Coloquei -me a escrever no escuro
Sabe-se lá quando se dá a luz,
Física, metafísica e biológica
As palavras frente a sombras
Ludibriando a caligrafia
Pesca na poesia de nevoeiro
Sonatas lúgubre para mistérios
Ouve-se o lobo na velocidade do uivo
Zumbindo no ouvido
Ou o que for aquele gemido
Um recado do pressentimento
Hora do sentimento subir a ribalta
Caneta conduz, caligrafia atua
Há mais entre a vela e a sombra
Que supõe sua van temência
Ao inconsciente oprimido
A introspecção é do pensamento
o dilema entre opinar ou intuir
Nessa noite fechada a opções
E apagada a brandas visões
Dá-se a luz! Chamem a Lua!
O prelúdio do mistério
Caldeirão metafísico
Sem a fogueira sob a névoa
Favorece enigma, e doa dilema ao poema
Veneno escorre pelo batente
Do quarto sem janelas
Onde as gatas perdem o escrúpulo
De acordo de como deixam as cacas
Percalços descalço de um poema no escuro
Insolúvel, insolente, pisado
A palavra escorre e a vela arde
A caligrafia sem pressa em prece
Aguarda o recado da coruja
Que na noite escura ela enxerga
Se é um recado oculto
Ou uma lembrança para poesia conversar
*
FRÊMITOS DO ILÊ
SÉRGIO CUMINO

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