O TAPETE VERMELHO DO ESTADO
Como tapete morrem
Pelos pés de seus parcas
Que fogem da desgraça
Criou-se pânico da torrente
de jovens em desespero
salvem-se quem puder
invadidos pela sede de morte
os manos e minas
sem crerem o lance
tiros anunciam a tocaia
saem como manadas
em estouro
deixa o medo afunilado
a compressão dos becos
abatidos é vida de gado
vitimados pelo mais forte
uma orquestração canalha
violam malicia das novinhas
e todos os verbos conjugados
o cerco veio das esquinas
sobre meninos caídos na noite
a esperança perdeu alcance
Pisoteados pela bota do estado
Banhados pela bebida barata
Misturado a sangue e desgraça
Intoxicados pela bomba de gás
Reprimidos no matadouro
Breque sem samba na roda do funk
O que confirma o verbete
Pele negra é bala achada
Pisoteados em plena quebrada
Imperícia conduz a manada
Aos becos do contratempo
Onde não tocam sinos
Em anos bissextos
Onde não há sufrágio
Impera urna para corpo frágil
Que a musica contrasta
A impunidade da porrada
Àqueles sem estagio
Da concessão fardada
Por uma caneta assinada
Pelas mãos brancas e macias
De um botox de gabinete
Licitude do genocídio
o projeto de extermínio
Foram lá de carta marcada
Agora no vale dos excluídos
a população
dorme
Certos da ponta mais fraca
SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO 803






