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sábado, 11 de julho de 2015

VENTA PELA JANELA



 
VENTA PELA JANELA
Avisto o imponente da janela
Ostensivo de voo raso
Coisa de poucos metros.
De arregalar os olhos
De espantar sobrancelhas
E estava mesmo ali perto
Lembra-me conto de fadas
Um colibri pousa no batente
Um colibri me faz mostrar os dentes
Já as hélices soltam sua fala
Cortina vira língua
No céu da boca
Inconsciente faz um elo
Alerta o imprudente
Arauto que apavora  
Já o invólucro do pó mágico
Que deixa o cortês alucinado
Faz seu rastro de pólvora
Já flagraram no bornal do duende
Abordado junto ao cogumelo
Davam umas tantas boca de dentes
Esse alicia. A mais valia
Mediante ao som das sirenes sonoras
Mediante suborno e seu plagio
Nunca sei quando há um sincero
Autentico dragão moderno
Que cospe vento pelas ventas
Seu ronco desperta o agoniado
Parte o sonho com cutelo
E  interrompe outrora
Com seu porte potente
Com seu poder intermitente
Faz pensar coisas que arrepia
Vibra o medo a mente
Desequilíbrio esta por perto
Colibri quando canta aflora
Desperta alegria dentro da gente

SÉRGIO CUMINO – VARAL DO QUINTAL

quarta-feira, 8 de julho de 2015

ONDAS QUE ME REVERBERAM



 ONDAS QUE ME REVERBERAM

O querer que te quer  amadureceu
Por muito  vivido o que vivo  é seu
Quando me falta o  contato,
Entro num vácuo
Do pensamento carente
Ai me vem  presente
Sem tempo nem espaço
Coração no compasso
 Com sentimento do acalento
É quando entendo
Que a memória dos poros
Com seu corpo amanheceu
E repousa no peito meu
Como gota do orvalho
Deleita-se no meu corpo
Ao inspirar sua alegria
Expirar seu calor
Suspiro no meu plexo ecoou
 Acordou  adormecido ventre
Que sussurra um entre
Junto com: Bom dia meu amor!
Que desembaraça o embaraço
És a caça que eu caço
No jogo do envolvimento
Sonho que minha noite sonhou
Memória acende novamente
Nossa! Que noite quente
A marca do abraço
Nem para o ar, da um pedaço
Aconchego e acalento
Base da sua essência
Saber ser excelência
Doutora e concubina
Olha que deliciosa rima
Sem dizer a parte sedutora
Quando juntos é o laço
Que a perna da sobre pescoço
A seguir tudo é movimento
Ondas, poesia e sentimento.
SÉRGIO CUMINO

domingo, 5 de julho de 2015

PAULICEIA AVARIADA



 PAULICEIA AVARIADA
A marcha pela rua fria
Sob a chuva do pensamento
Um gelo que penaliza a alma
Padece o ideal Consternado
Onde os meios e as meias
Desagradam molhados
Quando afogam suas magoa
Nos trajes do sapato malhado
Nas poças das calçadas
Refletindo a luz publica
Que faz da caminhada da vida
Na noite fria de inverno
 Um quadro de urbanidade morta
Odores se manifestam
Essa pauliceia desvairada
Por hora toda avariada
Mal passa os vistas
Nos Transeuntes encolhidos na
Busca do mínimo calor interno
Desviando dos corpos deitados
Como Sebáceo de um cisto
No Berço esplêndido das marquises
É o consolo na noite chuvosa
Expostos a todo o risco
Aqueles que têm a rua
Os predestinados da miséria
Com seu desproposito tribal
Somem em  meio a névoa
Que hora vez da pedra
Outrora do chuvisco
Bambeio com a impotência
Um mergulho na viagem torta
Assim fica desolado
Entre o ir e o desisto.
Sérgio Cumino – Poeta de Ayrá

