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quarta-feira, 27 de novembro de 2019

SEQUESTRO FILOSÓFICO

SEQUESTRO FILOSÓFICO

a filosofia arquivada
camufla essência
agora  desconhecida
esquecida no botequim
não supre a carência
de pronto omitida
ao desespero da sociologia
na fila do pão
nesse ruído da comunicação
 ética assume a estética
o ponto de vista
empobrece a ilusão
com a barriga na condução
aboliram a perspectiva
manda ao divã a existência
corpo selando couraças
espírito doutrinado a devoção
a deficiência da quebrada
e imobilidade pasma
boca do caixa
casa da inflação
boca da fome
produção do subjetivo
bocado de desilusão
no engajamento digital
Degradação da vida coopera
demografias miscigenadas
da frieza conectadas
as avarias da biosfera
congruência cultural
e o que esta por vir
o que terá para hoje
na medida do possível
assim humano sobrevive
oprimidos na margem de erro
sabe - lá onde tudo vai parar
com insaciável economia
essa sangria liberal
impedem o povo nas ruas
contras as presas do poder
para não deixar de ser
combustível vermelho
que municia sua engrenagem
para encher suas burras
através de ingênuas subjetividades
longe da densidade
que afere os acontecimentos
SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO 803

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

DILEMAS ATORDOADOS

DILEMAS ATORDOADOS

Essa vida causada
Que o deixa  designado
Aceitar o mal estar
Extingue  o casual
Premissa do suicidado
 higienização conceitual
da prole subserviente
o prumo ao progresso
tendo vontades dragadas
e subjetividade no foco
desequilíbrios bifurcam
em dilemas atordoados
por embuste factual
enforcamento ético
atenuante do brutal
ilude com aparente
 conformado regresso
 direito e suas debandadas
o individuo desviado
do contexto social
a norma virou protótipo
contudo desigual
de lapsos intermitentes
é um crime confesso
da palavra não pensada
 discurso jorra brado
alem do bem e do mal
na pauta dos colóquios
o sistema da o sinal
os paradigmas doentes
faz pensamentos infestos
da moral calejada
coração quebrado
o sonho não da sinal
nem a vida propósitos
que o liberte desse caos

SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO 803

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

ZONA III

 ZONA III

A zona três é a senzala
Da praia grande
Conforme geopolítica
E intolerantes associados
 corresponde ao porão
do navio negreiro
subumano  afeiçoasse a nave
oprimido vislumbrado com opressor
e aos ratos que os consome
Remadores dessa caravela
Tem calos adaptados
 o jeito mais simples
 de  viver a vida
vagueia corrompida
e a base da pirâmide
vive como pode
como se pudesse alguma coisa
o que é de se lamentar
 o corpo que sustenta beira-mar
é o porto humano desigual
pela relevância
 inverto essa lógica
remeto a justiça de Ayra
 seu mundo não há senzala
e todos juntos na aldeia
sem um bom bordo
o navio não navega
o maior ativo da cidade
está na zona de guerra
da existência contra identidade
 o anfitrião em depressão
o que recebe com sorriso
a excursão forasteira
a procura do acolhimento
o âmago do espírito afável
mas só acolhe se for acolhido
como sopro que ainda lhe resta
subverte a lei dos ventos
e o esplendor do mar
não se tem que rezar
para resistir tentações
livrar-se do pecado
da divindade eurocêntrica
e ficar onde porão
Ignoram a zona original
Sobrevive ao descaso
por ser rico em diversidade
e toda indulgencia nata
ignorada pelos imediatistas
onde deixam o lixo
polui a dignidade
e adoece o corpo
a calada dor oculta
por pura negligencia
córrego o corte aberto
fluxos dos dejetos
 sabe-se onde vai parar

SERGIO CUMINO, OBSERVATÓRIO 803


ENCANTO DA ESTANCIA


ENCANTO DA ESTANCIA

A noite  beira a mar
Portal do bem estar
Revigora probabilidade
adágios e ancestralidade
bussola do espírito
Que apontam as estrelas
Com pedidos guardados
Ritual do resgate
o co-piloto da jornada
e você e seu par
e vice e versos
de um poema alado
que os fazem voar
mergulhar e suspirar
como bem aventurança
abdica da luta pelo ter
mãos dadas para ser
sob olhar da noite mágica
surpreende com sinais
dialética dos arquétipos
deixa-lhe bom juízo
desejo de posse oprime
adultera a coordenada
divergentes livres
o amor brisa marinha
tem inteligência guardada
nas fabulas do movimento
ouriçar dos pelos
 dança dos cabelos
os fazem um
esvoaçante de liberdade
Aura soprada por Oyá
 banha-os com maresia
borrifados por Yemanjá
o amor abençoado por oxum
a fé na vela e os ventos
é sensação conectada
do namoro a beira da praia
portuário do luar
afago fun fun
que só Oxalufan sabe dar
para poesia  embarcada
nos segredos da maré
e toda  magia oculta
que veleja esse alento

