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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

JULIA BRITO A POETISA DO IPÊ-AMARELO

JULIA BRITO
A POETISA DO IPÊ-AMARELO

Criem cantigas sagradas a poetisa


 Como aquelas que evocam energias


Para que a primavera celebre sua vinda

Ipê amarelo é sua poesia

Que a lemos sem vir à sombra

Porque é luz que encanta os olhos


mas todo caminho tem seus percalços

que atinge a alma e causa avarias

Ocorridas em Estações de outrora


Feridas aos pés descalços

Outono, não derrubou apenas folhas

Sim ipês de sua sagrada genealogia

Perdeu encanto a fauna e a flora

Inverno trouxe a saudade fria

Cruel perda da mana querida

Desmatando a amada família

Entraves  do navegar de cada rio

Rogamos a Julia da paginas soltas

Por sermos poetas provençais

Com serenatas a janela d’alma

Seremos o sol de Cabo Frio

Tornemos flores do seu amarelo ipê

Lembrá-la que seu sorriso belo, é vida

Herdada pelas rimas repentistas

Seu rabisco emociona quem os lê

Poetisa moderna de nosso cordel

Apreciaremos como o beija flor

Assim como seus entes no céu.

Sérgio Cumino
Homenagem a Julia Brito, poetiza, e eterna amiga  que muito estimula esse blog,

terça-feira, 19 de outubro de 2010

CLARIVIDENCIA

CLARIVIDENCIA


De onde vem esse sussurro

Que me arrepia e não ilude

Boca em forma de clarim

Surge como sopro celeste

Que faz do correto absurdo

Que sem muito esforço

De desejá-la me incube

É do além e saí de mim

Das raízes do meu Cipreste

E revela outros fundos

Matrizes que causa alvoroço

O mito e o “eu” se fundem

Equilíbrio define o jardim

Sábio é ouvir que me disseste

Emergir meu ser do fundo

Em Respeito declino o dorso

E a testa e solo se unem

Couro e baqueta do tamborim

Despimos-nos de falsas vestes

Para permitir grandes trunfos

Basta ter pensamentos soltos

Peito aberto para que inundem

E que couraças rompam sim

E vibrem imagens ancestres

É o coletivo de outros mundos

Vindo como repentinos sopros

Num conjunto que se traduzem

O que há no cosmo há em mim

Sérgio Cumino - O POETA DE AYRÁ
Caro Leitor, deixe seu comentário, sua reflexão, opinião , é para mim de grande valia, que coloque esse rio em eterno movimento, clique no link de sua rede e compartilhe com seus amigos.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

CONTEMPLAÇÃO AO SONO DE CÍTARA



CONTEMPLAÇÃO AO SONO DE CÍTARA
Quando a bela adormeceu

De pronto se fez o anuncio

Mergulho do mito de Orfeu

A cada sopro do seu respirar

Contemplada quando dormia

Palavras do corpo emergiam

Frases, versos e jeito de amar

Sua pura energia ampliava

A cada onda do seu ressonar

Perguntava-me como podia?

Poesia de o seu corpo exalar?

Ali conheci a felina magia

Sua pele, docilmente arrepiava

Na sua graça gentil dizia

Meu corpo nu é todo seu

Palma da mão umedeceu

Como a pouco sua doce vulva

As letras tomavam formas

Poesia concreta da pele macia

de cada ponto do corpo nu

Tem luz como a própria lua

É um jardim da linda fêmea

Dela brota como encanto, rosas

dos cabelos vinham as brancas

Após a chama do amor azul

a noite quente torna branda
veio do colo a de cor rosa,

Terna silueta  que semeia

Uma beleza de toda prosa

Percebia que a fadiga sorria

Não era o fim da chama criada

De seu ventre flores de Oxum

Há mais vida na noite amorosa

Há fascínios doces delírios

Essências milenares no Olorum

O sono torna leitura consagrada

sua mata de rosas carmim

Somos florescer de lírios

Perguntava-me como podia?

Musica de o seu corpo exalar?

Ali apreciava toda sua melodia

Sua luz que vêm me abraçar

Vibra toda a graça em mim

Alem dos olhos humanos

gera sons do nosso limiar

Externo de sentidos acesos

sustenta-se o pulsar profano

Portas de trancas desatadas

mergulho ao sonho interior

Faz de nós liga sagrada

Sua nudez suave cítara

O sentir a toda plenitude

Nossa ária um gozo gemido

Num resplendor tamanho

Como cantar de pássaros

Evocando todos os sentidos

Sussurro que te amo

Como sua lira seu alaúde

Canto te sem embaraços

Celebro o lindo epilogo

Cantar d’alma é nosso açude.

