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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

ITÃ VERSA O VERSO

ITÃ VERSA O VERSO

Testemunho ocular 

Dos passos descompasso

Como dúvida cantada

Cuja resposta intuída 

Deveras doida

É o que caleja caminhada

Ancestralidade secular


Medo que trava os dentes 

E a cautela de ser pertinente 

Na hora de desatar o nó 

Que codifica os arrepios

O pé da consulta, se move 

Saudar no rito do paô

No ritmo que Exu entende


Vereda que volta diferente 

As reflexões se abatem 

oferendas ao pensamento

Os tormentos difusos 

Quando a fala vira fumaça 

É magia dentro de cabaça 

A graça é manifesta nos Búzios


Nove estradas e cinco perguntas 

Três opções, haja coração 

O que versa liga a conexão 

Entre Àiyé e a vastidão do Òrun, 

A filosofia cantada no chão

 As linhas das palmas lançam Odus 

És mensageiro de Olorum.


Conduz-me ao passado 

Para que entenda a missão 

Não há caminhada sem rumo 

 esperança em forma de concha 

brincando de ciranda de roda

Avatares signos de si

Temperando meu Ori 


Essa metafísica representativa

Zeladora das células 

Amálgama aos saberes invisíveis

Ela que me prende a terra

Como Eres que berram 

Aos quatro cantos celestiais

Não há dualidade nessa União 


O oráculo prevê a mente sã

Da caminho ao sonho perdido

firmeza ao cético arredio 

Poeta versa devoção a ITÃ

 Verticaliza credo da fé 

Rogo poesia seja prece divina

Com a Pena sagrada ,òkòdidé


SÉRGIO CUMINO – O POETA DE AYRÁ         

                   

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