SÉRGIO CUMINO – Poetiza-se na Cultura da Paz


PROGRESSISTA DESATIVADO


PROGRESSISTA DESATIVADO

Os progressistas não progridem
No texto sem contexto
Na soma dos seus botões
Não fecha o jaleco do cidadão
E a retórica legal
Engasgada na ilegalidade
E as respectivas pró forma
 não agrega o diverso
 ideologia que obscurece
residente que não residem
Estão apenas de passagem
Com retóricas solidarias
Narcisismo envaidece
a divisão de classes
Com urgência ignora
Subjetividades no subjetivo
De vielas e favelas
nas ondas virtuais
 de tantas varandas gourmet
O dialogo não consiste
Mesmo com bandeira em riste
É indiferente ao oprimido cativo
sem o orgânico ativismo
na sabedoria dos calos
que sustenta as mazelas
Não há dialética que resiste
Em teimosias cíclicas
Revolução do templário
Subserviências santificadas
Desejo a sua majestade
É a fabula da ilusão castra
Quirelas do ouro de tolo
Justaposto as agruras
 humano em estado de miséria
não gera a catarse
não escuta e não fala
dessa conjuntura casta
cognitivo é de outras praças
no grito de emancipação
Ecoa dentro da caixa
Abençoado pelos mercadores da fé
Partilham das mesmas paredes
De onde megafone libertário
Não projeta ao lado contrario
De uma conjuntura oficial
Clube dos Inconformados
Ignoram relatos com seus ouvidos viciados

SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO 803.


SURRUPIADOS

SURRUPIADOS

Essa vida camaleão
Contida na história negada
Substituída sem resina
Em planos estratégicos
Enquanto a memória falha
Os algoritmos se espalham
Nas correntes subjetivas
 Padronizando  perfis
Momentos divisores somem
Como uma gestão do lapso
Dessa política integrada
Possibilidades viram fumaça
Uma fuligem emocional
Cobre nossas querências
De toda primazia
Que lhe falta nesse todo
São os desejos prisioneiros
Adultera limites da razão
Somos o vôo do engodo
Que supre a vastidão
Nesse céu de prisão
Além da mais valia
Gera a supra prontidão
 o sonho personalizado
no código de barras
adultera a emoção
não é consciente
do que pensa ajuizar
se quer o sente
absorve o que lhe contem
peculiaridade coletiva
servil ao chicote que estala
diretriz de toda condição
dessa vida insolente.

SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO 803


sábado, 19 de outubro de 2019

DESPATRIADOS DO BERÇO


DESPATRIADOS DO BERÇO

Um teto a deriva
pelas ruas da cidade
são filhos da nação
Agarrado a casa que canoa
a sobra de teto haverá dignidade
Molhada como promessa que molho
No meio de todos no meio do nada
A deriva numa depressão vasta
e quando mira os olhos
a avistar a varanda da moradia
Percebe-se que lhe roubaram horizontes
Anda-se em circulo
Nesse mar de olhares confusos
Que não o vêem nem são vistos
 Constatam nada é como antes
Vivemos num tempo perdido
Sem perspectiva de ser achado
Conseqüência do inacessível
Da mobilidade estática
Nosso DNA esta no lixo
Assim como o lixo em nossas veias
Os traumas pairam como obsessões
Dão a alguns a condução do ódio
O que constitui a lei dos favorecidos
Dão a outros a penitencia
Que agita as marés de incertezas
Fragiliza a vitima do homofóbico
o bem me quer mau me quer
da roleta do feminicídio
cuja a preferência é cor preta
essas são as primazias
da genealogia da moral
 uns delegam outros se incriminam
como um auto ajuste da balança
adapta o preciso a que precisa
fazendo do cá armadilha do acolá
não importar os meios e quantos falecidos
sua chave estará no molho do estado
quando o justo não é compartilhado
aguça a curiosidade coletiva
aos noticiários de policia
qual será esquina escolhida?
Certo que num desses portos
                                              Perto do bar que afogou magoas
encontrará a depressão estendida
E fora dos anais das estatísticas
Estarão as cápsulas autorizadas
e a barca a fé e vela
desprezada pela falsa prudência
de condolências divinas
como manto separatista
de ser confundida ou envolvida
equivoco da corrompida
por que a todo momento
indícios de sermos filhos
nesse berço de fome a próxima vitima
dessa cidade de dissimuladas filas
E o publico em infortúnio Desalento
Insere seu ser  tóxico a rua publica
Subtraindo os direitos humanos
Abandonada sem diretrizes
Higienizada por pesticidas urbanos
Formulados em gabinetes
Barbárie assume o descontrole
Produzem a retórica aos pobres
Com embargo proselitismo
Que são nobres  despatriados   
e dormirão sob marquises nacionais

SÉRGIO CUMINO – Poetiza-se na Cultura da Paz