ESSE BLOG NÃO PERTENCE SÓ AO POETA, ELE É DE TODOS NÓS

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

PRECISO

PRECISO

Preciso respirar seu ar

Sinto-me sufocada sem ele

Preciso de suas mãos

Macias a me ocupar

Faz dos meus sentidos quereres

Preciso que me invada com olhar

Numa dialética cheia de emoção

Descrever com arte meu ser

Preciso da sua boca a me saborear

Gulosa orquestra toda minha paixão.

Preciso entender o grito de liberdade

Que me leva ao encontro do infinito

Preciso da chama que sabe atear

Quando seu corpo diz que me quer

Preciso desse novo sem gabarito

Que surpreende quando me faz gozar

Preciso desse homem que me faz mulher

Que deixa melada só por pensar

Entrelace a magia dos genes

Preciso que misture suores

Com desejo me faz queimar

Fico louca quando gemes

Preciso dos sentimentos germinam

Aqueles que só você faz brotar

Preciso do arrepio na nuca

Esses que me faz sussurrar

E que me sorva como fruta 

 
Preciso que hidrate minha pele

Sentir seu corpo colado

Pulsando desejo quando me rele

Preciso que me lace com seu abraço

Aconchegue-me ao seu calor

E eu o faça um homem amado.

SÉRGIO CUMINO

domingo, 7 de agosto de 2011

PAI TONINHO DE XANGO

PAI TONINHO DE XANGÔ

Pensar no signo do amor

Vem aquele tem doação na fé

A palavra que aponta o caminho

A missão que se cumpra o destino

Seu sorriso profundo traz axé

Com as folhas anula o rancor

É servindo que conquista a Benção

Seus filhos são pássaros no ninho

Assim aprendem:

A reza dos ventos

O encanto das aguas

A magia do fogo

O mistério das matas

Que viver é o processo a redenção

Sente no peito a luz vibrar

Onde Ifa aponta a vida em jogo

Aí o filho se declina ao pai, por emoção.

Na simplicidade que aprendemos amar

Junto se cultua o solo sagrado

O templo é o útero, nosso bosque.

Onde comem e dançam os Orixás

Da harmonia com olorum vem o perdão

E acalma o filho que sofre

Encontro com axé torna proposito

Caminho ao infinito é ir a própria essência

Ser como pai, homem e menino.

O amamos e somos amados

Vencemos o medo e as carências

Contigo não nos sentimos sozinhos

Seguimos firmes nesse mundo insólito

Sob a proteção do machado

De nosso Pai Toninho.

SERGIO CUMINO

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

BRANDA LOUCURA

BRANDA LOUCURA

Seu carinho é como vento

Que esvoaça meus cabelos

E deixa meus sentidos atentos

Aguça a ereção dos pelos

Baila como bambuzal ao tempo


Seus olhos brilham desejo

Como sol sobre a lagoa

Diz que me quer todo dentro

Diz ser toda minha com lascivo beijo

Dando curso a vida atoa


Contemplo-te entre suas coxas

O seu corpo o mais doce horizonte

Pernas e meu tronco formam uma serra

E os quereres umedecem sua fonte

Torna viva, deliciosa fêmea.


Sua boca respira meu ar

Gemidos ecoam em ebulição

Vibram como ondas do mar

Revela embriagada paixão

Em meus braços entrega-se louca

Seu gozo faz da minha alma branda.

SÉRGIO CUMINO






quarta-feira, 27 de julho de 2011

BOLSA DE PANDORA

BOLSA DE PANDORA

Mulher e sua bolsa

São duas em uma

Se atrever separá-las

A deixa mais que nua

Frágil como louça

Porque a bolsa tem alma

Guardiã dos sigilosos segredos

Bolsa tem pele

Que traduz seus anseios

A bolsa mimada

Protegida como uma filha

A bolsa cheia insígnias

Que lhe revela nobreza

A bolsa tem laços

Intima como uma amiga

Daquelas para toda hora

Como deusa e o bornal

Enfrentam percalços da vida

A bolsa tem mitos

Em punho, a faz, divina

Testemunha seus medos

No abraço da esperança ferida

A bolsa carrega fama

Caminham em cumplicidade

A bolsa a faz dama

Ampara a lagrima escorrida

Trunfo que lhe da vantagem

A bolsa te completa

Estará lá tudo que precisa

Como lâmpada magica

A bolsa a faz sensível

Quando saca de dentro

As palavras do poeta

A bolsa a faz única

Abrir a quem não pertence

Injuria do atrevido

A bolsa de pandora

Que carrega a esperança

A bolsa revela felina

Ela entende sua vaidade

Do batom da boca atrevida

É o baú de desejos

Prevenida para sexo gostoso

O espelho para sua magia

Menta na camisa de Vênus

Aroma de particular fragrância

As rendas que a faz faceira

E todos seus enigmas

Há também a bolsa rainha

Para mulher não há diferenças

No colo elegância

Já no corredor de sedução

Bolsa a faz poderosa

Pelas noites urbanas

De mãos dadas

Olhares assanham.

Pela sensual e misteriosa.

 
SÉRGIO CUMINO

quinta-feira, 21 de julho de 2011

O SALTO DA BELA

O SALTO DA BELA

Que graça sobre o salto

Glamour da passarela

Sabor flutua a estima

E fascina de assalto

Pela dama Arqueira

Que não anda, dança.

Não caminha, desliza.

