ESSE BLOG NÃO PERTENCE SÓ AO POETA, ELE É DE TODOS NÓS

domingo, 9 de abril de 2023

ANJO LIBERTÁRIO

 ANJO LIBERTÁRIO  

Negou-se emissário regente 

 dos atordoados do opio 

Fiel a verdade e integridade 

A plenitude viu-se abalada 

Entre os passeios avariados  

Uma tocaia inesperada 

Por veredas cambaleado 

Que alucinou o amor  

que tropeçou em ciladas   

Nas arapucas do mal caminho 

Circunstâncias que simula o acaso 

Em jornadas de caso pensado 

Levaram-nos a rotina sem sabatina 

Proibindo a vontade crítica 

Guardião lutou contra o mundo malvado 

Desde a tenra inocência do berço 

As rugas do tempo sem idade 

Com desencontros sem supostos  

Rapinaram a bússola em algum beco 

Para desorientar a sina 

Mesmo assim me protege sem lamparina 

Tateando pelo limbo a busca dos sentidos 

Cuida-me na medida do impossível 

Como cordel desses imprevistos 

Um terço sem ladainhas 

Não teve fuga desse garrote 

Nem do olho do furacão 

Que a foice aos fatos  

Dos assassinos de cristo 

Quando anjo e protegido 

Veem-se perdidos   

Nas glorias da hipocrisia 

Que ampara o medo engajado 

Letrado no ódio  

Lâmina da guilhotina  

Afere as asas do anjo cansado 

Vitimados do sequestro sem resgate 

Segue a jornada sem espólio 

Amargando a esperança 

Com traições da dúvida 

que se busca no profundo ateísmo 

Qual cela que prenderam o destino? 

Até o machado da justiça  

Tem seu cabo mutilado 

Tiraram o direito ao contraditório 

Com a distorcida realidade 

Mas o protetor determinado 

 Mostrou a fé nessa nevoa cética 

E sua espada que dilacera a injuria 

Rasga os conclames da parcimônia 

Cerimonia desse abate  

Tiraram-nos a ação presente 

Com a intolerância sem medida 

Pesador a dor que não sente 

Fez pequeno o olhar de Sade 

Quando corrompem o espírito 

Mas meu guerreiro alado 

Sem medo de perder as asas 

Impede estrangular a subjetividade  

as ações dos verbetes dominantes 

O anjo é a alma da resistência  

Para que liberdade seja o sagrado. 

 

SÉRGIO CUMINO – O PAULISTANO CAIÇARA  

 

  

 

  

  

 

quinta-feira, 6 de abril de 2023

INSONIA E SEUS LAPSOS

 INSONIA E SEUS LAPSOS 

A noite cá dentro se amoita 

E a lua passa sem me perceber 

Nem o vento de fora interfere  

Sua percussão com folhas de flora  

São reflexos do seu mistério 

O desconhecido não me compete 

Nem o aperto impede 

A solidão forjando a náusea 

Rogo por um gole ardendo 

De uma vodca barata 

Para ser o mediador do tempo 

Mas a hora grande 

Mãe de todo silencio 

É recebida a seco 

A provação do que faz sentido 

Sem as maritacas da autoajuda  

E suas alegorias da redenção 

-Falta-lhe Deus  

Afirmam os emissários do divino  

A dúvida me faz procrastinar  

Se sua antítese é o demônio 

Nem ele parece se importar 

A aflição distorce o mundano  

Afasta o cabaré de prazeres  

Que estágio me encontro, 

nesse refluxo que me tira o sono? 

O quarto mofado tem muito a revelar 

Formam figuras como monstros de Goya 

Devem ser espíritos excluídos 

Da prateleira do mercado magico 

São companheiros dessa cela do lapso  

Que esfumaçam a memória  

Até o amor, é um filme mudo 

De uma fita avariada 

Deixou de ser presente, mesmo restaurada  

É declarado no pretérito perfeito 

Para uma ínfima plateia desinteressada  

E a noite não passa, sou passado, 

por uma aflição muda  

No abandono desse quarto. 

SÉRGIO CUMINO - O PAULISTANO CAIÇARA