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quarta-feira, 6 de novembro de 2019

ENCANTO DA ESTANCIA


ENCANTO DA ESTANCIA

A noite  beira a mar
Portal do bem estar
Revigora probabilidade
adágios e ancestralidade
bussola do espírito
Que apontam as estrelas
Com pedidos guardados
Ritual do resgate
o co-piloto da jornada
e você e seu par
e vice e versos
de um poema alado
que os fazem voar
mergulhar e suspirar
como bem aventurança
abdica da luta pelo ter
mãos dadas para ser
sob olhar da noite mágica
surpreende com sinais
dialética dos arquétipos
deixa-lhe bom juízo
desejo de posse oprime
adultera a coordenada
divergentes livres
o amor brisa marinha
tem inteligência guardada
nas fabulas do movimento
ouriçar dos pelos
 dança dos cabelos
os fazem um
esvoaçante de liberdade
Aura soprada por Oyá
 banha-os com maresia
borrifados por Yemanjá
o amor abençoado por oxum
a fé na vela e os ventos
é sensação conectada
do namoro a beira da praia
portuário do luar
afago fun fun
que só Oxalufan sabe dar
para poesia  embarcada
nos segredos da maré
e toda  magia oculta
que veleja esse alento

SÉRGIO CUMINO – Poetiza-se na Cultura da Paz


PROGRESSISTA DESATIVADO


PROGRESSISTA DESATIVADO

Os progressistas não progridem
No texto sem contexto
Na soma dos seus botões
Não fecha o jaleco do cidadão
E a retórica legal
Engasgada na ilegalidade
E as respectivas pró forma
 não agrega o diverso
 ideologia que obscurece
residente que não residem
Estão apenas de passagem
Com retóricas solidarias
Narcisismo envaidece
a divisão de classes
Com urgência ignora
Subjetividades no subjetivo
De vielas e favelas
nas ondas virtuais
 de tantas varandas gourmet
O dialogo não consiste
Mesmo com bandeira em riste
É indiferente ao oprimido cativo
sem o orgânico ativismo
na sabedoria dos calos
que sustenta as mazelas
Não há dialética que resiste
Em teimosias cíclicas
Revolução do templário
Subserviências santificadas
Desejo a sua majestade
É a fabula da ilusão castra
Quirelas do ouro de tolo
Justaposto as agruras
 humano em estado de miséria
não gera a catarse
não escuta e não fala
dessa conjuntura casta
cognitivo é de outras praças
no grito de emancipação
Ecoa dentro da caixa
Abençoado pelos mercadores da fé
Partilham das mesmas paredes
De onde megafone libertário
Não projeta ao lado contrario
De uma conjuntura oficial
Clube dos Inconformados
Ignoram relatos com seus ouvidos viciados

SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO 803.


SURRUPIADOS

SURRUPIADOS

Essa vida camaleão
Contida na história negada
Substituída sem resina
Em planos estratégicos
Enquanto a memória falha
Os algoritmos se espalham
Nas correntes subjetivas
 Padronizando  perfis
Momentos divisores somem
Como uma gestão do lapso
Dessa política integrada
Possibilidades viram fumaça
Uma fuligem emocional
Cobre nossas querências
De toda primazia
Que lhe falta nesse todo
São os desejos prisioneiros
Adultera limites da razão
Somos o vôo do engodo
Que supre a vastidão
Nesse céu de prisão
Além da mais valia
Gera a supra prontidão
 o sonho personalizado
no código de barras
adultera a emoção
não é consciente
do que pensa ajuizar
se quer o sente
absorve o que lhe contem
peculiaridade coletiva
servil ao chicote que estala
diretriz de toda condição
dessa vida insolente.

SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO 803


sábado, 19 de outubro de 2019

DESPATRIADOS DO BERÇO


DESPATRIADOS DO BERÇO

Um teto a deriva
pelas ruas da cidade
são filhos da nação
Agarrado a casa que canoa
a sobra de teto haverá dignidade
Molhada como promessa que molho
No meio de todos no meio do nada
A deriva numa depressão vasta
e quando mira os olhos
a avistar a varanda da moradia
Percebe-se que lhe roubaram horizontes
Anda-se em circulo
Nesse mar de olhares confusos
Que não o vêem nem são vistos
 Constatam nada é como antes
Vivemos num tempo perdido
Sem perspectiva de ser achado
Conseqüência do inacessível
Da mobilidade estática
Nosso DNA esta no lixo
Assim como o lixo em nossas veias
Os traumas pairam como obsessões
Dão a alguns a condução do ódio
O que constitui a lei dos favorecidos
Dão a outros a penitencia
Que agita as marés de incertezas
Fragiliza a vitima do homofóbico
o bem me quer mau me quer
da roleta do feminicídio
cuja a preferência é cor preta
essas são as primazias
da genealogia da moral
 uns delegam outros se incriminam
como um auto ajuste da balança
adapta o preciso a que precisa
fazendo do cá armadilha do acolá
não importar os meios e quantos falecidos
sua chave estará no molho do estado
quando o justo não é compartilhado
aguça a curiosidade coletiva
aos noticiários de policia
qual será esquina escolhida?
Certo que num desses portos
                                              Perto do bar que afogou magoas
encontrará a depressão estendida
E fora dos anais das estatísticas
Estarão as cápsulas autorizadas
e a barca a fé e vela
desprezada pela falsa prudência
de condolências divinas
como manto separatista
de ser confundida ou envolvida
equivoco da corrompida
por que a todo momento
indícios de sermos filhos
nesse berço de fome a próxima vitima
dessa cidade de dissimuladas filas
E o publico em infortúnio Desalento
Insere seu ser  tóxico a rua publica
Subtraindo os direitos humanos
Abandonada sem diretrizes
Higienizada por pesticidas urbanos
Formulados em gabinetes
Barbárie assume o descontrole
Produzem a retórica aos pobres
Com embargo proselitismo
Que são nobres  despatriados   
e dormirão sob marquises nacionais

SÉRGIO CUMINO – Poetiza-se na Cultura da Paz

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

DESTILADO NO ESPELHO

DESTILADO NO ESPELHO

Há um tropeço da razão
Do bom senso coletivo
Continência a desinteligência
 bandeira  patriarcal
Onde não há ternura
Nesse mundo perdido
Esperança no feminino
Desfigura o homem
Que abraça mastro
atravessa o fígado
do corpo que não lhe pertence
portanto não é capaz
e não vê alem do umbigo
Nem quando coça o saco
  atribuem ao descaso
simplifica bílis
e a fenda marcada
Comportamento temporário
Desculpa de cada luto
De cada morte diária
Cita algumas fabulas
Que supõe que Deus validará
Indeferida a ilusão divina
 a tempo é questão de estado
Sinais esfumaçados pelos sonhos
A cabeça da mulher no prato
e a explosão por temporão
Leva inimaginável extremo
Que estoura o copo
De ódio destilado
 misógino estrutural
São os  horrores de ocasião
Que de resto de bom trato
Como se rompesse o destino
A fúria em primeiro ato
As trincas são grafias do espelho
Imagina-se fraturas internas
Aquelas La no fundo da vergonha
Performance débil do Macho
Que da para imaginar
Já a alma duas medidas dois pesos
A esquizofrenia do desejo
De querer se apropriar
Na mesma proporção dispensar
Em cima do formigueiro

SÉRGIO CUMINO -  Poetiza-se da Cultura da Paz

domingo, 13 de outubro de 2019

TEMPO SISTÊMICO

TEMPO SISTÊMICO

Alinha o dia a dia
acompanhado pelo tempo
Amigo de passa tempo
E as horas passam de uma forma
Que perdemos nosso tempo
E em tempos modernos
Tempos são difíceis
Hora penso que esta
na cadencia de cada passo
 da musicalidade intima
como a tempo não faço
quase um tempo esquecido
passaram-se muito tempo
há uma vaga lembrança
que ainda fica
esperando um dia ir buscar
o tempo não apertava
como o relógio do sistema
o tempo não é objeto
mas é muito usado
 o tempo me persegue
por  cronômetros alheios
os tempos não são fáceis
 o contratempo são oprimidos
que sentem o fardo do tempo
mas tem os tempos raros
esses não se arrastam
 envelhecidos em barril de carvalho
quanto mais passa o tempo
mais percebemos o quão belos
momento único seu melhor tempo
 quando encontramos o graal
nessa temporada de algoritmos
perde-se num atalho sem sinal
e transgride o tempo
com seu existencial  atraso
grifados na linha do tempo
o amor que lançou no espaço
num amalgama constelar
que lhe tira noção do tempo
memória de tempos perdidos
há os que não perdem tempo
que roubam o seu tempo
com propaganda de massas
o tempo é tudo e nada
o tempo é ar,terra, água,fogo
o tempo é Orixá
com todas as benções do transe
e os atrevimentos das transas
o tempo não é capacho do sistema
que a tempos nos hipnotizam
sem darmos conta que o tempo levou
e tudo que representa
e como me determino para ele
que testemunha cada dia que morremos
e todo tempo tem seu luto
e quanto há luta pela vida perdida no tempo
esta determinado o período
que renega-se a fé
estação que vivemos sem ela
já os asfixiados não há tempo
para a morte não tem tempo certo
o sorriso se abre ao tempo
quando aprendemos o tempo infinito
e a importância do tempo ao tempo

            SÉRGIO CUMINO – Poetiza-se na Cultura da Paz