ENCANTOS SOB A NOITE




ENCANTOS SOB A NOITE
O encanto que vira musica
Serenatas  onomatopaicas
Escuta e repete o refrão
Assim olhos dançam
A luz da vela mítica
Faz a escuridão virar arte
Ao comprimir ventre
Serrar os dentes
Perante a melodia romântica
As notas tornam células
Tocadas como piano
Pelas mãos que massageia
Replica anseio escondido
Excita as novidades
Agitam ,atraem, afastam
Lutam contra a dor
Alegação nas palmas do amor
Num arrepio pródigo
Acordes dialéticos
Brincando com emoções
É a ciranda dos quereres
Chocolate quente
Sussurros da pele
Mordiscar palavras lascivas
Com lambidas precisas
Sobem as pernas
Alforriadas, sem muletas.
Ao conforto erótico
Molha, demarca,  
Após a tempestade
Desliza suave
Hidrata com suco e mel
Deixa o calor exausto
Satisfeito e feliz
Aflora felina
Vive a sina
Desejosa e ansiosa
Em rito de entrega
Fogosa e mulher
Os lábios secam
Os sumos escorrem
Deleite ousado
Delicia quente
Pira, roça, rola, esfrega.
Sutil e forte
Estigmatiza a alma
Exorciza demandas
Quando o chamado
 Vem de dentro
Marcamos  a cama
Numa pintura quente
Sumos do desejo
Para o repouso encantado

SÉRGIO CUMINO – POETA DE AYRÁ

domingo, 5 de abril de 2015

PERCA-SE EM MIM

PERCA-SE EM MIM

Adoro quando se perde
Em Loucos devaneios
Protagonizados por mim
Não importa o que foi
Salivas se embaralham
A palma encaixa a cintura
À  sentir o seu molde
Sobre a planta dos destinos
Marcados em linhas
Que delineia
Cada centímetro seu
Numa entrega ritual
Do colo do tempo
Ninho de ninar
É caldeirão de amar
Com um balanço
Que geme e dança
Suores temperam
Desejos antropófagos
Rede de todos os fluxos
Pensamentos se permutam
Em temas e sonhos
Nos signos do afago
Boca que seca
Enquanto a vulva
E o amante que pulsa
Põem-se a molhar
Peles se impelem
A ponto de lubrificar
Ate mesmo o delirar
Encanto mergulha
num desejo eterno
Você em mim
Quando a encontrar
Vai se admirar
A fêmea e o cosmo
E tudo passa a vibrar

SÉRGIO CUMINO – POETA DE AYRA

sexta-feira, 3 de abril de 2015

SUA PELE MORENA



SUA PELE MORENA
Sua pele morena
brilha como amêndoa
canta com o toque
sussurra seus desejos
Sua pele morena
me declama amor
com seu corpo quente
Essa pele morena
Entrega-se a mim
com um querer desigual
Sua pele morena
me laça, me caça
entre suas pernas
Sua pele morena
me elege seu macho
seu maestro
seu poeta
seu mastro amado
Sua pele morena
Roga: Me ama!
me toma
na cama
Sua pele morena
pele manhosa
carinhosa que me faz voar
Pele morena
que seca meus lábios
umedece minha mãos
para o toque ousado
Pele morena
pele de rainha
Majestade sou seu cedro
Delicia de pele morena
Pele de Deusa
tupiniquim e Ioruba
Pele morena
me canta
como a sereia do lago
pele morena
quando nos banhamos
o toque e o cuidar
delicioso roçar molhados
Pele morena
a vontade
que meu corpo atiça
provoca a saudade
de todo querer
Sua pele morena
me provoca
me chama a suas cobiças
e serve seu mel
SÉRGIO CUMINO – O POETA DE AYRÁ