SÉRGIO CUMINO

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

CORAÇÃO NO ARQUIVO

CORAÇÃO NO ARQUIVO

Pensamento na direção exata

sonhos de passos seguros

a lua, terra e boca úmida

estão dispostas na pasta azul

corredor seis

arquivo morto

desejos retirados com raízes

desidratados com raiz quadrada

Amar deleite de literatura

e depois delete

enquanto se entrega a transáveis

artigos e cláusulas

de temperatura amena.

há sussurros nada contratuais

que fazem

perder o rumo

de uma procedência segura,

deparando com a insuficiência

do termômetro pejo, deixa sua

ordem física e moral

se escarnecer

burlam a clara idéia

do regimento das palavras.

mas essas que têm vida própria

quentes que fogem

as exatas combinações do perito assexuado

dão pane geral;

que vírus é esse

de origem selvagem?

que desorganiza o coito burocrático

uma revolução na sua cabeça

uma desarmonia da ordem

que movem o corpo

é preciso entender isso

em que pasta deixou a palavra

prazer?

SÉRGIO CUMINO

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

CAMINHADA DO POVO DO SANTO


CAMINHADA DO POVO DO SANTO


O povo dos Ilês caminha

Levando no peito orgulho

Aos ventos cantigas de Fé

É sol tamanho sua alegria

E das janelas vêem múrmuros

E venha junto quem quiser

 

Em passos rítmicos cantam

Com contas, ração e turbantes

Vibrando ondas ao Olorum

Sorrisos que todos encantam

Subverte a moral intolerante

Nos Caminhos talhados por Ogum


Brandindo o passeio ao norte

onde reina irmão de Ode

Rio de pessoas de branco leito

Viver Orisá é nosso Consorte

Que nossos Autos são de ASÉ

Força d’alma contra preconceito


Mãos dadas nossa corrente

Diferente daquelas das senzalas

com nossa alegria ninguém pode

A liberdade é nosso ventre

Fundadas em arvores sagradas

É a benção divina que nos cobre


Embalado pela magia do tambor

Nas ruas passeio de fundamento

São as energias do lindo manto

Nossa resistência esta no amor

semblante de nobre sentimento

Divino passeio do povo de santo


Mãos dadas formam laços

De famílias de outros ventres

Os Ilês nas ruas da Bahia

Nação pede por seus passos

Preconceito sabe quem sente

Lavem os caminhos que nos guia

Sérgio Cumino - O POETA DE AYRÁ

Dedico esse poema, ao CEN Coletivo de Entidades negras ao amigo Marcos Rezende, e todas entidades coirmãs na luta pela liberdade Religiosa .Asé!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

FEROMÔNIO DA PALAVRA

FEROMÔNIO DA PALAVRA

Feromônio que me invade

Como sol que adentra o quarto

Raio macula a minha trindade

Destrona a falsidade divina

Desordena a discrição coletiva

Torna doce meu conjunto amargo

No calor plebeu que atina

A chama nova do âmago

Entorpece o desejo que afago

Esfumaça o medo que me retinha

Torna nobres os meus demônios

Feromônio que me invade

Desperta o poético no safado

Liberdade anárquica no humano

Como sol que aquece o plexo

Acalora o tesão e seus sinônimos

Faz da palavra chama acesa

A flecha de desejo cravado

E o sangue pulsa meu sexo

Tornando-nos uno pela química

Ao grito do silencioso estalo

Acorda da caverna o instinto

Feromônio que me invade

Entropia da ordem cívica

Discurso gemido sem nexo

Com suspiro que me calo

Harmônico uivo desafinado

Hidratado na quente gruta

Temperada com cada verso

Tributo da erótica mímica

Fascínio da primavera que se sele

Quando hormônios estão no ar

Faça as malas da tensão

Feromônio que me invade

O esquecimento da labuta

Vive-se a vontade intrínseca

Do Toque a flor da pele

Paradigmas em plena luta

Luz que banha cada víscera

Todas as estações o pólen

Pelos ventos são alçadas

Que conjugam o verbo amar

Chave encantada de cada tesão

É o feromônio das palavras.