Como porta bandeira

Bailarina da opera Carmem

Seu corpo balança

Sua sensualidade atiça

Seja nos palcos

Ou na plateia

Quando os desejos ardem

Pelo feitiço dos saltos

Torneando-a singela

Fêmea que brilha bela

Faz o olhar virar cortês

Mulher sabe o que quer

Até quando para a esquina

Tupiniquim ou na Argentina


Mesmo projetando os pés

Na cruzada de pernas

No requinte do café francês

Ou jantar a luz de velas

É bela e ninguém a segura

Homens tiram a cartola

Cupidos armam a flecha

Estendem o tapete de pétalas

Aguça invejas carolas

Todo o deslizar da doçura

Seja na sedução do tango

Na alegria do samba

Encanta até os ascetas

Com sorriso das ancas

Ressalta beleza da Dama

E a alma de malicia pura

Luminosa sobre a agulha

Sedutora com as formas

Sempre serão amadas

Em requintes plataformas

Sensual e sobre salto.

É mulher de divina doçura.

SÉRGIO CUMINO

domingo, 17 de julho de 2011

PAI, FILHO e TODOS OS SANTOS.


PAI, FILHO e TODOS OS SANTOS.


Em nós tudo se eterniza
Quando nos vemos
Parte do vento
Aguas em essências
Chamas de mítico fogo
Alimento de nossa terra
Torna o caos em brisa

Aprendemos tudo que lemos
Pessoas, cosmo, tempo.
Que somos fragmentos do todo
A chave do sentido da vida
Mergulho no oceano
Olhando do topo da serra
A alma se harmoniza

Com puro viemos ao puro rendemos
Como átomos em movimento
Morremos e nascemos
Somos estrelas e as cadencias
O que o sentir realiza
Aprender a vir o que não vemos

Os sinais que nos intriga
A divindade no pedido da Bênção
Descobrir-se poção do sortilégio
Aí fluímos consonância
Protagonista e seu antagônico
Criamos nosso filme de arte

Extrair sabedoria de toda tensão
Vemos o virtual e o real
O olhar nosso privilegio
Através de nossas inconstâncias
Como lados da mesma face
Signos de muitos cultos

Cantigas de todos os cantos
Culturas na mínima célula
Trágicos e cômicos
Somos o além e seu duplo
Caminho e a trégua
O Pai filho, e todos os santos.


SÉRGIO CUMINO - POETA DE AYRÁ

sábado, 9 de julho de 2011

DOCE DE ARAXÁ

DOCE DE ARAXÁ

É Terra de dona Beija que seja
Vive a bela de Araxá
Contei uma história de Amor
Princesa, minha alteza,
Somente a ti, vou me declinar

É de uma vida Caminhadeira
Por um Brasil doce de lá
Trarei seus botes numa cesta
E minha viola para te cantar

Caminharei pra ver toda riqueza.
E ver pra ser, tudo que me der
Até as Frases de todas as letras
E a magia de São Tomé

Contei uma história de Amor
Princesa, minha alteza,
Somente a ti, vou amar

Brindarei a luz da fogueira
Liberando coração no mote
Amor a sinto nas estrelas
A doce forma que me vier

O que indica onde esta meu norte
Mas nesse assunto quem vai falar
Em doze cordas do bem me quer
É a viola quem vai narrar

Contei uma história de Amor
Princesa, minha alteza,
Somente a ti, vou deflorar

Em meu colo venha e sente
E se espalhe com seu doce mel
Divina dança seja o seu trote
Doce de leite da estrela do céu.

SÉRGIO CUMINO


sábado, 2 de julho de 2011

COBERTOR DE ORELHA

COBERTOR DE ORELHA

Aquecidos beijamos arrepios lambidos,
E pela saliva nos mistura, entorpecidos.
Alteramos o entendido em ousado,
Deixamos assanhado. Mundano;

Beijo, que provoca o melado, festejo.
O sussurro que te fez perder o ar,
Vira fagulhas que derruba medos.
Zunindo assanha o amar,

Excitados nos faz afluente
Os nêutrons, fótons e pelos,
Onomatopaicos de todos os sons
Corredeira mística da mente.

Servir para voar, horizontes ramos.
Voando pelo céu de percepções
Aquece se prova o diferente,
A casta rude impõe planos

Ouriça se ousamos,
E o corpo subverte
Sensações ardentes.
Num estar puro moleque

Roço-te até molhar o intenso,
Contornos! Dedos quentes
Êxtase do delírio vosso.
De cima a baixo, dentre o ventre.

Mãos a faz pétala, num toque leve.
Meu sexo e seu mel crescem
A toca molhada, meus lábios secos
Sob a gruta, e de concha reserve.

Pernas que se abrem lampejos
Todas as veleidades explodem,
Em milhões de vontades vadias.
Sob a coberta! Entre chamegos.

 
SÉRGIO CUMINO








domingo, 26 de junho de 2011

POETA DA GAFIEIRA




POETA DA GAFIEIRA

O batuque nos fósforos

Retarda lá pelas tantas

A rítmica tropeça

Porque a vista alcança

Rebolado da Negra

O arrepio ouriça os ossos

A alma vira bossa sem pressa

E mistura poesia, desejo, dança.

A caneta é o garçom que empresta

Com fonte no querer vem à escrita

Feita no guardanapo sem elegância

dando sentido a cada suspiro

Romantismo do tempo da “estudantina’’

Escreve em versos e prosa

Seu andar é um teatro de revistas

O bailar dos seios do decote atrevido

Alegria que ilumina a mulher e menina

A graça da negra com suavidade da rosa

Nunca em tantas boemias tivera bela vista

Olha que a noite lhe reserva divinas histórias

Mas nunca remelexo fez dos sonhos, sentidos.

Batidas do coração viraram sinfonias

Guardanapo é o lençol da mulher fogosa

Que hoje enxuga a lagrima da memória

Passaram muitas luas de pandeiro batido

O boêmio não percorre mais pelos bares da vida

A musa o eterniza com sua poesia e relíquia.

SÉRGIO CUMINO