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segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

PARAISÓPOLIS O TAPETE VERMELHO DO ESTADO

 PARAISÓPOLIS
O TAPETE VERMELHO DO ESTADO


Como tapete morrem
Pelos pés de seus parcas
Que fogem da desgraça
Criou-se pânico da torrente
de jovens em desespero
salvem-se quem puder
invadidos pela sede de morte
os manos e minas
sem crerem o lance  
tiros anunciam a tocaia
 saem como manadas em estouro
deixa o medo afunilado
a compressão dos becos
abatidos é vida de gado
vitimados pelo mais forte
uma orquestração canalha
violam malicia das novinhas
e todos os verbos conjugados
o cerco veio das esquinas
sobre meninos caídos na noite
a esperança perdeu alcance
Pisoteados pela bota do estado
Banhados pela bebida barata
Misturado a sangue e desgraça
Intoxicados pela bomba de gás
Reprimidos no matadouro
Breque sem samba na roda do funk
O que confirma o verbete
Pele negra é bala achada
Pisoteados em plena quebrada
Imperícia conduz a manada
Aos becos do contratempo
Onde não tocam sinos
Em anos bissextos
Onde não há  sufrágio
Impera urna para corpo frágil
Que a musica contrasta
A impunidade da porrada
Àqueles sem estagio
Da concessão fardada
Por uma caneta assinada
Pelas mãos brancas e macias
De um botox de gabinete
Licitude do genocídio  
o projeto de extermínio
Foram lá de carta marcada
Agora no vale dos excluídos
 a população dorme
Certos da ponta mais fraca

SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO 803

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

TEOREMAS SOCIAIS


TEOREMAS SOCIAIS

Esta na preta da quebrada
Unidas como trança do terere
Esta nas mães dos sem casa
Nas mãos das de maio
E no conceito como pleito
O seu corpo suas regras
Protesto ao sistema deficiente
Que nos tiram acessibilidade
Maleabilidade como capoeira
Cantam num canto excludente
Comunhão no samba de rodas
Os fazem flexíveis a rasteira
Num repique para a retirada
Do capitão do mato
na casa do Palmares
criação singulares
análogo aos  cromossomos
da revolução molecular
simulacro de como somos
Cognado ao mito do amala
escrita em seus quiabos
soma a feministas empoderadas
saraus de poesia falada
prelúdio da mutação
criando novas escutas
não importa qual idade
e a falácia das condutas
para quem não ouvia nada
descobre-se potencialidades
 misturados nos terreiros
somos o topo da evolução
onde tudo se transforma
 juntados as etnias
estética das diversidades
sob riscos e seus efeitos
são tecelões da malha social
evitando catástrofes
através da transversalidades
resgatando o possível
contrapondo engodo do sistema
a experiência vivida
equidade dos teoremas

SÉRGIO CUMINO – POETIZA-SE NA CULTURA DA PAZ


quarta-feira, 27 de novembro de 2019

ESPECTRO DA PERSPECTIVA


ESPECTRO DA PERSPECTIVA

Como percebe
Nem sempre se atenta
Muitas vezes inventa
Quando compreende
Se for tarde não lamenta
Tempo não é complacente
Linhas que procede
E aquilo que semeia
Encargos e providencia
E o ceticismo insere
Estigma e ancestralidade
Apregoado ao que sente
Comparado ao que se perde
Entrelaçam como teia
 Ao aforismo do pensamento
Alem do que concede
Derrocadas dos ativismos
dilemas do livre arbítrio
Retração da realidade
E a demência que permeia
Sem pedido de vistas
E perdido no horizonte
Qual a paga do passado
Deve-se começar por onde?
as esperanças são postas
Resgate ao princípio
A qual elas representam
Num passado recriado
Que alimente ilusões
Dizem ter algo arquivado
Que pode ser reutilizado
E emergir reflexões
Das fixações que diria Freud
Origina  meios para visualizar
O espectro da perspectiva
Viola as idéias de praticas
Daquilo que pode e não pode
Assim subverte o sistema
Entregando-se ao estado das coisas
Pelos fluxos universais
Repensar através da mutação
dessas vontades engajadas
que escrevem história

            SÉRGIO CUMINO – POETIZA-SE NA CULTURA DA PAZ

TEMPORALIDADE TÓXICA

TEMPORALIDADE TÓXICA  

Overdose de mitos
Esses fios condutores
Que entorpece os atos
Determina seus gostos
Terceiriza seus demônios
 que compõe seu prato
Posse e seus pseudônimos
Que nos surpreende em cada passo
E nos cambaleia ao desgaste
Sem saber quem somos

