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terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

CANTORIA DAS ÁGUAS

CANTORIA DAS ÁGUAS 

 

Na imensidão da noite 

Sussurra uma brisa falada 

- olha que linda minha filha 

Sente as ondas cantadas 

Como um rio de palavras 

Sopro doce suplantava a razão 

Correnteza de fala mansa 

Em frente a nevoa formava 

Dourada como mel 

Sob a magia da lua 

Em ondas que subverte o tempo 

 sorria da aproximação da barca 

Com reflexos de luz dourada 

Como a candura mulher amada 

 arte de estar à deriva 

O medo se calava 

O navegar preciso  

se perde na imprecisão magica 

os instintos, bailam nas correntes  

De marolas brandas 

Quando a emoção vira cachoeira, 

 os sentidos aguçados. 

Assim como prece de pescador 

O signo do amor bastava 

Na nevoa silhueta apontava 

as águas faceiras deslizam  

pelas pedras de xangô 

Rochas amolecem com abraço  

 e o balé de seus arquétipos 

Quando a dúvida inegável, 

Visão era magia ou inspiração 

constatação do afago,  

O pescador vivencia poesia 

Esparramadas pelas margens 

Era melodia aos enamorados 

Ali surgia Deusa do amor 

Lança a rede a pescar respostas 

Pela neblina se apaixonava  

Madrugada acolhe admirador 

Essência que lhe abarca 

estrelas testemunhas secular,  

A mágica paixão do pescador. 

 

SÉRGIO CUMINO – O POETA DE AYRÁ 

 

 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

ANOMALIA DA ECONOMIA


ANOMALIA DA ECONOMIA

O corpo da nação
Sofre de Disritmia
Pelas vias soberanas
A boca seca e sobe custos
Por desvios hídricos
lama tóxica das barragens
Alem dos gases urbanos
Que emergem os câmbios
Economia indigesta
Desestrutura a espinha dorsal
Ramifica a embolia
a sociedade um organismo
Longe de ser favorecidos
corpo e mente adoecidos
o que vislumbra o legado
são as queimas do serrado
devastação da floresta
chacinas nas favelas
petróleo a deriva
descontrole do intestino
em lençóis aquém do mar
contagio de  manchas
epidérmica da anomalia
Simulacros em cadeia
uma congestão nefasta
enquanto arroba em dólar
perdemos o tônus da moeda
rouba saúde do povo
esperança vazia no peito
amarga sugo gástrico
cuja tendência tediosa
estatística parcial confessa
na fragilidade dos ossos
danos a massa são maciços
cavidade profunda das minas
dependente de minérios
como gula a entorpecentes
não reabilita o social
porém deixa peso
dessa avaria sobre seus pés
capital o mal insinuante
com as botas neoliberal
em pisada do parlamentar
com obesogênicos bolsos
de oportunistas de plantão
que curva os joelhos
as costelas organizadas
coluna em distensão
ancas inflamam até o palato
e põe na conta da virose
nas veias fundamentalistas
e prolifera a demência
boatos difamam os fatos
como motores cospem fuligem
a sentir a rouquidão
aborta as possibilidades
das ecologias humanas
nas tempestades e suas calamidades

SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO 803