SÉRGIO CUMINO

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

TRANÇANDO CACHOS


TRANÇANDO CACHOS

Na trança, quente que nos assanha

Com trama, bailada pela cama,

Laços a invade, com macho de cachos

Desejos absorvidos, suspiros, e pelos

Envolve-me, me chama seu cio, me consome

Engole-me em sua gruta... Num embalo, num porre

Os gemidos são musica como sussurros perdidos

Que grita pelo meu phalo, quando corpo levita

Invade mergulhos pedidos, para que perna me abrace

Fica tremula em pirofágicos gozos, nos pontos da fêmea

Fica louca, ternura amada, no beijo na boca

Deliciosamente safada, sem pudores pelo que sente

São suspiros nascidos desse poeta atrevido

Faço do desejo uma trilha, e dos corpos abraço

Prelúdio do calor interno há um chamado sutil

É a garra do querer, na caricia que a afaga

Dedo escorrega o fascínio, rompendo medos

Pincel que desenha o corpo com o incolor do mel

Faz da alvorada mistério e a noite sagrada

Roço menina, contorno sua sensualidade felina

E que meu corpo, fique sobre o deleito solto

Seu querer é partitura da melodia de ser

Meu amar é a sinfonia harmônica de estar,

Visto sua mascará e interpreto sua alma

Dialética dos quereres na grafia do seu sorriso

Deixe sua mão brilhar na nossa arte de se amar

Deixa seu gemido cantar, o orgasmo estampido

E sente como ele te dança para você eloqüente

Pulsa o amor de sua natureza em uma quente salsa

Mexendo sobre mim, seu o rio, a onda o vento

É o som do acalento, somada a oratória do silencio

É o conjunto dos desejos, que cria nosso mundo.

Sérgio Cumino


quarta-feira, 15 de setembro de 2010

MEL

MEL

Quero seu mel,
Na coreografia dos seus desejos vividos,
Quero seu mel,
Na musica do seu gemido melódico,
Quero seu mel
Que mina do seu corpo querido
Quero seu mel
Como banho de minha alma,
Quero seu mel
Para amor ser nosso código
Quero seu mel
A criação de sua fauna
Quero seu mel,
Como benção de todo seu céu,
Quero seu mel
Que regue amor amado
Quero seu mel
Para sorver-te mulher
Quero seu mel
Por toda graça untada
Quero seu mel
Para arte dos corpos gozados
Quero seu mel
Como fonte do seu querer,
Quero seu mel
Numa úmida cavalgada
Quero seu mel,
Para o tempo esquecer,
Quero seu mel,
Que seu querer me mele,
Quero seu mel,
Para entrega do meu ser.
Quero seu mel
Na química da pele
Quero seu mel
Como ouro do amar
Quero seu mel,
Como seu amor terno,
Quero seu mel,
Pra meus sentidos vibrar.
Quero seu mel
Aquecendo nosso inverno
Quero seu mel
Para que de vida o meu caos,
Quero seu mel
Para nossos corpos assanhar
Quero seu mel
Além do bem e do mal
Quero seu mel
Onde os corpos se fundem
Quero seu mel
Como liga pra abraçar
Quero seu mel
Como gozo de plenitude
Quero seu mel
Para que não marque apenas o lençol.

Sérgio Cumino

terça-feira, 7 de setembro de 2010

JULIANA’S

JULIANA’S

Quantas vezes hei de suspirar seus dias

Inspiro-me na sua bela graça nascente

Anos que constroem passos de nossas filhas

Entrego-me a seu colo macio e poente


È o movimento da Juliana em mim

Simultaneidade de todos seus sentidos

Quantos dias formam seus jardins

Quantas noites serestas seus gemidos


São anos que passam em bemol

Melodiosa edifica meu amor

Escrita no movimento do girassol

Alimenta meus sonhos corpo e calor


Juliana’s de ti nasce formosa na Carolina

Nos seus passos, medos e jeito de olhar,

Na doçura, Juliana reluzente de mina

Solidárias preguiças da sua manha de ninar


 
Pra celebrar seus anos deixo para Camila

Nossa sapequinha a Julianinha caçula

chama a Mãe boba, linda, mamãe minha

Que pelo materno carinho lê-se até bula


 
Somos as flores que namoram seu sol

Sementes de um amor que germina

A Milinha agarradinha com a Carol

Nina nossas ninas com bela cantiga


 
São os botãozinhos que naninha deu

A cada sorriso é pique é pique

Toda hora é hora para um beijo seu

Por a mesa é diário pique nique


Parabéns pelos sonhos que sonhei

Que todas as datas sejam queridas

Juliana que fez o melhor que cheguei

Dona de um sorriso que cura feridas


Acompanha o sol em sua dança

O astro que a faz linda mulher

Com sorriso que te mostra criança

Sou entregue ao carinho que me der


 
Parabéns pelos anos de louvor

E por nós, que por ti cresce

Juliana que pulsa no trovador

Cantando o que lhe engrandece.


Salve Juliana sua data querida

E tantas lindas que estão por vir

Trinta e cinco de vida vivida

Quanto ao meu amor, só basta sentir.


Sérgio Cumino