Em meio de tantos tipos
Os que suportam dores
Na labuta dos capachos
Deliberadamente tosco
Sem identidade nos expomos
Estereotipados em tachos
Declinado aos tronos
A lógica que levanta o rabo
Sentimos ser vários em teste
Sem império do que supomos

Depende de qual pólo será visto
Que determina seus condutores
Um movimento orquestrado
Prometem Deus estará convosco
Que o pecado é o transtorno
E o medo a narrativa dos fatos
E tudo aquilo que tira o sono
A culpa imposta ao engajado
Das diretrizes do desastre
Nem de desejos somos donos

Nesse território de riscos
Desfalca seus pudores
Cada qual seu calvário
 todos ao subsolo do poço
É objeto sem contorno
Esquizofrenia arrebata  laços
Seu encontro com suborno
É o limite do fadado
Sopro para o resgate
Àquilo que compomos

SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO 803

SEQUESTRO FILOSÓFICO

SEQUESTRO FILOSÓFICO

a filosofia arquivada
camufla essência
agora  desconhecida
esquecida no botequim
não supre a carência
de pronto omitida
ao desespero da sociologia
na fila do pão
nesse ruído da comunicação
 ética assume a estética
o ponto de vista
empobrece a ilusão
com a barriga na condução
aboliram a perspectiva
manda ao divã a existência
corpo selando couraças
espírito doutrinado a devoção
a deficiência da quebrada
e imobilidade pasma
boca do caixa
casa da inflação
boca da fome
produção do subjetivo
bocado de desilusão
no engajamento digital
Degradação da vida coopera
demografias miscigenadas
da frieza conectadas
as avarias da biosfera
congruência cultural
e o que esta por vir
o que terá para hoje
na medida do possível
assim humano sobrevive
oprimidos na margem de erro
sabe - lá onde tudo vai parar
com insaciável economia
essa sangria liberal
impedem o povo nas ruas
contras as presas do poder
para não deixar de ser
combustível vermelho
que municia sua engrenagem
para encher suas burras
através de ingênuas subjetividades
longe da densidade
que afere os acontecimentos
SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO 803

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

DILEMAS ATORDOADOS

DILEMAS ATORDOADOS

Essa vida causada
Que o deixa  designado
Aceitar o mal estar
Extingue  o casual
Premissa do suicidado
 higienização conceitual
da prole subserviente
o prumo ao progresso
tendo vontades dragadas
e subjetividade no foco
desequilíbrios bifurcam
em dilemas atordoados
por embuste factual
enforcamento ético
atenuante do brutal
ilude com aparente
 conformado regresso
 direito e suas debandadas
o individuo desviado
do contexto social
a norma virou protótipo
contudo desigual
de lapsos intermitentes
é um crime confesso
da palavra não pensada
 discurso jorra brado
alem do bem e do mal
na pauta dos colóquios
o sistema da o sinal
os paradigmas doentes
faz pensamentos infestos
da moral calejada
coração quebrado
o sonho não da sinal
nem a vida propósitos
que o liberte desse caos

SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO 803

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

ZONA III

 ZONA III

A zona três é a senzala
Da praia grande
Conforme geopolítica
E intolerantes associados
 corresponde ao porão
do navio negreiro
subumano  afeiçoasse a nave
oprimido vislumbrado com opressor
e aos ratos que os consome
Remadores dessa caravela
Tem calos adaptados
 o jeito mais simples
 de  viver a vida
vagueia corrompida
e a base da pirâmide
vive como pode
como se pudesse alguma coisa
o que é de se lamentar
 o corpo que sustenta beira-mar
é o porto humano desigual
pela relevância
 inverto essa lógica
remeto a justiça de Ayra
 seu mundo não há senzala
e todos juntos na aldeia
sem um bom bordo
o navio não navega
o maior ativo da cidade
está na zona de guerra
da existência contra identidade
 o anfitrião em depressão
o que recebe com sorriso
a excursão forasteira
a procura do acolhimento
o âmago do espírito afável
mas só acolhe se for acolhido
como sopro que ainda lhe resta
subverte a lei dos ventos
e o esplendor do mar
não se tem que rezar
para resistir tentações
livrar-se do pecado
da divindade eurocêntrica
e ficar onde porão
Ignoram a zona original
Sobrevive ao descaso
por ser rico em diversidade
e toda indulgencia nata
ignorada pelos imediatistas
onde deixam o lixo
polui a dignidade
e adoece o corpo
a calada dor oculta
por pura negligencia
córrego o corte aberto
fluxos dos dejetos
 sabe-se onde vai parar

SERGIO CUMINO, OBSERVATÓRIO 803