FORAM CINCO TIROS


FORAM CINCO TIROS
De moral atroz
Cinco sem dignidade
Tirou a vida vivida
De um irmão dentre nos
Arrebatou muito cedo
Quando atravessou o peito
Do sorriso sem maldade
Os justos são reféns
De julgamentos sem lei
Dissimulada honra
Perfurou a tenra bondade
Esse mal que não tem bem
Contados no dedo
Cinco que tirou a voz
De um povo que canta
É a prece da família de fé
Soma ao consolo da saudade
Do Yao querido
Xire com gosto dançava
Estampido Impôs ao vácuo
Amputou os passos
De saldar as cantigas sagradas
Trauma da perplexidade
Por um mundo sem respeito
Ah meu caro numeral
Mesmo seis vezes de você
Mais o peito tinha de anos
Diga o que disser
Negamos-nos a entender
Os lamentos são seus múltiplos
Assim como a epidemia do medo
Que bambeia sem seu direito
Por essa vida bandida
Levou-nos nosso menino de ODÉ.
SÉRGIO CUMINO – POETA DE AYRÁ
Poema dedicado ao Fabiano irmão de Santo o qual Ode o leva a sua jornada de luz.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

AS LENDAS DO ANHANGABA

AS LENDAS DO ANHANGABA

Bar do vale e comissão
Barco ancorado a duas esquinas
Onde Exu ganhou Correio
Do Bar de fama
Ipiranga com são Joao
Barbadas com anedotas 
Barbeis e xaropes
Passa capitão Salomão
Ao bar da trilha
O que rima amor com dor
Poeta a faz cria
Fracassados da campanha
Recupera sua gana
Se na máquina toca um Rock
É do bêbado operador
Uma passarela Paulistana
Mito urbano a nutria
Pelas mamas da mãe preta
Com suas divinas tetas
Sob a saia do viaduto
Da Santa Efigênia
As barbas de São Bento
Pulando a parte dos salmos
Carma de uma sina
Sempre há algo a confessar
Bem ali onde outrora
Havia as aguas do rancor
E a lei do mais forte
Era córrego do Anhangaba
Seu entorno havia um brejo
De condenados e degolados
E hoje passa procissão
Licença da poesia
Para nossa sorte
Das Aguas de São Paulo
É um novo reduto
De deslogados e descolados
Até aqueles da quebrada
Outros a caminho da balada
Não importa que seja
Muito menos qual idade
Pede para sentar
Contempla espuma da breja
Para tensão passe um trote
esquecemos até o amanha
na ressaca a senha
no segredo alegria
Perde-se o só sustenido
do pobre cavaquinho
fica com a corda violada
Por um Indiano Made in China
A opera da diversidade
Outros perdem o sentido
do acertado e a via crucie
Esbornia da existência
e suas paixões passageiras
Mas isso não é nada
Senta à mesa e pega um copo
Brindemos a inconstância
da poética da cidade
Pandeiro remelexo da menina
Deixe-as requebrar as cadeiras
Preciso contar um troço
Na conta caiu nada
E outras tantas paradas
Tiradas do fundo do baú
Coisas daqui de dentro
Surge como rio que invade
nem sempre verdadeiras
outras tantas corriqueiras
reveladas bem no centro
no vale do Anhangabaú


SÉRGIO CUMINO – POETA DE AYRÁ

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

CONFLITO E SEU PLAGIO


CONFLITO E SEU PLAGIO

eu me declaro
nem sempre é o que encaro
nem sempre é para sempre
e o barato sai caro

olha que não reparo
quando me deparo
quando saio de bando
se é distante ou atalho

se tenho um ato falho
comigo eu ralho
comigo eu intrigo
se não entro não saio

não há quebra galho
se é assunto que malho
se é assunto profundo
para não passar de otário

diverso nesse balaio
improviso não ensaio
improviso preciso
recrio meu declaro


meu presente embaralho
misturado do baralho
misturado quando junto
a gloria e o calvário


aos conflitos torno grato
Hora sou gato outro rato
Hora entorna o caldo
Viver é loucuras de fatos

Prazeres alados
A noite atardo  
A noite amanhece
Num saboreio amado

SÉRGIO CUMINO – POETA DE AYRÁ