ANA CLARA NOS DEIXOU
Ana Clara será sempre luz
escuridão esconde a sombra do fuzil
Dessa distopia do signo senil
Os nós da gravatas reluz
O aperto do estômago indignado
As cápsulas souvenir dos bárbaros
Assombra a esperança na contraluz
Há um cinismo condutor de fardas
a bolsa milícia não tarda
programa de governança verte pus
Necropolitica começa na infância
Ana Clara era apenas uma criança
A massa que o proselitismo conduz
Quer as minorias numa vala
Seja de fome, epidemia ou bala
Ter nada a muito menos se reduz
Tiram os sorrisos, afetos, benefícios
Fazem surubas com nosso sacrifício
Está além do bem e do mal, é o que se deduz
Tornou-se mosaico, nosso Guernica
Família de bem, decide quem vai quem fica
neopentecostais e a fé de avestruz
Servem a bunda, enterram a cabeça
O que importa aos fariseus é que obedeça
Tudo mais que o fascismo conduz
Seja qual for a carência
A soberania dos corpos é resistência
Ana Clara será sempre luz
*
FRÊMITOS DO ILÊ
SÉRGIO CUMINO

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