até que fura
e derruba negro no arrebate
atingindo toda estrutura
Chega  as mesas burguesas
Visto nos cardápios da semana
Que se comem das lixeiras
Enquanto os que mandam
Dizem que não há fome
Talvez deduzissem a resposta
Por que restaurantes
Fecharem as portas
Deve ser dessa região
Porque tem muitos esquecidos
Sequer lhe deixam sobras
Na estiagem do nosso sertão
Ai se pergunta
E sustento de onde vem?
Mas eles falam que não importa
Na voz da tosca eloqüência
Em tom boçal e amável
Diz o arauto da presidência
Defendida é a fome sustentável
ocupa as centros congestionados
Não se medem a dor
Em caminho de celebridades
Por onde  passa deputado
tem ano que até governador
Ai emerge o sentimento indigente
Porque é cada vez mais raro
dar ao estomago seu agasalho
chamam de fome intermitente
pelo bem da economia
até a orexia qualifica
como estética de contingente
Aos que não se mantém em pé
A mulher dos direitos humanos
Pensa ser falta de fé
revelada no desigual
emergi a antropofagia
esperam que não guardem rancor
Porque na analise do capital
São seqüelas  indiferentes.

SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO 803

terça-feira, 16 de julho de 2019

ÁRIAS SELETIVAS

ÁRIAS SELETIVAS

Muda o padrão sensitivo
Anula as possibilidades
O que faz de mera vaidade
Posando moda do opressor
Rege os passos do individuo
Varejo na rua do ouvidor
A sua vontade rejeitada
Adormece a libido
Alimenta o conflito
Nessa confusão bajulada
Perde-se a sensualidade
E todo apreço ao belo
E o saber do que quero
E só enxerga maldade
Desencontra  o motivo
Como desprovido acidente
E mal percebe a dicotomia
Muito menos o pertinente
Sendo em si, ausente
Nesse eclipse da alma
É a sombra projetada
Como lhe querem presente
A penumbra é quebrada
De um mundo de gente
Coletivo da solidão
Consolados pelo engodo
Consignado a palavra
Burla conceito ético
pela estética do louvor
Ao  entrave cognitivo
Que revoga a conexão
Mordaça ao dialético
É o que brada o televisor
Passa a ter como convicção
Se não for como dizem
Tiram-lhe meios e fontes
Deixa-o em total disfunção
Órgãos perdem uso
Internos como coletivos
o corpo em Estado nulo
adultera o principio de ser
plastifica o seu tesão
a intuição quis mostrar
a instituição lhe diz que não
em prol dos sacros perturbados
Porque no regimento da história
Daqueles de bons costumes
Propósito não enxergá-lo
Para que fique engasgado
Dentro do drama seco
Em um ato sem melodia
E se  limitar a escória
Na várzea não percebe
A evolução das correntes
Entrada dos trompetes
Os manterão mesmo alagados
No mundo de poucos letrados
Para desconhecer outras Árias

SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO 803

sábado, 13 de julho de 2019

IRA E A CORTE AFETIVA


IRA E A CORTE AFETIVA

Ao trauma da evasão social
Com sorriso da perversidade
Fico com visão atormentada
E a esperança foi embora
E eu nem me despedi
a ponto de declamar minha fúria
segui o conselho das ruas
ali aos pés do Ira
vi as neuroses bailar
ao dedilhar da guitarra
as conjunturas ritmarem
na revolução do rock
que precisava tanto
e sequer sabia
dessa arena das possibilidades
A praça nos presenteia
abraço do melhor amigo
com benção de São Lourenço
a antropofagia nos une
com ou sem rima
no afeto das diversidades
Ao  ires e ver com outros olhos
a republica se transforma
ao som rítmica plataforma
no corredor da acessibilidade
desfila briosa flor
poeta plebeu
amante da rainha
em seu trono móvel
depois do bis do show
Estava com a poesia apertada
Para suspirar como foi

SERGIO CUMINO- OBSERVATÓRIO 803


SOLIDÃO DESTILADA


SOLIDÃO DESTILADA

Sábia a calada cerração
Apruma o silencio
Em acordo com vento
Vai-se a busca do vazio
Onde o todo manifesta
prolifera pensamentos

Vagantes e  imprudentes
A sorte aos arrogados
Cativa dentro de si
Um uivo interno
Que borbulha estômago
Ao mergulho ao inferno

Solitário pobre frustrado
Como artista logrado
Pelo devaneio da criação
Desperta a noite ouvinte
Angustia de pronto atina

Com nuvem no fronte
Deita as carências
No mistério da bruma
Ouve-se o dialogo
Da lagrima e a pele

Junto a prece que roga
Em confusa vivência
Perdura a duvida
Ao sair das aparências
E tudo se atrapalha

Mistura-se a malha fina
Na tolice do bem e mal
Tem que se mediar
Os estalos da raiva
E o credo a previsão
E se nada acontecer

Já sabe se aborrecer
Tem estrada ralhada
E a noite o acalma
Renova os sentidos
Ao encontrar o trauma

SÉRGIO CUMINO – PCD – POESIA COM DEFICIÊNCIA